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Edição n.º 857
22/05 a 24/05/2012
 
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Observação Astronómica - Palestra e sessão de observação astronómica à vista desarmada e com telescópio, na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve, no dia 25 de Maio, das 21h30 às 23h30. A realização das actividades está dependente das condições meteorológicas favoráveis.
 
EFEMÉRIDES

Dia 22/05: 143.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, o módulo lunar da Apollo 10 passava a 8 milhas náuticas (16 km) da superfície da Lua. 

Observações: Após o pôr-do-Sol, procure a finíssima lua com dois dias para a esquerda e para baixo de Vénus. É um desafio complicado devido à pouca separação com o horizonte.

Dia 23/05: 144.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, o satélite Explorer 1 deixava de emitir. 

Observações: Neptuno na Quadratura Oeste, pelas 21:42.

Dia 24/05: 145.º dia do calendário gregoriano.
História: Morre em 1543 Nicolau Copérnico, famoso astrónomo, autor do livro "Das revoluções dos Mundos Celestes".

Adiou a publicação da sua teoria por uns 30 anos; a primeira obra completa foi imprimida umas poucas horas antes da sua morte. Foi colocada na sua cama, de modo que pudesse tê-la a seu lado. Mas nessa altura já a sua mente delirava, e não pôde comentar o prefácio anónimo do livro, que dizia aos leitores que o conteúdo do livro poderia não ser verdadeiro, ou até mesmo provável. Nunca se soube com certeza se autorizou aquele prefácio, ou se realmente acreditava no seu sistema ou não.
Em 1962, projecto Mercury: o astronauta americano Scott Carpenter orbita a Terra três vezes na cápsula espacial Aurora 7.
Observações: Esta noite Pollux e Castor estão alinhados para cima e para a direita da Lua Crescente.

 
CURIOSIDADES


Os instrumentos acoplados ao radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico, são tão sensíveis que poderiam registar uma chamada feita por um telemóvel em Vénus.

 
EXOPLANETA RECÉM-DESCOBERTO PODE TORNAR-SE EM PÓ

Investigadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e da NASA detectaram um possível planeta, a cerca de 1500 anos-luz de distância, que parece estar a evaporar-se sob o intenso calor da sua estrela-mãe. Os cientistas acham que uma longa cauda de detritos - muito parecida às caudas dos cometas - segue o planeta, e que esta cauda poderá contar a história da desintegração do planeta. De acordo com os cálculos da equipa, vai desaparecer completamente daqui a 100 milhões de anos.

A equipa descobriu que o planeta poeirento orbita a sua estrela a cada 15 horas - uma das órbitas mais rápidas já observadas. Tal pequena órbita deve ser muito íntima e implica que o planeta seja aquecido pela sua estrela-mãe laranja até uma temperatura de 1980º C. Os cientistas teorizam que o material rochoso à superfície do planeta derrete e evapora a estas altas temperaturas, formando um vento que transporta gás e poeira para o espaço. Densas nuvens de poeira seguem o planeta à medida que gira em torno da estrela.

"Pensamos que esta poeira seja constituída por partículas extremamente pequenas," afirma o co-autor Saul Rappaport, professor de física no MIT. "Seria como se olhássemos para o smog de Los Angeles ou Londres."

Impressão de artista do planeta e e da cauda de poeira que liberta.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As descobertas do grupo, publicadas na revista Astrophysical Journal, têm por base dados do Observatório Kepler, um telescópio espacial que monitoriza mais de 160.000 estrelas na Via Láctea. O observatório regista o brilho de cada estrela em intervalos regulares; os cientistas então analisam os dados em busca de sinais de novos planetas para lá do nosso Sistema Solar.

Os astrónomos normalmente usam o telescópio Kepler para identificar exoplanetas ao observar diminuições regulares no brilho de uma estrela. Por exemplo, se uma estrela diminui de brilho a cada mês, uma possibilidade é que a diminuição seja devida à passagem de um planeta uma vez por mês; de cada vez que o planeta viaja em frente da estrela (a partir da perspectiva da Terra), o planeta bloqueia a mesma quantidade de luz.

