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Edição n.º 843
03/04 a 05/04/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 03/04: 94.º dia do calendário gregoriano.
Observações: A Lua forma o vértice de baixo de um triângulo formado também com Marte e Régulo.
Vénus passa pelo meio das Plêiades. Encontra-se a menos de 0,3º de Alcyone (a estrela mais brilhante de M45) e a 0,25º Sul do par Atlas-Pleione. Vénus tem magnitude -4,5, o que quer dizer que Alcyone, com magnitude 2,85, é 900 vezes mais ténue!

Dia 04/04: 95.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, era lançada a Apollo 6
Em 1983, o Space Shuttle Challenger fazia o seu voo inaugural no espaço.

Em 1996, o cometa Hyakutake é observado pela NEAR.
Observações: Dois agrupamentos de planetas com estrelas marcam o céu de Primavera de 2012. Após o anoitecer esta semana, Marte brilha alto a Sul com Régulo para a sua direita (a cerca de 4,5º entre si). À medida que a noite prossegue, Saturno torna-se visível, baixo a Este-Sudeste, com Espiga para a sua direita (separados por 5,4º).

Dia 05/04: 96.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1804 é registada a primeira queda de um meteorito, em Possil, Escócia.
Em 1973 a sonda Pioneer 11 faz as primeiras observações directas de Saturno (1979) e estuda as partículas energéticas da helioesfera exterior. A missão Pioneer 11 termina a 30 de Setembro de 1995, quando a última transmissão da sonda foi recebida. Com a sua fonte de energia exausta, não pode operar mais nenhum dos seus instrumentos científicos, nem apontar a sua antena para a Terra. A Pioneer está viajando na direcção da constelação de Escudo.
Em 1991 era lançado o Observatório de Raios-Gama Compton.

O objectivo desta missão era obter medições de raios-gama de toda a esfera celeste, com uma resolução angular bem melhor e com um aumento de sensibilidade em relação às anteriores missões espaciais de raios-gama. O Compton foi retirado de órbita e re-entrou na atmosfera da Terra no dia 4 de Junho do ano 2000. 
Observações: A Lua está quase Cheia esta noite. Para a esquerda está Gamma Virginis (Porrima), um íntimo par estelar (a sua separação esta Primavera é de 1,8 arcosegundos; cresce a cada ano). Procure Saturno um pouco para baixo e para a esquerda da Lua, bem como Espiga. Para baixo e um pouco para a direita da Lua, está também a constelação de Corvo.

 
CURIOSIDADES


No passado dia 1, o rover Curiosity da NASA chegou a metade do seu caminho até Marte. Tem chegada prevista para 6 de Agosto.

 
OBSERVAÇÕES DE GALÁXIAS ANÃS PELO FERMI PROVIDENCIAM NOVAS INFORMAÇÕES SOBRE MATÉRIA ESCURA

Há muito mais no Cosmos do que os nossos olhos conseguem ver. Cerca de 80% da matéria no Universo é invisível aos telescópios, mas mesmo assim a sua influência gravitacional é manifestada nas velocidades orbitais das estrelas em torno de galáxias e nos movimentos de enxames de galáxias. Mesmo assim, apesar de décadas de esforços, ninguém sabe com certeza o que é esta "matéria escura". Muitos cientistas pensam que o mistério será provavelmente resolvido com a descoberta de novos tipos de partículas subatómicas, tipos necessariamente diferentes daqueles que compõem os átomos da matéria normal à nossa volta. A pesquisa para detectar e identificar estas partículas continua em experiências, tanto cá na Terra como no espaço.

Cientistas que trabalham com dados obtidos pelo Telescópio Espacial de Raios-Gama Fermi, da NASA, têm procurado sinais de algumas destas hipotéticas partículas ao estudar 10 pequenas e ténues galáxias que orbitam a Via Láctea. Embora não tenham detectado sinais, uma nova técnica de análise aplicada a dois anos de dados do observatório LAT (Large Area Telescope) essencialmente eliminou pela primeira vez estes candidatos a partículas.

"Em efeito, a análise do Fermi LAT comprime a caixa teórica onde estas partículas se podem esconder," afirma Jennifer Siegal-Gaskins, física do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, EUA, da equipa de investigação do Fermi LAT. Ontem, discutiu os resultados mais recentes das buscas espaciais por matéria escura numa palestra da Sociedade Americana de Física em Atlanta, no estado americano da Geórgia.

WIMPs (Weakly Interacting Massive Particles) representam uma classe favorecida de candidatos da matéria escura. Alguns WIMPs podem aniquilar-se mutuamente quando pares interagem, um processo que se espera produzir raios-gama -- a forma de radiação mais energética -- que o LAT está desenhado para detectar.

"Um dos melhores lugares para procurar estes ténues sinais em raios-gama é nas galáxias anãs esferoidais, as pequenas galáxias-satélite da nossa própria Via Láctea, que sabemos possuirem grandes quantidades de matéria escura," explicou Siegal-Gaskins. "De uma perspectiva astrofísica, estes são sistemas 'aborrecidos', com pouco gás e pouca formação estelar e sem objectos como pulsares ou restos de supernova que emitem raios-gama."

