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Edição n.º 928
25/01 a 28/01/2013
 
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EFEMÉRIDES

Dia 25/01: 25.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1994, lançamento da sonda Clementine.
Em 2004, o rover Opportunity (MER-B) aterra na superfície de Marte.

Em 2006, três campanhas independentes anunciam a descoberta de OGLE-2005-BLG-390LB através de microlentes gravitacionais, o primeiro planeta extrasolar rochoso/gelado em torno de uma estrela de sequência principal.
Observações: Pelas 20:25, Io desaparece por trás de Júpiter. Reaparece afastado do planeta, por trás da sua sombra, pelas 23:45.
Esta noite a Lua brilha quase entre Procyon para baixo e para a direita e Pollux para cima e para a esquerda.
Por volta das 23 horas esta semana, Sirius está o mais alto a Sul. É a estrela mais brilhante do céu nocturno - consegue observar Canopus, a segunda estrela mais brilhante? Uma das mais interessantes coincidências que os astrónomos conhecem, é que Canopus situa-se quase directamente a Sul de Sirius: a 36º. Isto é para Sul o suficiente para nunca aparecer por cima do horizonte à latitude 37º N (a latitude de Faro, Algarve). Canopus transita o meridiano norte-sul do céu apenas 21 minutos antes de Sirius.

Dia 26/01: 26.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1949, é inaugurado o telescópio Hale no Observatório Palomar, sob a direcção de Edwin Hubble, e torna-se no telescópio com maior abertura óptica até ao aparecimento do BTA-6 em 1976.
Em 1962, é lançada a Ranger 3 com o objectivo de estudar a Lua. A sonda falha o satélite por 35.400 km
Em 1978 o satélite "International Ultraviolet Explorer" (IUE) é lançado para uma órbita geosíncrona.

Durante os anos de operação, enviou 104,470 imagens de alta e baixa resoluções de 9600 fontes astronómicas de todas as classes de objectos celestes na banda ultravioleta entre 1150-3350 Å. O satélite foi desligado a 30 de Setembro de 1996.
Observações: Assim que seja escuro o suficiente, aponte o telescópio para Júpiter e conseguirá observar a sombra de Io por cima da atmosfera do planeta. Io reaparece de frente de Júpiter pelas 19:45, e a sombra desaparece antes das 20:55.

Dia 27/01: 27.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1593, começa no Vaticano o julgamento de Giordano Bruno, que durou sete anos.
Em 1967, os astronautas da Apollo 1 - Virgil (Gus) Grissom, Edward H. White II e Roger B. Chaffee - morrem num incêndio na plataforma de lançamento, durante um teste da Apollo 204 (AS-204), que era para ser a primeira missão tripulada à Lua, com lançamento a 21 de Fevereiro de 1967.

Observações: Lua Cheia, pelas 04:38. A Lua está na ténue constelação de Caranguejo, com Procyon a brilhar para a direita ou para cima e para a direita durante a noite, e Pollux e Castor ainda mais para cima.

Dia 28/01: 28.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1611, nascia Johannes Hevelius, que seria o primeiro astrónomo a observar as fases de Mercúrio.

Morreria neste mesmo dia em 1687, quando fazia 76 anos. 
Em 1613, Galileu observa pela primeira vez o planeta Neptuno, confundindo-o com uma estrela 233 anos antes da sua descoberta
Em 1986, o vaivém espacial Challenger explode 73 segundos depois de descolar. A tripulação inteira morre: Francis Scobee, Michael Smith, Judith Resnik, Ellison Onizuka, Ronald McNair, Gregory Jarvis e Sharon Christa McAuliffe.

Observações: A parte mais a norte da eclíptica passa o ponto médio da Via Láctea perto dos pés de Gémeos, do topo da Moca de Orionte e dos chifres de Touro - um lindo e rico campo para passeios binoculares.

 
CURIOSIDADES


A luz demora 1,26 segundos para completar uma viagem da Lua à Terra.

