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Edição n.º 827
07/02 a 09/02/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 07/02: 38.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1979, Plutão movia-se para dentro da órbita de Neptuno pela primeira vez desde a sua descoberta.
Em 1984, missão STS-41-B do programa do vaivém espacial, no qual os astronautas Bruce McCandless II e Robert L. Stewart fazem o pimeiro passeio espacial sem ligação ao vaivém usando a Unidade de Manobra Tripulada.
Em 1991, a nave Salyut 7despenha-se pela atmosfera sobre a Argentina.
Em 2001, lançamento da missão STS-98, do vaivém Atlantis, com o módulo "Destiny" da Estação Espacial Internacional. O lançamento ao pôr-do-Sol é descrito por muitos observadores experientes como dos lançamentos mais bonitos que alguma vez viram.

Observações: Conjunção superior de Mercúrio, pelas 08:52.
Lua Cheia, pelas 21:54. Encontra-se para a direita de Leão.
A partir das 19:20 e até por volta das 21:25, é possível observar telescopicamente a sombra de Io passar pela atmosfera de Júpiter.

Dia 08/02: 39.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1974, após 84 dias no espaço, a tripulação da primeira estação espacial americana, a Skylab, regressa à Terra.
Em 1986 regressava o cometa Halley.

Observações: Esta noite, é a vez da sombra de Europa ser visível por cima da atmosfera de Júpiter, entre as 19:25 e as 21:55.
Saturno está no seu ponto estacionário. Começa agora a mover-se para Oeste, contra o movimento das estrelas (movimento retrógrado), a caminho da sua oposição a 15 de Abril.

Dia 09/02: 40.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, o módulo lunar da missão Apollo 14 faz a sua aterragem após ter colocado homens na Lua pela 3ª vez.
Alan Shepard em Fra Mauro (Crédito: NASA)
Em 1975, a Soyuz 17 regressa à Terra.
Observações: O ponto brilhante para a esquerda da Lua é o planeta Marte. Como nascem um pouco tarde, aproveite para os observar por volta das 23:00.

 
CURIOSIDADES


A Rússia tem a sua própria versão do "Space Shuttle", com o nome de "Buran". Teve apenas um voo em 1988, tendo o programa sido cancelado em 1993.

 
RADAR DA MARS EXPRESS PROPORCIONA FORTES EVIDÊNCIAS DE OCEANO ANTIGO

A sonda Mars Express da ESA retornou fortes evidências de que um oceano já cobriu parte de Marte. Através de radar, detectou sedimentos reminiscentes do fundo de um oceano dentro dos limites de antigas linhas costeiras, previamente identificadas, em Marte.

O radar MARSIS foi ligado em 2005 e tem recolhido dados desde aí. Jérémie Mouginot, do IPAG (Institut de Planétologie et d'Astrophysique de Grenoble) e da Universidade da Califórnia, em Irvine, EUA, e seus colegas, analisaram mais de dois anos de dados e descobriram que as planícies norte estão cobertas por material pouco denso.

"Interpretamos estes dados como depósitos sedimentares, talvez ricos em gelo," afirma o Dr. Mouginot. "É uma nova indicação forte da existência passada de um oceano." Há algum tempo que se suspeita da existência de oceanos no passado de Marte, desde que características reminiscentes de linhas costeiras foram tentativamente identificadas em imagens obtidas por várias sondas. Mas esta questão ainda permanece controversa.

Novos resultados do radar MARSIS da Mars Express forneceram evidências fortes para um oceano no passado de Marte. O radar detectou sedimentos reminiscentes de um chão de oceano dentro de linhas costeiras, previamente identificadas, no Planeta Vermelho. O oceano teria coberto as planícies norte há milhares de milhões de anos atrás.
Crédito: ESA, C. Carreau
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Foram propostos dois oceanos: um há 4 mil milhões de anos, quando existiam condições mais amenas, e também há 3 mil milhões de anos, quando o gelo subsuperficial derreteu após um grande impacto, criando canais de escoamento que levaram a água para áreas de baixa elevação.

