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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 731
De 08/03 a 10/03/2011
 
 
 

Dia 08/03: 67.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1977 os anéis de Urano eram descobertos durante observações aéreas de ocultações da NASA.

Em 1999, a primeira fase da missão de mapeamento de Marte pela sonda Mars Global Surveyor começa.
Em 2002, o asteróide 2002 EM7, com um tamanho entre 300 e 400 metros, passa a 450.000 quilómetros da Terra. Observadores só o descobriram quatro dias depois, a 12 de Março.
Observações: A Lua Crescente, aumentando de espessura à medida que se afasta do Sol, brilha para cima de Júpiter ao anoitecer.

Dia 09/03: 68.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1564 nascia David Fabricius, descobridor da primeira estrela variável (Mira, ou Omicron Ceti).
Em 1974, voo rasante da sonda soviética Mars 7 por Marte.

Em 1997, observadores na China, Mongólia e partes da Sibéria têm a rara oportunidade de ver um espectáculo duplo: um eclipse permite ver o cometa Hale-Bopp durante o dia.
Observações: Mesmo depois do anoitecer por esta altura, o céu alto a Norte é razoavelmente pobre em estrelas, desde a Polar até Cocheiro. Este é o reino da grande mas ténue constelação Camelopardalis, a Girafa. Se tem acesso a um céu escuro e está à procura de um desafio, tente observar a sua figura de 4.ª magnitude usando um mapa celeste.

Dia 10/03: 69.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1977, os astrónomos descobrem os anéis de Urano.
Em 1999, ocorreu a maior aproximação do cometa C/1998 M5 (LINEAR) pela Terra (1,534 UA).

Em 2006, a Mars Reconnaissance Orbiter chega a Marte.
Observações: O enxame das Plêiades brilha esta noite para cima da Lua. Se o brilho do nosso satélite interferir, faça com que a Lua se situe por trás de uma árvore ou de um prédio.

 
 
 
Em 1955, Walt Disney introduz pessoalmente a série de televisão 'Man In Space', na estação televisiva ABC. Wernher von Braun, engenheiro aerospacial e Walt Disney, o artista, usaram o novo meio televisivo para mostrar que os humanos poderiam ir à Lua e voltar com base em tecnologias futuras e no desejo de explorar e descobrir.
 
 
  CASSINI DESCOBRE QUE ENCELADO É UM VERDADEIRO POÇO DE ENERGIA  
 

De acordo com uma análise de dados recolhidos pela sonda Cassini da NASA, a libertação de calor da região polar do sul da lua de Saturno, Encelado, é muito maior do que se pensava ser possível. O estudo foi publicado na edição de 4 de Março do Journal of Geophysical Research.

Os dados do terreno polar sul de Encelado, obtidos pelo espectrómetro infravermelho da Cassini, marcado por fissuras lineares, indicam que a energia gerada pelo calor interno ronda os 15,8 gigawatts, aproximadamente 2,6 vezes a energia de todas as fontes termais no parque americano de Yellowstone, ou comparável a 20 centrais termoeléctricas. Isto é mais do que uma ordem de magnitude acima do que os cientistas tinham previsto, segundo Carly Howett, o autor principal do estudo, investigador pós-doutorado no Instituto de Pesquisa do Sudoeste em Boulder, Colorado, EUA, e membro da equipa científica do espectrómetro infravermelho.

"O mecanismo capaz de produzir a muito maior energia interna observada permanece um mistério e desafia os modelos actualmente propostos da produção energética a longo-termo," afirma Howett.

Esta imagem, usando dados obtidos pela sonda Cassini, mostra como o terreno polar sul da lua de Saturno, Encelado, emite muito mais energia que os cientistas anteriormente pensavam.
Crédito: NASA/JPL/SWRI/SSI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Sabe-se desde 2005 que o terreno polar sul de Encelado é geologicamente activo e que a actividade centra-se em quatro trincheiras lineares e paralelas, com 130 km de comprimento e cerca de 2 km de largura, informalmente conhecidas como "listas de tigre." A Cassini também descobriu que estas fissuras ejectam continuamente grandes plumas de partículas geladas e vapor de água para o espaço. Estas trincheiras têm temperaturas elevadas devido à libertação de calor desde o interior de Encelado.

Um estudo de 2007 previu que o aquecimento interno de Encelado, principalmente se gerado pelas forças de marés que nascem da ressonância orbital entre Encelado e outra lua de Saturno, Dione, não pode ser maior que 1,1 gigawatts em média a longo termo. O aquecimento da radioactividade natural no interior de Encelado acrescenta outros 0,3 gigawatts.

A análise mais recente, que também envolveu os membros da equipa do espectrómetro infravermelho, John Spence do Instituto de Pesquisa do Sudoeste, e John Pearl e Marcia Segura do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, usa observações obtidas em 2008, que cobrem a totalidade do terreno polar sul. Restringiram as temperaturas superficiais de Encelado para determinar a surpreendentemente alta libertação energética da região.

Uma possível explicação para o alto fluxo energético observado relata que a relação orbital de Encelado com Saturno e Dione muda com o tempo, permitindo períodos de aquecimento de marés mais intensos, separados por períodos mais tranquilos. Isto significa que a Cassini teve sorte em observar Encelado quando estava invulgarmente activa.

Howett realçou que a nova e mais alta determinação do fluxo energético torna ainda mais provável a existência de água líquida por baixo da superfície de Encelado.

Recentemente, cientistas que estudavam as partículas geladas expelidas pelas plumas descobriram que algumas destas eram ricas em sal, provavelmente gotículas geladas de um oceano de água salgada em contacto com o núcleo rochoso de Encelado, rico em minerais. A presença de um oceano subsuperficial, ou talvez de um mar polar sul entre a concha gelada exterior da lua e o seu interior rochoso, aumenta a eficiência do aquecimento pelos efeitos de marés ao permitir maiores distorções no seu invólucro de gelo.

A possibilidade de água líquida, uma fonte energética de marés e a observação de químicos orgânicos (ricos em carbono) na pluma de Encelado tornam este satélite num local de forte interesse astrobiológico," conclui Howett.

Links:

Notícias relacionadas:
JPL (comunicado de imprensa)
SPACE.com

Encelado:
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
     
 
     
  Nebulosas de NGC 6914 - Crédito: Fundação DescubreCAHAOAUVDSA, Vicent Peris (OAUV), Jack Harvey (SSRO), Juan Conejero (PixInsight)  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Um estudo dramático em contrastes, esta colorida paisagem celeste de NGC 6914 contém estrelas, poeira e gás brilhante. O complexo de nebulosas situa-se a cerca de 6000 anos-luz de distância, na direcção da constelação de Cisne e do plano da nossa Via Láctea. Com as nuvens de poeira em silhueta, tanto as nebulosas de emissão, ricas em hidrogénio avermelhado, como as nebulosas de reflexão azuis preenchem este campo com meio grau. A imagem, à distância estimada, cobre quase 50 anos-luz. A radiação ultravioleta das estrelas jovens, quentes e massivas da gigantesca associação Cygnus OB2 ionizam o hidrogénio atómico da região, produzindo o característico brilho avermelhado à medida que os protões e electrões são recombinados. As estrelas embebidas em Cygnus OB2 também providenciam a luz estelar azul altamente reflectida pelas nuvens de poeira. Construída como um mosaico composto por duas exposições, a imagem foi processada para realçar tanto as cores brilhantes e ténues, como as estruturas detalhadas.

 


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