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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 742
De 15/04 a 18/04/2011
 
 
 

Dia 15/04: 105.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1793 nascia Friedrich Georg Wilhelm von Struve, astrónomo Báltico-alemão.

Struve é conhecido pelo seu enorme estudo das estrelas duplas, e foi um dos primeiros astrónomos a identificar os efeitos da extinção interestelar.
Observações: Já sabe que se seguir as estrelas-guia da Ursa Maior vai chegar à Polar. Mas se seguir na direcção oposta, a uma distância maior, alcança Leão.

Dia 16/04: 106.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1972, os Estados Unidos lançavam a Apollo 16 para a Lua. 

Observações: Saturno e Gamma Virginis (Porrima) estão para a esquerda e um pouco para cima da Lua, quase Cheia, esta noite. O planeta está a 2,3º da estrela, e vão-se aproximar nas próximas semanas. Gamma Vir é um binário pequeno, com uma separação de 1,7 segundos de arco. Com um telescópio de 4 polegadas é já possível separá-las com alguma ampliação, mediante uma noite limpa e calma. Também na vizinhança de Virgem e da Lua, está Corvo.

Dia 17/04: 107.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1598 nascia Giovanni Riccioli, astrónomo italiano que estudou extensivamente a Lua e foi a primeira pessoa a medir a aceleração de um corpo em queda livre.
Em 1970, após dias de aflição, a Apollo 13 regressava a salvo à Terra

Observações: Antes da meia-noite já é possível observar o espectacular Enxame de Hércules, M13.

Dia 18/04: 108.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1955, falecia Albert Einstein.
Observações: Lua Cheia, pelas 03:44.

 
 
 
1% da estática que vemos na nossa televisão é radiação remanescente do Big Bang. Por isso, da próxima vez que se queixar que não há nada de jeito para ver na televisão, lembre-se que sempre pode observar um pouco do nascimento do Universo!
 
 
  HERSCHEL RELACIONA FORMAÇÃO ESTELAR COM "BOOMS" SÓNICOS  
 

O observatório espacial Herschel da ESA revelou que nuvens interestelares vizinhas contêm redes de filamentos gasosos entrelaçados. Intrigantemente, cada filamento mede aproximadamente o mesmo, o que aponta para que possam ser o resultado de "booms" sónicos interestelares pela Galáxia.

Os filamentos são gigantescos, medem dezenas de anos-luz e o Herschel mostrou que as estrelas recém-nascidas são normalmente descobertas nas suas partes mais densas. Um dos filamentos, fotografado pelo Herschel na região de Águia, contém um enxame com aproximadamente 100 jovens estrelas. Tais filamentos nas nuvens interestelares já foram observados por outros satélites infravermelhos, mas nunca com detalhe suficiente para poderem ser medidos. Agora, o Herschel mostrou que, apesar do tamanho ou densidade de um filamento, a largura é sempre aproximadamente a mesma.

Densos filamentos gasosos na nuvem interestelar IC5146. Esta imagem foi obtida pelo observatório espacial infravermelho Herschel, a comprimentos de onda de 70, 250 e 500 micrómetros. As estrelas estão a ser formadas ao longo destes filamentos.
Crédito: ESA/Herschel/SPIRE/PACS/D. Arzoumanian (CEA Saclay) para o Consórcio do Programa “Gould Belt survey”.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"É uma grande surpresa," afirma Doris Arzoumanian, do Laboratório AIM Paris-Saclay, CEA/IRFU, a autora principal de um artigo científico que descreve as investigações. Em conjunto com Philippe André, do mesmo instituto, e outros colegas, analisou 90 filamentos e descobriu que tinham todos cerca de 0,3 anos-luz de largura, ou cerca de 20.000 vezes a distância da Terra ao Sol. Esta consistência de larguras exige uma explicação.

Ao comparar as observações com modelos computacionais, os astrónomos concluíram que os filamentos são provavelmente formados quando ondas de choque lentas se dissipam nas nuvens interestelares. Estas ondas de choque são pouco supersónicas e o resultado de grandes quantidades de energia turbulenta injectada para o espaço interestelar por estrelas em explosão. Viajam pelo diluído mar de gás na Galáxia, comprimindo-o e varrendo-o para formar estes filamentos.

As nuvens interestelares são normalmente extremamente frias, cerca de 10 K acima do zero absoluto, e isto torna a velocidade do som aí relativamente lenta, apenas 0,2 km/s, em oposição aos 0,34 km/s na atmosfera da Terra ao nível do mar. Estas lentas ondas de choque são o equivalente interestelar dos "booms" sónicos. A equipa sugere que à medida que estes ruídos sónicos viajam pelas nuvens, perdem energia e, onde finalmente se dissipam, deixam para trás estes filamentos de material comprimido.

A rede de filamentos interestelares em Polaris, observada pelo observatório espacial Herschel da ESA, em comprimentos de onda infravermelhos de 250, 350 e 500 micrómetros.
Crédito: ESA/Herschel/SPIRE/Ph. André (CEA Saclay) para o Consórcio do Programa “Gould Belt survey” e A. Abergel (IAS Orsay) para a Evolução da Poeira Interestelar.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Não são provas directas, mas fortes evidências de uma relação entre a turbulência interestelar e os filamentos. Providencia uma restrição muito forte nas teorias da formação estelar," afirma o Dr. André. A equipa fez a ligação ao estudar três nuvens vizinhas, conhecidas como IC5146, Aquila e Polaris, usando os instrumentos SPIRE e PACS a bordo do observatório Herschel.

"A ligação entre estes filamentos e a formação estelar parecia não ser clara, mas agora graças ao Herschel, podem na realidade ver a formação estelar como 'contas em colares' nalguns destes filamentos," afirma Göran Pilbratt, cientista do projecto Herschel da ESA.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Herschel (comunicado de imprensa)
Universe Today
Discover
PHYSORG.com

Observatório Espacial Herschel:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
NASA
Caltech
Wikipedia

Formação de sistemas estelares:
Evolução estelar (Wikipedia)
Formação e evolução do Sistema Solar (Wikipedia)

 
     
 
     
  Jactos de Centauro no Rádio - Crédito: Ilana Feain, Tim Cornwell & Ron Ekers (CSIRO/ATNF); ATCA; R. Morganti (ASTRON); N. Junkes (MPIfR); ATCA & foto da Lua: Shaun Amy, CSIRO  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

E se conseguisse ver os gigantescos jactos de Centauro A no rádio? Os jactos de Cen A não só medem mais de um milhão de anos-luz de comprimento, como ocupam uma área angular com mais de 200 vezes o tamanho da Lua Cheia. Os jactos são expelidos por um buraco negro violento com milhões de vezes a massa do nosso Sol embebida profundamente no centro de uma galáxia activa vizinha, Cen A. De algum modo, o buraco negro cria estes rápidos jactos à medida que outras matérias são atraídas. Nesta imagem, os radiotelescópios do ATCA (Australian Telescope Compact Array) perto de Narrabi, Nova Gales do Sul, Austrália, foram capturados em frente de uma Lua Cheia, com uma imagem rádio de Cen A superimposta no fundo e com o seu verdadeiro tamanho angular. A imagem inclui o mapa mais detalhado até agora de jactos no rádio oriundos de galáxias, demorando alguns anos e mais de 1000 horas de tempo de exposição a ser obtida. Os detalhes na foto podem fornecer pistas de como os jactos no rádio interagem com as estrelas e com a poeira intergaláctica. Os pontos de luz na imagem não representam estrelas, mas normalmente outras galáxias brilhantes no rádio, ainda mais distantes.

 


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