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Edição n.º 758
10/06 a 13/06/2011
 
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EFEMÉRIDES

Dia 10/06: 161.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003 era lançada o Spirit Rover começando a missão Mars Exploration Rover da NASA. Em Marte, operou durante largos anos, até que deixou de contactar com a Terra em Março de 2010.

Observações: Esta noite procure Saturno para cima da Lua, Espiga para a sua esquerda, e a mais brilhante Arcturo bem para cima e para a esquerda destes astros.

Dia 11/06: 162.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1723 nascia Johann Georg Palitzsch, astrónomo alemão que observaria em 1758 o regresso do cometa Halley, tal como previsto por Edmond Halley em 1705.

Em 2004, a sonda Cassini-Huygens faz a sua maior aproximação a Febe
Observações:Por volta das 23 horas, a ténue Ursa Menor situa-se mesmo na vertical, subindo para cima da Estrela Polar, como um balão que sobe pelo ar.

Dia 12/06: 163.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967 era lançada Venera 4 que seria a primeira sonda a enviar dados da atmosfera de outro planeta (Vénus) para a Terra. 

Em 2004, um meteorito condrito de 1,3 kg atinge uma casa em Ellserslie, Nova Zelândia, provocando grandes danos mas nenhuns ferimentos.
Observações: Aproveite a noite para observar a constelação de Escorpião. Consegue ver os seus dois famosos enxames abertos por cima da cauda (M6 e M7)?

Dia 13/06: 164.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1983 a sonda Pioneer 10 torna-se o primeiro artefacto humano a abandonar o sistema planetário solar.

Observações: Mercúrio em conjunção superior, pelas 00:38.

 
CURIOSIDADES


No Dia de Portugal e de Camões falemos das crateras de Mercúrio. Algumas têm nomes de grandes humanistas e uma delas chama-se cratera Luis de Camões.

 
UMA GRANDE SURPRESA NO LIMITE DO SISTEMA SOLAR

As sondas Voyager da NASA estão realmente a "ir onde nenhum homem jamais esteve". Viajando silenciosamente na direcção das estrelas, a 14.484.096.000 quilómetros da Terra, continuam a enviar dados dos recantos mais longínquos do Sistema Solar.

Os cientistas da missão dizem que as sondas acabam de enviar grandes novidades: o ambiente onde se encontram tem bolhas.

De acordo com os modelos computacionais, as bolhas são enormes, cada com cerca de 160 milhões de quilómetros, e por isso as velozes sondas demoram várias semanas a passar por apenas uma. A Voyager 1 entrou nesta "zona espumante" por volta de 2007, e a Voyager 2 seguiu-se um ano depois. Ao início, os investigadores não compreendiam o que as Voyager estudavam -- mas agora têm uma boa ideia.

"O campo magnético do Sol prolonga-se até ao limite do Sistema Solar," explica Opher. "Devido à rotação do Sol, o seu campo magnético torna-se retorcido e enrugado, um pouco como a saia de uma bailarina. Muito longe do Sol, onde as Voyager estão agora, as dobras da saia juntam-se."

Quando um campo magnético torna-se assim tão enrugado, podem acontecer coisas interessantes. As linhas dos campos magnéticos cruzam-se e "reconectam-se" (a reconexão magnética é o mesmo processo energético por trás das proeminências solares). As dobras sobrecarregadas da saia reorganizam-se a elas próprias, por vezes de modo explosivo, em bolhas de espuma magnética.

Bolhas magnéticas no limite do Sistema Solar medem cerca de 160 milhões de quilómetros - um pouco mais que a distância entre a Terra e o Sol.
Crédito: NASA
 

"Não esperávamos encontrar destas estruturas na fronteira do Sistema Solar, mas aqui estão!", afirma o colega de Opher, Jim Drake da Universidade de Maryland, EUA.

As teorias que datam desde a década de 50 prevêem um cenário muito diferente: era suposto o distante campo magnético do Sol curvar-se em arcos relativamente graciosos, eventualmente dobrando-se para trás para retornar ao Sol. As bolhas parecem ser autónomas e substancialmente desligadas do mais largo campo magnético solar.

As leituras do sensor de partículas energéticas sugerem que as Voyager ocasionalmente entram e saem da espuma - por isso devem existir regiões onde estas antigas ideias ainda são válidas. Mas não há dúvida que os modelos antigos não conseguem explicar o que as Voyager descobriram.

