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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 714
De 07/01 a 10/01/2011
 
 
 

Dia 07/01: 7.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1610, Galileu Galilei observava pela primeira vez três das maiores luas de Júpiter. Só observa Ganimedes dia 13 de Janeiro.

Em 1968, lançamento da Surveyor 7.
Em 1985, a agência espacial japonesa, JAXA, lança a Sakigake, a primeira sonda interplanetária e a primeira lançada por um país que não os EUA ou a União Soviética.
Observações: Olhe para Este-Nordeste por volta das 22 horas e pode já observar Régulo e a "foice" de Leão perto do horizonte - um distante prenúncio de Primavera.

Dia 08/01: 8.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1587 nascia Johann(es) Fabricius, astrónomo alemão, descobridor das manchas solares (em 1610), independentemente de Galileu.
Em 1977 era lançada a missão espacial soviética Luna 21
Em 1994, o cosmonaut russo Valeri Polyakov na Soyuz TM-18parte para a Mir.

Permanecerá na estação espacial até 22 de Março de 1995, completando um recorde de 437 dias no espaço.
Observações: Maior elongação Oeste de Vénus, a 47º do Sol antes de amanhecer. É quando Vénus aparece iluminado em metade. Nas próximas semanas Vénus vai crescer em diâmetro aparente.

Dia 09/01: 9.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Sirius, a estrela mais brilhante de Cão Maior, agora sobe a Este-Sudeste ao começo da noite. Procure-a para baixo de Orionte.

Dia 10/01: 10.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1573 nascia Simon Marius, astrónomo alemão que afirmou ter descoberto as luas de Júpiter dias antes de Galileu. De facto, a sua primeira observação foi na mesma data que Galileu. Mesmo assim, os nomes dos satélites galileanos são os dados por Simon Marius.
Em 1969, lançamento da Venera 6 (USSR). Alcançou Vénus a 17 de Maio de 1969.

A pesquisa atmosférica enviou dados até 11 km da superfície, antes de ser despedaçada pela pressão de Vénus.
Observações: Por volta das 20:45, é possível começar a observar a sombra de Ganimedes por cima do planeta Júpiter (bem como a Grande Mancha Vermelha). Poucos minutos depois das 21 horas, é a vez da sombra de Io entrar em acção.

 
 
 
A Montanha mais alta da Terra é o Monte Mauna Kea no Havai. Embora a altitude do Monte Everest seja 8848 m e o Monte Mauna Kea apenas atinga uma altitude de 4205 m a altura total do Monte Mauna Kea é de cerca de 10 km pois a sua base encontra-se a cerca de 6 km de profundidade nas águas do Oceano Atlântico. A altura é importante quando comparamos os maciços com os de outros planetas sem água como por exemplo o Monte Olimpo de Marte, que com os seus cerca de 27 km de altura e cerca de 600 km de base, é a maior montanha do Sistema Solar.
 
 
  ESTUDO AFIRMA QUE BLOCOS DE CONSTRUÇÃO DA VIDA PODEM TER SIDO DESCOBERTOS EM MARTE  
 

De acordo com um novo estudo, as sondas Viking da NASA podem afinal de contas ter realmente detectado ingredientes da vida em Marte.

Nos anos 70, as duas sondas Viking recolheram e aqueceram poeira marciana e procuraram moléculas orgânicas - os blocos de construção de vida como a conhecemos, baseada no carbono - nas amostras. Pouco descobriram, à parte de dois estranhos compostos de cloro que os investigadores na altura atribuíram à contaminação de líquidos de limpeza.

Mas o novo estudo sugere que o solo continha realmente material orgânico, que pode ter origem biológica ou não-biológica. Mas foi destruído antes das Viking o detectar. "Este resultado afirma que existem moléculas orgânicas em Marte," diz o co-autor do estudo Chris McKay, do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, Califórnia. "Nada conta acerca da presença actual de vida, no presente ou no passado. Mas abre a possibilidade da procura por moléculas orgânicas produzidas por vida, e isso é muito excitante."

A sonda Viking da NASA transportava quatro instrumentos desenhados para procurar sinais de vida em Marte: um espectómetro de massa/cromatógrafo de gás, bem como experiências para a troca gasosa, libertação rotulada e libertação pirolítica.
Crédito: NASA
 

Um dos achados da Phoenix em 2008 motivou McKay e seus colegas, liderados por Rafael Navarro-Gonzalez da Universidade Autónoma Nacional do México, a olhar novamente para os resultados das Viking. A Phoenix detectou um químico que contém cloro denominado perclorato no seu local de aterragem, perto do pólo norte marciano. Os investigadores suspeitavam que o perclorato podia ter produzido o que as Viking haviam descoberto, destruindo o material orgânico original do solo e deixando para trás os dois compostos baseados no cloro, clorometano e diclorometano.