 
BETELGEUSE PREPARA-SE PARA COLISÃO
Imagem de Betelgeuse obtida pelo Herschel. A estrela está rodeada por um envelope de material na sua vizinhança imediata.
Crédito: ESA/Herschel/PACS/L. Decin et al
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Arcos múltiplos são revelados em torno de Betelgeuse, a supergigante vermelha mais próxima da Terra, nesta imagem do observatório espacial Herschel da ESA. A estrela e os seus escudos em forma de arco poderão colidir com uma "muralha" empoeirada daqui a 5000 anos.

Betelgeuse cavalga sobre o ombro da constelação de Orionte, o Caçador. Pode ser facilmente observada a olho nu no céu de Inverno do hemisfério Norte com tons de laranja-vermelho para cima e para a esquerda da famosa cintura de Orionte.

Com cerca de 1000 vezes o diâmetro do nosso Sol e 100.000 vezes mais brilhante, as impressionantes estatísticas de Betelgeuse têm um preço: esta estrela está provavelmente a caminho de uma espectacular explosão de supernova, tendo já inchado numa supergigante vermelha e expelido uma fracção significativa das suas camadas exteriores.

A nova imagem infravermelha do Herschel mostra como os ventos da estrela colidem com o meio interestelar em redor, criando uma onda de choque à medida que a estrela se move pelo espaço a uma velocidade que ronda os 30 km/s.

Uma série de arcos quebrados de poeira em frente da direcção do movimento da estrela são testemunho da história turbulenta da perda de massa.

Mais perto da estrela propriamente dita, um invólucro interior de material mostra uma estrutura assimétrica pronunciada. Grandes células convectivas na atmosfera exterior da estrela provavelmente resultaram em ejecções localizadas de detritos empoeirados em diferentes estágios do seu passado.

Uma estrutura linear intrigante pode também ser vista mais longe da estrela, para lá dos arcos de poeira. Embora algumas teorias anteriores tenham proposto que esta barra era o resultado de material expelido durante uma fase prévia da evolução estelar, a análise da nova imagem sugere que ou é um filamento linear ligado ao campo magnético da Galáxia, ou o limite de uma nuvem interestelar vizinha que está a ser iluminada por Betelgeuse.

Se a barra for um objecto completamente separado, então tendo em conta o movimento de Betelgeuse e dos seus arcos, e a separação entre estes e a barra, o arco mais externo irá colidir com a barra em apenas 5000 anos, com a estrela supergigante embatendo na barra aproximadamente 12.500 anos depois.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
JPL/NASA
PHYSORG
Astronomy Now
Discovery News
redOrbit
UPI.com
Diário de Notícias
AstroPT

Betelgeuse:
Wikipedia

Observatório Espacial Herschel:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
NASA
Caltech
Wikipedia

 
INCENDIANDO A ESCURIDÃO

Uma nova imagem obtida pelo telescópio APEX (Atacama Pathfinder Experiment), mostra uma bela vista de nuvens de poeira cósmica na região de Orionte. Embora estas nuvens densas interestelares pareçam escuras em imagens obtidas no visível, a câmara LABOCA do APEX consegue detectar o calor emitido pelos grãos de poeira e revelar os locais secretos onde novas estrelas se estão a formar. No entanto, uma destas nuvens escuras não é o que parece.

No espaço, nuvens densas de gás e poeira cósmica são os locais onde nascem novas estrelas. Na radiação visível, a poeira aparece-nos escura e obscurante, escondendo as estrelas que estão por trás. Tanto que, quando o astrónomo William Herschel observou uma destas nuvens na constelação do Escorpião em 1774, pensou inicialmente tratar-se de uma região vazia de estrelas e diz-se que terá exclamado," Existe de facto aqui um buraco no céu!"