Esta galáxia anã esferoidal encontra-se na constelação da Fornalha, é satélite da Via Láctea e é uma das 10 usadas na pesquisa de matéria escura do Fermi. Os movimentos das estrelas da galáxia indicam que está embebida numa halo massivo de matéria que não pode ser vista.
Crédito: ESO/Digital Sky Survey 2
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Em adição, muitas anãs estão situadas longe do plano da nossa Galáxia, o que produz uma larga banda de emissão difusa de raios-gama e que se estica por todo o céu. A selecção de apenas galáxias anãs a grandes distâncias deste plano, ajuda a minimizar a interferência da Via Láctea.

A equipa examinou dois anos de raios-gama detectados com o LAT e com energias entre 200 milhões e 100 mil milhões de electrões-volt de 10 das aproximadamente duas dezenas de galáxias anãs que se sabe orbitarem a Via Láctea. Em vez de analisarem os resultados de cada galáxia separadamente, os cientistas desenvolveram uma técnica estatística -- que chamam de "análise probabilística conjunta" -- que avalia todas as galáxias de uma só vez sem fundir os dados. Não se descobriram sinais em raios-gama consistentes com as aniquilações esperadas dos quatro diferentes tipos de partículas WIMP consideradas comuns.

Pela primeira vez, os resultados mostram que candidatos WIMP dentro de um intervalo específico de massas e rácios de interacção não podem constituir matéria escura. Um artigo que fala sobre estes resultados foi publicado na edição de 9 de Dezembro de 2011 da revista Physical Review Letters.

"O facto de estudarmos as 10 galáxias anãs como um todo não só aumenta a qualidade estatística, como torna a análise muito menos sensível a flutuações no pano de trás de raios-gama e as incertezas no modo como a matéria escura pode estar distribuída em torno das anãs," afirma Maja Llena Garde, estudante pós-graduada da Universidade de Estocolmo, Suécia e co-autora do estudo.

Para quaisquer propriedades de uma partícula de matéria escura, a distribuição das partículas tem um impacto significativo no sinal raio-gama esperado, um vinco que tem sido frequentemente gerido de modo incorrecto, se de todo, em estudos prévios.

Os movimentos das estrelas de uma galáxia anã traçam o perfil do massivo halo de matéria escura no qual estão embebidas, mas estas pequenas galáxias muitas vezes têm muito poucas estrelas para seguir. O resultado é incerto na medida em que a matéria escura é distribuída ao longo da linha de visão para a anã, o que afecta o fluxo esperado de raios-gama detectados pelo LAT. Ao lidar com estas incertezas nos perfis da matéria escura das anãs, os resultados da equipa do LAT estão entre os mais precisos.

"Um elemento importante neste trabalho é o termos sido capazes de lidar com as incertezas estatísticas de um estudo actualizado dos movimentos estelares das anãs e assim tê-las em conta na análise de dados do LAT," afirma Johann Cohen-Tanugi, físico do Laboratório do Universo e Partículas da Universidade de Montpellier 2 na França e membro da equipa de pesquisa.

"Este tratamento constitui um importante passo em frente, e esperamos que estudos futuros sigam o nosso exemplo," realça o co-autor Jan Conrad, professor de física na Universidade de Estocolmo.

A equipa encontra-se no processo de seguir as pisadas da sua análise de dois anos com novas que vão incorporar observações adicionais do Fermi, melhorias feitas à sensibilidade do LAT e à inclusão de raios-gama mais energéticos. Adicionalmente, os estudos do céu actuais podem descobrir novas galáxias anãs que poderão ser incluídas nos estudos futuros.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico da Physical Review Letters (requer subscrição)
Artigo científico da Physical Review Letters - 2 (requer subscrição)
PHYSORG.com
SPACE.com

Matéria escura:
Wikipedia

Telescópio Espacial Fermi:
NASA
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M46 e M47: Enxames Estelares Jovens e Velhos
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Sergio Eguivar (Buenos Aires Skies)
 
Muitas estrelas formam-se em enxames. Enxames abertos ou galácticos são aglomerados estelares relativamente jovens de estrelas brilhantes nascidas perto do plano da nossa Via Láctea. Separados por aproximadamente um grau no céu, estes dois exemplos são M46 (esquerda) a 5400 anos-luz de distância e M47 (direita) a apenas 1600 anos-luz, na direcção da constelação náutica da Popa. Com cerca de 300 milhões de anos, M46 contém algumas centenas de estrelas numa região com mais ou menos 30 anos-luz de comprimento. Com 80 milhões de anos, M47 é um enxame mais pequeno mas mais solto de 50 estrelas numa região com 10 anos-luz. Mas este retrato de juventude estelar também contém um intruso antigo. A pequena mancha colorida de gás brilhante em M46 é na realidade a nebulosa planetária NGC 2438 - a fase final na vida de uma estrela tipo-Sol com milhares de milhões de anos. NGC 2438 tem uma distância estimada em apenas 3000 anos-luz e provavelmente representa um objecto no pano da frente, aparecendo apenas por acaso na nossa linha de visão até ao jovem M46.
 

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