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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 740
De 08/04 a 11/04/2011
 
 
 

Dia 08/04: 98.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, lançamento da nave não-tripulada Gemini 1.

A missão terminou depois de 3 órbitas. A nave desintegra-se 3,5 dias a seguir ao lançamento. Todos os objectivos primários e secundários foram atingidos.
Em 1999, maior aproximação da Terra pelo asteróide 1981 Midas(0.490 UA).
Em 2008, Yi So-Yeon torna-se a primeira coreana e a segunda mulher asiática a ir ao espaço.
Observações: Arcturo, a "Estrela da Primavera", é o ponto mais brilhante, alto no céu a Este por estas noites. Espere até por volta das 22-22:30 horas para observar Vega, a igualmente brilhante "Estrela do Verão", nascendo a Nordeste.

Dia 09/04: 99.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, a NASA anuncia a selecção dos primeiros sete astronautas dos Estados Unidos, a quem a comunicação social rapidamente apelida de "Mercury Seven".

Em 1994, lançamento da missão STS-59 do vaivém Endeavour.
Observações: Conjunção inferior de Mercúrio, pelas 20:38.
A Lua esta noite tem um crescente bem espesso, estando a menos de dois dias do primeiro Quarto. Se o seu céu estiver limpo após o anoitecer, uns binóculos irão mostrar o enxame M35 nos pés de Gémeos, a cerca de 3º para cima da Lua. Aparece como um ténue brilho e grande em binóculos, mas como uma autêntica cidade de estrelas num telescópio.

Dia 10/04: 100.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 837, maior aproximação do Cometa Halley pela Terra, a cerca de 0,0342 UA.
Em 1981, primeira tentativa de lançamento da missão STS-1 (a primeira missão de um vaivém espacial).

Este falhou no último momento quando os computadores «crasharam». Os astronautas Crippen e Young finalmente levantaram voo a 12 de Abril. À volta de 100 milhões de pessoas viram este evento.
Observações: Aproveite a noite para observar Saturno com um telescópio. Quantos satélites consegue observar?

Dia 11/04: 101.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1862 nascia William Wallace Campbell, observador pioneiro dos movimentos estelares e das suas velocidades radiais.

Director do Observatório Lick entre 1901 e 1930, também foi presidente da Universidade da Califórnia e da Academia Nacional de Ciências.
Em 1905, Albert Einstein revela a sua Teoria da Relatividade(relatividade especial). 
Em 1960, era iniciada a primeira pesquisa no rádio em busca de civilizações extraterrestres, por Frank Drake (Projecto Ozma).
Em 1970, lançamento da Apollo 13.
Em 1986, a 65 milhões de quilómetros, o Cometa Halley faz a sua maior aproximação da Terra durante esta viagem, a 30.ª vez que visita a nossa vizinhança planetária.
Em 2002 morre Yuji Hyakutake, astrónomo amador japonês que em 1996 descobriu o "Cometa Hyakutake", com 51 anos. Descobriu este cometa com um par de binóculos na cidade de Hayato em Kagoshima.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 13:05.

 
 
 
Um ano cósmico ou ano galáctico é o tempo que o Sol demora a completar uma volta em torno do centro da Via Láctea, cujas estimativas rondam os 225-250 milhões de anos.
 
 
  TELESCÓPIOS DA NASA UNEM FORÇAS PARA OBSERVAR EXPLOSÃO SEM PRECEDENTES  
 

O Observatório Swift, o Telescópio Espacial Hubble e o Observatório de raios-X Chandra uniram-se para estudar uma das explosões mais misteriosas já observadas. Mais de uma semana depois, a radiação altamente energética do objecto continua a aumentar e a diminuir de brilho.

Os astrónomos dizem que nunca viram algo tão brilhante, duradouro e variável. Normalmente, as explosões raios-gama marcam a destruição de uma estrela massiva, mas a enorme emissão destes eventos nunca dura mais que umas horas.

Embora a investigação ainda continue, os astrónomos dizem que a invulgar explosão ocorreu quando uma estrela passou demasiado perto do buraco negro central da sua galáxia. As intensas forças de marés despedaçaram a estrela, e o gás continuou a cair para o buraco. De acordo com este modelo, a rotação do buraco negro formou um facto efluente ao longo do seu eixo de rotação. Uma poderosa explosão de raios-gama e raios-X é então vista se este jacto estiver apontado na nossa direcção.

Imagens do Swift no ultravioleta/óptico (branco, púrpura) e em raios-X (amarelo e vermelho) foram combinadas nesta imagem do GRB 110328A. A explosão foi detectada apenas em raios-X, ao longo de um período de 3,4 horas no dia 28 de Março.
Crédito: NASA/Swift/Stefan Immler
(clique na imagem para ver versão maior)
 

No dia 28 de Março, o Telescópio Swift descobriu a fonte na constelação de Dragão, quando entrou em erupção pela primeira vez numa série de explosões em raios-X. O satélite determinou a posição da explosão, agora catalogada como GRB (explosão raios-gama ou em inglês "gamma-ray burst") 110328A e informou os astrónomos.

