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Edição n.º 877
31/07 a 02/08/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 31/07: 213.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, a Ranger 7envia as primeiras imagens detalhadas da Lua, 1000 vezes melhores do que quaisquer imagens telescópicas da altura.
Em 1971, os astronautas da Apollo 15, David Scott e James Irwin, conduzem o primeiro rover lunar.

Em 1976, eram apresentadas as primeiras fotos de Marte da sonda Viking 1, entre as quais a famosa Cara em Marte.
Em 1999, despenhava-se intencionalmente sobre a Lua a sonda Lunar Prospector, que pretendia encontrar água sob a crosta da Lua.
Observações: Olhe para Sudeste após o anoitecer, um pouco mais de metade da distância desde o horizonte até ao zénite, para encontrar a estrela brilhante Altair. É o olho de Águia. Altair é um dos vizinhos estelares mais próximos, a uma distância de 17 anos-luz. Tem uma rotação rápida, tanto que o seu perfil é altamente elíptico do que redondo - mas é óbvio que não é observável com um instrumento comum!

Dia 01/08: 214.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1774, o elemento oxigénio é descoberto pela terceira (e última) vez.
Em 1818 nascia Maria Mitchell, a primeira mulher eleita como astrónoma pela Academia Americana de Artes e Ciências.

Ganhou notoriedade mundial pela descoberta de um cometa brilhante em 1847.
Observações: Antes do amanhecer de hoje e amanhã, procure baixo a Este o brilhante planeta Vénus, com magnitude -4,39. A menos de 2º para a esquerda, está Zeta Tauri, de magnitude 2,96. É um diferença de brilho superior a 1000 vezes! Recomendam-se binóculos à medida que amanhece.

Dia 02/08: 215.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Lua Cheia, pelas 04:28.

 
CURIOSIDADES


No total das 38 missões marcianas ("orbiters", "landers" e "rovers"), apenas 19 tiveram sucesso, o que signfica uma percentagem de 50%.

 
ATERRAGEM DE ROVER MARCIANO SEGUE GRANDE TRADIÇÃO DRAMÁTICA COM 40 ANOS

Quando o rover Curiosity da NASA tentar aterrar em Marte na próxima semana, irá juntar-se a uma longa lista de missões com o intuito de tocar o Planeta Vermelho, um legado que remonta a mais de 40 anos.

O rover de 2,5 mil milhões de dólares, também conhecido como MSL (Mars Science Laboratory), tem aterragem prevista em Marte para as 06:31 (hora portuguesa) de 6 de Agosto. O Curiosity é demasiado grande e pesado para usar airbags durante a aterragem. Ao invés, o rover - com aproximadamente 1 tonelada, irá pesar cerca de 345 kg sob a gravidade marciana - vai descer até à superfície marciana usando um complexo sistema de guindaste aéreo a jacto, o que necessita de mecânicas e "timings" precisos.

Uma vez em Marte, o Curiosity irá procurar sinais de que o planeta já tenha sido hospitaleiro à vida. E embora a antecipação da aterragem seja desesperante, o Curiosity não é a primeira nave a tentar o difícil feito de aterrar no Planeta Vermelho.

Esta impressão de artista mostra o rover Curiosity, um robot móvel que vai investigar a capacidade, passada ou presente, de Marte albergar vida microbiana.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
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40 anos de tentativas, fracassos e sucessos

O primeiro país a tentar aterrar uma sonda em Marte foi a União Soviética, que lançou em 1971 o "lander" Mapc-2 (Maps quer dizer Marte em russo) no dia 19 de Maio, seguida nove dias depois pelo lançamento da Mapc-3, a sua irmã gémea. O Mapc-2 sobreviveu a longa viagem até Marte, só por si um feito impressionante, mas quando lá chegou a 2 de Novembro, provavelmente ardeu devido à acentuada entrada e acabou por colidir com a superfície.

O Mapc-3 chegou ao Planeta Vermelho a 3 de Dezembro. Desta vez, a descida sobre as terras altas marcianas de Terra Sirenium foi bem-sucedida, o que fez da Mars 3 a primeira nave a aterrar suavemente em Marte. Mesmo assim, após este feito inédito, a sonda operou à superfície durante apenas 20 segundos antes de inexplicavelmente ficar silenciosa, não mais transmitindo sinais para a Terra.

A Mapc-6 e 7 foram as seguintes missões que os Soviéticos tentaram aterrar na superfície. O "lander" Mapc-6 foi lançado a 5 de Agosto de 1973, mas perdeu-se quando colidiu no planeta. A Mapc-7, que foi lançada a 8 de Agosto de 1973, incluiu um módulo de "flyby" e um "lander". Esta missão foi mais outro fiasco: a sonda falhou o planeta totalmente.

