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Edição n.º 950
12/04 a 15/04/2013
 
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26/04/13 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
21:00 - 23:00
Preço: 1€ (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: inscricoes@ccvalg.pt ou 289 890 920/22
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu nocturno com telescópio (dependente da meteorologia favorável)

27/04/13 - DESCOBRINDO O SOL
16:00 - 17:00 (actividade incluída na visita ao Centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro - crianças até 12 anos grátis)
Nesta actividade os participantes poderão observar os fenómenos visíveis na "superfície" do Sol e participar em experiências que ajudam a conhecer melhor o astro-rei. As experiências incluem atividades com fornos e painéis solares.

 
EFEMÉRIDES

Dia 12/04: 102.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1633, começa o inquérito formal de Galileu pela Inquisição.
Em 1817, morre o astrónomo francês Charles Messier.
Em 1849, de Gasparis descobre o asteróide Hygiea.
Em 1961, o cosmonauta Yuri Alekseyevich Gagarin torna-se no primeiro homem no espaço. 

Orbita a Terra apenas uma vez a bordo da nave Vostok 1. O voo dura 1 hora e 48 minutos, num percurso elíptico com um apogeu de 327 km e um perigeu de 180 km.
Em 1981, começa a era do Vaivém espacial. Lançamento da missão STS-1 do vaivém Columbia, adiado desde 10 de Abril. O comandante John Young e o piloto Robert Crippen orbitam a Terra 37 vezes durante dois dias antes de regressarem. Os objectivos principais do voo inaugural eram testar os sistemas principais, completar uma ascensão até órbita com sucesso, e regressar à Terra em segurança.
Observações: À medida que anoitece, procure uma ténue Lua crescente muito para baixo e para a direita de Júpiter, e depois para cima do nosso satélite natural em busca das Plêiades.

Dia 13/04: 103.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1960, os EUA lançam o Transit 1-B, o primeiro satélite de navegação do mundo.
"Houston, we have a problem". Foram estas as palavras que o astronauta Jack Swigert disse ao controlo da missão em Houston no ano de 1970 depois do tanque de oxigénio n.º 2 do módulo de serviço da nave Apollo 13 ter explodido.

Os astronautas Swigert, Jim Lovell e Fred Haise movem-se então para o módulo lunar, que permaneceu sem danos. O voo continuou até e em volta da Lua e até à Terra. Todo o mundo observava com atenção à medida que a equipa terrestre e a tripulação da Apollo 13 ultrapassavam os obstáculos para salvar os astronautas. Estes conseguiram regressar em segurança à Terra.
Em 1974, a Western Union (em cooperação com a NASA e a Hughes Aircraft) lança o primeiro satélite comercial de comunicações geosíncrono, o Westar 1.
Observações: A fina Lua Crescente flutua entre Aldebarã e as Plêiades a Oeste, ao lusco-fusco. Júpiter está para cima.
Por volta das 22:10 aparece a sombra de Europa por cima da atmosfera de Júpiter. Cerca de meia-hora depois, o satélite reaparece no outro lado do planeta.

Dia 14/04: 104.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1629 nascia Christian Huygens, físico holandês e astrónomo, um dos cientistas mais proeminentes do século XVII.

Descobriu o anel e o quarto satélite (Titã) de Saturno (1655), e patenteou o primeiro relógio de pêndulo (1656). Na óptica propôs a teoria ondulatória da luz e descobriu a polarização. A sonda que há alguns atrás aterrou em Titã tem o seu nome.
Em 1958, o satélite soviético Sputnik 2 cai de órbita após uma missão com a duração de 162 dias. 
Em 1981, missão STS-1. O vaivém espacial  Columbia completa o seu primeiro voo de testes. 
Em 1991 era lançado o Observatório de Raios-Gama Compton (GRO).
Em 2000, astrónomos detectam as primeiras provas observacionais dos restos de uma hipernova, explosões cem vezes mais energéticas que as supernovas e uma possível fonte dos poderosos GRB's (explosões de raios-gama), os eventos mais energéticos de todo o Universo conhecido, além do Big-Bang.
Observações: Esta noite a Lua está para a esquerda de Júpiter, separados por pouco mais de 2º.

