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Edição n.º 936
22/02 a 25/02/2013
 
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EFEMÉRIDES

Dia 22/02: 53.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1632 era publicado o "Diálogo sobre os dois grandes sistemas do mundo", de Galileu.
Em 1799 nascia F.W.A. Argelander

Compilador de catálogos estelares, estudou as estrelas variáveis e criou a primeira organização astronómica internacional.
Em 1995, o cosmonauta Valeryiv Polyakov regressa à Terra depois de quebrar o recorde do maior tempo passado na estação espacial Mir: 438 dias.
Em 1995, o asteróide 1995CR passa a 7,2 milhões de quilómetros da Terra.
Em 1996, lançamento da missão STS-76 do vaivém Atlantis. O seu objectivo era acoplar com a Mir, e transferir Shannon Lucid, que se torna na primeira mulher a fazer parte da tripulação de uma estação espacial.
Observações: Assim que seja visível, observe Ganimedes aparecer de frente de Júpiter (19:40). A sua sombra torna-se visível a partir das 22:40.
Esta noite, a Lua está para a esquerda de Procyon, para baixo de Castor e Pollux.

Dia 23/02: 54.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1950, descoberta do asteróide (29075) 1950 DA. Foi observado durante 17 dias e depois diminuiu de brilho até não poder ser visto durante meio século. No fim do ano 2000 (31 de Dezembro), um objecto foi reconhecido como sendo o há muito perdido 1950 DA. Observações do objecto descrevem a rocha como tendo 1,1 km de diâmetro e uma rotação de 2,1 horas, a rocha com o período de rotação mais rápido já encontrada no nosso Sistema Solar.
Em 1987, supernova na Grande Nuvem de Magalhães visível a olho nu, resultado de uma explosão da supergigante azul Sanduleak 69. Conhecida como SN1987A, foi a primeira supernova "próxima" dos últimos três séculos.
SN1987A. Crédito: HST
Em 1999, conjunção de Júpiter com Vénus. As conjunções não são eventos raros. Mas as conjunções planetárias são raramente tão próximas e VénusJúpiter são os objectos astronómicos mais brilhantes do céu, a seguir ao Sol e à Lua (objectos naturais: o terceiro objecto em geral é agora a ISS).
Observações: A partir das 00:25 (de dia 22 para 23), Europa desaparece em frente de Júpiter.
Esta é a altura do ano em que a Ursa Maior apoia-se na ponta da sua "pega" a Nordeste. O topo da constelação - as duas estrelas que apontam para a Estrela Polar - estão exactamente à mesma altura que a Polar por volta das 20 horas (dependendo da zona onde vive).

Dia 24/02: 55.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968 foi descoberto o primeiro pulsar, por Jocelyn Bell Burnell, numa pesquisa em rádio. Hewish e Ryle, co-directores do projecto, receberam o prémio Nobel da Física em 1974 por conjugar as observações com um modelo duma estrela de neutrões em rotação. 
Em 1969 a sonda americana Mariner 6 era lançada. A 31 de Julho de 1969, passou a 3330 km de Marte e enviou de volta 74 imagens.
Em 1979, lançamento da sonda Solwind P78-1.
Em 1996 a sonda POLAR foi lançada para estudar a região dos pólos da Terra, uma região activa do geoespaço.
Em 2011, voo final do vaivém Discovery.

Observações: A partir das 21:15, Europa reaparece por trás de Júpiter, só para cerca de 15 minutos depois passar pela sombra do gigante gasoso.
Pelas 22:25, Io desaparece por trás de Júpiter

Dia 25/02: 56.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Lua Cheia, pelas 20:26.
A partir das 19:35, Io passa em frente de Júpiter. A sua sombra torna-se visível pelas 20:55. O satélite reaparece no outro lado do planeta às 21:45, e a sua sombra desaparece pelas 23:05.

 
CURIOSIDADES


A Astronomia é uma das poucas ciências onde os amadores dão importantes contribuições para o seu avanço.

