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Edição n.º 911
27/11 a 29/11/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 27/11: 332.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, a sonda soviética Mars-2 torna-se no primeiro objecto feito pelo Homem a atingir Marte.

Em 2001, é descoberta, pelo Hubble, uma atmosfera de hidrogénio no planeta extrasolar HD 209458 (Osiris), a primeira atmosfera detectada num planeta extrasolar.
Observações:

Dia 28/11: 333.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, a NASA lança a sonda Mariner 4.

Observações: Pelas 00:40 (de 27 para 28), Europa desaparece na sombra de Júpiter. Torna a reaparecer no outro lado do planeta por volta das 03:20.
Lua Cheia, pelas 14:46.
Esta noite, olhe para a esquerda da Lua e encontrará Júpiter. E um pouco para baixo e para a direita está Aldebarã. Para cima estão as Plêiades. Este trio bem próximo proporciona uma boa oportunidade fotográfica.
Por volta das 22:40 e até cerca das 00:45 (dia 29), é possível observar telescopicamente a sombra de Ganimedes passar pela atmosfera de Júpiter. O satélite desaparece em frente do planeta por volta das 23:15 e reaparece no lado oposto cerca das 01:00.

Dia 29/11: 334.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1803, nascia Christian Doppler, matemático e físico austríaco, famoso pela sua descoberta do que é agora denominado efeito Doppler.

Em 1961, Enos, um chimpanzé, é lançado para o espaço a bordo da missão Mercury-Atlas 5. A nave orbitou a Terra duas vezes e aterrou no mar perto da costa de Porto Rico.
Em 1965, a agência espacial canadiana lança o satélite Alouette 2.
Observações: A partir das 19:50 e até cerca das 22:15, é possível observar telescopicamente a sombra de Europa passar pela atmosfera de Júpiter. O satélite desaparece em frente do planeta por volta das 20:05 e torna a reaparecer no lado oposto aproximadamente às 22:25.
Aproveite a noite para observar o enxame duplo de Perseu.

 
CURIOSIDADES


Uma pequena colónia da comum bactéria Streptococcus mitis viajou clandestinamente durante quase três anos a bordo da Surveyor 3 da NASA, uma sonda não tripulada que aterrou na Lua em 1967. A tripulação da Apollo 12 recolheu os organismos e trouxe-os de volta para a Terra sob condições esterilizadas. Esta experiência não planeada provou que certos microrganismos podem sobreviver anos sob exposição a radiação, ao vácuo do espaço e a temperaturas baixíssimas, sem qualquer nutriente, água ou fonte de energia. Alguns cientistas dizem que a vida poderá ter viajado de Marte até à Terra dentro de uma rocha espacial.

 
REFINARIA CÓSMICA NA NEBULOSA CABEÇA DE CAVALO

O que parece ficção científica é afinal realidade: usando o telescópio de 30 metros do Instituto para Radioastronomia para observações astronómicas no comprimento de onda milimétrica, os astrónomos detectaram, pela primeira vez, a molécula interestelar C3H+, na nossa Galáxia. Pertence à família dos hidrocarbonetos e é, portanto, parte dos recursos energéticos principais do nosso planeta, ou seja, petróleo e gás natural. A descoberta desta molécula no coração da famosa Nebulosa Cabeça de Cavalo na direcção da constelação de Orionte também confirma que esta região é uma activa refinaria cósmica.

A Nebulosa Cabeça de Cavalo, a 1300 anos-luz da Terra, está localizada na constelação de Orionte, nesta altura do ano já visível nos nossos céus nocturnos. Devido à sua forma famosa e facilmente reconhecível, que deu o nome à nebulosa, é um dos objectos mais fotografados pelos astrónomos. Mas a Nebulosa Cabeça de Cavalo é também um fantástico laboratório químico interestelar, onde o gás de alta densidade e a intensa luz estelar interagem continuamente e desencadeiam reacções químicas em muitos níveis.

