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Edição n.º 826
03/02 a 06/02/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 03/02: 34.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966, a sonda soviética Luna 9, não tripulada, faz a primeira aterragem assistida com motores na Lua, e, por isso, a primeira em qualquer outro corpo planetário que não a Terra.

Em 1984, lançamento da missão STS-41-B do vaivém espacial Challenger
Observações: Depois de jantar, a Lua brilha alto a Sudeste. Procure, para cima e para a esqueda, a brilhante Capella, para a direita Aldebarã, para baixo e para a direita, Orionte, e para a esquerda Gémeos, com Castor e Pollux.


Dia 04/02: 35.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1906 nascia Clyde Tombaugh, famoso pela descoberta, em 1930, de Plutão

Também descobriu muitos asteróides.
Em 1932 era descoberto o asteróide 1239 Queteleta por Eugène Joseph Delporte.
Em 1934 era descoberto o asteróide 2824 Francke por Karl Wilhelm Reinmuth. 
Em 1967, a Lunar Orbiter 3 é lançada a partir de Cabo Canaveral, com o objectivo de descobrir locais de aterragem para as Surveyor e Apollo.
Observações: A Lua brilha hoje aos péus de Gémeos, estando Pollux e Castor para a sua esquerda e Orionte para a sua direita. Bem para baixo da Lua está Procyon.

Dia 05/02: 36.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1924, o Observatório Real de Greenwich começa a emissão dos sinais horários conhecidos como o Sinal de Greenwich.
Em 1961, o módulo lunar da missão Apollo 14 fazia a sua alunagem.
Alan Shepard em Fra Mauro (Crédito: NASA)
Observações: Fevereiro é quando a constelação de Cão Maior se situa mais alto no Sul após o jantar, mostrando a sua brilhante coleira, Sirius. Com um telescópio, pode procurar aqui mais galáxias e enxames do que pensava.

Dia 06/02: 37.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1582, nascia Mario Bettinus, astrónomo, matemático e filósofo italiano. A cratera Bettinus, na Lua, tem o seu nome.
Em 1959, era lançado com sucesso de Cabo Canaveral o primeiro míssil balístico Titan.

Observações: Perto da meia-noite nasce Saturno a Este-Sudeste. Aponte para lá o seu telescópio. Quantos satélites consegue observar?

 
CURIOSIDADES


O sistema triplo GJ 667, ou Gliese 667, está situado na direcção da constelação de Escorpião e, com uma magnitude visual (o total das três estrelas) de 5,89, é visível a olho nu como um único ponto de luz. Para resolver as estrelas individuais, é necessário telescópio.

 
DETECTADA NOVA SUPER-TERRA DENTRO DA ZONA HABITÁVEL DE ESTRELA PRÓXIMA

Uma equipa internacional de cientistas descobriu uma super-Terra potencialmente habitável em órbita de uma estrela próxima. Com um período orbital de aproximadamente 28 dias e uma massa mínima 4,5 vezes a da Terra, o planeta orbita dentro da "zona habitável" da estrela, onde as temperaturas não são demasiado quentes nem demasiado frias para existir água líquida à superfície. Os investigadores descobriram evidências de pelo menos um e possivelmente outros dois ou três planetas adicionais em torno da estrela, que se situa a 22 anos-luz da Terra.

A equipa inclui astrónomos da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, EUA (UCSC), e foi liderada por Guillem Anglada-Escudé e Paul Butler do Instituto Carnegie para a Ciência. O seu trabalho será publicado na revista Astrophysical Journal Letters e também estará disponível brevemente para consulta online.

A estrela faz parte de um sistema triplo e tem uma constituição diferente da do nosso Sol, com uma abundância muito menor de elementos mais pesados que o hélio, tais como o ferro, carbono e silício. Esta descoberta indica que os planetas potencialmente habitáveis podem existir numa variedade de ambientes maior do que se pensava.

O recém-descoberto planeta é aqui visto nesta impressão de artista, que mostra a estrela-mãe como parte de um sistema triplo.
Crédito: Guillem Anglada-Escudé, Instituto Carnegie
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os investigadores usaram dados públicos do ESO e examinaram-nos com um novo método de análise de dados. Também incorporaram novas medições obtidas com o espectrógrafo de alta-resolução Echelle acoplado ao Observatório Keck e com o novo espectrógrafo Carnegie acoplado ao Telescópio Magellan II. A sua técnica de procura exoplanetária envolve a medição de pequenas oscilações no movimento da estrela provocadas pela atracção gravítica de um planeta.

