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Edição n.º 967
11/06 a 13/06/2013
 
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28/06/13 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
21:00 - 23:00
Preço: 1€ (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: info@ccvalg.pt ou 289 890 920/22
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu nocturno com telescópio (dependente da meteorologia favorável)

29/06/13 - DESCOBRINDO O SOL
16:00 - 17:00 (actividade incluída na visita ao Centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro - crianças até 12 anos grátis)
Nesta actividade os participantes poderão observar os fenómenos visíveis na "superfície" do Sol e participar em experiências que ajudam a conhecer melhor o astro-rei.

 
EFEMÉRIDES

Dia 11/06: 162.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1723 nascia Johann Georg Palitzsch, astrónomo alemão que observaria em 1758 o regresso do cometa Halley, tal como previsto por Edmond Halley em 1705.

Em 2004, a sonda Cassini-Huygens faz a sua maior aproximação a Febe.
Observações: A fina Lua Crescente após o pôr-do-Sol, a Oeste, forma um grande arco com Castor, Pollux e Procyon mais abaixo. Vénus e Mercúrio não estão longe do centro do arco.

Dia 12/06: 163.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967 era lançada a Venera 4 que seria a primeira sonda a enviar dados da atmosfera de outro planeta (Vénus) para a Terra. 

Em 2004, um meteorito condrito de 1,3 kg atinge uma casa em Ellserslie, Nova Zelândia, provocando grandes danos mas nenhuns ferimentos.
Observações: Maior elongação Este de Mercúrio, pelas 18:00. Para os observadores do Hemisfério Norte, hoje será o melhor dia do ano para observar Mercúrio. O planeta mais próximo do Sol está para cima e para a esquerda de Vénus no céu da Terra, baixos a Oeste-Noroeste.

Dia 13/06: 164.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1983 a sonda Pioneer 10 torna-se o primeiro artefacto humano a abandonar o sistema planetário solar, quando passa para lá da órbita de Neptuno (o planeta mais longínquo do Sol na altura).

Em 2010, a cápsula da sonda Hayabusa, contendo partículas do asteróide 25143 Itokawa, regressa à Terra.
Observações: Olhe para cima da Lua após o anoitecer e aviste Régulo e a "foice" de Leão.

 
CURIOSIDADES


Todos os anos 40.000 toneladas de matéria do espaço é acrescentada à massa do planeta Terra. Esta matéria vem do espaço sobre a forma de asteróides, meteoróides, poeira interplanetária e detritos cometários.

 
OPPORTUNITY ENCONTRA NOVAS EVIDÊNCIAS DE QUE MARTE JÁ FOI HABITÁVEL

O rover Opportunity da NASA fez talvez a maior descoberta dos seus quase 10 anos de carreira, ao encontrar evidências de que a vida pode ter tido condições para existir no Planeta Vermelho há muito tempo atrás. O rover Opportunity avistou minerais argilosos numa antiga rocha na orla da Cratera Endeavour em Marte, sugerindo que água com pH neutro já percorreu a área.

"Podia-se beber esta água," afirma Steve Squyres, investigador principal do Opportunity, da Universidade Cornell, numa conferência de imprensa de passado dia 7 de Junho, onde explica porque a rocha, com o nome de "Esperance", destaca-se de outras já estudadas que estiveram em contacto com líquido. "Esta água foi provavelmente muito mais favorável na sua composição química, no seu pH, no seu nível de acidez, para coisas como a química prebiótica - o tipo de química que pode levar à origem da vida," acrescenta Squyres.

A rocha pálida no centro superior desta imagem, com aproximadamente o tamanho de um antebraço humano, inclui um alvo com o nome de "Esperance", que foi estudado pelo rover Opportunity.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Cornell/Universidade Estatal do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O rover Opportunity e o seu gémeo Spirit, com o tamanho de carrinhos de golfe, aterraram no Planeta Vermelho em Janeiro de 2004 em missões de três meses para procurar sinais de actividade de água no passado. Os exploradores robóticos encontraram muitas evidências (no entanto, grande parte indicando água extremamente ácida) e continuaram a trabalhar. O Spirit cessou as comunicações com a Terra em 2010 e foi declarado morto um ano depois, mas o Opportunity ainda funciona. Em Agosto de 2011, o robot de seis rodas chegou à orla da Cratera Endeavour com 22 km de diâmetro, que vem investigando desde então.

O Opportunity já tinha visto sinais de argilas nas rochas da cratera Endeavour, mas em nenhuma outra com as concentrações observadas na rocha Esperance. No geral, a Esperance fornece fortes evidências de que Marte já foi habitável. "As condições fundamentais que acreditamos serem necessárias para a vida foram encontradas aqui," afirma Squyres. A água com pH neutro que gerou as argilas provavelmente correu pela região durante os primeiros mil milhões de anos da história marciana, acrescentou, sublinhando que é quase impossível definir as idades absolutas das rochas do Planeta Vermelho sem as trazer para a Terra.

