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Edição n.º 841
27/03 a 29/03/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 27/03: 87.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, era lançada a Mariner 7

Observações: À medida que anoitece, procure as Plêiades para baixo e para a direita da Lua, ou para cima de Vénus. Para a esquerda da Lua brilha a alaranjada Aldebarã, com as estrelas das Híades em redor.

Dia 28/03: 88.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1993 foi descoberto um resto de supernova na galáxia M81 (Ursa Maior), pelo astrónomo amador espanhol Francisco Garcia Diaz.

Observações: Se costuma observar de binóculos, conhece provavelmente o enxame do Presépio, M44, em Caranguejo, bem alto no céu este mês. Mas e o mais ténue enxame M67, na mesma vizinhança? E já tentou observar Iota Cancri, uma estrela dupla binocular algo complicada de resolver?

Dia 29/03: 89.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1807, Vesta, o asteróide mais brilhante, e o único que por vezes pode ser visto a olho nu, é descoberto por Heinrich Wilhem Olbers.

Em 1974, primeiro voo rasante da sonda Mariner 10 por Mercúrio
Observações: Esta é a altura do ano em que a Ursa Menor situa-se para a direita da Estrela Polar (o fim da sua "pega") durante as primeiras horas da noite. Esta é também a altura do ano em que Orionte, descendo a Sudoeste após o anoitecer, mostra a sua Cintura mais ou menos na horizontal.

 
CURIOSIDADES


A Grande Nuvem de Magalhães é uma galáxia satélite da Via Láctea. Mesmo assim, é a quarta maior galáxia do Grupo Local: 1.ª, a Galáxia de Andrómeda (M31); 2.ª a Via Láctea, e a 3.ª a Galáxia do Triângulo (M33).

 
MESSENGER FORNECE NOVOS DADOS DE MERCÚRIO

Desde que entrou em órbita de Mercúrio há pouco mais de um ano atrás, a sonda MESSENGER da NASA capturou quase 100.000 imagens e enviou dados que revelaram novas informações acerca do planeta, incluindo a sua topografia, a estrutura do seu núcleo e áreas de sombra permanente nos pólos que contêm depósitos misteriosos. Os achados mais recentes foram anunciados em dois artigos científicos publicados na revista online Science Express, e em 57 artigos apresentados a semana passada na 43.ª Conferência de Ciência Lunar e Planetária no estado americano do Texas.

Impressão de artista da sonda MESSENGER em órbita de Mercúrio.
Crédito: NASA/JHU/APL
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Um núcleo surpreendente

Os instrumentos de rádio da MESSENGER permitiram à equipa científica desenvolver o primeiro modelo preciso do campo gravítico de Mercúrio que, quando combinado com dados topográficos e com o estado da rotação do planeta, fornecem dados acerca da estrutura interna do planeta, a espessura da sua crosta, o tamanho e o estado do seu núcleo, e a sua história tectónica e térmica.

O núcleo de Mercúrio ocupa uma grande parte do planeta, cerca de 85% do raio do planeta, até maior que estimativas anteriores. Dado o pequeno tamanho do planeta, houve uma altura em que muitos cientistas pensavam que o interior devia ter arrefecido até ao ponto que o núcleo se tinha tornado sólido. No entanto, movimentos dinâmicos subtis, medidos com radares terrestres, combinados com os recém-medidos parâmetros gravitacionais da MESSENGER e as características do campo magnético de Mercúrio que indicam um dínamo activo, sugerem que o núcleo do planeta é pelo menos parcialmente líquido.

O núcleo de Mercúrio é diferente de qualquer outro núcleo planetário no Sistema Solar. A Terra tem um núcleo exterior líquido e metálico, situado por cima de um núcleo interior sólido. Mercúrio parece ter uma crosta sólida de silicatos e um manto que cobre um núcleo exterior de sulfeto de ferro, uma camada intermédia líquida mais profunda, e possivelmente um núcleo interior sólido. Estes resultados têm implicações na maneira como o campo magnético de Mercúrio é gerado na compreensão de como o planeta evoluiu termicamente.

