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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 727
De 22/02 a 24/02/2011
 
 
 

Dia 22/02: 53.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1632 era publicado o "Diálogo sobre os dois grandes sistemas do mundo", de Galileu.
Em 1799 nascia F.W.A. Argelander

Compilador de catálogos estelares, estudou as estrelas variáveis e criou a primeira organização astronómica internacional.
Em 1995, o cosmonauta Valeryiv Polyakov regressa à Terra depois de quebrar o recorde do maior tempo passado na estação espacial Mir: 438 dias.
Em 1995, o asteróide 1995CRpassa a 7.2 milhões de quilómetros da Terra.
Em 1996, lançamento da missão STS-76 do vaivém Atlantis. O seu objectivo era acoplar com a Mir, e transferir Shannon Lucid, que se torna na primeira mulher a fazer parte da tripulação de uma estação espacial.
Observações: Poderá já conhecer o bonito enxame M41, visível com binóculos para Sul de Sirius. Mas conhece M50? Siga a linha de Sirius até à ponta do nariz de Cão Maior (Theta Canis Majoris), continue exactamente na mesma direcção e encontrará o enxame. Tem magnitude 5,9, mais ténue que M41 com magnitude 4,5. No mesmo campo de M50 está outro enxame mais ténue: NGC 2343. É um bocado mais difícil de avistar, a magnitude 6,7.

Dia 23/02: 54.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1950, descoberta do asteróide (29075) 1950 DA. Foi observado durante 17 dias e depois diminuiu de brilho até não poder ser visto durante meio século. No fim do ano 2000 (31 de Dezembro), um objecto foi reconhecido como sendo o há muito perdido 1950 DA. Observações do objecto descrevem a rocha como tendo 1,1 km de diâmetro e uma rotação de 2,1 horas, a rocha com o período de rotação mais rápido já encontrada no nosso Sistema Solar.
Em 1987, supernova na Grande Nuvem de Magalhães visível a olho nu, resultado de uma explosão da supergigante azul Sanduleak 69. Conhecida como SN1987A, foi a primeira supernova "próxima" dos últimos três séculos.
SN1987A. Crédito: HST
Em 1999, conjunção de Júpiter com Vénus. As conjunções não são eventos raros. Mas as conjunções planetárias são raramente tão próximas e VénusJúpiter são os objectos astronómicos mais brilhantes do céu, a seguir ao Sol e à Lua (no geral, o terceiro é agora a ISS).
Observações: Nesta altura do ano, Orionte situa-se na sua posição mais alta a Sul após o pôr-do-Sol. A sua estrela de topo à esquerda é a laranja-avermelhada Betelgeuse. Forma o Triângulo de Inverno (quase equilátero) com Procyon para a esquerda e a branca Sirius por baixo das duas.

Dia 24/02: 55.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968 foi descoberto o primeiro pulsar, por Jocelyn Bell Burnell, numa pesquisa em rádio. Hewish e Ryle, co-directores do projecto, receberam o prémio Nobel da Física em 1974 por conjugar as observações com um modelo duma estrela de neutrões em rotação. 
Jocelyn Bell
Em 1969 a sonda americana Mariner 6 era lançada. A 31 de Julho de 1969, passou a 3330 km de Marte e enviou de volta 74 imagens.
Em 1979, lançamento da sonda Solwind P78-1.
Em 1996 a sonda Polar foi lançada para estudar a região dos pólos da Terra, uma região activa do geoespaço.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 23:26.

 
 
 
O espaço interestelar não é um vácuo perfeito: existem alguns átomos de hidrogénio por centímetro cúbico.
 
 
  RETRATO DO SISTEMA SOLAR, DE DENTRO PARA FORA  
 

Como ficaria o nosso Sistema Solar "na imagem" se visitantes de outros mundos lhe tirassem fotos?

A sonda MESSENGER da NASA fez isso mesmo ao compor o primeiro retrato do nosso Sistema Solar visto de fora. Com cerca de 34 imagens, o mosaico oferece um complemento ao retrato do Sistema Solar -- de fora para dentro -- obtido pela Voyager 1 em 1990.

"A obtenção deste retrato foi um feito incrível da parte da equipa da MESSENGER," afirma o investigador principal da MESSENGER, Sean Solomon, do Instituto Carnegie em Washington, EUA. "Este retrato da nossa vizinhança também nos relembra que a Terra é um membro de uma família planetária formada por processos comuns há 4,5 mil milhões de anos atrás. A nossa sonda em breve vai orbitar o membro mais interior desta família, um que contém muitas respostas novas para como os planetas tipo-Terra formam-se e evoluem."

A câmara WAC (Wide Angle Camera) a bordo da MESSENGER capturou as imagens a 3 e a 16 de Novembro de 2010. No mosaico, todos os planetas são visíveis excepto Úrano e Neptuno, que -- a distâncias de 3 e 4,4 mil milhões de quilómetros -- eram demasiado ténues para detectar. A Lua da Terra e os satélites galileanos de Júpiter (Calisto, Ganimedes, Europa e Io) podem também ser observados nas imagens da WAC. A posição do Sistema Solar num dos braços espirais da Via Láctea também proporcionou uma linda imagem de parte da Galáxia em baixo para a direita do centro.

O novo retrato do Sistema Solar obtido pela MESSENGER, de dentro para fora.
Crédito: NASA, Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, Instituto Carnegie em Washington
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A forma curvada do mosaico deve-se à inclinação da órbita da MESSENGER relativamente à eclíptica, o plano no qual a Terra e a maioria dos planetas orbitam, o que significa que as câmaras têm que apontar para cima para ver alguns planetas e para baixo para ver outros," explica o membro da equipa de imagem, Brett Denevi do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland, EUA. "As imagens estão esticadas para ser mais fácil detectar os planetas, embora também realce a luz espalhada dos limbos dos planetas, e nalguns casos crie artefactos como formas não-esféricas em planetas."