"O MARSIS penetra bem no chão, revelando os primeiros 60-80 metros da subsuperfície do planeta," afirma Wlodek Kofman, líder da equipa de radar no IPAG. "Em toda esta profundidade, conseguimos ver evidências de sedimentos e gelo."

Os sedimentos revelados pelo MARSIS são de áreas com baixa reflectividade de radar. Tais sedimentos são tipicamente materiais granulados com densidade baixa, que sofreram erosão pela água e que foram transportados para o seu destino final.

O oceano daqui resultante, no entanto, foi apenas temporário. Em um milhão de anos ou até menos, estima o Dr. Mouginot, a água ou teria congelado, ou teria sido preservada de novo por baixo do chão, ou ter-se-ia evaporado e gradualmente transportado para a atmosfera.

A Mars Express usou o seu radar MARSIS para recolher fortes evidências de um oceano passado em Marte. O radar foi ligado em 2005 e tem recolhidos dados subsuperficiais desde aí.
Crédito: ESA, C. Carreau
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Não penso que pudesse ter permanecido como um oceano o tempo suficiente para a vida se formar." Em ordem a descobrir evidências de vida, os astrobiólogos terão que olhar ainda mais para o passado de Marte, quando a água líquida existiu durante períodos muito mais longos. De facto, esta nova investigação vem na esteira de um estudo separado que descobriu que Marte pode ter passado por uma "super-seca", tornando-o seco por demasiado tempo para a vida existir à superfície do planeta.

Mesmo assim, este trabalho fornece algumas das melhores evidências até agora da existência passada de grandes corpos de água líquida em Marte e reforça o papel da água líquida na história geológica marciana.

"Os resultados anteriores da Mars Express acerca da água em Marte vieram do estudo de imagens e de dados mineralógicos, bem como de medições atmosféricas. Agora temos dados subsuperficiais de radar," afirma Olivir Witasse, cientista do projecto Mars Express para a ESA.

"Isto dá-nos novas informações do puzzle mas a questão permanece: para onde foi toda esta água?" A Mars Express continua a sua investigação.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
UPI.com

Mars Express:
Página oficial da ESA 
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  ESO consegue com sucesso ligar todos os telescópios do Observatório Paranal num único gigante VLT (via PHYSORG.com)
Os investigadores que trabalhavam no Observatório Paranal, no deserto do Atacama no Chile, conseguiram ligar "virtualmente" todas as quatro unidades principais do local, completando um projecto que já dura há 10 anos. A ligação dos telescópios que constituem um verdadeiro VLT irá permitir capturar imagens como se fossem apenas um único telescópio gigante com um espelho de 130 metros em diâmetro. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Cintura de Vénus
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Luis Argerich
 
De certeza que já a viu, embora possivelmente não tenha notado. Durante um lusco-fusco sem nuvens, antes do nascer-do-Sol ou após o pôr-do-Sol, parte da atmosfera por cima do horizonte aparece ligeiramente de outra cor, ligeiramente cor-de-rosa ou laranja. Com o nome de Cintura de Vénus, esta banda entre o céu escuro eclipsado e o céu azul pode ser vista em quase todas as direcções, incluindo a direcção oposta do Sol. O céu azul é a luz normal do Sol sendo reflectida na atmosfera. Na Cintura de Vénus, no entanto, a atmosfera reflecte a luz do Sol nascente (ou poente) que aparece mais vermelho. Por baixo da Cintura de Vénus, a atmosfera aparece mais escura porque nenhuma luz solar a alcança. A Cintura de Vénus pode ser vista em qualquer lado com um horizonte limpo. Na imagem, obtida o mês passado em Mercedes, Argentina, o panorama que mostra a Cintura de Vénus foi composto digitalmente graças a 16 imagens mais pequenas. A cintura é frequentemente capturada por acidente noutras fotografias.
 

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