 
KEPLER DESCOBRE SISTEMA PLANETÁRIO MINÚSCULO

Cientistas da missão Kepler da NASA descobriram um novo sistema planetário que é o lar do planeta mais pequeno já descoberto em redor de uma estrela semelhante ao nosso Sol.

Os planetas estão localizados num sistema chamado Kepler-37, a cerca de 210 anos-luz da Terra na direcção da constelação de Lira. O planeta mais pequeno, Kepler-37b, é um pouco maior que a nossa Lua, medindo cerca de um-terço do tamanho da Terra. É mais pequeno que Mercúrio, o que fez da sua detecção um desafio.

O planeta, com o tamanho de uma lua, e os seus dois companheiros planetários foram descobertos por cientistas da missão Kepler da NASA, que tem o objectivo de descobrir planetas tipo-Terra dentro ou perto da "zona habitável", a região num sistema planetário onde a água líquida pode existir à superfície de um planeta. No entanto, ao passo que a estrela em Kepler-37 é semelhante ao Sol, o sistema parece ser bem diferente do nosso.

Esta imagem compara impressões de artista do sistema Kepler-37 com a Lua e planetas no nosso Sistema Solar. O planeta mais pequeno, Kepler-37b, é ligeiramente mais pequeno que a nossa Lua, medindo cerca de um-terço do tamanho da Terra. Kepler-37c, o segundo planeta, é ligeiramente mais pequeno que Vénus, medindo quase três-quartos do tamanho da Terra. Kepler-37d, o terceiro planeta, tem o dobro da Terra.
Crédito: NASA/AMES/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os astrónomos acham que Kepler-37b não tem atmosfera e não pode suportar vida como a conhecemos. O minúsculo planeta é quase de certeza rochoso em composição. Kepler-37c, o planeta vizinho mais próximo, é ligeiramente mais pequeno que Vénus, medindo quase três-quartos do tamanho da Terra. Kepler-37d, o planeta mais distante, tem o dobro do tamanho da Terra.

Os primeiros exoplanetas descobertos a orbitar uma estrela normal eram gigantes. À medida que a tecnologia avança, têm sido descobertos planetas cada vez mais pequenos, e o Kepler tem mostrado que até planetas extrasolares do tamanho da Terra são comuns.

"Até o Kepler só pode detectar um mundo tão pequeno em torno das estrelas mais brilhantes que observa," afirma Jack Lissauer, cientista planetário do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, no estado americano da Califórnia. "O facto de termos descoberto o pequeno Kepler-37b sugere que planetas tão pequenos são comuns, e que mais maravilhas planetárias estão à espera de serem descobertas enquanto continuamos a recolher e a analisar dados adicionais."

A estrela de Kepler-37 pertence à mesma classe que o nosso Sol, embora seja ligeiramente mais fria e pequena. Todos os três planetas orbitam a estrela a uma distância mais pequena que Mercúrio está do Sol, sugerindo que são mundos muito quentes e inóspitos. Kepler-37b completa uma órbita a cada 13 dias, a menos de um-terço da distância de Mercúrio ao Sol. A temperatura à superfície deste planeta ardente está estimada em cerca de 700 K, quente o suficiente para derreter zinco. Kepler-37c e Kepler-37d completam uma órbita a cada 21 e 40 dias, respectivamente.

"Descobrimos um planeta mais pequeno do que qualquer outro no Sistema Solar, em órbita de uma das poucas estrelas que é tanto brilhante como tranquila, onde foi possível a detecção do sinal," afirma Thomas Barclay, cientista do Kepler que pertence ao Instituto de Pesquisa Ambiental Bay Area em Sonoma, Califórnia, e autor principal do novo estudo publicado na revista Nature. "Esta descoberta mostra que planetas muito próximos da estrela-mãe podem ser mais pequenos, bem como muito maiores, do que planetas que orbitam o nosso Sol."

