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Edição n.º 801
08/11 a 10/11/2011
 
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EFEMÉRIDES

Dia 08/11: 312.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1656 nascia Edmond Halley (no calendário juliano corresponde a 29 de Outubro).

Halley foi um cientista inglês que usou a sua teoria das órbitas cometárias para calcular que o cometa de 1682 (Cometa Halley) era periódico e encorajou Isaac Newton a publicar a sua famosa obra de cálculo, gravidade, e das leis da gravidade. Também descobriu em 1718 que algumas das estrelas "fixas" (Sirius, AldebarãBetelgeuse e Arcturo) na realidade tinham o que se chama de "movimento próprio", o que significa que não estão estacionárias ("fixas"). Pensava-se que as estrelas estavam fixas no céu desde a compilação da obra "Almagest" de Ptolomeu.
Em 1984, lançamento da missão STS-51A, voo inaugural do Vaivém Discovery.

Observações: A "estrela" brilhante perto da Lua esta noite é Júpiter. Embora pareçam próximos, Júpiter está 1400 vezes mais distante.

Dia 09/11: 313.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1934 nascia Carl Sagan.

Carl Sagan começou a sua carreira na ciência da vida no Universo como assistente do prémio Nobel da medicina H. J. Muller nos anos 50. Conhecedor, tanto de Astronomia como de Biologia, as suas contribuições para o estudo da ciência planetária são a fundação da pesquisa actual. "Cosmos", a série televisiva, ganhou vários prémios Emmy e Peabody. O livro, foi o livro científico mais vendido de sempre. O seu romance "Contacto" foi trazido para o cinema através da Warner Bros. Teve um papel fundamental nas sondas MarinerViking e Voyager, pelas quais recebeu a medalha de Feito Científico Excepcional da NASA (duas vezes) e a medalha de Notável Seviço Público. Co-fundador da Sociedade Planetária. Dr. Sagan recebeu o prémio Pulitzer, a medalha Oersted e muitos outros prémios - incluindo dezoito graduações de colégios e Universidades americanas - pelas suas contribuições à Ciência, literatura, educação e conservação do ambiente. Sagan teve o título de Professor David Duncan de Astronomia e Ciências Espaciais e foi director do Laboratório de Estudos Planetários na Universidade de Cornell. O prémio Masursky da Sociedade Astronómica Americana cita "as suas extraordinárias contribuições no desenvolvimento da ciência planetária". Morreu a 20 de Dezembro de 1996. Hoje faria 77 anos.
Em 1967, a NASA lança a nave não-tripulada Apollo 4, no topo do primeiro foguetão Saturno V.
Em 2005, lançamento da missão europeia Venus Express
Observações: Cerca de 20 ou 30 minutos depois do pôr-do-Sol, tente observar com binóculos, e num local com um horizonte Sudoeste desimpedido, o planeta Vénus. Quase em linha diagonal, para baixo a contar de Vénus, está o muito mais ténue Mercúrio e a ainda mais ténue Antares. Boa sorte!
Entretanto, um alinhamento muito mais fácil sobe a Este: o brilhante Júpiter brilha para a direita da Lua.

Dia 10/11: 314.º dia do calendário gregoriano.
História:  Em 1970 era lançada a sonda lunar Lunokhod 1.

Observações: Lua Cheia, pelas 20:16.
Antes do amanhecer de Quinta e Sexta-feira, procure Marte e Régulo, que se encontram a menos de 1,2º entre si, altos a Sudeste.

 
CURIOSIDADES


Acredita-se que Orest Chwolson tenha sido o primeiro a discutir o efeito das lentes gravitacionais em 1924, embora seja mais associado com Einstein, que publicou um artigo científico mais famoso em 1936. No ano seguinte, Fritz Zwicky postulou que o efeito podia permitir com que os enxames galácticos agissem como lentes gravitacionais. Foi só em 1979 que o efeito foi confirmado graças à observação do quasar-gémeo SBS 0957+561.

 
HUBBLE OBSERVA DIRECTAMENTE O DISCO EM TORNO DE UM BURACO NEGRO

Uma equipa de cientistas usou o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA para observar um disco de acreção de um quasar - um brilhante disco de matéria que está lentamente a ser sugada para o buraco negro central da sua galáxia. O seu estudo faz uso de uma nova técnica que usa lentes gravitacionais para dar um grande aumento de poder ao telescópio. A incrível precisão do método permitiu aos astrónomos medir directamente o tamanho do disco e traçar a temperatura ao longo de partes diferentes do disco. Estas observações mostram um nível de precisão equivalente a avistar grãos individuais de poeira na superfície da Lua.

Embora os próprios buracos negros sejam invisíveis, as forças que libertam provocam alguns dos fenómenos mais brilhantes do Universo. Os quasares - diminutivo para objectos quasi-estelares - são discos brilhantes de matéria que orbitam buracos negros supermassivos, aquecendo e emitindo radiação extremamente brilhante à medida que o fazem.

