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Edição n.º 889
11/09 a 13/09/2012
 
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Errata: a secção "Curiosidades" do Astroboletim anterior mencionava que a Via Láctea continha entre 200 e 400 milhões de estrelas. O valor correcto é entre 200 e 400 mil milhões de estrelas.
 
 
 
EFEMÉRIDES

Dia 11/09: 255.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1997, a sonda Mars Global Surveyor chega a Marte.

Observações: A estrela mais brilhante do céu a Sul por estas noites é Altaír. Tente encontrar a sua estrela companheira Tarazed a uma distância aparente de mais ou menos um dedo para cima e para a direita. Têm magnitudes 0,8 e 2,7, respectivamente.

Dia 12/09: 256.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, a sonda soviética Luna 2 torna-se no primeiro objecto feito pelo Homem a atingir a Lua.

Em 1966, lançamento da Gemini 11, a penúltia missão do programa Gemini da NASA, e a detentora do recorde actual de altitude humana (à excepção das missões lunares Apollo).
Em 1992, lançamento da missão STS-47 do vaivém espacial Endeavour, a 50.ª missão dos vaivéns espaciais. A bordo estavam Mae Carol Jemison, a primeira mulher africo-americana no espaço, Mamoru Mohri, o primeiro cidadão japonês a voar uma nave americana, e Mark Lee e Jan Davis, o primeiro casal no espaço.
Observações: Antes e durante o amanhecer de Quarta-feira, Vénus brilha para a esquerda da Lua. Estão a cerca de 5º entre si. Aviste também Procyon mais para a direita. E antes que fique demasiado claro, observe com binóculos o enxame do Presépio (M44), 2,5º para a esquerda de Vénus.

Dia 13/09: 257.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1994, a sonda Ulisses passa pelo pólo sul do Sol.

Observações: Assim que escureça, procure Antares no céu a Sudoeste, e a Ursa Maior descendo a Noroeste, praticamente à mesma altura do horizonte.

 
CURIOSIDADES


Quando Herschel descobriu o planeta Urano em 1781, deu-lhe o nome "Georgium Sidus", em honra ao rei George III. O nome não foi popular fora da Grã-Bretanha. Bode sugeriu Urano, e argumentou que tal como Saturno era o pai de Júpiter, o novo planeta devia ter o nome do pai de Saturno. A decisão tornou-se universal em 1850.

 
MARTE NÃO TÃO HÚMIDO: ARGILAS PODEM TAMBÉM VIR DE LAVA

A procura por marcianos pode ser mais complicada do que o previsto. As argilas, que há muito se pensa serem sinais claros de um passado mais quente e molhado do Planeta Vermelho, podem ser meramente sinais de actividade vulcânica - o que torna algumas regiões em Marte menos favoráveis à vida.

As camadas de argilas descobertas em Marte sugerem que durante o período Noachiano, há cerca de 4,2-3,5 mil milhões de anos atrás, o planeta era quente o suficiente para conter água líquida - necessária para a vida como a conhecemos. Os cientistas pensavam que as argilas de Marte podiam ter-se formado numa de duas maneiras: através da interacção do solo com água à superfície, ou graças a água que borbulhava até à superfície via fontes hidrotermais.

"Ambas as maneiras teriam criado habitats que podiam suportar micróbios," afirma a co-autora do estudo Bethany Ehlmann, do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena. "Na Terra, os micróbios teriam prosperado."

Imagem obtida pela HiRISE de características ramificantes no chão da Cratera Antoniadi, que se pensa conter material argiloso.
Crédito: NASA/JPL/Universidade do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Mas uma nova análise dos meteoritos marcianos aponta para que algumas argilas tenham-se formado de outro modo. Alain Meunier da Universidade de Poitiers na França descobriu que alguns minerais marcianos oriundos do período Noachiano são uma boa correspondência química com argilas no Atol Mururoa na Polinésia Francesa, que se formaram através do arrefecimento de lava em contacto com água.

Mais, estas antigas argilas marcianas podem ter até centenas de metros de espessura, que é mais provável estarem associadas com fluxos de lava do que solo interagindo com água. "Este resultado implicaria que Marte não teria sido tão hospitaleiro para a vida como se pensava na altura em que a vida na Terra estava a começar a prosperar," afirma Brian Hynek da Universidade do Colorado em Boulder, que não esteve envolvido no estudo.

Uma maneira de confirmar a origem das argilas marcianas é verificar a textura do solo com um microscópio de alta-resolução. "Em cada um dos cenários, existem características particulares da textura," diz Ehlmann. O rover Curiosity da NASA já passou mais de um mês na Cratera Gale perto do equador marciano, que alberga muitos minerais argilosos. O Curiosity tem um microscópio a bordo, mas não é bom o suficiente para fazer a distinção.

Outra opção seria fazer análises químicas e procurar certos elementos raros. Mas isso necessitaria de uma missão capaz de enviar amostras pristinas para a Terra. Mesmo assim, Ehlmann não está preocupada com as hipóteses do Curiosity descobrir argilas feitas por água líquida. A morfologia da Cratera Gale - o facto de que é "um grande buraco no chão" - encaixa-se melhor com a teoria de que era um lago, não um vulcão. "Penso que a Gale é um sabor diferente de Marte," afirma Ehlmann. "Se quiséssemos testar esta hipótese, tínhamos que estudar outro local."

Links:

Notícias relacionadas:
Nature Geoscience (requer subscrição)
Universe Today
COSMOS
New Scientist
PHYSORG
Discovery News
ScienceNews
BBC News

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Nebulosa Cabeça de Cavalo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Star Shadows Remote Observatory
 
A famosa Nebulosa Cabeça de Cavalo em Orionte não está sozinha. Uma longa exposição mostra que a conhecida e escura forma, visível mesmo por baixo do centro, faz parte de um vasto complexo de poeira e gás brilhante. Para realçar detalhes das redondezas da Cabeça de Cavalo, os astrónomos amadores do Observatório Remoto Star Shadow no estado americano do Novo México, fixaram um pequeno telescópio na região ao longo de mais de sete horas, filtrando tudo menos um comprimento de onda específico emitido pelo hidrogénio. Acrescentaram então esta imagem a outra obtida em todas as cores com uma exposição de três horas. A imagem resultante tem uma tapeçaria intricada de gases e filamentos de poeira criados e esculpidos ao longo de éons por ventos estelares e supernovas antigas. A Nebulosa Cabeça de Cavalo situa-se a 1500 anos-luz de distância na direcção da constelação de Orionte. Duas estrelas da Cintura de Orionte podem ser vistas na imagem.
 

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