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Edição n.º 923
08/01 a 10/01/2013
 
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EFEMÉRIDES

Dia 08/01: 8.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1587 nascia Johann(es) Fabricius, astrónomo alemão, descobridor das manchas solares (em 1610), independentemente de Galileu.
Em 1973 era lançada a missão espacial soviética Luna 21
Em 1994, o cosmonaut russo Valeri Polyakov na Soyuz TM-18parte para a Mir.

Permaneceria na estação espacial até 22 de Março de 1995, completando um recorde de 437 dias no espaço.
Observações: Olhe para Este-Nordeste por volta das 22 horas e pode já observar Régulo e a "foice" de Leão perto do horizonte - um distante prenúncio de Primavera.

Dia 09/01: 9.º dia do calendário gregoriano.
Observações: A partir das 01:00 (de dia 8 para 9), Io passa em frente de Júpiter. A sombra torna-se visível por volta das 01:55. O satélite reaparece no outro lado do planeta por volta das 03:15, e a sombra desaparece pelas 04:05.
À medida que amanhece, encontre a Lua bem baixa a Sudeste. Para a sua direita está Antares, e muito perto o horizonte mas para a sua esquerda e para baixo está o planeta Vénus.

Dia 10/01: 10.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1573 nascia Simon Marius, astrónomo alemão que afirmou ter descoberto as luas de Júpiter dias antes de Galileu.

De facto, a sua primeira observação foi na mesma data que Galileu. Mesmo assim, os nomes dos satélites galileanos são os dados por Simon Marius.
Em 1962, a NASA anuncia planos para construir o veículo de lançamento C-5. Ficou mais conhecido pelo nome Saturno V, lançado com cada das missões Apollo. 
Em 1969, lançamento da Venera 6 (USSR). Alcançou Vénus a 17 de Maio de 1969. A pesquisa atmosférica enviou dados até 11 km da superfície, antes de ser despedaçada pela pressão de Vénus.
Observações: Ao amanhecer, Vénus brilha perto da fina Lua, bem baixos a Sudeste. Para cima para a direita está Antares, da constelação de Escorpião.
A partir das 19:05, Ganimedes começa a passar em frente de Júpiter. Vinte e cinco minutos depois é a vez de Io. A sombra de Io torna-se visível pelas 20:25. Pelas 21:05, Ganimedes reaparece no outro lado do planeta, e cerca de 35 minutos Io torna-se visível. A sombra deste último desaparece pelas 22:35. O ângulo de Ganimedes em relação a Júpiter e ao Sol faz com que a sua sombra apareça na atmosfera do planeta às mesmas 22:35, e desapareça no outro lado do planeta pelas 00:50 já de dia 11.

 
CURIOSIDADES


Contagem de planetas observados pelo telescópio espacial Kepler: confirmados - 105; candidatos a planeta - 2740.

 
CIENTISTAS DESCOBREM ÁGUA EM METEORITO MARCIANO

Investigadores financiados pela NASA que analisavam um meteorito pequeno, que pode ser o primeiro descoberto da superfície de Marte ou crosta, descobriram que contém 10 vezes mais água do que outros meteoritos marcianos de origens desconhecidas.

Esta nova classe de meteorito foi encontrada em 2011 no deserto do Saara. Designado NWA (Noroeste de África) 7034, e apelidado de "Beleza Negra", pesa aproximadamente 320 gramas. Após mais de um ano de estudo intensivo, uma equipa de cientistas americanos determinou que o meteorito formou-se há 2,1 mil milhões de anos durante o início do mais recente período geológico de Marte, conhecido como época amazoniana.

"A idade de NWA 7034 é importante porque é significativamente mais velho do que a maioria dos outros meteoritos marcianos," afirma Mitch Schulte, cientista do Programa de Exploração de Marte na sede da NASA em Washington. "Nós agora temos dados sobre um pedaço de história de Marte, num momento crítico da sua evolução."

Designado NWA 7034, e com a alcunha de "Beleza Negra", o meteorito marciano pesa aproximadamente 320 gramas.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O meteorito é uma excelente combinação com rochas e afloramentos superficiais que a NASA tem estudado remotamente com os rovers e satélites em órbita de Marte. A composição de NWA 7034 é diferente de qualquer outro meteorito marciano estudado previamente. A pesquisa foi publicada na edição de Quinta-feira passada da Science Express.

