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Edição n.º 962
24/05 a 27/05/2013
 
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31/05/13 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
21:00 - 23:00
Preço: 1€ (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 920/22
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu nocturno com telescópio (dependente da meteorologia favorável)

01/06/13 - DESCOBRINDO O SOL
16:00 - 17:00 (actividade incluída na visita ao Centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro - crianças até 12 anos grátis)
Nesta actividade os participantes poderão observar os fenómenos visíveis na "superfície" do Sol e participar em experiências que ajudam a conhecer melhor o astro-rei.

 
EFEMÉRIDES

Dia 24/05: 144.º dia do calendário gregoriano.
História: Morre em 1543 Nicolau Copérnico, famoso astrónomo, autor do livro "Das revoluções dos Mundos Celestes".

Adiou a publicação da sua teoria por uns 30 anos; a primeira obra completa foi imprimida umas poucas horas antes da sua morte. Foi colocada na sua cama, de modo que pudesse tê-la a seu lado. Mas nessa altura já a sua mente delirava, e não pôde comentar o prefácio anónimo do livro, que dizia aos leitores que o conteúdo do livro poderia não ser verdadeiro, ou até mesmo provável. Nunca se soube com certeza se autorizou aquele prefácio, ou se realmente acreditava no seu sistema ou não.
Em 1962, projecto Mercury: o astronauta americano Scott Carpenter orbita a Terra três vezes na cápsula espacial Aurora 7.
Observações: Júpiter, Vénus e Mercúrio, baixos ao pôr-do-Sol a Oeste-Noroeste, são agora oficialmente um "trio": cabem num círculo com 5º. Isto significa que cabem no campo de visão da maioria dos binóculos. Ficarão próximos uns dos outros até dia 29. Ao lusco-fusco de hoje é quando Vénus e Mercúrio estão mais juntos.

Dia 25/05: 145.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 240 AC, primeira passagem registada do Cometa Halley pelo seu periélio.
Em 1961, o presidente americano John F. Kennedy anuncia perante uma sessão do Congresso o seu objectivo de "colocar um homem na Lua" antes do fim da década. 
Em 1966, lançamento do Explorer 32.
Em 1997, a MIR colide com a nave de abastecimento Progress, o que despressuriza as cabinas e danifica os painéis solares.

No mesmo ano, a sonda Galileu passa pela lua joviana Calisto a uma distância de apenas 415 km!
Em 2012, a nave Dragon torna-se na primeira nave comercial a atracar com a Estação Espacial Internacional.  
Observações: Lua Cheia, pelas 05:25. A Lua está quase no perigeu, por isso aparece um pouco maior que o normal.
O trio Júpiter-Vénus-Mercúrio continua a encolher. Por cima, em contraste, o enorme Arco da Primavera estende-se por grande parte do céu a Oeste à medida que anoitece. A sua parte mais alta é o par Pollux e Castor, aproximadamente na horizontal e separados por 4,3º. Para baixo e para a esquerda de Pollux e Castor está Procyon, e para a direita estão Menkalinen e a brilhante Capella.

Dia 26/05: 146.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, a Apollo 10 regressa à Terra após oito dias, durante os quais foram testados todos os componentes necessários para a primeira aterragem lunar.

Observações: Neptuno na Quadratura Oeste, pelas 11:25.
A melhor altura para observar Vénus por um telescópio é no final da tarde antes do pôr-do-Sol, quando está ainda alto para lá de uma mais calma atmosfera terrestre. Esta semana Mercúrio e Júpiter estão na vizinhança, mas são mais difíceis de avistar em pleno dia. Para os ver, espere pelo lusco-fusco.

Dia 27/05: 147.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, lançamento da missão STS-96 do vaivém Discovery.