Por isso os cientistas levaram a cabo uma experiência de laboratório. Recolheram algum solo do Deserto do Atacama no Chile - considerado pela comunidade científica como um ambiente análogo ao de Marte - e introduziram perclorato. Aqueceram então esta mistura em laboratório, tal como as Viking fizeram em Marte. E tal como as Viking, os cientistas descobriram clorometano e diclorometano.

"A explicação mais simples e sensata para os resultados das Viking é que realmente havia material orgânico no solo, e que foi consumido pelo perclorato," afirma McKay. "Penso que é muito convincente." Navarro-Gonzalez, McKay e seus colegas publicaram os seus achados o mês passado num artigo da revista Journal of Geophysical Research - Planets, embora os resultados tivessem sido anunciados em Setembro.

Os resultados não provam a existência de vida - passada ou presente - em Marte. Embora os compostos orgânicos estejam associados com a vida cá na Terra, isto não é necessariamente o caso no resto do Sistema Solar, afirma McKay. Os compostos orgânicos parecem ser comuns, por exemplo, em asteróides, cometas e nos corpos gelados que orbitam o Sol na Cintura de Kuiper, para lá de Neptuno.

As Viking da NASA foram as primeiras a aterrar com sucesso em Marte através de uma aterragem controlada e a motores. A Viking 1 aterrou em Julho de 1976 e só ficou silenciosa em Novembro de 1982. A Viking 2 aterrou em Setembro de 1976 e continuou a trabalhar até Abril de 1980.
Crédito: NASA
 

Mas a probabilidade de vida marciana pode ser agora um pouco maior, dado que as Viking descobriram os blocos de construção da vida no solo do Planeta Vermelha há já mais de três décadas. "Há a possibilidade que algumas destas moléculas orgânicas sejam de facto biomarcadores," ou indicadores da presença de vida, realça McKay. "Isto é muito excitante."

Os cientistas deverão em breve ter oportunidade para confirmar a presença de material orgânico no solo de Marte. O rover MSL (Mars Science Laboratory), também conhecido como Curiosity, tem aterragem prevista em Marte para Agosto de 2012. Como parte da sua missão para determinar o potencial de habitabilidade de Marte - quer seja hoje ou no passado - o rover com o tamanho de um carrinho de golfe vai procurar moléculas orgânicas.

Os instrumentos do MSL vão tentar extrair material orgânico usando calor, tal como a Viking. Mas o novo rover irá usar um outro método líquido, que deverá esclarecer as coisas; o perclorato não destrói as moléculas orgânicas se não for aquecido a altas temperaturas. "A minha previsão é que o MSL, quando tentar o método de calor, não vai detectar nada," afirma McKay. "Mas quando tentar o modo de extracção de líquido, vai ver material orgânico."

Caso o Curiosity detecte a presença de material orgânico em Marte, o próximo passo é possivelmente determinar se têm uma origem biológica ou não-biológica. De acordo com McKay, isso poderá necessitar outra missão. "Se o MSL descobrir material orgânico diverso e complexo, então seguidamente será necessária uma outra missão com o objectivo de pesquisar moléculas orgânicas formadas biologicamente," conclui McKay. "Isso seria muito interessante."

Links:

Notícias relacionadas:
Journal of Geophysical Research - Planets (requer assinatura)
PHYSORG.com
Discovery News
MSNBC

Programa Viking:
Wikipedia
Viking 1 (Wikipedia)
Viking 2 (Wikipedia)

Rover Curiosity (MSL):
NASA
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg 
Wikipedia
Google Mars

 
     
 
 
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VISTA Observa Profundamente a Lagoa Azul (via ESO)
Esta nova imagem infravermelha da Nebulosa da Lagoa foi obtida num estudo da Via Láctea que durará 5 anos e que está a ser realizado com o telescópio VISTA do ESO instalado no Observatório do Paranal, no Chile. Esta é uma pequena parte duma imagem muito maior da região que rodeia a nebulosa, a qual é por sua vez apenas uma parte dum enorme rastreio.  [Ler fonte]

 
     
 
     
  Nascer-do-Sol, nascer-da-Lua - Crédito: Robert Pölzl  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Para muitos europeus, o Sol e a Lua Nova nasceram juntos a 4 de Janeiro num eclipse solar parcial. Chegando mesmo depois do novo ano, foi o primeiro de uma série de quatro(!) eclipses solares parciais de 2011. Esta composição documenta o esplêndido evento celestial nos coloridos céus sobre Graz, Áustria. Começando antes do nascer-do-Sol, foram obtidas imagens para registar a posição e progresso do eclipse a cada 15 minutos. À medida que o Sol e a Lua subiam para cima do horizonte a Este, a cidade de Graz era iluminada pela luz da nossa estrela, apenas parcialmente bloqueada pela Lua Nova e espalhando-se por baixo da torre de relógio da cidade.

 


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