"O conteúdo deste meteorito pode desafiar muitas noções sobre a geologia marciana," afirma John Grunsfeld, administrador associado para o Directorado de Missão Científicas em Washington. "Estes resultados também apresentam um quadro de referência importante para o rover Curiosity à medida que procura compostos orgânicos reduzidos nos minerais expostos nas rochas da Cratera Gale."

NWA 7034 é composto por fragmentos cimentados de basalto, rocha que se forma a partir de lava que arrefece rapidamente. Os fragmentos são principalmente feldspato e piroxénio, provavelmente a partir de actividade vulcânica. Esta química invulgar coincide com a da crosta marciana medida com os rovers marcianos e com a sonda Mars Odyssey.

"Este meteorito marciano tem tudo na sua composição que gostaríamos de encontrar a fim de aprofundar a nossa compreensão do Planeta Vermelho," afirma Carl Agee, líder da equipa de análise e director e curador do Instituto de Meteoritos da Universidade do Novo México, em Albuquerque, EUA. "Este meteorito único diz-nos como era o vulcanismo em Marte há 2 mil milhões de anos. Também nos dá um vislumbre da antiga superfície e das condições ambientais em Marte que nenhum outro meteorito já proporcionou."

Da equipa de investigação também fizeram parte grupos da Universidade da Califórnia em San Diego e do Instituto Carnegie em Washington. Experiências foram levadas a cabo para analisar a composição mineral e química, a idade, e o teor de água.

Os cientistas teorizam que a grande quantidade de água contida em NWA 7034 pode ter originado a partir da interacção de rochas com água presente na crosta de Marte. O meteorito também tem uma mistura de isótopos de oxigénio diferente da encontrada noutros meteoritos marcianos, que poderia ter resultado da interacção com a atmosfera marciana.

A maioria dos meteoritos marcianos é dividida em três tipos de rochas, em homenagem a três meteoritos: Shergotty, Nakhla e Chassigny. Estes meteoritos "SNC" rondam actualmente os 110. O seu ponto de origem em Marte não é conhecido e os dados mais recentes das missões sugerem que são um desfasamento com a crosta marciana. Embora NWA 7034 partilhe semelhanças com os meteoritos NSC, incluindo a presença de carbono orgânico macromolecular, este novo meteorito tem muitas características únicas.

"A textura do meteorito NWA é diferente da de qualquer outro dos meteoritos SNC", afirma Andrew Steele, co-autor do estudo que liderou a análise de carbono no Laboratório Geofísico do Instituto Carnegie. "Esta é uma medição interessante em Marte e no todo da ciência planetária. Temos agora o maior contexto de sempre para entender de onde podem vir."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Instituto Carnegie (comunicado de imprensa)
Science Express (requer subscrição)
Universe Today
SPACE.com
Sky & Telescope
PHYSORG
Nature
redOrbit
New Scientist
ScienceNews
Discovery News
UPI.com
AstroPT
Público

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
NASA - 3
Wikipedia

Mars Odyssey:
NASA
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Meteoritos marcianos (Wikipedia)
Geologia de Marte (Wikipedia)

 
MILHARES DE MILHÕES DE PLANETAS

Olhe para o céu à noite e certamente verá estrelas. Mas também estará a observar planetas - milhares de milhões deles. Pelo menos.

Esta é a conclusão de um novo estudo por astrónomos do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) que providencia ainda mais provas de que os sistemas planetários são a norma cósmica. A equipa fez a sua estimativa ao analisar planetas que orbitam uma estrela chamada Kepler-32 - planetas que sejam representativos, dizem, da grande maioria na Galáxia e que servem assim como um perfeito estudo de caso para entender como a maioria dos planetas se formam.

"Existem pelo menos 100 mil milhões de planetas na Via Láctea - apenas na nossa Galáxia," afirma John Johnson, professor assistente de astronomia planetária no Caltech e co-autor do estudo, que foi recentemente aceite para publicação na revista Astrophysical Journal. "Isso é impressionante."

"Se pensarmos bem, é quase um número incompreensível," acrescenta Jonathan Swift, pós-doutorado no Caltech e autor principal do artigo. "Basicamente, há um planeta por estrela."

