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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 739
De 05/04 a 07/04/2011
 
 
 

Dia 05/04: 95.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1804 é registada a primeira queda de um meteorito, em Possil, Escócia.
Em 1973 a sonda Pioneer 11 faz as primeiras observações directas de Saturno (1979) e estuda as partículas energéticas da helioesfera exterior. A missão Pioneer 11 termina a 30 de Setembro de 1995, quando a última transmissão da sonda foi recebida. Com a sua fonte de energia exausta, não pode operar mais nenhum dos seus instrumentos científicos, nem apontar a sua antena para a Terra. A Pioneer está viajando na direcção da constelação de Escudo.
Em 1991 era lançado o Observatório de Raios-Gama Compton.

O objectivo desta missão era obter medições de raios-gama de toda a esfera celeste, com uma resolução angular bem melhor e com um aumento de sensibilidade em relação às anteriores missões espaciais de raios-gama. O Compton foi retirado de órbita e re-entrou na atmosfera da Terra no dia 4 de Junho do ano 2000.
Observações: Um pequeno telescópio irá quase sempre mostrar a maior lua de Saturno, Titã, que hoje encontra-se muito perto dos anéis. Um telescópio de seis-polegadas irá começar a cor alaranjada da sua atmosfera nublada. As outras luas do planeta aparecem muito mais perto de Saturno esta noite.

Dia 06/04: 96.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, lançamento do Early Bird, o primeiro satélite de telecomunicações a ser colocado em órbita geosíncrona.
Em 1973, lançamento da Pioneer 11.
Em 1993, cientistas da NASA, usando o Explorador Ultravioleta Internacional (IUE), descobrem provas directas de que as estrelas supergigantesvermelhas terminam a sua existência em explosões massivas conhecidas como supernovas.

A 12 milhões de anos-luz de distância, na galáxia conhecida como M81, o Tipo II de supernova foi designado SN 1993J, a décima supernova do ano. 
Observações: Ao lusco-fusco, procure as Plêiades por cima da Lua.

Dia 07/04: 97.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1983, durante a missão STS-6, os astronautas Story Musgrave e Don Peterson fazem primeio passeio espacial do vaivém espacial.
Em 1991, era activado o Observatório de Raios-Gama Compton.
Em 2001, primeiro voo com êxito do Proton M.
Em 2001 era lançada a sonda Mars Odyssey. A missão orbital tem como objectivo mapear os elementos marcianos e os minerais, procurar água e analisar o ambiente da radiação. 

Alcançou a órbita do Planeta Vermelho a 24 de Outubro de 2001, mas os seus instrumentos só foram ligados a 14 de Fevereiro de 2002.
Observações: Procure a alaranjada Aldebarã para a esquerda da Lua, e as Plêiades mesmo para a direita do nosso satélite natural.

 
 
 
Júpiter (Zeus na mitologia grega) era um deus muito namoradeiro. 
Em diversos episódios da mitologia greco-romana são citadas as suas paixões por humanas. 
Por esta razão, embora se previsse que Júpiter viesse a possuir muitas luas, foi decidido dar às luas de Júpiter os nomes das amantes desse deus romano.
 
 
  CIENTISTAS PORTUGUESES RESOLVEM "ANOMALIA PIONEER"  
 

Quando a NASA lançou as duas sondas gémeas, Pioneer, para o Sistema Solar exterior no início dos anos 70, não esteve com poucas medidas.

Viajando para longe da Terra a mais de 51.000 km/h, a Pioneer 10 alcançou Júpiter em apenas 4 meses. A Pioneer 11 demorou 7, e depois dirigiu-se para Saturno. Em 1979, os seus dias de saltos entre planetas chegaram ao fim.

Mas mesmo quando começaram a dirigir-se para as estrelas, continuaram a enviar as suas posições e dados científicos para a Terra - e foi quando os dinamicistas notaram algo muito estranho: nenhuma das sondas estava tão longe quanto devia estar. Pelo contrário, era como se alguma força desconhecida as estava puxando para o Sol.

