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Edição n.º 890
14/09 a 17/09/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 14/09: 258.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1915 nasce John Dobson. Fundador do "Sidewalk Astronomers".

Ensinou muitos a construir telescópios modestos e a usá-los: "Temos a responsabilidade de mostrar aos outros como é o nosso Universo a partir de um telescópio -- e explicar o que estão a ver." 
Em 1959, a sonda soviética Luna 2 colide com a Lua, tornando-se no primeiro objecto feito pelo Homem a lá chegar.
Observações: À medida que o Grande Quadrado de Pégaso sobe alto a Este por estas noites, a Usa Maior desce a nordeste. Para ver a Ursa Maior quase desaparecer, precisa de ficar acordado(a) até às 01:00. Em Dezembro isto acontece ao lusco-fusco.

Dia 15/09: 259.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, lançamento da soviética Zond 5, tornando-se a primeira sonda a dar uma volta à Lua e a re-entrar na atmosfera da Terra.

Observações: Com o Verão a chegar ao fim, o Bule de Chá de Sagitário moveu-se para Sul-Sudoeste após o anoitecer, inclinando-se para a direita.

Dia 16/09: 260.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Lua Nova, pelas 03:11.

Dia 17/09: 261.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1789, William Herschel descobre a Lua de Saturno, Mimas
Em 1976, era apresentado pela NASA o primeiro Space Shuttle, Enterprise.

Observações: Após o anoitecer, procure Fomalhaut, a Estrela de Outono, a nascer a Sudeste. À mesma altura, Arcturo, a Estrela da Primavera, estará ficando baixa a Oeste. Estarão aproximadamente à mesma altura entre as 21:30 e as 22:00. Quão detalhadamente pode temporizar este evento?

 
CURIOSIDADES


Os cometas são normalmente conhecidos pelo nome do astrónomo ou observatório que primeiramente os detectou.

 
ASTRÓNOMOS AFIRMAM QUE EXISTÊNCIA DA ENERGIA ESCURA É INEQUÍVOCA

Uma equipa de astrónomos da Universidade de Portsmouth e da Universidade de Munique diz que tem uma confiança quase absoluta de que a energia escura, uma misteriosa substância que se pensa provocar a aceleração da expansão do Universo, existe.

Após um ano de estudo liderado por Tommaso Giannantonio e Robert Crittenden, os cientistas concluem que a probabilidade da sua existência está nos 99,996%. As suas descobertas foram publicadas na revista mensal da Sociedade Astronómica Real.

O professor Bob Nichol, membro da equipa da Universidade de Portsmouth, afirma: "a energia escura é um dos grandes mistérios científicos do nosso tempo, por isso não é surpreendente que muitos investigadores questionem a sua existência. Mas com o nosso novo trabalho estamos mais confiantes que nunca que este componente exótico do Universo é real - mesmo que ainda não façamos nenhuma ideia do que consiste."

Impressão visual dos dados usados no estudo. Os mapas extra-galácticos relevantes são representados como conchas a distâncias cada vez maiores da Terra, da esquerda para a direita. A mais próxima é a nossa Via Láctea, que é uma fonte potencial de ruído para as análises. Depois desta estão seis conchas contendo mapas de milhões de galáxias distantes usadas no estudo. Estes mapas são produzidos usando diferentes telescópios em diferentes comprimentos de onda e têm diversas cores para mostrar aglomerados mais densos de galáxias a vermelho e outras regiões menos densas a azul. Existem buracos nos mapas devido a cortes na qualidade dos dados. A última e maior concha mostra a temperatura da radiação cósmica de fundo em microondas obtida pelo satélite WMAP (vermelho é quente, azul é frio), que é a imagem mais distante do Universo já capturada. A equipa detectou (com uma probabilidade de 99,996%) correlações muito pequenas entre estes mapas do pano da frente (à esquerda) e a radiação cósmica de fundo (à direita).
Crédito: Terra: NASA/BlueEarth; Via Láctea: ESO/S. Brunier; radiação cósmica de fundo: NASA/WMAP
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Há mais de uma década atrás, os astrónomos que observavam o brilho de supernovas distantes aperceberam-se que a expansão do Universo parecia estar a acelerar. A aceleração é atribuída à força repulsiva associada com a energia escura, que agora se pensa constituir 73% do conteúdo do Cosmos. Os investigadores que fizeram a descoberta receberam o Prémio Nobel da Física em 2011, mas a existência da energia escura permanece um tópico de debate aceso.

