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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 702
De 26/11 a 29/11/2010
 
 
 

Dia 26/11: 330.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, a França lança o seu primeiro satélite, o Astérix 1. Torna-se na terceira nação a entrar no espaço.

Observações: O brilhante planeta Júpiter brilha a Sul após o anoitecer. Por volta das 20-20:30 esta semana, quando Júpiter se tiver movimentado um pouco para a direita do ponto cardeal Sul, situa-se directamente para cima de Fomalhaut, a Estrela de Outono.

Dia 27/11: 331.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, a sonda soviética Mars-2 torna-se no primeiro objecto feito pelo Homem a atingir Marte.
Em 2001, é descoberta, pelo Hubble, uma atmosfera de hidrogénio no planeta extrasolar Osiris, a primeira atmosfera detectada num planeta extrasolar.
Observações: Orionte é já bem visível pelas 22:30. Procure, para baixo da constelação, a brilhante estrela Sirius, de Cão Maior.

Dia 28/11: 332.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, a NASA lança a sonda Mariner 4.

Observações: Se é madrugador(a), aproveite para observar o planeta Vénus a partir das 4:30, a Este-Sudeste. Para cima, encontra-se o planeta Saturno.
Lua em Quarto Minguante, pelas 20:38.

Dia 29/11: 333.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1803, nascia Christian Doppler, matemático e físico austríaco, famoso pela sua descoberta do que é agora denominado efeito Doppler.

Em 1961, Enos, um chimpanzé, é lançado para o espaço a bordo da missão Mercury-Atlas 5. A nave orbitou a Terra duas vezes e aterrou no mar perto da costa de Porto Rico.
Em 1965, a agência espacial canadiana lança o satélite Alouette 2
Em 1967, lançamento do primeiro satélite australiano, o Wresat 1.
Observações: Aproveite a noite para observar o enxame duplo de Perseu.

 
 
 
Ofiúco não é considerado uma constelação zodiacal pelos astrólogos, embora no seu trajecto aparente ao longo do ano o Sol passe por 13 constelações, sendo uma delas Ofiúco (o Serpentário).
 
 
  RESOLVIDO MISTÉRIO DE ESTRELA PULSANTE  
 

Ao descobrir a primeira estrela dupla onde uma Cefeida variável pulsante e outra estrela passam em frente uma da outra, uma equipa internacional de astrónomos desvendou um mistério com décadas. O alinhamento raro das órbitas das duas estrelas no sistema estelar duplo permitiu fazer uma medição da massa da Cefeida com uma precisão sem precedentes. Até agora, os astrónomos dispunham de duas previsões teóricas incompatíveis para a massa das Cefeidas. O novo resultado mostra que a previsão teórica da pulsação estelar está correcta, enquanto que a previsão feita a partir da teoria da evolução estelar não está de acordo com as novas observações.

Os novos resultados da equipa liderada por Grzegorz Pietrzyński (Universidad de Concepción, Chile, Obserwatorium Astronomiczne Uniwersytetu Warszawskiego, Polónia) saíram na edição de ontem da revista Nature.

Impressão de artista do espectacular binário OGLE-LMC-CEP0227.
Crédito: ESO/L. Calçada
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Grzegorz Pietrzyński fala deste resultado extraordinário: "Utilizando o instrumento HARPS montado no telescópio de 3,6 metros no Observatório de La Silla do ESO, no Chile, juntamente com outros telescópios, medimos a massa de uma estrela Cefeida com uma precisão muito maior do que qualquer estimativa anterior. Este novo resultado permite-nos dizer imediatamente qual das duas teorias em competição utilizadas para prever a massa das Cefeidas está correcta."

As estrelas variáveis clássicas, normalmente conhecidas apenas por Cefeidas, são estrelas instáveis muito maiores e muito mais brilhantes do que o Sol. Expandem-se e contraem-se de forma regular, levando entre cerca de alguns dias até alguns meses para completar o ciclo. O tempo que levam a tornar-se mais luminosas e depois menos é maior para as estrelas que são mais luminosas e mais curto para as que são menos luminosas. Esta relação tão extraordinariamente precisa torna o estudo das Cefeidas um dos métodos mais eficazes na medição de distâncias a galáxias próximas e a partir daí no mapeamento da escala de todo o Universo.