A recolha deste retrato não foi um feito fácil, afirma Solomon. "Não é fácil encontrar um momento em que muitos dos planetas estão dentro de um único campo de visão a partir daquela perspectiva, e temos restrições, ao nível do Sol, na nossa capacidade de obter imagens em certas direcções."

Hong Kang, da equipa de controlo e orientação da MESSENGER, usou o simulador do Sistema Solar do JPL para localizar com precisão as posições relativas da MESSENGER e dos planetas e para determinar se era possível observar os planetas a partir da MESSENGER a qualquer altura.

"Usei as coordenadas celestes dos planetas na altura que quis observá-los para verificar, com simulações, se a MESSENGER conseguia ver cada dos planetas," explica Kang. "Também usei um conjunto de aplicações para verificar que tínhamos todos os planetas neste campo de visão do sistema MDIS (Mercury's Dual Imaging System) da MESSENGER.

A equipa da MESSENGER teve então que determinar o tempo de exposição necessário para cada planeta.

"A partir dos tempos de exposição utilizados para imagens anteriores de estrelas com magnitudes visuais semelhantes às dos planetas, escolhemos os que nos permitiam obter o número apropriado de contagens (isto é, a quantidade de luz) para cada planeta," explica Nori Laslo, gestora das operações do MDIS.

"Decidimos obter as imagens usando tanto a Câmara de Ângulo-Estreito como a Câmara de Ângulo-Largo para cada planeta, o que nos permitiu cobrir o céu em torno dos planetas e também capturar os próprios planetas na mais alta resolução possível," acrescenta. "Juntei todos estes parâmetros, bem como uma variedade de configurações relacionadas, e comecei a construir a sequência de comandos necessária com a livraria de comandos do MDIS que dispomos para configurar e controlar o sistema de câmaras."

Robin Vaughan, que trabalhou com Kang para coordenar a pontaria e o "timing" do MDIS, também teve um papel determinante no retrato da Voyager.

"Estava a trabalhar como analista de navegação óptica para o JPL durante o encontro da Voyager com Neptuno," afirma Vaughan, o engenheiro líder do subsistema de orientação e controlo da MESSENGER. "Tive que planear e gerar os comandos para a sonda apontar para Neptuno e para os seus satélites contra estrelas de fundo que usámos para melhorar a nossa estimativa da trajectória da sonda em direcção a Neptuno. O retrato do Sistema Solar obtido pela Voyager foi feito uns anos após essa passagem rasante e foi coordenada pela equipa de imagem. O nosso software de planeamento de navegação óptica por imagem foi usado para verificar os comandos que tinham desenhado e para confirmar o que esperavam ver em cada imagem."

Vaughan fez o mesmo para o retrato da MESSENGER, usando as ideias de Kang. "Usei os ficheiros de trajectória SPICE para a sonda gerados pela equipa de navegação da MESSENGER, bem como rotinas no conjunto de ferramentas SPICE, para escrever um software que iria identificar janelas de tempo em que cada dos planetas iria ser visível para o MDIS, dadas as restrições do seu ângulo e da zona do Sol para a posição da sonda," afirma.

De um ponto de vista técnico, o retrato da MESSENGER foi um pouco mais complicado do que o da Voyager porque tiveram que permanecer dentro do campo das restrições proporcionadas pelo Sol. "Com a Voyager tão longe no Sistema Solar, o Sol estava muito mais ténue e não haviam restrições na posição das câmaras no que respeita à nossa estrela," afirma Vaughan. "Estando situada no Sistema Solar interior, a MESSENGER tem que ter o seu lado 'que faz sombra' constantemente apontado na direcção do Sol, o que limita os períodos em que os diferentes planetas podem ser observados com um maior grau de liberdade que o MDIS tem com as suas capacidades."

"Ao observar o Sistema Solar como estes pequenos pontos de luz, lembramo-nos quão sortudos somos ao ter tido a oportunidade, através de tantas missões, de observar e explorar a diversidade e geologia incríveis que cada planeta e lua apresenta," afirma. "Mercúrio tem sido apenas um ponto no horizonte durante a maioria da história, e vamos agora obter mais detalhes e conhecê-lo como um mundo real. Que esplêndida oportunidade!"

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Universe Today
PHYSORG.com
Discover
LiveScience
UPI.com
BBC News

Sistema Solar:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Sonda MESSENGER:
NASA 
JHUAPL
Wikipedia

Sonda Voyager 1:
Página oficial (NASA)
Heavens Above
Voyager 1 (Wikipedia)

 
     
 
     
  Ampliação da Galáxia espiral NGC 2841 - Crédito: NASAESA, e Hubble Heritage (STScI / AURA) - ESA / Colaboração Hubble  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

A uns meros 46 milhões de anos-luz de distância, a galáxia espiral NGC 2841 pode ser avistada na constelação da Ursa Maior. Esta espectacular imagem do lindo universo-ilha mostra um esplêndido núcleo amarelado e um disco galáctico. Correntes de poeira, regiões de formação estelar pequenas e cor-de-rosa, e jovens enxames estelares azuis estão embebidos nos seus braços espirais manchados e apertados. Em contraste, muitas outras espirais exibem grandes braços abertos com grandes regiões de formação estelar. NGC 2841 tem um diâmetro de mais de 150.000 anos-luz, é até maior que a nossa Via Láctea, mas esta ampliação pelo Telescópio Hubble cobre cerca de 34.000 anos-luz ao longo da região interior da galáxia. As imagens em raios-X sugerem que os ventos e as explosões estelares resultantes criam plumas de gás quente que se prolongam num halo em torno de NGC 2841.

 


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