Observações: Continuam as deambulações do trio planetário constituído por Mercúrio, Vénus e Júpiter, baixos a Oeste-Noroeste depois do pôr-do-Sol.
Esta é a altura do ano em que Espiga, a estrela mais brilhante de Virgem, brilha a Sul após o anoitecer. Está para baixo e para a direita da estrela Arcturo. O seu nome deriva da espiga de trigo que Virgem segura na sua mão. Para baixo e para a direita da estrela está a constelação de Corvo, olhando com fome para o cereal. Este ano Saturno visita Corvo. Brilha para a esquerda de Espiga e é mais brilhante que a estrela.

 
CURIOSIDADES


A ideia de que existiriam outros sistemas estelares é extremamente antiga. Mesmo geocentristas como Nicolau de Cusa admitiam a possibilidade do Sistema Solar (Sistema dos Mundos, nesse tempo) ser um entre muitos.

 
RARA FUSÃO REVELA SEGREDOS DE EVOLUÇÃO GALÁCTICA

Um encontro raro entre duas galáxias ricas em gás, avistado pelo observatório espacial Herchel da ESA, indica uma solução para um problema pendente: como é que as galáxias grandes se formaram no início do Universo?

A maioria das grandes galáxias enquadram-se numa de duas categorias principais: espirais como a nossa Via Láctea, repletas de gás e activamente formando estrelas, ou elípticas, pobres em gás, habitadas por antigas estrelas vermelhas e que mostram poucos sinais de formação estelar em curso.

Assumiu-se durante muito tempo que as grandes galáxias elípticas vistas no Universo hoje em dia foram construídas gradualmente ao longo do tempo através da aquisição gravitacional de muitas galáxias mais pequenas ou anãs. A teoria considera que o gás nessas galáxias seria gradualmente transformado em estrelas mais frias e de baixa massa, de modo que hoje teriam esgotado todos os seus materiais de formação estelar, deixando-as 'vermelhas e mortas.'

Por isso a descoberta, na última década, de que muitas galáxias elípticas gigantes conseguiram formar-se durante os primeiros 3-4 mil milhões de anos da história da Universo, coloca uma espécie de enigma. De alguma forma, em curtas escalas de tempo cosmológico, essas galáxias haviam reunido rapidamente vastas quantidades de estrelas e, em seguida, 'desligaram-se'.

Uma ideia é que duas galáxias espirais podem colidir e fundir-se para produzir uma grande galáxia elíptica, com a colisão despoletando uma tal intensa formação estelar que rapidamente esgotaria o reservatório de gás. Num novo estudo que usa dados do Herschel, os astrónomos captaram o início deste processo entre duas galáxias massivas, visto quando o Universo tinha apenas 3 mil milhões de anos.

O par de galáxias foi inicialmente identificado nos dados do Herschel como uma única fonte luminosa, com o nome HXMM01. Novas observações mostraram que na verdade eram duas galáxias, cada uma ostentando uma massa estelar igual a cerca de 100 mil milhões de Sóis e uma quantidade equivalente de gás.

Um par de galáxias em fusão no Universo jovem descobertas com o Herschel (painel à esquerda) e capturadas em maior resolução no infravermelho e no rádio (painel à direita).
Crédito: ESA/NASA/JPL-Caltech/UC Irvine/STScI/Keck/NRAO/SAO
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As galáxias estão ligadas por uma ponte de gás, o que indica que se estão a fundir.

"Este monstruoso sistema de galáxias em interacção é a fábrica de estrelas mais eficiente já descoberta no Universo jovem, quando tinha apenas 3 mil milhões de anos," afirma Hai Fu da Universidade da Califórnia, em Irvine, EUA, que liderou o estudo publicado na revista Nature.

"O sistema HXMM01 é invulgar, não só devido à sua elevada massa e intensa formação estelar, mas também porque expõe um passo crucial e intermédio do processo de fusão, fornecendo informações valiosas que irão ajudar-nos a restringir os modelos para a formação e evolução de galáxias," acrescenta o co-autor Asantha Cooray, da mesma universidade.

O início de fusão provocou um frenesim de formação estelar, fabricando estrelas a uma fenomenal taxa equivalente a 2000 estrelas como o Sol por ano. Em comparação, uma galáxia como a Via Láctea hoje em dia só consegue produzir o equivalente a uma estrela tipo-Sol por ano.