A descoberta mais recente do Opportunity encaixa bem com outra feita recentemente no outro lado do planeta pelo seu primo maior e mais jovem, o rover Curiosity, que descobriu fortes evidências que o seu local de aterragem já poderá ter tido condições para suportar vida microbiana no passado. Tais observações podem ajudar os cientistas a mapear a transição de Marte desde um mundo relativamente quente e húmido há muito tempo atrás, para o planeta frio e seco que conhecemos hoje. "Todos os detalhes precisam ser trabalhados, mas quanto mais estudamos, mais encaixam neste tipo de contexto amplo," afirma Ray Arvidson, vice-investigador principal do Opportunity, da Universidade de Washington, em St. Louis, EUA.

O Opportunity passou os últimos 20 meses num local chamado Cape York, mas começou agora a viagem até Solander Point, que sobe 55 metros acima das planícies marcianas. A equipa da missão está intrigada com as muitas camadas de material geológico que o Opportunity pode investigar em Solander Point. A área também tem uma inclinação norte, o que permitirá ao Opportunity apontar os seus painéis solares na direcção do Sol durante o próximo inverno marciano no hemisfério sul do planeta. O solstício de Inverno terá lugar em Fevereiro de 2014, mas a equipa que gere o Opportunity quer que o veículo alcance Solander no início de Agosto, para que possa investigar a região e ajude a planear uma campanha científica de inverno.

O rover Opportunity da NASA usou a sua câmara panorâmica para obter esta vista de "Solander Point" durante o 3325.º dia marciano ou sol da missão (1 de Junho de 2013).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade de Cornell/Universidade Estatal do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Não há nenhuma razão para pensar que o Opportunity não vai conseguir percorrer os 2,2 km até Solander, ou que não vai sobreviver ao seu sexto inverno marciano - a sonda permanece de boa saúde apesar da sua idade avançada. Ainda assim, a equipa do Opportunity não toma nada como garantido. "O rover pode ter uma falha catastrófica a qualquer momento," afirma John Callas, gestor do projecto Opportunity, no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia. "Por isso, cada dia é uma dádiva."

O Opportunity está prestes a quebrar o recorde internacional para a maior distância já percorrida noutro mundo durante a sua viagem até Solander Point. Esta marca é actualmente detida pelo rover soviético Lunokhod 2, controlado remotamente, que viajou 37 km na Lua em 1973. No entanto, os cientistas do Opportunity realçaram que a quilometragem total do Lunokhod 2 é apenas uma estimativa, por isso é difícil saber qual o registo específico. Eles planeiam adiar qualquer anúncio até que alguém possa calcular a distância exacta percorrida pelo Lunokhod 2, possivelmente usando medições com a ajuda de sondas lunares em órbita. O odómetro do Opportunity lê actualmente 36,61 km.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
NASA - 2 (comunicado de imprensa)
SPACE.com
redOrbit
PHYSORG
BBC News
Reuters
UPI.com
RT
AstroPT

Rovers Spirit e Opportunity:
NASA
Wikipedia

Rover Curiosity:
NASA
NASA - 2 
NASA - 3
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
ALMA DESCOBRE UMA FÁBRICA DE COMETAS
Esta impressão de artista mostra a "armadilha de poeira" no sistema Oph-IRS 48. Esta armadilha de poeira dá às minúsculas rochas do disco um porto seguro onde se podem aglutinar e crescer até atingir o tamanho necessário para poderem sobreviver por si mesmas.
Crédito: ESO/L. Calçada
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com o auxílio do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), os astrónomos obtiveram uma imagem de uma região em torno de uma estrela jovem onde partículas de poeira podem crescer juntando-se umas às outras. Esta é a primeira vez que uma tal armadilha de poeira é claramente observada e modelada, resolvendo assim um mistério de longa data relativo ao modo como as partículas de poeira nos discos crescem até atingirem tamanhos suficientemente grandes, que as levam eventualmente a formarem cometas, planetas e outros corpos rochosos. Os resultados foram publicados a 7 de junho de 2013 na revista Science.

Os astrónomos sabem hoje em dia que existem inúmeros planetas em torno de outras estrelas, mas ainda não compreendem bem como é que estes corpos se formam, existindo igualmente muitos aspectos na formação de cometas, planetas e outros corpos rochosos que permanecem um mistério. Agora, novas observações que utilizam o potencial do ALMA, começam a responder a uma das maiores perguntas: como é que pequeníssimos grãos de poeira situados no disco em torno de uma estrela jovem crescem mais e mais, até atingirem o tamanho de cascalho ou mesmo pedregulhos com mais de um metro?