Dia 15/04: 105.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1793 nascia Friedrich Georg Wilhelm von Struve, astrónomo Báltico-alemão.

Struve é conhecido pelo seu enorme estudo das estrelas duplas, e foi um dos primeiros astrónomos a identificar os efeitos da extinção interestelar.
Observações: Já sabe que se seguir as estrelas-guia da Ursa Maior vai chegar à Polar. Mas se seguir na direcção oposta, a uma distância maior, alcança Leão.

 
CURIOSIDADES


Titã é o único satélite natural conhecido com uma atmosfera densa, e o único objecto, além da Terra, com provas claras da existência de corpos estáveis líquidos à superfície.

 
NUVEM GELADA ANUNCIA O OUTONO NO PÓLO SUL DE TITÃ

Uma nuvem gelada tomando forma no Pólo Sul de Titã é o sinal mais recente de que a mudança das estações despoleta alterações radicais na atmosfera da maior lua de Saturno. De um tipo desconhecido de gelo, este género de nuvem há muito que está situado no Pólo Norte de Titã, onde agora está desvanecendo, de acordo com observações feitas pelo espectrómetro infravermelho (CIRS, ou Composite Infrared Spectrometer) da sonda Cassini da NASA.

"Nós associamos este tipo particular de nuvem gelada com clima de Inverno em Titã, e esta é a primeira vez que a detectamos noutro lado que não no Pólo norte," afirma Donald E. Jennings, autor principal do estudo, co-investigador do CIRS no Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano do Maryland.

A nuvem de gelo do Sul, que aparece na zona infravermelha do espectro de luz, é prova de que um importante padrão de circulação atmosférica global em Titã já inverteu direcção. Quando a Cassini observou o padrão de circulação, o ar quente do hemisfério Sul subia alto na atmosfera e foi transportado para o frio Pólo norte. Aí, o ar arrefeceu e deixou-se cair para as camadas mais baixas da atmosfera, onde formou nuvens geladas. Um padrão semelhante, chamado de Célula de Hadley, transporta ar quente e húmido dos trópicos da Terra para latitudes médias mais frias.

A mudança das estações em Titã cria novos padrões de nuvens no Pólo Sul da lua. Aqui, uma combinação de imagens em vários filtros obtidas com a câmara de ângulo-largo da Cassini mostram um vórtice no Pólo Sul em cores naturais. Uma nuvem gelada mais recente, detectável apenas em comprimentos de onda infravermelhos, também se formou neste pólo.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute/GSFC
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com base nos modelos, os cientistas há muito tempo que antecipam uma inversão desta circulação, assim que o Pólo Norte de Titã começou a aquecer e o seu Pólo Sul começou a arrefecer. A transição oficial de Inverno para Primavera no Pólo Norte de Titã ocorreu em Agosto de 2009. Mas dado que cada das estações da lua dura cerca de 7,5 anos terrestres, os investigadores ainda não sabiam exactamente quando esta inversão poderia acontecer ou quanto tempo levaria.

Os primeiros sinais da inversão apareceram em dados adquiridos no início de 2012, logo após o começo do Outono no Sul de Titã, quando dados da Cassini revelaram a presença de um "capuz nublado" de alta altitude e de um turbilhão polar no Pólo Sul. Ambas estas características há muito que estavam associadas com o frio Pólo Norte. Mais tarde, os cientistas da Cassini informaram que as observações infravermelhas dos ventos de Titã e das temperaturas, feitas com o CIRS, tinham fornecido evidências definitivas de afundamento de ar, em vez de ressurgência, no Pólo Sul. Ao olhar para trás nos dados, a equipa refinou a mudança na circulação até seis meses após o equinócio de 2009.