A distinta Nebulosa Cabeça de Cavalo na constelação de Orionte não é só um dos objectos favoritos dos astrofotógrafos por todo o mundo, é aparentemente também uma refinaria cósmica.
Crédito: ESO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Usando o radiotelescópio de 30 metros perto do Pico del Veleta na Sierra Nevada, Espanha, o astrónomo Jérôme Pety e a sua equipa do IRAM (Institut de Radioastronomie Milimétrique) realizaram pela primeira vez um estudo sistemático da composição química da crina da Cabeça de Cavalo. O projecto internacional, denominado "Whisper", não teria sido possível sem as recentes actualizações técnicas dos instrumentos do telescópio. "No início, tal estudo compreensivo teria levado pelo menos um ano em observações. Agora nós podemos completar as medições após uma semana," afirma Arnaud Belloche do Instituto Max Planck para Radioastronomia. Isto abre novas possibilidades para a classificação dos diferentes tipos de gás no Universo, com base nas moléculas que contêm.

Na sua pesquisa actual, os cientistas foram capazes de detectar 30 moléculas na região, incluindo muitos hidrocarbonetos pequenos, as moléculas mais pequenas que compõem o petróleo e o gás natural. Os investigadores ficaram surpresos com os níveis inesperadamente elevados de hidrocarbonetos. "A nebulosa contém 200 vezes mais hidrocarbonetos do que a quantidade total de água na Terra!", afirma a astrónoma Viviana Guzman, também do IRAM. Além disso, um destes hidrocarbonetos de pequeno porte, o ião C3H+, foi observado pela primeira vez no espaço como parte deste estudo - embora este ião com carga positiva seja uma peça fundamental nas reacções químicas que ligam os hidrocarbonetos pequenos.

O radiotelescópio de 30 metros usado para as observações, localizado na Sierra Nevada.
Crédito: IRAM
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Mas como é que estes hidrocarbonetos são formados? No seu artigo, Jérôme Pety e colegas propõem que resultam da fragmentação de gigantes moléculas carbonáceas denominadas PAHs. Estas moléculas gigantes podem sofrer erosão graças à radiação ultravioleta, produzindo uma grande quantidade de hidrocarbonetos pequenos. Este mecanismo seria particularmente eficiente em regiões como a Nebulosa Cabeça de Cavalo, onde o gás interestelar está directamente exposto à luz de uma gigantesca estrela vizinha. "Observamos a operação de uma gigantesca refinaria natural de petróleo," conclui Jérôme Pety.

Links:

Notícias relacionadas:
Sociedade Max Planck (comunicado de imprensa)
IRAM (comunicado de imprensa, em francês)
Artigo científico (formato PDF)
Astronomy & Astrophysics
PHYSORG

Nebulosa Cabeça de Cavalo:
Wikipedia

IRAM:
Página oficial
Wikipedia
Radiotelescópio de 30 metros (Wikipedia)

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 1365: Majestosa Espiral com Supernova
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Martin Pugh
 
A galáxia espiral barrada NGC 1365 é verdadeiramente um majestoso universo-ilha com 200.000 anos-luz de diâmetro. Localizado a uns meros 60 milhões de anos-luz na direcção da constelação da Fornalha, NGC 1365 é um membro dominante do bem estudado aglomerado galáctico da Fornalha. Esta nítida imagem a cores mostra intensas regiões de formação estelar nas extremidades da barra e ao longo dos braços espirais, e detalhes nas faixas de poeira que atravessam o brilhante núcleo galáctico. No centro encontra-se um buraco negro supermassivo. Os astrónomos pensam que a proeminente barra de NGC 1365 desempenha um papel crucial na evolução da galáxia, atraindo gás e poeira para um redemoinho de formação estelar e alimentando o buraco negro central com material. Descoberta a 27 de Outubro, a posição de uma brilhante supernova está indicada em NGC 1365. Catalogada como SN2012fr, a supernova do tipo Ia é a explosão de uma estrela anão branca.
 

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