O sistema planetário em questão, que foi detectado pelo telescópio espacial Kepler, contém cinco planetas. A existência de dois desses planetas já foi confirmada por outros astrónomos. A equipa do Caltech confirmou os três restantes, e em seguida analisou o sistema de cinco planetas e comparou-o com outros sistemas descobertos pela missão Kepler.

Impressão de artista do telescópio espacial Kepler.
Crédito: NASA/Ames/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os planetas orbitam uma estrela anã-M - um tipo que corresponde a cerca de três quartos de todas as estrelas da Via Láctea. Os cinco planetas, que são semelhantes em tamanho à Terra e orbitam perto da sua estrela-mãe, também são típicos da classe de planetas que o telescópio descobriu orbitando outras estrelas anãs-M, realça Swift. Portanto, a maioria dos planetas na Galáxia provavelmente têm características comparáveis às dos cinco planetas.

Embora este sistema em particular não seja único, o que o diferencia é a orientação: as órbitas dos planetas encontram-se num plano tal que o Kepler consegue observá-los de lado. Devido a esta orientação rara, cada planeta bloqueia a luz estelar de Kepler-32 à medida que passa entre a estrela e o telescópio Kepler.

Ao analisar as mudanças no brilho da estrela, os astrónomos foram capazes de determinar as características dos planetas, como os seus tamanhos e períodos orbitais. Esta orientação, portanto, fornece uma oportunidade para estudar o sistema em grande detalhe - e dado que os planetas representam a vasta maioria dos planetas que se pensa existir na Galáxia, afirma a equipa, o sistema também pode ajudar os astrónomos a melhor compreender a formação planetária em geral.

"Eu costumo tentar não chamar 'pedras de Roseta' às coisas, mas isto é o mais próximo de uma pedra de Roseta que já vi," afirma Johnson. "É como desbloquear uma linguagem que nós estamos tentando compreender - a linguagem da formação planetária.

Uma das questões fundamentais sobre a origem dos planetas é saber quantos existem. Como o grupo Caltech, outras equipas de astrónomos estimam que há cerca de um planeta por estrela, mas esta é a primeira vez que os investigadores fizeram tal estimativa estudando sistemas com anãs-M, a população mais numerosa de planetas conhecidos.

Cientistas do Caltech determinaram que a Via Láctea contém pelo menos 100 mil milhões de planetas.
Crédito: NASA; ESA; Z. Levay e R. van der Marel, STScI; T. Hallas, e A. Mellinger
 

Para fazer esse cálculo, a equipa do Caltech determinou a probabilidade que um sistema numa anã-M daria à orientação de lado de Kepler-32. Ao combinar essa probabilidade com o número de sistemas planetários que o Kepler é capaz de detectar, os astrónomos calcularam que há, em média, um planeta por cada uma das aproximadamente 100 mil milhões de estrelas na Galáxia. Mas as suas análises apenas têm em consideração os planetas que estão em órbitas próximas da estrela anã-M - não os planetas exteriores de tal sistema. Como resultado, dizem, a sua estimativa é conservadora. Na verdade, afirma Swift, uma estimativa mais precisa que inclua dados de outras análises poderia levar a uma média de dois planetas por estrela.

Os sistemas com anãs-M como Kepler-32 são muito diferentes do nosso próprio Sistema Solar. Por um lado, as anãs-M são mais frias e muito mais pequenas que o Sol. Kepler-32, por exemplo, tem metade da massa do Sol e metade do raio. Os raios dos seus cinco planetas variam entre 0,8 e 2,7 vezes o da Terra, e esses planetas orbitam muito perto da estrela. O sistema inteiro cabe dentro de pouco mais de uma décima de uma UA (unidade astronómica, a distância média entre a Terra e o Sol) - uma distância que é cerca de um-terço do raio da órbita de Mercúrio em torno do Sol. O facto dos sistemas de anãs-M superarem em muito outros tipos de sistema carrega com ele uma profunda implicação, de acordo com Johnson, que é a de que o nosso Sistema Solar é extremamente raro.