Foram usadas muitas outras técnicas para confirmar a realidade da energia escura mas são ou sondas indirectas da aceleração do Universo ou susceptíveis às suas próprias incertezas. As evidências claras da energia escura vêm do efeito Integrado Sachs-Wolfe, com o nome dos cientistas Rainer Sachs e Arthur Wolfe.

A Radiação Cósmica de Fundo em microondas, a radiação do aquecimento residual do Big Bang, é vista por todo o céu. Em 1967 Sachs e Wolfe propuseram que esta radiação tornar-se-ia ligeiramente mais azul à medida que passava por campos gravitacionais de aglomerados de matéria, um efeito conhecido como desvio gravitacional para o vermelho.

Em 1996, Robert Crittenden e Neil Turok, agora no Instituto Perimeter no Canadá, elevaram esta ideia ao próximo nível, sugerindo que os astrónomos podiam observar estas pequenas mudanças na energia desta radiação, ou nos fotões, ao comparar a temperatura da radiação com mapas de galáxias no Universo local.

Na ausência da energia escura, ou uma grande curvatura no Universo, não existiria uma correspondência entre estes dois mapas (a radiação cósmica de fundo em microondas e a distribuição relativamente próxima das galáxias), mas a existência da energia escura levaria a um estranho efeito contra-intuitivo onde os fotões da radiação cósmica de fundo ganhariam energia à medida que viajavam pelos grandes aglomerados de massa.

O efeito Integrado Sachs-Wolfe foi detectado pela primeira vez em 2003 e foi imediatamente visto como uma evidência contundente da energia escura, sendo aclamado como "Descoberta do ano" pela revista Science. Mas o sinal é fraco pois a correlação esperada entre os mapas é pequena e por isso alguns cientistas sugeriram que era provocado por outras fontes tais como poeira na nossa Galáxia. Desde os primeiros artigos científicos sobre o efeito Integrado Sachs-Wolfe, vários astrónomos questionaram as detecções originais do efeito e por conseguinte colocaram em questão algumas das evidências mais fortes até agora da existência da energia escura.

No novo artigo, o produto de quase dois anos de trabalho, a equipa reexaminou todos os argumentos contra a detecção do efeito Integrado Sachs-Wolfe, bem como melhorou os mapas usados no trabalho original. Nas suas meticulosas análises, concluem que existe uma probabilidade de 99,996% da energia escura ser responsável pelas partes mais quentes dos mapas da radiação cósmica de fundo (o mesmo nível de significância que a recente descoberta da partícula tipo bosão de Higgs, aquando do primeiro anúncio).

"Este trabalho também nos diz mais acerca das possíveis modificações da Teoria Geral da Relatividade de Einstein," realça Tommaso Giannantonio, autor principal do presente estudo. "A próxima geração dos estudos da radiação cósmica de fundo e dos estudos galácticos deverá providenciar a medição definitiva, ou confirmando a relatividade geral, incluindo a energia escura, ou ainda mais intrigantemente, exigindo uma compreensão totalmente nova de como a gravidade funciona."

Links:

Notícias relacionadas:
Artigo científico (formato PDF)
PHYSORG
Discovery News
Scientific American
Reuters
UPI.com

Energia escura:
Wikipedia

Efeito Integrado Sachs-Wolfe:
Wikipedia

Radiação Cósmica de Fundo:
Wikipedia

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

 
FORMAS DE VIDA EXTREMA PODEM SER CAPAZES DE SOBREVIVER EM EXOPLANETAS EXCÊNTRICOS

Astrónomos descobriram uma verdadeira galeria de exoplanetas estranhos -- desde mundos escaldantes com superfícies derretidas até frígidas bolas de gelo.

E enquanto a caça continua em busca do elusivo "ponto azul" -- um planeta com aproximadamente as mesmas características que a Terra - novas pesquisas revelam que a vida pode realmente ser capaz de sobreviver em alguns dos excêntricos planetas que existem por aí.

"Quando falamos de planeta habitável, falamos de um mundo onde a água líquida pode existir," afirma Stephen Kane, cientista do Instituto de Ciências Exoplanetárias da NASA no Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena, EUA. "Um planeta precisa de estar à distância certa da sua estrela -- não muito quente nem muito frio." Determinada pelo tamanho e temperatura da estrela, esta faixa de temperatura é normalmente referida como a "zona habitável" em torno de uma estrela.

Um planeta hipotético é visto aqui a mover-se pela zona habitável e depois para mais longe num grande e frio inverno.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Kane e a sua colega do mesmo instituto, Dawn Gelino, criaram um recurso a que chamaram de "Galeria da Zona Habitável." Calcula o tamanho e distância da zona habitável para cada sistema exoplanetário já descoberto e mostra quais os planetas extrasolares que orbitam nesta zona preciosa. O estudo que descreve a pesquisa aparece na revista Astrobiology Journal e pode ser consultado online.