Seguidamente, foi a vez da Viking 1 da NASA e com ela, sucesso. A Viking 1 foi lançada a 20 de Agosto de 1975, numa missão para estudar a superfície de Marte. A 20 de Julho de 1976, tornou-se na primeira a aterrar no Planeta Vermelho e em condições para prosseguir com a sua missão. O "lander" com 576 kg caiu de órbita numa aterragem em três fases usando um pára-quedas e foguetes. O "lander" Viking 1 estava equipado com três experiências biológicas, e passou seis anos a analisar o solo marciano em busca de evidências de vida. A sonda operou até 1982 sem descobrir provas claras de micróbios em Marte.

Réplica do "lander" Viking 1 no Museu Nacional do Ar e do Espaço, do Instituto Smithsonian, em Washington, EUA.
Crédito: Mark Pelligrino
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O gémeo Viking 2, que foi lançado a 9 de Setembro de 1975, fez a segunda aterragem com sucesso em Marte. Tocou na superfície a 3 de Setembro de 1976, nas planícies de Utopia Planitia, onde estudou a superfície do planeta. Tal como a Viking 1, não descobriu evidências de vida microbiana, e foi desligada em 1980. Mesmo assim, os dois "landers" e respectivas sondas orbitais enviaram um total combinado de mais de 50.000 fotos do Planeta Vermelho.

Os Soviéticos lançaram novamente duas naves em 1988, para orbitar Marte e aterrar na lua marciana Phobos. Tanto as missões Phobos 1 como a Phobos 2 falharam. A nave Phobos 1 perdeu-se a caminho de Marte, e o "lander" Phobos 2 perdeu-se em 1989 perto do seu destino.

A 16 de Novembro de 1996, já com a União Soviética separada em diversas repúblicas, a Rússia lançou a nave Mapc 96, constituída por um "orbiter", dois "landers" e dois "penetradores". Uma avaria nos foguetões resultou na perda de toda a missão pouco tempo depois da descolagem.

No mês seguinte, a NASA embarcou na missão da Pathfinder. A nave aterrou no Planeta Vermelho a 4 de Julho de 1997 e libertou um pequeno rover com seis rodas, chamado Sojourner, para estudar o terreno vizinho. A missão tinha a duração de umas poucas semanas mas acabou por durar quase três meses. A nave comunicou pela última vez com as equipas na Terra a 27 de Setembro.

Rover Sojourner em Marte.
Crédito: NASA/JPL
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Após uma sequência de sucessos em Marte, a NASA sofreu um falhanço em 1999, quando a Mars Polar Lander despenhou-se mesmo antes da aterragem devido a uma falha de engenharia.

A Agência Espacial Europeia passou por uma perda similarmente desapontante quatro anos depois. O "lander" britânico Beagle 2 caiu pela atmosfera marciana no dia de Natal de 2003 e perdeu-se à chegada. Uma investigação determinou mais tarde que uma densidade atmosférica mais baixa do que o esperado pode ter feito com que o pára-quedas e os airbags da sonda se tenham ligado demasiado tarde.

Seguiu-se o programa MER (Mars Exploration Rover) da NASA, aterrando com sucesso um par de rovers, o Spirit e Opportunity, na superfície do Planeta Vermelho em 2003. Os rovers foram desenhados para missões de três meses, na busca de sinais de água passada em Marte. Ao invés, o intrépido par ultrapassou largamente a sua garantia e contribuíram largamente para o conhecimento do planeta. Os controladores da missão perderam contacto com o Spirit em Março de 2010 e não foram capazes de comunicar com o rover, apesar de várias tentativas. A NASA declarou o Spirit oficialmente morto de Maio de 2011. O Opportunity, no entanto, está ainda vivo e de boa saúde em Marte. Actualmente, já percorreu mais de 32 km no Planeta Vermelho e investiga agora a gigantesca cratera Endeavour.

Rover Spirit adicionado artificialmente à imagem (tirado por ele próprio) em Larry's Lookout
Crédito: NASA/JPL
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O "lander" Phoenix da NASA foi lançado a 4 de Agosto de 2007, e chegou ao Planeta Vermelho a 25 de Maio de 2008. Confirmou a presença de água gelada por baixo da superfície do planeta após escavar solo marciano. Infelizmente, os painéis solares da nave foram danificados durante o implacável inverno marciano, e perdeu-se contacto com a nave em Novembro de 2008. O Phoenix foi declarado oficialmente morto em Maio de 2010.

A missão russa Phobos-Grunt foi bem divulgada, mas pelas razões erradas. A sonda foi lançada a 8 de Novembro de 2011, numa ambiciosa missão para recolher amostras da lua de Marte, Phobos. No entanto, pouco tempo depois do lançamento, a sonda teve uma avaria, e ficou presa em órbita terrestre. Uma investigação determinou mais tarde que uma falha de engenharia impediu com que os motores da missão fossem ligados numa manobra que a colocaria a caminho de Marte. Após permanecer na órbita errada durante aproximadamente dois meses, a nave caiu para a Terra e foi destruída durante a reentrada a 15 de Janeiro de 2012.