Impressão de artista do novo planeta Kepler-37b. O planeta é ligeiramente maior que a Lua, medindo cerca de um-terço do tamanho da Terra. Kepler-37b orbita a sua estrela a cada 13 dias, e está a menos de um-terço da distância que Mercúrio está do Sol.
Crédito: NASA/AMES/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa de investigação usou dados do telescópio espacial Kepler da NASA, que simultaneamente e continuamente mede o brilho de mais de 150.000 estrelas a cada 30 minutos. Quando um candidato a planeta transita, ou passa em frente da estrela a partir do ponto de vista do telescópio, uma percentagem da luz estelar é bloqueada. Isto provoca uma queda no brilho da estrela, que revela o tamanho do planeta relativamente à sua estrela.

O tamanho da estrela tem que ser conhecido a fim de medir com precisão o tamanho do planeta. Para saber mais sobre as propriedades da estrela Kepler-37, os cientistas examinaram ondas sonoras geradas pelo movimento de ebulição por baixo da superfície da estrela. Investigaram a estrutura interior da estrela em Kepler-37, tal como os geólogos usam ondas sísmicas geradas por sismos para estudar a estrutura do interior da Terra. Esta ciência é chamada asterosismologia.

As ondas sonoras viajam pela estrela e trazem informação de volta para a superfície. As ondas provocam oscilações que o Kepler consegue observar como uma rápida oscilação no brilho da estrela. Tal como sinos num campanário, as pequenas estrelas tocam em tons altos, enquanto estrelas maiores tocam em tons mais baixos. Estas oscilações de alta-frequência, quase imperceptíveis, no brilho de estrelas pequenas, são as mais difíceis de medir. É por isso que a maioria dos objectos previamente submetidos a análise asterosísmica são maiores que o Sol.

Com a elevada precisão do Kepler, os astrónomos alcançaram um novo marco. A estrela Kepler-37, com um raio de apenas três-quartos do Sol, é agora o sino mais pequeno no campanário da asterosismologia. O raio conhecido da estrela tem um erro de 3%, o que se traduz numa precisão excepcional no que toca ao tamanho do planeta.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
Universidade Estatal do Iowa (comunicado de imprensa)
Sky & Telescope
Universe Today
New Scientist
SPACE.com
Scientific American
PHYSORG
redOrbit
UPI.com
Discovery News
BBC News
Wired
AstroPT
Diário Digital

Kepler-37:
Wikipedia
Nature (formato PDF)

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Mapa das zonas de estudo do Kepler (formato PDF)
Wikipedia

Asterosismologia:
Wikipedia
asteroseismology.org

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Curiosity obtém primeiro amostra de rocha marciana (via NASA)
O rover Curiosity da NASA enviou de volta novas imagens que confirmam que recolheu com sucesso a primeira amostra do interior de uma rocha marciana. Nenhum outro rover tinha até agora perfurado uma rocha para lá da Terra. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Cratera Stickney
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: HiRISEMROLPL (U. Arizona)NASA
 
A Cratera Stickney, a maior cratera da lua marciana Phobos, tem o nome da esposa do astrónomo Asaph Hall, Chloe Angeline Stickney. Asaph Hall descobriu ambas as luas do Planeta Vermelho em 1877. Com mais de 9 km de diâmetro, Stickney tem quase metade do tamanho da própria lua, tão grande que o impacto que criou a cratera provavelmente chegou perto de despedaçar a pequena lua. Esta impressionante imagem a cores da Cratera Stickney e arredores foi capturada com a câmara HiRISE a bordo da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) quando passou a cerca de seis mil quilómetros da lua em Março de 2008. Embora a gravidade à superfície de Phobos seja menos que 1/1000 da gravidade da Terra, estrias sugerem que material solto deslizou para dentro da cratera ao longo do tempo. As regiões azuladas perto do limite da cratera podem indicar uma superfície relativamente recém-exposta. A origem das curiosas ranhuras ao longo da superfície permanece ainda um mistério, mas pode estar relacionada com o impacto de formação da cratera.
 

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