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Edição n.º 753
24/05 a 26/05/2011
 
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EFEMÉRIDES

Dia 24/05: 144.º dia do calendário gregoriano.
História: Morre em 1543 Nicolau Copérnico, famoso astrónomo, autor do livro "Das revoluções dos Mundos Celestes".

Adiou a publicação da sua teoria por uns 30 anos; a primeira obra completa foi imprimida umas poucas horas antes da sua morte. Foi colocada na sua cama, de modo que pudesse tê-la a seu lado. Mas nessa altura já a sua mente delirava, e não pôde comentar o prefácio anónimo do livro, que dizia aos leitores que o conteúdo do livro poderia não ser verdadeiro, ou até mesmo provável. Nunca se soube com certeza se autorizou aquele prefácio, ou se realmente acreditava no seu sistema ou não.
Em 1962, projecto Mercury: o astronauta americano Scott Carpenter orbita a Terra três vezes na cápsula espacial Aurora 7.  
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 19:52. Nasce bem depois da meia-noite , por baixo da cabeça de Aquário.

Dia 25/05: 145.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 240 AC, primeira passagem registada do Cometa Halley pelo seu periélio.
Em 1961, o presidente americano John F. Kennedy anuncia perante uma sessão do Congresso o seu objectivo de "colocar um homem na Lua" antes do fim da década.
Em 1966, lançamento do Explorer 32.
Em 1997, a MIR colide com a nave de abastecimento Progress, o que despressuriza as cabinas e danifica os painéis solares.

No mesmo ano, a sonda Galileu passa pela lua joviana Calisto a uma distância de apenas 415 km! 
Observações: O Arco da Primavera, a Oeste ao lusco-fusco, aproxima-se do horizonte, mas ainda é possível observá-lo quando as estrelas se tornam visíveis. Pollux e Castor estão alinhadas quase na horizontal a Oeste-Noroeste. Olhe bem para baixo e para a esquerda de Procyon, e ainda mais para baixo e para a direita está Capella.

Dia 26/05: 146.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1730 nascia Charles Messier.

Conhecido caçador de cometas francês, que catalogou mais ou menos 100 nebulosas brilhantes e enxames estelares conhecidos hoje em dia pelos seus números M, porque confundia estes objectos estacionários com possíveis novos cometas, que era na realidade o que ele andava à procura.
Em 1949 foi descoberto o asteróide Ícaro, a partir de um telescópio de 48 polegadas, que entrou em funcionamento nove meses antes. Descobriu-se que o asteróide tem uma órbita acentuadamente excêntrica e uma distância periélica de apenas 27 milhões e 358 mil quilómetros, mais próximo do Sol que Mercúrio (daí o seu nome). Estava apenas a 6 milhões e 500 mil quilómetros da Terra na altura da sua descoberta. 
Em 1969, a Apollo 10 regressa à Terra após oito dias, durante os quais foram testados todos os componentes necessários para a primeira aterragem lunar.
Observações: Nesta altura do ano a Cassiopeia encontra-se baixa no horizonte ao início da noite. O quão baixo ela se encontra depende da latitude. Enquanto no Minho é possível que ela se veja, no Algarve a maior parte encontra-se abaixo do horizonte.

 
CURIOSIDADES


Um dia em Vénus dura cerca de 243 dias terrestres.

 
RADIOTELESCÓPIOS CAPTURAM MELHOR IMAGEM DOS JACTOS DE BURACO NEGRO

Uma equipa internacional usou radiotelescópios espalhados pelo Hemisfério Sul e produziu a imagem mais detalhada de jactos de partículas emitidas de um buraco negro supermassivo numa galáxia vizinha.

"Estes jactos resultam de matéria que se aproxima do buraco negro, mas não sabemos ainda os detalhes de como se formam e de como se mantêm a eles próprios," afirma Cornelia Mueller, autora principal do estudo e estudante pós-doutorada da Universidade de Erlangen-Nuremberga na Alemanha.

A nova imagem mostra uma região com menos de 4,2 anos-luz em comprimento -- menos que a distância entre o nosso Sol e a mais estrela mais próxima. Características no rádio, com tamanhos tão pequenos quanto 15 dias-luz, podem ser observadas, o que torna esta a imagem de mais alta-resolução de jactos galácticos já obtida. O estudo irá aparecer na edição de Junho da revista Astronomy and Astrophysics.