Os modelos de computador sugerem que os grãos de poeira crescem quando colidem uns com os outros, aglutinando-se. No entanto, quando estes grãos maiores chocam de novo a alta velocidade, ficam muitas vezes desfeitos em bocados, voltando à casa de partida. Mesmo quando isso não acontece, os modelos mostram que os grãos maiores rapidamente se deslocam para o interior devido à fricção entre a poeira e o gás, caindo assim na estrela progenitora, o que não lhes deixa nenhuma hipótese de crescer mais.

Imagem obtida pelo ALMA que mostra a armadilha de poeira situada no disco que orbita Oph-IRS 48.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/Nienke van der Marel
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Assim, os grãos de poeira precisam de um porto seguro onde as partículas possam continuar a crescer até atingirem um tamanho que lhes permita sobreviver por si mesmas. Tais "armadilhas de poeira" foram já sugeridas, mas até agora não havia prova observacional da sua existência.

Nienke van der Marel, estudante de doutoramento no Observatório de Leiden, Holanda, e autora principal do artigo científico que descreve os resultados, estava a usar o ALMA em conjunto com os seus colaboradores para estudar o disco num sistema chamado Oph-IRS 48, a cerca de 400 anos-luz da Terra. A equipa descobriu que a estrela se encontrava rodeada por um anel de gás com um buraco central, criado muito provavelmente por um planeta invisível ou por uma estrela companheira. Observações anteriores obtidas com o VLT (Very Large Telescope) do ESO tinham já mostrado que as pequenas partículas de poeira formavam também uma estrutura similar em forma de anel. Mas a nova imagem ALMA, mostrando o local onde as partículas maiores, com tamanhos da ordem do milímetro, se encontravam era muito diferente!

"Ao princípio, a forma da poeira na imagem apanhou-nos completamente desprevenidos," diz van der Marel. "Em vez do anel que esperávamos ver, encontrámos uma forma muito clara em caju! Tivemos que nos convencer que o que estávamos a ver era bem real, mas o sinal forte e a nitidez das observações ALMA não deixavam margem para dúvidas. Foi aí que nos demos conta do que tínhamos descoberto."

O que tinha sido descoberto era uma região onde os grãos de poeira maiores se encontravam presos e podiam crescer muito mais ao colidir e aglutinar-se uns com os outros. Era uma armadilha de poeira - exactamente o que os teóricos procuravam.

Imagem obtida pelo ALMA (verde) que mostra a armadilha de poeira. O anel laranja mostra as observações de partículas muito mais pequenas, obtidas com o VLT.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/Nienke van der Marel
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Como van der Marel explica: "Provavelmente estamos a ver um género de fábrica de cometas, já que as condições são propícias ao crescimento das partículas, desde o milímetro até ao tamanho de cometas. Não é provável que a poeira dê origem a planetas a esta distância da estrela. Mas num futuro muito próximo, o ALMA será capaz de observar estas armadilhas de poeira muito mais próximas das estrelas progenitoras, onde os mesmos fenómenos estão a ocorrer. Tais locais seriam efectivamente os berços de planetas recém-nascidos."

Uma armadilha de poeira forma-se quando partículas de poeira grandes se movem em direção a regiões de alta pressão. Os modelos de computador mostram que tais regiões de alta pressão podem ter origem nos movimentos do gás situado na periferia de um buraco de gás - tal como o encontrado neste disco.

"A combinação de modelos com observações do ALMA de alta qualidade tornam este projecto único," diz Cornellis Dullemond do Instituto de Astrofísica Teórica em Heidelberg, Alemanha, um especialista em modelizações de discos e evolução de poeira, e membro da equipa. "Na altura em que estas observações estavam a ser feitas, estávamos nós precisamente a trabalhar em modelos que previam exactamente este tipo de estruturas: uma coincidência muito feliz."

As observações foram feitas quando o ALMA ainda se encontrava em construção. A equipa usou os receptores da Banda 9 do ALMA - aparelhos feitos na Europa que permitem ao ALMA obter imagens extremamente nítidas.

"Estas observações mostram que o ALMA é capaz de nos dar ciência verdadeiramente original, e isto quando ainda operava com menos de metade da rede completa," diz Ewine van Dishoeck do Observatório de Leiden, uma pessoa que tem contribuído de forma decisiva no projecto ALMA ao longo de mais de 20 anos. "Este incrível salto tanto em sensibilidade como em nitidez de imagem na Banda 9, dá-nos a oportunidade de estudar os aspectos básicos da formação planetária de maneiras que anteriormente não eram simplesmente possíveis."

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Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
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New Scientist
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Science Daily
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