Porque é que continuamos a voltar a Marte?

Os cientistas estão profundamente interessados em Marte, em parte devido ao seu potencial passado para sediar a vida como a conhecemos. O Planeta Vermelho é hoje frio, seco e desolado, mas o Spirit e o Opportunity descobriram muitas evidências de que ele já foi muito mais quente e húmido.

"Quando olhamos para a geologia, atmosfera, química e assim por diante, acumulamos razões para explorar, qualquer coisa que tenha a ver com as possíveis origens da vida noutro mundo é sempre o primeiro entre iguais," afirma Scott Hubbard da Universidade de Stanford, o antigo "Czar de Marte" que restruturou o programa de exploração de Marte da NASA após ter sofrido vários falhanços no final dos anos 90. "É uma questão tão fundamental. Remonta para a super-questão 'Estamos sozinhos?'"

Marte não é o único corpo no Sistema Solar que pode ter sido capaz de suportar vida no seu passado. Por exemplo, de acordo com os cientistas, organismos podem ainda hoje prosperar nos oceanos subsuperficiais da lua de Júpiter, Europa, e da lua de Saturno, Encelado.

Mas estes dois corpos gelados estão muito mais longe da Terra do que Marte, o que significa que seria muito mais difícil - e caro - lá chegar. Por isso a proximidade do Planeta Vermelho é ainda outra grande razão para que muitas naves o tenham visitado ao longo das décadas (os alinhamentos planetários tornam as missões marcianas realizáveis a cada 26 meses, e uma sonda pode lá chegar em oito meses ou menos).

O estado de Marte como um alvo principal para a colonização humana futura também ajuda a impulsionar as missões robóticas ao Planeta Vermelho, afirma Hubbard. Afinal de contas, um conhecimento profundo do planeta - incluindo se já teve vida ou não - é necessário antes de se enviar para lá astronautas.

Impressão de artista de uma missão tripulada a Marte (pintura de 1989).
Crédito: NASA, Les Bossinas
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"Se Marte já tem vida, temos que compreender os efeitos nos humanos," disse Doug McCuistion, director do Programa de Exploração de Marte da NASA, no passado mês de Abril. "Por isso é uma questão crítica - não apenas a inata de 'Estamos sozinhos?', mas também a segurança dos humanos à superfície do planeta."

Finalmente, a longa história da NASA em Marte construiu impulso, o que ajuda a empurrar futuras missões. A NASA estrutura os seus esforços de exploração planetária em estágios, afirma Hubbard. Os voos rasantes vêm em primeiro lugar, seguido por sondas, depois "landers" e/ou "rovers". Uma missão de recolha de amostras é o último passo nesta cadeia robótica.

"Estamos agora na fase de exploração de Marte onde, como as Academias Nacionais já disseram, estamos prontos para fazer uma missão de recolha de amostras," afirma Hubbard.

Por outro lado, "só agora estamos chegando ao ponto de fazer um voo rasante pelo nosso pobre planeta anão Plutão," acrescenta, referindo-se à missão New Horizons, que tem passagem prevista por Plutão em Julho de 2015.

Links:

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
GetCurious.com
Wikipedia

Missões Mapc (Wikipedia):
Mapc-2
Mapc-3
Mapc-6 e 7

Missões Viking (Wikipedia):
Viking 1
Viking 2

Missões Phobos:
Phobos 1 e 2 (Wikipedia)

Mapc 96:
Mapc 96 (Wikipedia)

Mars Pathfinder:
Pathfinder e Sojourner (Wikipedia)
NASA

Mars Polar Lander:
Wikipedia
NASA

Beagle 2:
Wikipedia
ESA

Spirit e Opportunity:
NASA
Wikipedia

Phoenix:
Universidade do Arizona
NASA
Wikipedia

Phobos-Grunt:
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Enxame Estelar R136
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESA, e F. Paresce (INAF-IASF), R. O'Connell (U. Virginia), e Comité Científico HST WFC3
 
No centro da região de formação estelar 30 Dourado, situa-se um grande enxame com as maiores, mais quentes e mais massivas estrelas conhecidas. Estas estrelas, conhecidas colectivamente como o enxame estelar R136, foram capturadas no visível pelo instrumento WFC (Wide Field Camera) a bordo do Telescópio Espacial Hubble. As nuvens de gás e poeira em 30 Dourado, também conhecida como Nebulosa da Tarântula, foram esculpidas em formas elongadas por poderosos ventos e radiação ultravioleta destas quentes estrelas do enxame. A nebulosa de 30 Dourado encontra-se numa galáxia vizinha conhecida como Grande Nuvem de Magalhães e está localizada a uns meros 170.000 anos-luz de distância.
 

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