À esquerda: a gigante galáxia elíptica NGC 5128 é a fonte de rádio conhecida como Centauro A. Vastos lóbulos que "brilham" no rádio (vistos aqui em laranja nesta composição óptica/rádio), prolongam-se por quase um milhão de anos-luz a partir da galáxia.
À direita: a imagem no rádio do projecto TANAMI providencia o olhar mais detalhado dos jactos de um buraco negro supermassivo. A imagem revela os 4,16 anos-luz do jacto e do contrajacto, pouco menos que a distância entre o Sol e a sua estrela mais próxima. A imagem consegue resolver detalhes tão pequenos quanto 15 dias-luz. Não detectado entre os jactos está o buraco negro da galáxia com 55 milhões de massas solares.
Crédito: esquerda - Observatório Capella (óptico), com dados no rádio por Ilana Feain, Tim Cornwell e Ron Ekers (CSIRO/ATNF), R. Morganti (ASTRON) e N. Junkes (MPIfR); direita - NASA/TANAMI/Müller et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Mueller e sua equipa tiveram como alvo Centauro A (Cen A), uma galáxia vizinha com um buraco negro supermassivo com uma massa equivalente a 55 milhões de Sóis. Também conhecida como NGC 5128, Cen A está localizada a cerca de 12 milhões de anos-luz de distância na direcção da constelação de Centauro e foi uma das primeiras fontes celestes de rádio a ser identificada com uma galáxia.

No rádio, Cen A é um dos maiores e mais brilhantes objectos no céu, com quase 20 vezes o tamanho aparente da Lua Cheia. Isto é porque a galáxia no visível situa-se entre um par de lóbulos gigantes que emitem no rádio, cada com quase um milhão de anos-luz.

Estes lóbulos estão cheios de matéria oriunda de jactos de partículas situados perto do buraco negro central da galáxia. Os astrónomos estimam que a matéria perto da base destes jactos viaje para fora a um terço da velocidade da luz.

Usando uma rede intercontinental de nove radiotelescópios, os investigadores do projecto TANAMI (Tracking Active Galactic Nuclei with Austral Milliarcsecond Interferometry) foram capazes de observar "de perto" o reino interior da galáxia.

"Avançadas técnicas computacionais permitiram-nos combinar dados dos telescópios individuais e produzir imagens com o detalhe de um único telescópio gigante, quase com o tamanho da própria Terra," afirma Roopesh Ojha do Centro Aeroespacial Goddard da NASA, em Greenbelt, Maryland, EUA.

Imagem com dados em raios-X (azul) obtidos pelo Chandra, em microondas (laranja) e no visível, revelam os jactos e os lóbulos de rádio enamanados pelo buraco negro central de Centauro A.
Crédito: ESO/WFI (visível); MPIfR/ESO/APEX/A. Weiss et al. (microondas); NASA/CXC/CfA/R. Kraft et al. (raios-X)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A enorme libertação energética de galáxias como Cen A deriva da atracção do gás pelo buraco negro com a massa de milhões de vezes a massa do Sol. Através de processos ainda não muito bem compreendidos, alguma desta matéria é expelida em jactos que viajam na direcção oposta a uma fracção substancial da velocidade da luz. Imagens detalhadas da estrutura dos jactos vão ajudar os astrónomos a determinar como são formados.

Os jactos interagem fortemente com o gás em redor, por vezes até mudando a velocidade de formação estelar de uma galáxia. Os jactos desempenham um papel importante mas pouco conhecido na formação e evolução das galáxias.

O Telescópio Espacial de raios-gama Fermi da NASA detectou radiação muito energética oriunda da região central de Cen A. "Esta radiação é milhares de milhões de vezes mais energética do que as ondas de rádio que detectamos, e o local exacto da sua emissão permanece um mistério," afirma Matthias Kadler da Universidade de Wuerzburg na Alemanha e colaborador de Ojha. "Com o TANAMI, esperamos estudar os recantos mais profundos da galáxia e descobrir a sua localização."

Os astrónomos dão crédito aos melhoramentos continuados do LBA (Long Baseline Array) da Austrália para a esplêndida qualidade e resolução da imagem do TANAMI. O projecto conta ainda com telescópios na África do Sul, Chile e Antártica para explorar os jactos galácticos mais brilhantes do Hemisfério Sul.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Sky & Telescope
SPACE.com
Popular Science
PHYSORG.com
MSNBC
UPI.com
The Register

Centauro A:
Wikipedia

Projecto TANAMI:
Página oficial

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Apenas 4% das galáxias têm vizinhas como as da Via Láctea (via NSF)
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Io: A Pluma de Prometeu
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Projecto GalileuJPLNASA
 
O que está a acontecer na lua de Júpiter, Io? Na imagem colorida, obtida pela sonda Galileu que orbitou o planeta entre 1995 e 2003, são visíveis duas erupções sulfurosas. No topo, por cima do limbo de Io, uma pluma azulada sobe até cerca de 140 km para cima da superfície de uma caldeira vulcânica conhecida como Pillan Patera. No meio da imagem, perto da linha que divide o dia da noite, está uma pluma anulada que sobe até 75 km por cima de Io enquanto provoca uma sombra por baixo da abertura vulcânica. Com o nome do deus grego que ofereceu o fogo aos mortais, a pluma de Prometeu é visível em todas as imagens já recolhidas da região e que remontam até às passagens das Voyager em 1979 - o que apresenta a possibilidade desta pluma estar activa há já pelo menos 18 anos. A imagem da lua, digitalmente modificada, foi capturada originalmente em 1997, a partir de uma distância de aproximadamente 600.000 km. Análises recentes dos dados da Galileu descobriram evidências de um oceano de magma por baixo da superfície de Io.
 

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