Curiosidades topográficas

A topografia de um planeta pode revelar informações fundamentais acerca da sua estrutura interna e da sua evolução geológica e térmica. Observações com o instrumento MLA (Mercury Laser Altimeter) da MESSENGER providenciaram o primeiro modelo topográfico preciso do hemisfério norte do planeta e caracterizaram encostas e a rugosidade superficial ao longo de um intervalo de escalas espaciais. A partir da órbita quase polar e excêntrica da sonda, o MLA ilumina áreas da superfície desde 15 até 100 metros de largura, separadas por aproximadamente 400 metros.

O instrumento MLA funciona a um comprimento de onda de 1064 nm a um intervalo de 8 Hz. Até agora, fez 10,7 milhões de medições precisas da elevação do hemisfério norte de Mercúrio. Na imagem está uma projecção polar da topografia de Mercúrio, desde o pólo norte até 5ºS. Os círculos são grandes estruturas de impacto.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/Instituto Carnegie
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A propagação das elevações é consideravelmente mais pequena que aquelas em Marte ou na Lua. A característica mais proeminente é uma grande área de terras-baixas a latitudes altas norte que contêm planícies vulcânicas. Dentro desta região de várzeas está uma ampla subida topográfica formada após as planícies vulcânicas.

A latitudes médias, as planícies interiores da bacia de impacto Caloris - com 1550 km de diâmetro - foram modificadas de tal modo que parte do piso da bacia está agora mais elevado do que os rebordos. A porção elevada parece ser parte de uma elevação quási-linear que se prolonga por aproximadamente metade da circunferência planetária a latitudes médias. Estas características implicam mudanças a larga-escala na topografia de Mercúrio, que ocorreram após a era da formação da bacia de impacto e após a formação a larga-escala das planícies vulcânicas.

Sombras polares

Um dos grandes objectivos da missão primária da MESSENGER é compreender a natureza dos depósitos brilhantes em radar nos pólos de Mercúrio. A proposta mais convincente desde a sua descoberta afirma que este material brilhante no radar consiste predominantemente de água gelada. Os cientistas nunca tiveram imagens disponíveis para ver a superfície onde estas características estão localizadas. Mas as imagens obtidas pela sonda mostram que todas as características brilhantes através de radar perto do pólo sul estão localizadas em áreas de sombra permanente, e perto do pólo norte de Mercúrio estes depósitos também são apenas observados em regiões à sombra.

Imagem da região polar sul de Mercúrio, obtida com o instrumento MDIS (Mercury Dual Imaging System) ao longo de um dia mercuriano completo.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/Instituto Carnegie
(clique na imagem para ver versão maior)

 

Estes resultados são consistentes com a hipótese de água gelada mas não constituem provas definitivas. Mas as imagens, combinadas com análises em curso, irão fornecer uma imagem mais completa da natureza dos depósitos.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Astronomy
SPACE.com
SPACE.com - 2
Spaceref
Space Daily
Spaceflight Now
POPSCI
BBC News
Nature
Discovery News

Sonda MESSENGER:
NASA 
JHUAPL
Wikipedia

Mercúrio:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Messier 9
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESA/HubbleNASA
 
O famoso astrónomo do século XVIII, Charles Messier, descreveu a sua nona entrada no seu famoso catálogo astronómico como "Nebulosa, sem estrelas, na perna direita de Ofiúco...". Mas Messier 9 (M9) tem estrelas, conhecido dos astrónomos modernos como um enxame globular com mais de 300.000 estrelas num diâmetro de aproximadamente 90 anos-luz. Está situado a uns 25.000 anos-luz de distância, perto do bojo central da nossa Via Láctea. Esta fotografia obtida com o Telescópio Espacial Hubble mostra o denso enxame de estrelas no centro do enxame até 25 anos-luz. Com pelo menos o dobro da idade do Sol e com falta de elementos pesados, as estrelas do enxame têm cores que correspondem às suas temperaturas, estrelas mais avermelhadas são mais frias, estrelas mais azuladas são mais quentes. Muitas das frias estrelas gigantes vermelhas do enxame mostram um tom amarelado na imagem do Hubble.
 

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