Apesar desta nova actividade no Pólo Sul, a nuvem gelada do Sul ainda não tinha aparecido. O CIRS só a detectou em Julho de 2012, poucos meses depois da neblina e vórtice terem sido avistados no Sul, de acordo com um estudo publicado na revista Astrophysical Journal Letters em Dezembro de 2012.

"Este atraso faz sentido porque, em primeiro lugar, o novo padrão de circulação tem que transportar enormes quantidades de gás para o Pólo Sul. Depois, o ar tem que afundar. Os gelos têm que condensar. E o Pólo tem de estar sob sombra suficiente para proteger os vapores que condensam para formar estes gelos," afirma Carrie Anderson, membro da equipa do CIRS e cientista da Cassini no Centro Goddard.

À primeira vista, a nuvem gelada do Sul parece estar a formar-se rapidamente. A nuvem gelada do Norte, por outro lado, estava presente quando a Cassini chegou a Saturno e tem vindo a enfraquecer lentamente o tempo todo.

Até ao momento, a identidade do gelo nestas nuvens tem iludido os cientistas, embora já tenham descartado químicos simples, tais como metano, etano e cianeto de hidrogénio, que são tipicamente associados com Titã. Uma possibilidade é a de que a espécie X, termo que os membros da equipa gostam de chamar ao gelo, possa ser uma mistura de compostos orgânicos.

"O que está a acontecer nos pólos de Titã tem uma certa analogia com a Terra e os nossos buracos na camada de ozono," realça F. Michael Flasar, investigador principal do CIRS, também de Goddard. "E na Terra, os gelos nas altas nuvens polares não são apenas 'para enfeitar': desempenham um papel na libertação de cloro que destrói o ozono. Como isto afecta a química de Titã, ainda não se sabe. Por isso é importante aprender o máximo que pudermos sobre este fenómeno, onde quer que o encontremos."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
PHYSORG
SPACE.com

Titã:
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
A CULPA É DA CHUVA (DOS ANÉIS DE SATURNO)
Esta impressão de artista mostra como as partículas carregadas caem dos anéis para a atmosfera saturniana, provocando uma redução no brilho atmosférico.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute/Universidade de Leicester
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Um novo estudo acompanhou a "chuva" de partículas de água carregada na atmosfera de Saturno e descobriu que existem em maior quantidade e que caiem em áreas maiores do planeta do que se pensava anteriormente. O estudo, cujas observações foram financiadas pela NASA e cujas análises foram lideradas pela Universidade de Leicester, na Inglaterra, revela que a chuva influencia a estrutura da composição e temperatura de partes da atmosfera superior de Saturno. O trabalho aparece na edição desta semana da revista Nature.

"Saturno é o primeiro planeta a mostrar uma significativa interacção entre a sua atmosfera e o sistema de anéis," afirma James O'Donoghue, autor principal do artigo e pesquisador pós-graduado em Leicester. "O principal efeito da chuva dos anéis é que age para 'saciar' a ionosfera de Saturno. Por outras palavras, esta chuva reduz severamente a densidade de electrões nas regiões onde cai."

O'Donogue explica que o efeito dos anéis nas densidades dos electrões é importante porque explica o porquê de, por muitas décadas, as observações mostrarem que as densidades são extraordinariamente baixas em certas latitudes de Saturno. O estudo também ajuda os cientistas a melhor compreender a origem e evolução do sistema de anéis de Saturno e as mudanças na atmosfera do planeta.

"Acontece que um dos principais motores do ambiente ionosférico e do clima de Saturno em vastas extensões do planeta são partículas dos anéis localizadas a uma altitude de 60.000 km," afirma Kevin Baines, co-autor do artigo, do JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia. "As partículas dos anéis tanto afectam as espécies de partículas que estão nesta parte da atmosfera, como onde é quente ou frio."