Impressão de artista da sonda Pioneer 10.
Crédito: NASA
 

Ao longo dos anos, muitos teóricos estudaram a possível causa da "anomalia Pioneer." Logicamente, algumas das especulações focaram-se em erros de medição, fugas de combustível ou nalguma propriedade não antecipada da sonda.

Outros exploraram as interacções das Pioneer com o vento solar, a pressão da radiação solar, ou partículas interplanetárias. E outras são ainda mais exóticas, conjurando uma força comunicada por massas invisíveis, variações na física Newtoniana, e noções controversas do espaço-tempo.

Há cinco anos atrás, após muitos anos a arduamente trazer à tona antigos dados de posições e a reconstruir a trajectória das sondas, Slava Turyshev (JPL) anunciou que parte (não a totalidade) desta força retardante era devida a calor que irradiava desigualmente da sonda.

Agora, quatro físicos portugueses estudaram em detalhe como as Pioneer irradiam o seu calor. A chave da sua análise é uma técnica usada em programas computacionais gráficos conhecida como sombreamento Phong. Estuda como a luz e as reflexões especulares são espalhadas por uma superfície e usa polígonos para modelar superfícies curvas.

Configuração das fontes usadas para modelar a parede de trás do compartimento principal e a primeira reflexão da antena principal.
Crédito: Frederico Francisco, IPFN
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Liderada por Frederico Francisco do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear em Lisboa, a equipa descobriu que o calor residual de cada dos compartimentos principais das sondas é reflectido da antena paraboidal com 2,7 metros que sempre esteve apontada na direcção do Sol e da Terra.

Ainda é incerto quanto calor é reflectido: "A principal dificuldade em lidar com este problema tem sido sempre a falta de informações suficientes e fidedignas para uma modelação detalhada da sonda," escrevem. No entanto, ao assumir um intervalo de valores plausíveis, chegaram à conclusão que a pequena força que resulta destas reflexões coincide rigorosamente com a desaceleração observada das Pioneer.

"A não ser que surjam novos dados," concluem, "o puzzle da aceleração anómala das sondas Pioneer pode finalmente dar-se por terminado."

Links:

Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve:
23/11/04 - Seguindo os passos das Pioneer
26/07/05 - "Anomalia Pioneer" poderá ficar sem resolução indefinidamente
26/03/07 - Novos dados poderão resolver Anomalia Pioneer
27/06/07 - Causa exótica da 'Anomalia Pioneer' em dúvida
19/04/08 - Mistério da anomalia Pioneer com fim à vista?

Notícias relacionadas:
Artigo científico (formato PDF)
Sky & Telescope
io9
Technology Review
Discover

Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear:
Página oficial

Anomalia Pioneer:
Wikipedia
Sociedade Planetária

Sondas Pioneer:
Pioneer 10 - NSSDC
Pioneer 10 - Wikipedia
Pioneer 11 - NSSDC 
Pioneer 11 - Wikipedia

 
     
 
     
  Verona Rupes: o Desfiladeiro Mais Alto do Sistema Solar - Crédito: Voyager 2, NASA  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Será que conseguia sobreviver ao saltar do desfiladeiro mais alto do Sistema Solar? Possivelmente. Verona Rupes, na lua de Úrano, Miranda, tem uma altura estimada de 20 km -- dez vezes a profundidade do Grand Canyon da Terra. Dada a baixa gravidade de Miranda, a queda demorava 12 minutos desde o topo, e alcançava o chão à velocidade de um carro de corridas -- cerca de 200 km/h. Mesmo assim, poder-se-ia sobreviver à queda caso tivéssemos adequada protecção de airbags. Esta imagem de Verona Rupes foi capturada pela sonda Voyager 2 em 1986. A origem do desfiladeiro permanece desconhecida, mas deve-se provavelmente a um grande impacto ou ao movimento de placas tectónicas.

 


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