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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 743
De 19/04 a 21/04/2011
 
 
 

Dia 19/04: 109.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, lançamento da Salyut 1, a primeira estação espacial.

Em 1975, lançamento do primeiro satélite da Índia, o Aryabhata.
Observações: Tem estado(a) atento(a) à brilhante estrela Sirius a Sudoeste, e a Orionte a Oeste, ao anoitecer? Conseguem ainda ser observados mas descendo para cada vez mais baixo diariamente. Quanto tempo mais consegue observá-los?

Dia 20/04: 110.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1972, a Apollo 16 aterra na Lua, uma das seis missões tripuladas à Lua com sucesso.

John W. Young e Thomas K. Mattingly III alunaram numa área de nome Descartes. Este foi o primeiro estudo das terras-altas, feito com várias câmaras e experiências. O "rover" lunar foi usado pela segunda vez. Os astronautas permaneceram 71 horas na superfície. Recolheram 95,8 kg de rochas lunares.
Observações: Sirius, a estrela mais brilhante de Cão Maior, brilha baixo a Sudoeste mesmo depois do pôr-do-Sol. Bem para cima esta Procyon, a estrela de Cão Menor. Ainda mais para cima e para a esquerda está Régulo em Leão. Quase a meio do percurso entre Procyon e Régulo, procure um asterismo ténue mas notável: a cabeça da Hidra, a Serpente do Mar.

Dia 21/04: 111.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, um satélite Transit-5bn falha a atingir órbita da Terra após lançamento; à medida que reentra na atmosfera, 0,95 kg de plutónio radioactivo da sua fonte de alimentação SNAP RTG é largamente dispersado.
Em 1994, são anunciadas as primeiras descobertas de planetas extrasolares pelo astrónomo Alexander Wolszczan
Em 2002, uma erupção no Sol providencia uma excelente oportunidade para uma panóplia de instrumentos nas sondas SOHOTRACE e RHESSI recolherem dados para comparação com o modelo Lin & Forbes de CMEs (ejecção de massa coronal).

Observações: Um pequeno telescópio irá sempre mostrar Titã, a maior lua de Saturno. Esta noite Titã está a 4 diâmetro anulares para a direita de Saturno.

 
 
 
O pulsar com velocidade de rotação mais rápida conhecido é o PSR J1748-2446ad que tem uma frequência de 716 rotações por segundo (716 Hz). Para se ter ideia da enormidade deste número, pense-se que as "varinhas mágicas" mais rápidas usadas na cozinha normalmente em frequência na ordem dos 500 Hz.
 
 
  TAL COMO EUROPA, TITÃ PODE TER UM OCEANO SUBSUPERFICIAL  
 

Nos sete anos que a Cassini já passou em órbita de Saturno, a sonda enviou montanhas de dados que mudaram o modo como vemos o planeta dos anéis e as suas luas. A maior lua de Saturno, Titã, tem sido um foco particular de atenção devido à sua densa e completa atmosfera, à sua meteorologia e aos seus lagos e oceanos.

Agora parece que Titã é ainda mais estranha. As evidências vêm de cuidadosas observações da órbita e da rotação de Titã. Isto indica que Titã tem uma órbita similar à nossa Lua: mostra sempre a mesma face na direcção de Saturno e o seu eixo de rotação está inclinado cerca de 0,3 graus.

Em conjunto, estes dados permitem aos astrónomos calcular o momento de inércia de Titã e isto infere algo interessante. Os números indicam que o momento de inércia pode apenas ser explicado se for um corpo sólido que é mais denso perto da superfície do que no seu centro.

Isto é estranho - quase impensável, dado o que sabemos acerca da formação dos planetas e satélites.

 
Projecção da órbita normal (azul) e do eixo de rotação sobre o plano de Laplace (preto para o caso sólido, vermelho para o modelo 1 e verde para o modelo 2) ao longo do período da precessão principal.
Crédito: Observatório Real da Bélgica

Mas há no entanto ainda outra explicação: Titã não é sólido.

Rose-Marie Baland e colegas do Observatório Real da Bélgica em Bruxelas, levaram a cabo um estudo para determinar se um modelo líquido é compatível com o momento de inércia medido. "Assumimos a presença de um oceano de água líquida por baixo da camada de gelo e consideramos as forças gravitacionais e pressões que nascem entre as diferentes camadas do satélite," afirmam.

A sua conclusão é que o momento de inércia de Titã pode bem ser explicado pela presença de um oceano líquido por baixo da superfície.

A química do oceano é um factor importante no cálculo da sua profundidade e da espessura da camada de gelo por cima. Baland e companhia assumem que deve consistir de água. Tal parece ser uma suposição curiosa dado que a atomsfera de Titã contém enormes quantidade de metano e outros hidrocarbonetos.

Os astrónomos há muito que sabem que o metano é rapidamente quebrado pela luz solar. Por isso o metano em Titã já devia ter desaparecido há muito... a não ser que esteja a ser reabastecido a partir de um reservatório interno. Um gigantesco oceano de metano, talvez?

Os cálculos da equipa de Baland teriam que ser refeitos para um oceano de metano, para determinar a relação mecânica e termodinâmica entre o gelo de metano e o seu estado líquido.

É também de notar que há outra explicação para o estranho momento de inércia de Titã. Os cálculos assumem que a órbita da Lua encontra-se estável mas é também possível que a órbita de Titã esteja em mutação, talvez devido à próxima passagem de um grande objecto, ou cometa ou um asteróide, por exemplo.

Por isso embora as análises de Baland e da sua equipa sejam boas evidências de um oceano subsuperficial em Titã, não é ainda certo. Ainda há alguns problemas a resolver.

Links:

Notícias relacionadas:
Technology Review - MIT
Artigo científico (formato PDF)
Universe Today
SpaceRef
POPSCI

Titã:
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
     
 
     
  Os "Girinos" de IC 410 - Crédito: Mark Hanson  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Esta bonita imagem é uma ampliação da ténue nebulosa de emissão IC 410 em cores-falsas. Mostra também dois espantosos "habitantes" do lago cósmico de gás e poeira, para cima e para a esquerda do centro, os "girinos" de IC 410. A imagem é uma composição de imagens obtidas através de filtros de banda estreita e larga. Os dados de banda estreita traçam átomos na nebulosa, a emissão dos átomos de enxofre está a vermelho, os átomos de hidrogénio a verde e os de oxigénio a azul. Parcialmente obscurecida pela poeira de frente, a própria nebulosa rodeia NGC 1893, um jovem enxame de estrelas que energiza o gás brilhante. Compostos por poeira e gás denso mais frio, os "girinos" medem cerca de 10 anos-luz de comprimento e são potencialmente locais de formação estelar. Esculpidos pelo vento e pela radiação das estrelas do enxame, as suas caudas afastam-se da região central do enxame. IC 410 situa-se a aproximadamente 12.000 anos-luz de distância, na direcção da constelação de Cocheiro.

 


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