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Edição n.º 836
09/03 a 12/03/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 09/03: 69.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1564 nascia David Fabricius, descobridor da primeira estrela variável (Mira, ou Omicron Ceti).
Em 1961, é lançado com sucesso o Sputnik 9, que transporta um boneco humano com a alcunha de Ivan Ivanovich, e demonstra que a União Soviética está pronta para os voos espaciais tripulados.
Em 1974, voo rasante da sonda soviética Mars 7 por Marte.
Em 1997, observadores na China, Mongólia e partes da Sibéria têm a rara oportunidade de ver um espectáculo duplo: um eclipse permite ver o cometa Hale-Bopp durante o dia.
Em 2011, o vaivém Discovery faz a sua aterragem final após 39 voos.

Observações: A Ursa Maior brilha alta a Nordeste estas noites, apoiando-se na sua pega. Provavelmente sabe que as duas estrelas que formam a parte da frente da frigideira (actualmente no topo) apontam para a estrela Polar, que está para a sua esquerda. E também provavelmente sabe que se seguir a curva da pega da Ursa Maior irá chegar a Arcturo. Mas sabia que se seguir as estrelas-guia para o lado oposto da Polar, chega a Leão? Desenhe uma linha na diagonal na perpendicular em relação à frigideira, nas estrelas que ligam à sua pega, e alcança Gémeos. E olhe para as duas estrelas que formam a parte aberta da frigideira da Ursa Maior. Siga esta linha e chega a Capella.

Dia 10/03: 70.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1977, os astrónomos descobrem os anéis de Urano.
Em 1999, ocorreu a maior aproximação do cometa C/1998 M5 (LINEAR) pela Terra (1,534 UA).
Em 2006, a Mars Reconnaissance Orbiter chega a Marte.

Observações: Esta noite a Lua nasce mesmo para a direita de Saturno. A estrela mesmo por cima do nosso satélite é Espiga, da constelação de Virgem.

Dia 11/03: 71.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1811 nascia Urbain Le Verrier, que previu a existência de Neptuno, o que mais tarde levou à sua descoberta.

Em 1897, um meteorito entrava na atmosfera sobre New Martinsville (West Virgínia) tendo-se estilhaçado sobre esta cidade, com muitos danos físicos.
Observações: Assim que anoitece, é já possível observar telescopicamente a sombra de Europa passar pela atmosfera de Júpiter. Este evento termina pelas 21:30.

Dia 12/03: 72.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1824, nascia Gustav Kirchhoff, físico alemão que contribuíu para o conhecimento fundamental dos circuitos eléctricos, da espectroscopia e da emissão de radiação de corpo-negro por objectos aquecidos. 

Observações: Mesmo depois do anoitecer por esta altura, o céu alto a Norte é razoavelmente pobre em estrelas, desde a Polar até Cocheiro. Este é o reino da grande mas ténue constelação Camelopardalis, a Girafa. Se tem acesso a um céu escuro e está à procura de um desafio, tente observar a sua figura de 4.ª magnitude usando um mapa celeste.

 
CURIOSIDADES


Mercúrio tem um período de rotação sideral que demora cerca de dois terços da sua órbita, o que faz com que o dia de Mercúrio demore dois períodos de translação (dois anos mercurianos).

 
UM ENCONTRO DE GALÁXIAS

O VLT Survey Telescope (VST), instalado no Observatório do Paranal do ESO, no Chile, obteve imagens de um conjunto de galáxias em interacção no enxame de galáxias de Hércules. A nitidez da nova imagem e as centenas de galáxias obtidas com grande detalhe em menos de três horas de observação, mostram bem a grande capacidade do VST, e da sua enorme câmara OmegaCAM, para explorar o Universo próximo.

O enxame de galáxias de Hércules (também conhecido como Abell 2151) situa-se a cerca de 500 milhões de anos-luz de distância na constelação de Hércules. Este enxame é claramente diferente de outras associações de galáxias próximas. Para além de apresentar uma forma bastante irregular, o enxame contém uma grande variedade de tipos de galáxias, em particular galáxias espirais jovens que se encontram a formar estrelas, não se observando nenhuma galáxia elíptica gigante.

A nova imagem foi tirada com o VST, o mais recente telescópio instalado no Observatório do Paranal do ESO, no Chile. O VST é um telescópio de rastreio, equipado com uma câmara de 268 milhões de pixéis, a OmegaCAM, que captura imagens de grandes áreas do céu. Normalmente, apenas pequenos telescópios conseguem obter imagens de objectos tão grandes como este duma única vez, mas o VST de 2,6 metros não só possui um grande campo, como também tira todas as vantagens das excelentes condições de observação do Paranal, conseguindo assim obter muito rapidamente imagens que são simultaneamente muito nítidas e muito profundas.