Além disso, a eficiência com que o gás é convertido em estrelas é cerca de dez vezes maior do que a observada em galáxias mais normais, que formam estrelas a taxas muito mais lentas.

No entanto, tal taxa de formação estelar não é sustentável, pois o reservatório de gás no sistema HXMM01 esgota-se rapidamente, extinguindo ainda mais a formação de estrelas e levando ao envelhecimento da população de estrelas de baixa massa, frias e vermelhas.

A equipa do Dr. Fu estima que a galáxia vai levar 200 milhões de anos a converter todo o gás em estrelas, e que o processo de fusão esteja concluído em mil milhões de anos. O produto final será uma enorme galáxia elíptica, 'vermelha e morta', com cerca de 400 mil milhões de vezes a massa do Sol.

"Tivemos muita sorte em descobrir este sistema extremo numa fase de transição tão crítica. Isto mostra que a fusão do gás em galáxias activas é um mecanismo possível para a formação da maioria das gigantes elípticas que observamos no Universo jovem," afirma Seb Oliver da Universidade de Sussex, no Reino Unido, e investigador principal do Programa HerMES, o programa que recolheu os dados.

"Esta descoberta destaca a importância das pesquisas completadas com o Herschel. Neste caso, foi revelada a excepcional fonte HXMM01, que pode apontar para uma solução do enigma de como as galáxias muito massivas se formaram e evoluíram quando o Universo era ainda jovem," conclui Göran Pilbratt, cientista do projecto Herschel da ESA.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
SPACE.com
Astronomy
redOrbit
PHYSORG
Universe Today
Discovery News
arstechnica

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

Observatório Espacial Herschel:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
NASA
Caltech
Wikipedia

HerMES:
Página oficial

 
PREVISÕES METEOROLÓGICAS PARA TITÃ: CLIMA SELVAGEM
Ligeia Mare, visto aqui em dados obtidos pela sonda Cassini da NASA, é o segundo maior corpo líquido conhecido na lua de Saturno, Titã.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASI/Cornell
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Se dois novos modelos estiverem correctos, a lua de Saturno, Titã, poderá passar por alguns fenómenos climáticos selvagens à medida que chega a Primavera e o Verão. Os cientistas pensam que à medida que as estações mudam no hemisfério norte de Titã, possam haver ondulações nos mares de hidrocarbonetos da lua, e que também poderão originar furacões nessas áreas. O modelo que prevê ondas tenta explicar dados da lua obtidos até agora pela sonda Cassini da NASA. Ambos os modelos ajudam os membros da equipa a planear quando e onde procurar por perturbações atmosféricas invulgares à medida que o Verão se aproxima de Titã.

"Se acha que é difícil prever o tempo cá na Terra, é ainda mais complicado em Titã," afirma Scott Edgington, cientista do projecto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA. "Sabemos que existem processos meteorológicos semelhantes aos da Terra neste mundo estranho, mas com diferenças devido à presença de líquidos estranhos como o metano. Estamos ansiosos que a Cassini nos diga se as nossas previsões meteorológicas estão correctas, à medida que continua a sua viagem pela Primavera de Titã até ao Verão no hemisfério Norte."

A região polar norte de Titã, adornada por vastos mares e lagos de hidrocarbonetos, estava escura quando a Cassini chegou ao sistema saturniano em 2004. Mas a luz foi subindo no hemisfério norte de Titã desde Agosto de 2009, quando o Sol atravessou o plano equatorial no equinócio. Cada estação em Titã dura cerca de 7 anos terrestres. Em 2017, no final da missão da Cassini, Titã vai estar perto do solstício a norte, no auge do Verão.