A estrela, denominada GJ 667C, é uma anã de classe-M. As outras duas estrelas do sistema triplo (GJ 667AB) são um par de anãs laranja de classe-K, com uma concentração de elementos pesados que corresponde a apenas 25% da do Sol. Tais elementos são os blocos de construção dos planetas terrestres, por isso pensava-se ser menos provável que sistemas estelares sem elementos metálicos tivessem uma abundância de planetas de baixa-massa.

"Não estávamos à espera que uma estrela deste género tivesse planetas. Mas aí estão, em torno de um exemplo muito próximo, pobre em metais, do tipo de estrela mais comum na nossa Galáxia," afirma Vogt, professor de astronomia e astrofísica da UCSC. "A detecção deste planeta, tão perto e tão cedo, implica que a Via Láctea deve estar repleta de milhares de milhões de planetas rochosos potencialmente habitáveis."

Este diagrama mostra as órbitas dos planetas detectados em torno da estrela-mãe em relação à zona habitável.
Crédito: Guillem Anglada-Escudé, Instituto Carnegie
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Já se suspeitava que GJ 667C tivesse uma super-Terra (GJ 667Cb) com um período de 7,2 dias, embora este achado nunca tivesse sido publicado. Este planeta orbita muito perto da sua estrela e seria por isso demasiado quente para a existência de água líquida. O novo estudo começou com o objectivo de obter os parâmetros orbitais desta super-Terra.

Mas além deste primeiro candidato, a equipa de pesquisa descobriu sinais claro de um novo planeta (GJ 667Cc) com um período orbital de 28,15 dias e uma massa mínima de 4,5 vezes a da Terra. O novo planeta recebe 90% da luz que a Terra recebe. No entanto, dado que a maioria da sua luz recebida está no infravermelho, uma maior percentagem desta radiação deve ser absorvida pelo planeta. Quando ambos estes efeitos são tidos em conta, espera-se que o planeta absorva a mesma quantidade de energia da sua estrela que a Terra absorve do Sol.

"Este planeta é o novo melhor candidato a suportar água líquida e, talvez, vida como a conhecemos," explica Anglada-Escudé.

A equipa descobriu que o sistema pode também conter um planeta gigante gasoso e uma outra super-Terra com um período orbital de 75 dias. No entanto, serão necessárias mais observações para confirmar estas duas hipóteses.

"Com o advento de uma nova geração de instrumentos, os investigadores serão capazes de estudar muitas estrelas anãs de classe-M em busca de planetas semelhantes e eventualmente procurar as assinaturas espectroscópicas da vida num destes mundos," afirma Anglada-Escudé.

Links:

Notícias relacionadas:
UCSC (comunicado de imprensa)
Instituto Carnegie para a Ciência (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Universe Today
Astronomy Now Online
PHYSORG.com
AFP
BBC
Diário Digital

Anã vermelha:
Wikipedia

Gliese 667:
Wikipedia
GJ 667C (Exoplanet.eu)

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Título da imagem
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESO/VISTA/J. Emerson; Reconheciemnto:  Cambridge Astronomical Survey Unit
 
Será que o nosso Sol será assim um dia? A Nebulosa da Hélice é um dos exemplos mais brilhantes e próximos de uma nebulosa planetária, uma nuvem de gás criada no fim da vida de uma estrela tipo-Sol. Os gases exteriores da estrela que foram expelidos para o espaço parecem, da nossa perspectiva, como se estivéssemos a olhar para uma hélice vista de cima. O resto do núcleo central estelar, destinado a tornar-se numa anã branca, brilha tão energeticamente no visível que faz com que o gás expelido previamente fluoresça. A Nebulosa da Hélice, com o nome técnico de NGC 7293, situa-se a cerca de 700 anos-luz na direcção da constelação de Aquário e tem um diâmetro de mais ou menos 2,5 anos-luz. A imagem acima foi obtida no infravermelho pelo telescópio VISTA de 4,1 metros no Observatório Paranal do ESO no Chile. Uma ampliação do limite interior da Nebulosa da Hélice mostra nós complexos de gás e de origem desconhecida.
 

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