De modo a compreender melhor a formação estelar, os astrónomos utilizam telescópios que podem observar em maiores comprimentos de onda, tais como no domínio do submilímetro, no qual os grãos de poeira escuros brilham em vez de absorverem radiação. O APEX, no Planalto do Chajnantor, nos Andes chilenos, é o maior telescópio composto por uma única antena parabólica, no hemisfério Sul, a trabalhar no submilímetro, o que o torna ideal para ajudar os astrónomos a estudar o nascimento das estrelas.

Nova imagem obtida pelo APEX no Chile que mostra lindas nuvens de poeira cósmica na região de Orionte.
Crédito: ESO/APEX (MPIfR/ESO/OSO)/T. Stanke et al./Digitized Sky Survey 2
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Situado na constelação de Orionte, a 1500 anos-luz de distância da Terra, o Complexo da Nuvem Molecular de Orionte é a região mais próxima de nós onde se formam estrelas em vastos números, contendo, por isso, um tesouro de nebulosas brilhantes, nuvens escuras e estrelas jovens. A nova imagem mostra apenas parte deste vasto complexo observado no visível, com as observações submilimétricas do APEX sobrepostas em tons de laranja brilhante, que parecem incendiar as nuvens escuras. Muitas vezes, os nodos brilhantes observados pelo APEX correspondem a regiões mais escuras no visível - um sinal claro de uma nuvem densa de poeira que absorve radiação visível, mas que brilha nos comprimentos de onda submilimétricos, sendo possivelmente um local de formação estelar.

A zona brilhante por baixo do centro da imagem é a nebulosa NGC 1999. Esta região - quando vista no visível - é o que os astrónomos chamam de nebulosa de reflexão, onde o brilho azul pálido da radiação estelar de fundo é reflectido pelas nuvens de poeira. A nebulosa é principalmente iluminada pela radiação energética emitida pela jovem estrela V380 Orionis, que se encontra no seu coração. No centro da nebulosa encontra-se uma zona escura, a qual se observa ainda melhor numa bem conhecida imagem do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA.

Normalmente, uma zona escura como esta indicaria uma nuvem densa de poeira cósmica, obscurecendo as estrelas e a nebulosa por trás. No entanto, nesta imagem podemos ver que a região permanece invulgarmente escura, mesmo quando incluímos as observações do APEX. Graças a estas observações APEX, combinadas com observações no infravermelho, obtidas por outros telescópios, os astrónomos pensam que esta zona é de facto um buraco ou cavidade na nebulosa, escavada pelo material que flui da estrela V380 Orionis. Desta vez, existe de facto um buraco no céu!

A região mostrada nesta imagem situa-se a cerca de dois graus a sul da enorme e bem conhecida nebulosa de Orionte (Messier 42), a qual pode ser vista no limite superior da imagem de grande angular, no visível, do Digitized Sky Survey.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
SPACE.com
Universe Today
PHYSORG
science 2.0
redOrbit

Nebulosa de Orionte (M42):
Wikipedia
SEDS

APEX:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Galáxia Espiral NGC 4945
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: SSRO-Sul, J. Harvey, S. Mazlin, D. Verschatse, J. Joaquin Perez, (UNC/CTIO/PROMPT)
 
A grande galáxia espiral NGC 4945 é vista de lado perto do centro deste retrato cósmico. De facto, NGC 4945 é quase do tamanho da nossa Via Láctea. O seu disco de poeira, enxames estelares azuis e jovens, e regiões cor-de-rosa de formação estelar, sobressaem nesta nítida e colorida imagem telescópica. A cerca de 13 milhões de anos-luz na direcção da constelação do hemisfério Sul, Centauro, NGC 4945 está apenas cerca de seis vezes mais longe do que Andrómeda, a grande galáxia espiral mais próxima da Via Láctea. Embora a região central da galáxia esteja em grande parte escondida dos telescópios ópticos, as observações em raios-X e no infravermelho indicam significantes emissões energéticas e formação estelar no núcleo de NGC 4945. O seu núcleo obscurecido mas activo qualifica o belíssimo universo-ilha como uma galáxia Seyfert e provavelmente o lar de um buraco negro supermassivo central.
 

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