No início da década de 1980, as imagens das sondas Voyager da NASA mostraram 2-3 faixas escuras em Saturno, e os cientistas teorizaram que água podia estar a chover destas bandas para os anéis. Estas bandas não foram vistas novamente até que a equipa científica do estudo observou o planeta em comprimentos de onda perto do infravermelho com o Observatório W. M. Keck em Mauna Kea, Hawaii, em Abril de 2011. O efeito foi difícil de discernir porque envolve a busca de uma emissão subtil de partes brilhantes de Saturno. É necessário um instrumento semelhante ao acoplado no Keck, que pode dividir uma grande variedade de comprimentos de onda.

O efeito de chuva dos anéis ocorre na ionosfera de Saturno, onde as partículas carregadas são produzidas quando a atmosfera de outro modo neutra é exposta a um fluxo de partículas energéticas ou à radiação solar. Quando os cientistas seguiram o padrão de emissões de um ião particular de hidrogénio com três protões (hidrogénio triatómico), esperavam ver um brilho infravermelho uniforme à escala planetária. O que observaram em vez disso foi uma série de faixas claras e escuras - com áreas de emissão reduzida correspondentes a porções densas em água nos anéis de Saturno e a áreas de alta emissão correspondente a falhas nos anéis.

Os cientistas suspeitaram que as partículas de água carregada dos anéis do planeta estavam sendo atraídas para o planeta ao longo de linhas do campo magnético de Saturno e neutralizavam os brilhantes iões de hidrogénio triatómico. Isto deixa grandes "sombras" no que seria de outro modo um brilho infravermelho global. Estas sombras cobrem entre 30 a 43 por cento da atmosfera superior do planeta, desde uma latitude de 25 até 55 graus. Esta é uma área significativamente maior do que a sugerida pelas imagens das missões Voyager da NASA.

Tanto a Terra como Júpiter têm uma região equatorial que brilha muito uniformemente. Os cientistas esperavam este padrão também em Saturno, mas ao invés viram diferenças dramáticas em diferentes latitudes.

"Enquanto Júpiter brilha uniformemente nas suas regiões equatoriais, Saturno tem faixas escuras onde a água chove, escurecendo a ionosfera," afirma Tom Stallard, co-autor do artigo, também da Universidade de Leicester. "Estamos agora também a tentar investigar estas características com um instrumento a bordo da sonda Cassini da NASA. Se formos bem-sucedidos, a Cassini pode permitir-nos ver, com mais detalhes, que a água remove partículas ionizadas, bem como alterações na altitude ou efeitos que surgem consoante a hora do dia saturniano."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
SPACE.com
Space Daily
Universe Today
POPSCI
PHYSORG
New Scientist
Nature World News
redOrbit
BBC News
Discovery News

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Observatório Keck:
Página oficial
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M64: a Galáxia do Olho Negro
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Martin Pugh
 
Esta bonita e brilhante galáxia espiral é Messier 64, muitas vezes chamada de Galáxia do Olho Negro ou Galáxia da Bela Adormecida, devido à sua aparência de pálpebras pesadas em imagens telescópicas. M64 está a cerca de 17 milhões de anos-luz na constelação de Cabeleira de Berenice. Na verdade, "Galáxia do Olho Vermelho" podia também ser um nome apropriado nesta composição colorida de filtros de banda estreita e larga. As enormes nuvens de poeira que obscurecem o lado mais próximo da região central de M64 estão entrelaçadas com o brilho tantalizante e avermelhado do hidrogénio associado com regiões de formação estelar. Mas não são as únicas características peculiares desta galáxia. As observações mostram que M64 é na realidade composta por dois sistemas de estrelas em contra rotação, um nos 3000 anos-luz interiores e outro que se estende até mais ou menos 40.000 anos-luz e que roda na direcção oposta. O olho empoeirado e a rotação bizarra são provavelmente o resultado de uma fusão de duas galáxias diferentes que ocorreu há mil milhões de anos.
 

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