Esta nova imagem obtida com o VLT mostra uma grande variedade de galáxias no jovem enxame de galáxias de Hércules.
Crédito: ESO/INAF-VST/OmegaCAM. Reconhecimento: OmegaCen/Astro-WISE/Instituto Kapteyn
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Por toda a imagem podemos observar pares de galáxias aproximando-se muito umas das outras. Este processo originará a fusão das galáxias numa só galáxia maior. As numerosas interacções e o grande número de galáxias em espiral ricas em gás que se encontram a formar estrelas, fazem com que os membros do enxame de galáxias de Hércules se pareçam com as galáxias jovens do Universo mais longínquo. Devido a esta semelhança, os astrónomos pensam que este enxame de galáxias é um enxame relativamente jovem. Trata-se dum emaranhado de galáxias, vibrante e dinâmico que, no futuro, se assemelhará aos enxames de galáxias mais velhos, típicos da nossa vizinhança galáctica.

Os enxames de galáxias formam-se quando pequenos grupos de galáxias se juntam devido à força da gravidade. À medida que estes grupos se aproximam uns dos outros, o enxame torna-se mais compacto e de forma mais esférica. Ao mesmo tempo, as próprias galáxias aproximam-se entre si e começam a interagir. Mesmo que inicialmente as galáxias espirais predominem nestes grupos, as colisões galácticas levam a eventuais distorções das suas estruturas espirais e ao arrancamento de gás e poeira, o que trava a formação estelar. Por isso, a maioria das galáxias num enxame mais evoluído são elípticas ou irregulares. Uma ou duas galáxias elípticas gigantes, formadas a partir da fusão de várias galáxias mais pequenas e permeadas de estrelas velhas, costumam encontrar-se no centro destes enxames velhos.

Pensa-se que o enxame de galáxias de Hércules é uma colecção de, pelo menos, três enxames ou grupos de galáxias mais pequenos, que se encontram neste momento a formar uma estrutura maior. Mais ainda, o próprio enxame está em fusão com outros enxames grandes, o que irá dar origem a um super-enxame de galáxias. Estas gigantescas colecções de enxames são algumas das maiores estruturas do Universo. O grande campo de visão e a qualidade de imagem da OmegaCAM, montada no VST, tornam este instrumento ideal no estudo das regiões periféricas dos enxames de galáxias, onde interacções entre os enxames, interacções essas que ainda não são bem compreendidas, se estão a processar.

Esta imagem mostra não apenas as galáxias do enxame de galáxias de Hércules, mas também muitos objectos ténues e difusos no campo de fundo, que são galáxias muito mais afastadas. Em primeiro plano e muito mais próximo de nós, podem ver-se várias estrelas brilhantes da Via Láctea, observando-se igualmente alguns asteróides através dos curtos rastos que deixaram na imagem à medida que se deslocaram lentamente ao longo desta durante as exposições.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Astronomy
Astronomy Now Online
io9
Discovery News
Discovery Magazine

VST:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
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  Sonda da NASA captura diabo marciano em acção (via NASA)
Um gigantesco diabo marciano provoca uma sombra serpenteante na superfície marciana nesta imagem obtida pela câmara HiRISE a bordo da sonda Mars Reconnaissance Orbiter. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Nebulosa da Gaivota
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Harel Boren
 
Esta vasta extensão de gás e poeira brilhante apresenta um rosto de pássaro para os astrónomos do planeta Terra, sugerindo o seu apelido popular - a Nebulosa da Gaivota. Este retrato do pássaro cósmico cobre uma zona com 1,6º de largura no plano da Via Láctea, perto da direcção de Sirius, a estrela mais brilhante da constelação de Cão Maior. Claro, a região inclui objectos com outras designações de catálogo: NGC 2327, uma região de emissão compacta e poeirenta com uma estrela massiva embebida que forma a cabeça do pássaro (também conhecida como a Nebulosa do Papagaio, para cima do centro). IC 2177 forma o grande arco das asas da gaivota. Dominado pelo brilho avermelhado do hidrogénio atómico, as nuvens de gás e poeira com jovens e brilhantes estrelas prolongam-se por mais de 100 anos-luz e estão a uma distância estimada de 3800 anos-luz.
 

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