O facto de que os planetas em sistemas de anãs-M estarem tão próximos das suas estrelas não significa necessariamente que são mundos infernais e ardentes, inadequados para a vida, dizem os astrónomos. Na verdade, dado que as anãs-M são pequenas e frias, as suas zonas temperadas - conhecidas mais como "zonas habitáveis" -, a região onde a água líquida pode existir à superfície - é também mais para dentro do sistema. Apesar de apenas o mais exterior dos cinco planetas de Kepler-32 residir na zona habitável, muitos outros sistemas de anãs-M têm mais planetas que estão exactamente situados nas suas zonas habitáveis.

Quanto à forma como o sistema de Kepler-32 se formou, ninguém sabe ainda. Mas a equipa diz que a sua análise coloca restrições sobre possíveis mecanismos. Por exemplos, os resultados sugerem que os planetas foram todos formados mais longe da estrela do que estão agora, e migraram para o interior ao longo do tempo.

Como todos os planetas, os que orbitam Kepler-32 formaram-se a partir de um disco protoplanetário - um disco de gás e poeira que se agregou para formar planetas em torno da estrela. Os astrónomos estimam que a massa do disco dentro da região dos cinco planetas era aproximadamente tão grande quanto a de três Júpiteres. Mas outros estudos de discos protoplanetários têm mostrado que três vezes a massa de Júpiter não pode ser espremida numa área tão pequena e tão perto de uma estrela, sugerindo à equipa que os planetas em redor de Kepler-32 formaram-se mais longe.

Outra linha de evidência refere-se ao facto das anãs-M brilharem mais e emitirem mais energia quando são jovens, quando os planetas estariam a ser formados. Kepler-32 teria sido muito quente para a poeira - um ingrediente-chave na construção planetária - sequer existir em tal proximidade da estrela. Anteriormente, outros astrónomos tinham determinado que o terceiro e quarto planetas no sistema não são muito densos, o que significa que provavelmente são constituídos por compostos voláteis como dióxido de carbono, metano, ou outros gelos e gases, diz a equipa do Caltech. No entanto, os compostos voláteis não poderiam ter existido nas zonas mais quentes próximas da estrela.

Finalmente, os astrónomos do Caltech descobriram que três dos planetas têm órbitas que estão relacionadas umas com as outras de uma maneira muito específica. O período orbital de um dura o dobro do tempo do outro, e o terceiro planeta dura três vezes o do último. Os planetas não caem neste tipo de arranjo imediatamente após a formação, diz Johnson. Em vez disso, os planetas devem ter começado as suas órbitas mais longe da estrela, antes de se mudarem para o interior com o passar do tempo e estabelecendo-se na sua configuração actual.

"Olhamos em detalhe para a arquitectura deste sistema planetário muito especial, e vemo-nos forçados a dizer que os planetas formaram-se mais longe e mudaram-se depois para mais perto da estrela," explica Johnson.

As implicações de uma galáxia repleta de planetas são consideráveis, dizem os cientistas. "É realmente fundamental do ponto de vista das origens," afirma Swift, que realça que dado que as anãs-M brilham principalmente no infravermelho, as estrelas são invisíveis a olho nu. "O Kepler permitiu-nos olhar para o céu e saber que existem mais planetas por aí do que estrelas que podemos ver.

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Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Caltech (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
PHYSORG
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ScienceDaily
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Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Discos protoplanetários:
Wikipedia

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - AE Aurigae e a Nebulosa da Estrela Flamejante
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Martin Pugh
 
AE Aurigae é chamada "estrela flamejante". A nebulosa em redor é IC 405, com o nome de Nebulosa da Estrela Flamejante e a região parece albergar fumo, mas não há fogo. O fogo, tipicamente definido como a rápida aquisição molecular de oxigénio, acontece apenas quando existe oxigénio suficiente presente e não é importante em ambientes altamente energéticos com baixas quantidades de oxigénio. O material que parece fumo é na maioria hidrogénio interestelar, mas contém filamentos escuros parecidos com fumo que são na realidade grãos de poeira ricos em carbono. A brilhante estrela AE Aurigae, visível perto do centro da nebulosa, é tão quente que brilha com tons azuis, emitindo luz tão energética que expulsa electrões dos átomos no gás em redor. Quando um átomo recaptura um electrão, emite luz, criando a nebulosa de emissão. Neste retrato cósmico, a Nebulosa da Estrela Flamejante situa-se a cerca de 1500 anos-luz de distância, e é visível através de um pequeno telescópio na direcção da constelação de Cocheiro.
 

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