Infelizmente, e apesar da sua importância, as Cefeidas ainda não são completamente compreendidas. As previsões das massas que derivam da teoria das estrelas pulsantes são 20-30% menores que as previsões feitas utilizando a teoria de evolução estelar. Esta discrepância é conhecida desde os anos 60.

Para resolver este mistério, os astrónomos precisavam de encontrar uma estrela dupla que contivesse uma Cefeida e cuja órbita estivesse directamente voltada para a Terra. Nestes casos, conhecidos como binários eclipsantes, o brilho das duas estrelas diminui quando uma das componentes passa em frente da outra, e também quando passa por trás da outra estrela. Os astrónomos podem determinar, para estes pares, as massas das estrelas com elevada precisão. Infelizmente, nem as estrelas Cefeidas nem os binários eclipsantes são fenómenos comuns, por isso a hipótese de encontrar um tal par de objectos parecia muito pequena. Na realidade, não se conhecem nenhuns na Via Láctea.

Imagem de campo-largo da Grande Nuvem de Magalhães e do binário OGLE-LMC-CEP0227.
Crédito: ESO/Digitized Sky Survey 2; Davide de Martin
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Wolfgang Gieren, outro membro da equipa, continua: "recentemente, encontrámos efectivamente o sistema duplo pelo qual ansiávamos entre as estrelas da Grande Nuvem de Magalhães. Este sistema contém uma estrela variável Cefeida que pulsa a cada 3,8 dias. A outra estrela é ligeiramente maior e mais fria, e as duas estrelas orbitam em torno uma da outra em 310 dias. A verdadeira natureza binária deste objecto foi imediatamente confirmada assim que o observámos com o espectrógrafo HARPS em La Silla."

Os observadores mediram cuidadosamente as variações de brilho deste objecto raro, conhecido como OGLE-LMC-CEP0227, à medida que as duas estrelas orbitavam e passavam em frente uma da outra. Utilizaram igualmente o HARPS e outros espectrógrafos para medir os movimentos das estrelas em direcção à Terra e também a afastarem-se desta - tanto o movimento orbital das duas estrelas como o movimento de ida-e-volta da superfície da Cefeida à medida que se expande e se contrai.

A partir deste conjunto de dados muito completo e detalhado, os astrónomos determinaram o movimento orbital, os tamanhos e as massas das duas estrelas com enorme precisão - muito superior ao que tinha sido medido anteriormente para uma Cefeida. A massa da Cefeida é agora conhecida a menos de 1% e está completamente de acordo com as previsões feitas a partir da teoria das pulsações estelares. Em contraste, a maior massa prevista pela teoria de evolução estelar encontra-se errada de modo bastante significativo.

A muito melhor estimativa da massa é apenas um resultado deste trabalho, e a equipa espera encontrar outros exemplos destes pares de estrelas bastante úteis de modo a explorar melhor este método. A equipa pensa também que a partir destes sistemas binários irá eventualmente conseguir determinar a distância à Grande Nuvem de Magalhães a menos de 1%, o que significaria uma melhoria considerável da escala de distância cósmica.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Nature (requer subscrição)
SPACE.com
Universe Today
PHYSORG.com
Spaceref
MSNBC

Cefeidas:
Wikipedia
SEDS

ESO:
Página oficial
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

 
     
 
 
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  Poeira estelar em Carneiro - Crédito: Alessandro Falesiedi  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Esta composição de poeira estelar cobre quase 2 graus no céu, perto da fronteira da constelação zodiacal de Carneiro e do plano da nossa Via Láctea. Perto do canto inferior direito está uma nebulosa de reflexão, rodeando uma estrela brilhante catalogada como van den Bergh 13 (vdB 13), a cerca de 1000 anos-luz de distância. À distância estimada, a paisagem cósmica mede mais de 30 anos-luz. Também rodeada por luz estelar azulada, vdB 16 está situada perto do canto superior esquerdo, enquanto poeirentas nebulosas escuras espalham-se pela cena. Perto do limite de uma grande nuvem molecular, podem esconder, dos olhares curiosos dos telescópios ópticos, estrelas recém-formadas e objectos estelares jovens ou protoestrelas. Colapsando devido à sua própria gravidade, as protoestrelas formam-se em torno de núcleos densos embebidos na nuvem molecular.

 


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