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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 719
De 25/01 a 27/01/2011
 
 
 

Dia 25/01: 25.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1994, lançamento da sonda Clementine.
Em 2004, o rover Opportunity (MER-B) aterra na superfície de Marte.

Observações: A brilhante e familiar constelação de Cassiopeia é um jardim telescópico de objectos de céu profundo - mas também o é a ténue constelação de Girafa mesmo para Este.

Dia 26/01: 26.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962, é lançada a Ranger 3 com o objectivo de estudar a Lua. A sonda falha o satélite por 35.400 km
Em 1978 o satélite "International Ultraviolet Explorer" (IUE) é lançado para uma órbita geosíncrona.

Durante os anos de operação, enviou 104,470 imagens de alta e baixa resoluções de 9600 fontes astronómicas de todas as classes de objectos celestes na banda ultravioleta entre 1150-3350 Å. O satélite foi desligado a 30 de Setembro de 1996.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 12:57.

Dia 27/01: 27.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967, os astronautas da Apollo 1 - Virgil (Gus) Grissom, Edward H. White II e Roger B. Chaffee - morrem num incêndio na plataforma de lançamento, durante um teste da Apollo 204 (AS-204), que era para ser a primeira missãotripulada à Lua, com lançamento a 21 de Fevereiro de 1967.

Observações: A parte mais a norte da eclíptica passa o ponto médio da Via Láctea perto dos pés de Gémeos, do topo da Moca de Orionte e dos chifres de Touro - um lindo e rico campo para passeios binoculares.

 
 
 
Última contagem de planetas extrasolares conhecidos: 518.
 
 
  VOYAGER 2 CELEBRA 25 ANOS DA VISITA POR ÚRANO  
 

À medida que a sonda Voyager 2 da NASA fazia a única aproximação, até à data, pelo nosso misterioso sétimo planeta Úrano há 25 anos atrás, o cientista do projecto, Ed Stone, e a equipa da Voyager reuniam-se no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA, para ver a chegada dos dados.

Imagens da pequena e gelada lua de Úrano, Miranda, foram particularmente surpreendentes. Dado que as luas pequenas tendem a arrefecer e congelar rapidamente após a sua formação, os cientistas esperavam uma superfície chata e antiga, marcada por crateras sobre crateras. Em vez disso, viram terrenos com vales lineares e sulcos que atravessavam terrenos mais antigos e por vezes juntando-se em formas bifurcadas. Também observaram escarpas e desfiladeiros dramáticos. Todas estas características indicavam que a superfície de Miranda tinha passado por períodos de actividade térmica e tectónica no seu passado.

Miranda, a mais interior das grandes luas de Úrano, é aqui vista em grande detalhe, graças à Voyager 2, nesta imagem obtida a 24 de Janeiro de 1986, como parte um mosaico em alta-resolução.
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os cientistas também ficaram surpreendidos pelos dados que mostraram que os pólos Norte e Sul de Úrano não estavam alinhados com o eixo norte-sul da rotação do planeta. Ao invés, os pólos do campo magnético do planeta estavam perto do equador uraniano. Isto sugeria que o fluxo de materiais no interior do planeta estava a gerar o campo magnético mais perto da superfície do que os fluxos no interior da Terra, Júpiter e Saturno respectivamente às suas superfícies.

"A visita da Voyager 2 a Úrano expandiu o nosso conhecimento da inesperada diversidade de corpos que partilham o Sistema Solar com a Terra," disse Stone, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena, EUA. "Embora similar de muitas maneiras, os mundos que encontramos podem ainda surpreender-nos."

A Voyager 2 foi lançada a 20 de Agosto de 1977, 16 dias antes da sua gémea, Voyager 1. Após completar a sua missão principal de viajar por Júpiter e Saturno, foi colocada num percurso para visitar Úrano, que está a cerca de 3 mil milhões de quilómetros do Sol. A Voyager 2 fez a sua maior aproximação - a 81.500 km do topo das nuvens de Úrano - a 24 de Janeiro de 1986.

Antes da visita da Voyager 2, os cientistas tinham que aprender mais sobre Úrano usando telescópios terrestres e aéreos. Ao observar diminuições no brilho estelar à medida que uma estrela passava por trás de Úrano, os cientistas descobriram que Úrano tinha nove anéis estreitos. Mas foi só até ao "flyby" da Voyager 2 que os cientistas foram capazes de capturar, pela primeira vez, imagens dos anéis e das pequenas luas que os esculpiam. Ao contrário dos anéis gelados de Saturno, descobriram que os anéis de Úrano são cinzento-escuros, reflectindo apenas uma pequena percentagem da luz solar incidente.

Estas duas imagens de Urano -- uma em cores verdadeiras (esquerda) e outra em cores falsas -- foram compiladas a partir de imagens obtidas em 17 de Janeiro de 1986, através de câmara de campo-estreito da Voyager 2.
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os cientistas também tinham determinado a temperatura média de Úrano (-214º C) antes deste encontro, mas a distribuição dessa temperatura foi uma surpresa. A Voyager mostrou que havia um transporte de calor de pólo para pólo na atmosfera de Úrano, que mantinha a mesma temperatura em ambos os pólos, embora o Sol brilhasse há já décadas num pólo e não no outro.

Perto do fim do encontro com Úrano e das análises científicas, os dados da Voyager 2 permitiram a descoberta de 11 novas luas e de dois novos anéis, e geraram dúzias de artigos científicos acerca deste sétimo planeta.

A Voyager 2 continuou então até Neptuno, o último alvo planetário, onde chegou em Agosto de 1989. Está agora a viajar para o espaço interestelar, o espaço entre as estrelas. Está a cerca de 14 mil milhões de quilómetros do Sol. A Voyager 1, que explorou apenas Júpiter e Saturno antes de se dirigir a maior velocidade para o espaço interestelar, está a cerca de 17 mil milhões de quilómetros do Sol.

"O encontro com Úrano é único," afirma Suzanne Dodd, gestora do projecto Voyager, com base no JPL. "A Voyager 2 permaneceu saudável o suficiente para chegar a Úrano e depois a Neptuno. Actualmente ambas as Voyager estão na extremidade da esfera de influência do Sol e uma vez mais a desbravar caminho para as descobertas científicas."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA/JPL (comunicado de imprensa)
PHYSORG.com
Universe Today
Discovery News

Úrano:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Voyager 2:
Página oficial (NASA)
Heavens Above
Voyager 2 (Wikipedia)

 
     
 
 
     
  NGC 660 - Galáxia com Anel Polar - Crédito: Stephen Leshin  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

NGC 660 situa-se perto do centro deste intrigrante campo de galáxias, entre os limites da constelação de Peixes. A mais de 20 milhões de anos-luz de distância, a sua aparência peculiar define-a como uma galáxia com anel polar. Um tipo raro de galáxia, as galáxias com anéis polares têm uma população substancial de estrelas, gases e poeira orbitando em anéis quase perpendiculares a um achatado disco galáctico. A configuração bizarra pode ter sido causada pela captura aleatória de material de uma galáxia vizinha pelo disco da galáxia, com os detritos capturados aplicados num anel. As galáxias com anéis polares podem ser usadas para explorar a forma da invisível matéria escura da galáxia, através do cálculo da sua influência gravitacional na rotação do anel e do disco. Com um tamanho maior que o disco, o anel de NGC 660 tem um diâmetro de 40.000 anos-luz.

 


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