"O disco de acreção no quasar tem um tamanho normal de alguns dias-luz, ou aproximadamente 100 mil milhões de quilómetros de diâmetro, mas situam-se a milhares de milhões de anos-luz de distância. Isto significa que o seu tamanho aparente, quando visto da Terra, é tão pequeno que provavelmente nunca teríamos um telescópio suficientemente poderoso para ver a sua estrutura directamente," explica Jose Muñoz, o líder científico deste estudo.

Esta imagem mostra um quasar ampliado gravitacionalmente por uma galáxia no pano da frente, que pode ser vista como uma forma ténue em torno das duas imagens brilhantes do quasar.
Crédito: NASA, ESA e J.A. Muñoz (Universidade de Valência)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Até agora, o pequeníssimo tamanho aparente dos quasares significava que a maioria do nosso conhecimento da sua estrutura interna era baseada em extrapolações teóricas, e não através de observações directas.

A equipa usou por isso um método inovador de estudar o quasar: usando as estrelas numa galáxia interveniente, como um microscópio, para observar características no disco do quasar que de outro modo seriam demasiado pequenas de observar. À medida que estas estrelas se movem em frente da luz do quasar, os efeitos gravitacionais ampliam a luz de diferentes partes do quasar, proporcionando informações detalhadas de uma linha que atravessa o disco de acreção.

A equipa observou um grupo de distantes quasares graças a lentes gravitacionais alinhadas a outras galáxias no pano da frente, produzindo algumas imagens do quasar.

Avistaram diferenças subtis em cor entre as imagens, e mudanças em cor ao longo do tempo das observações. Parte destas diferenças de cor são provocadas pelas propriedades da poeira nas galáxias intervenientes: a luz oriunda de cada uma das imagens ampliadas seguiu um percurso diferente pela galáxia, por isso as várias cores encapsulam informação acerca do material dentro da galáxia. A medição do modo como a poeira dentro destas galáxias bloqueia a luz (conhecido dos astrónomos como a lei da extinção) a tais distâncias é só por si um resultado importante do estudo.

Este diagrama mostra como o Hubble é capaz de observar um quasar, um disco brilhante de matéria em torno de um distante buraco negro, embora este esteja normalmente demasiado longínquo para ver sem ajuda de lentes gravitacionais.
Crédito: NASA, ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Para um dos quasares estudados, no entanto, existem sinais claros que as estrelas na galáxia interveniente estavam a passar através do percurso da luz do quasar. À medida que o efeito gravitacional da galáxia interveniente distorcia e ampliava a luz do quasar, também as estrelas desta galáxia distorciam subtilmente e ampliavam a luz de partes diferentes do disco de acreção à medida que passavam pelo percurso da luz do quasar.

Ao registar a variação em cor, a equipa foi capaz de reconstruir o perfil de cores ao longo do disco de acreção. Isto é importante porque a temperatura de um disco de acreção aumenta com a proximidade ao buraco negro, e as cores emitidas pela matéria quente tornam-se mais azuladas quanto mais quentes forem. Isto permitiu à equipa medir o diâmetro do disco de matéria quente, e traçar a temperatura a distâncias diferentes do centro.

Descobriram que o disco mede entre quatro e onze dias-luz e diâmetro (aproximadamente 100 a 300 mil milhões de quilómetros). Embora esta medição mostre grandes incertezas, é mesmo assim extremamente precisa para um pequeno objecto a esta enorme distância, e o método mostra grande potencial para um crescimento na sua precisão futuramente.

"Este resultado é muito relevante porque significa que somos agora capazes de obter dados observacionais da estrutura destes sistemas, em vez de nos basearmos apenas na teoria," afirma Muñoz. "As propriedades físicas dos quasares não são ainda bem compreendidas. Esta nova capacidade de obter medições observacionais abre por isso uma nova janela para melhor compreender a natureza destes objectos."

Links:

Notícias relacionadas:
Hubble - ESA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formado PDF)
PHYSORG.com
Astronomy
SPACE.com
Universe Today
BBC News
Astronomy Now Online
Discovery News
Wired News

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Wikipedia

Quasar:
Wikipedia

Lentes gravitacionais:
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Região de Formação Estelar S106
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: GRANTECAN e IAC
 
A estrela massiva IRS 4 começa a espalhar as suas asas. Nascida há apenas 100.000 anos atrás, o material expelido desta recém-nascida estrela formou a nebulosa denominada Sharpless 2-106 (S106), na imagem acima. Um grande disco de poeira e gás orbitam a Fonte Infravermelha 4 (InfraRed Source 4, IRS 4), visível em vermelho escuro perto do centro da imagem, o que dá à nebulosa a forma de uma ampulheta ou de uma borboleta. O gás de S106 perto de IRS 4 age como uma nebulosa de emissão à medida que emite luz após ser ionizada, enquanto a poeira longe de IRS 4 reflecte luz da estrela central e por isso age como uma nebulosa de reflexão. Uma inspecção mais detalhada de imagens como esta revelaram centenas de anãs castanhas de baixa-massa espreitando por entre o gás da nebulosa. S106 mede cerca de 2 anos-luz e situa-se aproximadamente a 2000 anos-luz de distância na direcção da constelação de Cisne.
 

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