Afirma Drake: "Estamos ainda a tentar estudar as implicações destas descobertas."

A estrutura do distante campo magnético do Sol - espuma vs. nenhuma espuma - é de vital importância científica porque define o modo como interagimos com o resto da Galáxia. A região onde as Voyager se encontram é essencialmente a fronteira que separa o Sistema Solar do resto da Via Láctea. Muitas coisas tentam atravessá-la - nuvens interestelares, nós de magnetismo galáctico, raios cósmicos e por aí adiante. Será que estes intrusos encontram distúrbios de magnetismo borbulhante (a nova imagem) ou linhas graciosas de força magnética que voltam de novo ao Sol (a visão antiga)?

A visão antiga e a nova da fronteira do Sistema Solar. As espirais azul e vermelha são as linhas do campo magnético dos modelos ortodoxos. Os novos dados das Voyager acrescentam espuma magnética à mistura.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O caso dos raios cósmicos é ilustrativo. Os raios cósmicos galácticos são partículas subatómicas aceleradas até quase à velocidade da luz por buracos negros e explosões de supernovas distantes. Quando estas bolas de canhão microscópicas tentam entrar no Sistema Solar, têm que lutar através do campo magnético do Sol para alcançar os planetas interiores.

"As bolhas magnéticas parecem ser a nossa primeira linha de defensa contra os raios cósmicos," realça Opher. "Ainda não descobrimos se isto é uma coisa boa ou má."

Por um lado, as bolhas parecem ser um escudo muito poroso, o que permite com que os muitos raios cósmicos atravessem as suas falhas. Por outro, os raios cósmicos ficam presos dentro das bolhas, o que faz desta espuma um escudo realmente eficiente.

Até agora, a maioria das evidências das bolhas deriva das medições de fluxos e partículas energéticas das Voyager. As provas podem também ser obtidas pelas observações magnéticas das Voyager e alguns destes dados são também muito sugestivos. No entanto, dado que o campo magnético é muito fraco, os dados demoram muito mais tempo a serem analisados com cuidado apropriado. Por isso, o estudo destas assinaturas magnéticas das bolhas nos dados das Voyager está ainda a decorrer.

"Vamos provavelmente descobrir a verdade à medida que as Voyager avançam mais para dentro da espuma e à medida que aprendemos mais sobre a sua organização," afirma Opher. "Isto é apenas o começo, e prevejo mais surpresas pelo caminho."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
PHYSORG.com
Universe Today
BBC News
National Geographic
Discovery News
Popular Science
MSNBC

Sondas Voyager:
Página oficial (NASA)
Heavens Above
Wikipedia

Sistema Solar:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
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O VLT Survey Telescope (VST), recentemente instalado no Observatório do Paranal do ESO, divulgou as suas primeiras imagens do céu austral. O VST é um telescópio de 2,6 metros de última geração, que dispõe de uma enorme câmara de 268 megapixels, a OmegaCAM. Esta câmara foi concebida para mapear o céu de modo rápido e com uma excelente qualidade de imagem. É um telescópio que trabalha no visível e que complementa perfeitamente o VISTA, o telescópio de rastreio no infravermelho do ESO. As novas imagens da Nebulosa Ómega e do enxame globular Omega Centauri demonstram bem o poder deste novo instrumento. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - O Todo-Poderoso Sol
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASA / Goddard / Equipa SDO AIA
 
A 7 de Junho, o Sol desencadeou apenas uma proeminência solar de tamanho médio, à medida que a rotação levava as regiões activas das manchas solares na direcção do limbo solar. Mas esta proeminência foi seguida de uma surpreendente libertação de plasma magnetizado, visto aqui em erupção na fronteira do Sol, nesta imagem ultravioleta extrema obtida pelo SDO (Solar Dynamics Observatory). Filmes espectaculares do evento seguem o plasma mais escuro e frio ao longo de um período de horas, enquanto chove numa grande área da superfície do Sol, arqueando ao longo das invisíveis linhas magnéticas. Uma ejecção de massa coronal associada, ou seja, uma massiva nuvem de partículas altamente energéticas, foi expelida na direcção geral da Terra e pode até já ter despoletado actividade auroral quando ressaltou na magnetosfera da Terra.
 

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