No entanto, Rappaport e seus colegas observaram um curioso padrão de luz oriundo da estrela KIC 12557548. O grupo examinou as curvas de luz da estrela, um gráfico do brilho ao longo do tempo, e descobriu que a sua luz diminui por intensidades diferentes a cada 15 horas - sugerindo que algo bloqueia a estrela regularmente, mas por graus diferentes.

A equipa considerou várias explicações para os confusos dados, incluindo a possibilidade de um duplo planetário - dois planetas em órbita um do outro - também orbitar a estrela (Rappaport afirma que o par planetário passaria pela estrela em orientações diferentes, bloqueando diferentes quantidades de luz durante cada eclipse). Os dados, no entanto, falharam no suporte desta hipótese: a diminuição a cada 15 horas é demasiado curta para permitir espaço suficiente à interacção de dois corpos planetários, do mesmo modo que a Terra e a Lua orbitam o Sol.

Ao invés, os investigadores conceberam uma hipótese nova: que as diferentes intensidades de luz são provocadas por um corpo algo amorfo e em constante mutação.

"Não sei como demos com esta ideia," afirma Rappaport. "Mas tem a ver com algo a mudar constantemente. Não é um outro corpo sólido, mas poeira que é libertada do planeta."

Rappaport e seus colegas investigaram os vários modos como a poeira pode ser criada e expelida de um planeta. Pensam que o planeta deve ter um campo gravítico pequeno, tal como o de Mercúrio, em ordem ao gás e poeira escaparem da atracção gravitacional do planeta. O planeta também deve ser extremamente quente - na ordem dos 1980º C.

Rappaport diz que existem duas explicações para a formação da poeira planetária: pode entrar em erupção como cinza de vulcões à superfície, ou ser formada a partir de metais vaporizados a altas temperaturas que depois condensa em poeira. No que toca à quantidade expelida do planeta, a equipa mostra que o planeta pode perder poeira suficiente para explicar os dados do Kepler. Graças aos seus cálculos, os investigadores concluíram que a esta velocidade, o planeta será completamente desintegrado daqui a 100 milhões de anos.

Os cientistas criaram um modelo do planeta em órbita da sua estrela, bem como da grande cauda de poeira. As partes mais densas rodeiam imediatamente o planeta, ficando mais leves à medida que se afastam. O grupo simulou o brilho da estrela à medida que o planeta e a sua nuvem de poeira passavam em frente, e descobriu que os padrões de luz coincidem com as curvas irregulares de luz obtidas pelo Observatório Kepler.

"Na realidade estamos agora muito contentes com a assimetria no perfil do eclipse," aponta Rappaport. "Ao início não compreendíamos este cenário. Mas assim que desenvolvemos esta teoria, apercebemo-nos que esta cauda de poeira tem que lá estar. Se não estiver, então o cenário está errado."

Dan Fabrycky, membro da equipa científica do Kepler, diz que o modelo pode apenas ser mais um dos muitos diferentes modos no qual um planeta pode desaparecer.

"Isto pode apenas ser mais uma maneira em que um planeta morre," acrescenta Fabrycky, que não esteve envolvido na pesquisa. "Muitos estudos levaram à conclusão de que os planetas não são objectos eternos, podem morrer de modos extraordinários, e este pode ser um caso onde o planeta evapora completamente no futuro."

Links:

Notícias relacionadas:
MIT (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
NASA
Astronomy
Universe Today
PHYSORG
Scientific American
Space Fellowship
UPI.com

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Passagem Rasante por Lua de Saturno, Dione
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Equipa de Imagem da CassiniISSJPLESANASA
 
O que é aquilo a passar por Dione? Ao fazer a passagem mais próxima de sempre pela lua de Saturno, Dione, no final do ano passado, a sonda Cassini capturou esta espectacular imagem de Dione, dos anéis de Saturno e das duas pequenas luas Epimeteu e Prometeu. A imagem acima captura parte da superfície esbranquiçada altamente craterada com 1100 km de diâmetro, a fina espessura dos anéis de Saturno e a escuridão comparativa da lua mais pequena, Epimeteu. A foto foi capturada quando a Cassini estava a apenas 100.000 km da grande lua gelada. Os eventos futuros da contínua exploração de Saturno pela Cassini e suas luas incluem uma passagem rasante por Titã, que tem lugar hoje, e a observação da distante Terra ao passar por trás de Saturno em Junho.
 

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