Esta imagem mostra o primeiro flash de luz solar reflectida por um lago na lua de Saturno, Titã.
Crédito: NASA/JPL/Universidade do Arizona/DLR
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Desde que a Cassini observou dunas esculpidas por ventos em Titã, que os cientistas querem saber porque é que não viram ainda ondas nos lagos e mares. Uma equipa liderada por Alex Hayes, membro da equipa de radar da Cassini, da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque, começou por determinar quanto vento seria necessário para gerar ondas. O novo modelo, publicado na revista Icarus, aperfeiçoa os anteriores ao ter em conta a gravidade de Titã, a viscosidade e tensão superficial do líquido de hidrocarbonetos nos lagos, e o rácio de densidade entre o ar e o líquido.

"Sabemos agora que as velocidades de vento previstas quando a Cassini observou Titã ficaram abaixo das necessárias para gerar ondas," afirma Hayes. "O que é interessante, porém, é que os ventos previstos durante a Primavera e Verão no hemisfério norte aproximam-se das velocidades necessárias para gerar ondas em etano e/ou metano líquido. Poderá ser possível em breve avistar ondas num dos locais mais exóticos do Sistema Solar."

O novo modelo descobriu que são necessárias velocidades entre 2 e 3 km/h para gerar ondas nos lagos de Titã, uma velocidade que ainda não foi alcançada durante o período calmo de Titã. Mas à medida que a Primavera e o Verão se aproximam no hemisfério norte de Titã, outros modelos mostram que os ventos podem atingir 3 km/h ou mais. Dependendo da composição dos lagos, ventos daquela velocidade podem ser suficientes para produzir ondas com 0,15 metros de altura.

O segundo modelo, recentemente publicado na Icarus, prevê que o aquecimento no hemisfério norte pode também originar furacões, também conhecidos como ciclones tropicais. Os ciclones tropicais na Terra ganham a sua energia a partir da acumulação de calor da evaporação da água do mar e versões em miniatura já foram observadas em grandes lagos cá na Terra. O novo trabalho, liderado por Tetsuya Tokano da Universidade de Colónia, Alemanha, mostra que os mesmos processos podem existir também em Titã, só que em vez de água, é metano que evapora dos mares. A estação mais provável para a ocorrência destes furacões será durante o solstício de verão no norte de Titã, quando a superfície do mar fica mais quente e o fluxo de ar perto da superfície torna-se mais turbulento. O ar húmido formaria redemoinhos que rodam num sentido anti-horário por cima da superfície dos mares mais a norte e aumentaria a velocidade do vento acima dos mares até possivelmente 70 km/h.

"Para estes furacões se desenvolverem em Titã, é necessário haver uma combinação certa de hidrocarbonetos nestes mares, e nós ainda não sabemos a sua composição exacta," afirma Tokano. "Se observarmos furacões, isso seria um bom indicador de que há metano suficiente nestes lagos para suportar este género de fenómeno. Até agora, os cientistas ainda não foram capazes de detectar metano directamente."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Icarus - artigo sobre as ondas (requer subscrição)
Artigo científico (formato PDF)
Icarus - artigo sobre ciclones tropicais (requer subscrição)
Universe Today
PHYSORG

Titã:
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Messier 109
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Bob Franke
 
A bela galáxia espiral barrada M109, a 109ª entrada no famoso catálogo de nebulosas brilhantes e enxames estelares de Charles Messier, encontra-se logo abaixo da "frigideira" da Ursa Maior. Em vistas telescópicas, a sua barra central dá à galáxia a aparência da letra grega "theta", θ, um símbolo matemático que representa um ângulo. Claro, M109 tem um diâmetro angular muito pequeno no céu da Terra, cerca de 7 minutos de arco ou 0,12 graus. Mas esse pequeno ângulo corresponde a um enorme diâmetro de 120.000 anos-luz à distância estimada da galáxia, 60 milhões de anos-luz. O membro mais brilhante do aglomerado galáctico de Ursa Maior, M109 (também conhecida como NGC 3992) é acompanhada por três estrelas no fundo da frente desta imagem. As três pequenas galáxias azuladas também na imagem, identificadas da esquerda para a direita como UGC 6969, UGC 6940 e UGC 6923, são possivelmente galáxias-satélite da maior M109.
 

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