À medida que dúzias de telescópios apontavam para esse local, os astrónomos rapidamente aperceberam-se que uma pequena galáxia distante aparecia muito perto da posição indicada pelo Swift. Uma imagem profunda foi então obtida pelo Hubble no dia 4 de Abril, e focou a fonte da explosão no centro desta galáxia, que se situa a 3,8 mil milhões de anos-luz de distância.

No mesmo dia, os astrónomos usaram o Observatório de raios-X Chandra para obter uma exposição de quatro horas desta misteriosa fonte. A imagem, que posiciona o objecto com uma precisão dez vezes superior à do Swift, mostra que se situa no centro da galáxia observada pelo Hubble.

"Nós conhecemos objectos na nossa própria Galáxia que conseguem produzir explosões repetidas, mas são milhares a milhões de vezes mais fracas que as explosões aqui observadas. Isto é verdadeiramente extraordinário," afirma Andrew Fruchter do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, EUA.

Imagem no visível da galáxia-fonte GRB 110328A, obtida a 4 de Abril pelo Telescópio Hubble. A galáxia está a 3,8 mil milhões de anos-luz.
Crédito: NASA/ESA/A. Fruchter (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Nós ansiávamos pela observação do Hubble," afirma Neil Gehrels, líder científico do Swift do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland. "O facto de esta explosão ter ocorrido no centro de uma galáxia diz-nos que muito provavelmente está associada com um buraco negro massivo. Isto resolve uma questão fundamental acerca do misterioso evento."

A maioria das galáxias, incluindo a nossa, contém um buraco negro central com milhões de vezes a massa do Sol; os buracos negros das galáxias maiores podem ser mil vezes maiores. A estrela que passou por lá perto provavelmente foi vítima de um buraco negro menos massivo que o da Via Láctea, que tem uma massa de 4 milhões de Sóis.

Os astrónomos tinham anteriormente detectado estrelas perturbadas por buracos negros supermassivos, mas nenhuma tinha mostrado o brilho em raios-X e a variabilidade observada no GRB 110328A, onde a fonte aumentou de brilho repetidamente. Desde 3 de Abril, por exemplo, o seu brilho aumentou mais de cinco vezes.

Os cientistas pensam que os raios-X podem estar a vir de matéria que se move perto da velocidade da luz num jacto de partículas que se forma à medida que o gás cai para o buraco negro.

O GRB 110328A aumentou de brilho repetidamente nos dias que se seguiram à descoberto do Swift. Este gráfico mostra as mudanças no brilho registadas pelo telescópio de raios-X.
Crédito: NASA/Swift/Penn State/J. Kennea
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A melhor explicação actual é que estamos a olhar directamente para este jacto," afirma Andrew Levan da Universidade de Warwick no Reino Unido, que lidera as observações do Chandra. "Quando vemos estes jactos directamente, um aumento no brilho permite-nos observar detalhes que de outro modo perderíamos."

O aumento no brilho, chamado de radiante relativista, ocorre quando a matéria, ao mover-se perto da velocidade da luz, é observada quase de frente.

Os astrónomos planeiam observações futuras com o Hubble para determinar se o núcleo da galáxia muda também de brilho.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA/JPL (comunicado de imprensa)
Observatório Chandra (comunicado de imprensa)
Hubblesite (comunicado de imprensa)
Science
SPACE.com
PHYSORG.com
Universe Today
Discover
POPSCI
AFP
Discovery News
MSNBC
UPI.com

GRB:
NASA
Wikipedia
Caltech

Buracos negros supermassivos:
Wikipedia

Buracos negros:
Wikipedia

Telescópio Swift:
NASA
Wikipedia

Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble: 
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Wikipedia

 
     
 
 
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  M74: A Espiral Perfeita - Crédito: Fundação DescubreObservatório Calar AltoOAUVDSA, V. Peris (OAUV), J. L. Lamadrid (CEFCA), J. Harvey (SSRO), S. Mazlin (SSRO), I. Rodriguez (PTeam), O. L. (PTeam), J. Conejero (PixInsight).  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Se não perfeita, então esta galáxia espiral é pelo menos uma das mais fotogénicas. Um universo-ilha com cerca de 100 mil milhões de estrelas, a 32 milhões de anos-luz na direcção da constelação de Peixes, M74 mostra aqui a sua espantosa face. Classificada como uma galáxia Sc, os seus lindos braços espirais são traçados por enxames estelares azuis e correntes de poeira cósmica. A imagem mede cerca de meia-Lua Cheia e foi obtida com o telescópio de 1,23 metros do Observatório Calar Alto na Sierra de Los Filabres em Espanha e com um tempo de exposição de 19 horas. Com cerca de 30.000 anos-luz em diâmetro, esta imagem de M74 inclui exposições da emissão de átomos de hidrogénio, realçando o tom avermelhado das grandes regiões de formação estelar da galáxia.

 


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