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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 703
De 30/11 a 2/12/2010
 
 
 

Dia 30/11: 334.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1954, Ann Elizabeth Hodges é atingida por um meteorito de 5 kg no Alabama.

Observações:
Antes do amanhecer, é possível observar Saturno, Espiga e Vénus para a esquerda da Lua, quase numa linha diagonal.

Dia 01/12: 335.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1960, os cães espaciais Pchelka (Pequena Abelha) e Mushka (Pequena Mosca) foram lançados a bordo do Korabl-Sputnik-3, também conhecido como Sputnik 6.

A nave passou um dia em órbita mas a re-entrada foi mal configurada e a nave, ao descer num ângulo muito acentuado, foi destruída.
Observações: Antes do amanhecer, a Lua encontra-se para a direita do planeta Vénus. Formam um bonito triângulo com a estrela, muito mais ténue, Espiga para baixo da Lua.
Maior elongação de Mercúrio, pelas 17:07.

Dia 02/12: 336.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1993, lançamento da missão STS-61 do vaivém Endeavour, a primeira missão de manutenção do Hubble.

Observações: A partir das 22 horas, é possível observar telescopicamente a Grande Mancha Vermelha em Júpiter. Cerca de meia-hora depois, a sombra do satélite Io começa a pairar na atmosfera do planeta. Se possível, compare a velocidade de rotação do planeta (observando o percurso da Grande Mancha Vermelha) com a velocidade da projecção do satélite. Têm a mesma velocidade?

 
 
 
Saturno tem pelo menos 62 luas. Titã, a maior, corresponde a mais de 90% de toda a massa conjunta dos seus satélites, incluindo os anéis.
 
 
 
  CASSINI DESCOBRE ATMOSFERA DE OXIGÉNIO E DIÓXIDO DE CARBONO EM REIA  
 

Num voo rasante por Reia, a segunda maior lua de Saturno, a sonda Cassini da NASA revelou a presença de uma fina atmosfera constituída por 70% oxigénio e 30% dióxido de carbono, aparentemente sustentada pela decomposição química da superfície gelada da lua.

Cientistas dos EUA, Reino Unido e Alemanha, que analisavam os dados da Cassini, dizem que a presença de uma atmosfera oxidante é consistente com observações remotas do Telescópio Hubble e com observações das luas de Júpiter, Europa e Ganimedes, pela sonda Galileu, mas esta é a primeira vez que é detectada directamente a presença de oxigénio em qualquer lua ou planeta.

As planícies crateradas de Reia.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Reia tem uns meros 1500 km de diâmetro e está sempre coberta por uma espessa camada de água gelada. A temperatura média à superfície está estimada em -180º C. A atmosfera recém-descoberta de oxigénio e dióxido de carbono tem apenas 100 km de espessura, e é tão fina que se estivesse a temperaturas e pressões terrestres, o todo da atmosfera caberia num edifício médio.

Pensa-se que o oxigénio seja formado quando as moléculas de água são divididas por partículas energéticas num processo chamado radiólise. O oxigénio é então expelido para a atmosfera e é capturado pela gravidade de Reia. Os dados sugerem que sejam produzidos cerca de 130 gramas de oxigénio em cada segundo. O dióxido de carbono pode originar de "gelo seco" capturado no interior da lua, ou então de meteoritos ricos em carbono que ao colidir com a superfície são divididos pelas partículas carregadas de modo semelhante à água gelada. Outra possibilidade é que poderá estar a escapar do interior do planeta.

Crateras sobre crateras registam a longa história dos impactos sofridos na lua de Saturno, Reia.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A lua está a cerca de 527.000 km de Saturno e orbita dentro do seu campo magnético. Acredita-se que esta radiação, oriunda da magnetosfera, provoque a separação química do gelo à superfície e crie a atmosfera.

O líder da equipa de pesquisa, Ben Teolis da Divisão de Ciência Espacial e Engenharia do Instituto de Pesquisa do Sudoeste em San Antonio, Texas, EUA, afirma que esta descoberta implica que as atmosferas de oxigénio, associadas com luas geladas, podem ser mais comuns pelo Universo se estas tiverem massa suficiente para conter uma atmosfera. Ele acrescenta que estes achados podem também ajudar os cientistas a compreender como e onde o oxigénio provavelmente existe, o que vai ajudar a planear missões espaciais futuras, tripuladas e não-tripuladas.

A Cassini já orbita Saturno e suas luas desde 2004, e passou por Reia a uma altitude de 97 km no passado mês de Março. Das luas de Saturno, apenas Reia e Titã têm massa suficiente para conter uma atmosfera, mas a deste último satélite é na sua maioria constituída por nitrogénio e metano, com apenas traços de oxigénio e dióxido de carbono.

As descobertas foram publicadas na edição online de 25 de Novembro da revista Science.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Science (requer subscrição)
Universe Today
SPACE.com
New Scientist
PHYSORG.com
National Geographic
Wired
io9
UPI
BBC News
MSNBC

Reia:
Wikipedia
Solaviews

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
     
 
 
     
  Correntes estelares de NGC 4216 - Crédito: Ken Crawford (Obs. Rancho Del Sol), Collaboração: David Martinez-Delgado (MPIA, IAC), et al.   
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

A uns 40 milhões de anos-luz de distância, a galáxia espiral NGC 4216, vista quase de perfil, mede quase 100.000 anos-luz de diâmetro, mais ou menos o tamanho da nossa Via Láctea. Membro do denso Enxame Galáctico de Virgem, NGC 4216 está centrada nesta imagem telescópica rodeada pelos membros do mesmo enxame NGC 4206 (direita) e NGC 4222. Tal como outras grandes espirais, incluindo a nossa Galáxia, NGC 4216 tem crescido ao canibalizar outras galáxias-satélite mais pequenas. De facto, nesta fotografia é possível observar isso mesmo, onde galáxias-satélite ainda mostram ténues correntes estelares que se prolongam por milhares de anos-luz na direcção do halo de NGC 4216. Obtida como parte de um estudo que procura por correntes estelares deste género em espirais próximas, a imagem foi registada por uma câmara acoplada a um pequeno telescópio, capaz de detectar estas características ténues e compridas. Se tiver dificuldade em avistar as correntes de estrelas, clique aqui para ver uma versão negativa. As correntes saltam mais à vista como "pinceladas" escuras vistas contra um fundo branco.

 


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