Mas nem todos os exoplanetas têm órbitas como a da Terra, que permanece mais ou menos a distâncias constantes do Sol. Uma das revelações inesperadas da caça por planetas foi a de que muitos planetas viajam em órbitas muito elípticas ou excêntricas, que variam muito na distância às suas estrelas.

"Planetas como estes podem passar algum tempo mas não a totalidade na zona habitável," afirma Kane. "Podemos ter um mundo que aquece por períodos breves de tempo, alternados por invernos longos, ou podemos ter breves instantes de condições muito quentes."

Embora planetas como estes sejam muito diferentes da Terra, isto não os impede de serem capazes de suportar vida. "Os cientistas já descobriram formas de vida microscópica na Terra que conseguem sobreviver a todo o género de condições extremas," afirma Kane. "Alguns organismos podem basicamente diminuir o seu metabolismo até zero de modo a sobreviverem a condições frias e persistentes. Sabemos que outros podem resistir a condições extremas de calor se tiverem uma camada protectora de rocha ou água. Até já foram feitos estudos na Terra com base em esporos, bactérias e líquenes, que mostram que conseguem sobreviver em ambientes agressivos na Terra e sob as condições extremas do espaço."

A pesquisa de Kane e Gelino sugere que as zonas habitáveis em torno das estrelas podem ser maiores do que se pensava, e que os planetas que podem ser hostis para a vida humana podem ser o local perfeito para extremófilos, como líquenes e bactérias, sobreviverem. "A vida evoluiu na Terra num estágio muito inicial de desenvolvimento do planeta, em condições muito mais duras do que as de hoje," afirma Kane.

Kane explica que muitos dos mundos capazes de suportar vida podem até nem ser planetas, mas ao invés luas de planetas gigantes e gasosos como Júpiter no nosso próprio Sistema Solar. "Existem muitos planetas gigantes lá fora, e todos eles podem ter luas, se forem como os planetas gigantes do Sistema Solar," acrescenta Kane. "A lua de um planeta que esteja, ou que passe tempo numa zona habitável, pode ela própria ser habitável."

Como exemplo, Kane mencionou Titã, a maior lua de Saturno, que, apesar da sua espessa atmosfera, está demasiado distante do Sol e é demasiado fria para a vida como a conhecemos existir à sua superfície. "Se movêssemos Titã para mais perto do Sol, teria muito mais vapor de água e condições muito mais favoráveis para a vida."

Kane é rápido a apontar que existem limites para o que os cientistas podem determinar actualmente acerca da habitabilidade de exoplanetas já descobertos. "É difícil conhecer realmente um planeta quando não possuímos conhecimento sobre a sua atmosfera," realça. Por exemplo, tanto a Terra como Vénus têm um "efeito de estufa" atmosférico -- mas o efeito de fuga em Vénus torna-o no lugar mais quente do Sistema Solar. "Sem análogos no nosso próprio Sistema Solar, é difícil saber exactamente como seria uma lua habitável ou um planeta com uma órbita excêntrica."

Ainda assim, a pesquisa sugere que a habitabilidade pode existir sob muitas formas na Galáxia -- e não apenas em planetas parecidos com o nosso. Kane e Gelino trabalham afincadamente para determinar quais os planetas extrasolares já descobertos que podem ser candidatos à vida extremófila ou a terem luas habitáveis. "Existem muitos planetas excêntricos e gigantes gasosos," diz Kane. "Podemos encontrar algumas surpresas por aí, à medida que começamos a determinar exactamente o que consideramos habitável."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
PHYSORG
SPACE.com
io9

Galeria da Zona Habitável:
Página principal

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M7: Enxame Aberto em Escorpião
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Dieter Willasch (Astro-Cabinet)
 
M7 é um dos mais bonitos enxames abertos do céu. O enxame, dominado por estrelas azuis e brilhantes, pode ser visto a olho nu sob um céu escuro na cauda da constelação de Escorpião. M7 contém no total cerca de 100 estrelas, tem aproximadamente 200 milhões de anos, mede 25 anos-luz em comprimento e situa-se a mais ou menos 100 anos-luz de distância. A exposição de céu profundo foi obtida na Quinta Hakos na Namíbia. O enxame M7 é conhecido desde a Antiguidade, tendo sido observado por Ptolomeu no ano 130. É também visível uma nuvem escura de poeira e literalmente milhões de estrelas sem relação com o enxame na direcção do Centro Galáctico.
 

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