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Edição n.º 976
12/07 a 15/07/2013
 
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EFEMÉRIDES

Dia 12/07: 193.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1988 era lançada a sonda soviética Phobos 2.

Após o envio de dados da sonda, esta perdeu-se em Janeiro de 1989.
Em 1999, maior aproximação do cometa Tempel 2 pela Terra (0,654 UA).
Observações: A Lua Crescente, a ténue Régulo e o brilhante Vénus formam uma linha curva baixa a Oeste ao lusco-fusco.

Dia 13/07: 194.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Esta é a altura do ano em que Escorpião estão o mais alto a Sul após o anoitecer - especialmente a parte que contém a Via Láctea, rica em brilhantes objectos de céu profundo. A secção mais alta de Escorpião, à direita, inclui Antares e, ainda mais para a direita, Delta Scorpii (ou Dschubba), uma estrela que há 13 anos duplicou de brilho e ainda compete com Antares por atenção.

Dia 14/07: 195.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965 era realizado o primeiro voo rasante de Marte, pela sonda Mariner 4.
Em 2000, o Observatório Chandra observa raios-X do oxigénio e azoto do Cometa C/1999 S4.

Isto mostra que os raios-X emitidos de cometas são produzidos por colisões de iões que se movimentam na direcção oposta à do Sol (vento solar), em conjunto com o gás do cometa.
Em 2000, uma poderosa proeminência solar, mais tarde denominada evento Dia da Bastilha, provoca uma tempestade geomagnética na Terra.
Observações: Com o Verão já a um terço do caminho, a Ursa Maior desce a Noroeste após o anoitecer, como que a ir "buscar água" ao horizonte para a transbordar nas noites da Primavera.

Dia 15/07: 196.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1943 nascia Jocelyn Bell, astrofísica britânica que descobriu os primeiros pulsares de rádio.
Em 1975 eram lançadas as missões Apollo 18 e Soyuz 19 que viriam a efectuar o primeiro acoplamento internacional (Apollo/Soyuz) no Espaço.

Observações: A Lua, quase em Quarto Crescente, encontra-se a pouco mais de 4º para a direita de Espiga. Ainda mais para a esquerda, seguindo a linha constituída pelos astros anteriores, alcançamos Saturno.

 
CURIOSIDADES


Conhecem-se 415 satélites naturais no Sistema Solar: 172 orbitam planetas, os restantes 243 são de planetas menores.

 
NOVOS ACHADOS DO IBEX: SISTEMA SOLAR TEM UMA CAUDA PARECIDA COM UM TREVO DE QUATRO FOLHAS

É assumido desde há muito tempo que o nosso Sistema Solar, tal como um cometa, tem uma cauda. Assim como qualquer objecto que se move através de um outro meio, - por exemplo, um meteoro que viaja através da atmosfera da Terra – este faz com que as partículas formem uma corrente que segue atrás. Mas a cauda da nossa bolha solar, chamada heliosfera, nunca tinha sido realmente observada, até agora.

O IBEX (Interstellar Boundary Explorer) da NASA, traçou os limites da cauda da heliosfera, algo que nunca tinha sido possível. Os cientistas descrevem em grande detalhe esta cauda, chamada heliocauda, num artigo publicado no passado dia 10 de Julho, na revista The Astrophysical Journal. Ao combinar observações dos primeiros três anos de imagens do IBEX, a equipa mapeou uma cauda que mostra uma combinação de partículas em movimento rápido e lento. Existem dois lóbulos de partículas lentas em ambos os lados, partículas mais rápidas acima e abaixo, estando toda a estrutura torcida, uma vez que sofre o empurrar e o puxar dos campos magnéticos exteriores ao Sistema Solar.

Observações do IBEX, onde o vermelho e o amarelo indicam partículas menors energéticas e o verde e o azul partículas mais energéticas. A porção central (círculo) observa a cauda e mostra dois "lóbulos" menos energéticos a bombordo e a estibordo, e regiões mais energéticas a latitudes mais a Norte e mais a Sul.
Crédito: McComas et al., Astrophysical Journal, 2013
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Ao examinar os átomos neutros, o IBEX fez as primeiras observações da heliocauda", afirma David McComas, autor principal do artigo e investigador principal para o IBEX no Instituto de Pesquisa do Sudoeste em San Antonio, no estado americano do Texas. "Muitos modelos sugeriram que a heliocauda podia ser desta ou daquela maneira, mas não tínhamos observações para o comprovar. Sempre tivemos que desenhar imagens onde a cauda da heliosfera simplesmente desaparece da página, pois nem podíamos especular como era realmente."

Embora os telescópios já tivessem avistado estas caudas em torno de outras estrelas, tem sido difícil determinar se a nossa também tinha uma. A Pioneer 10 viajava nessa direcção depois de passar Neptuno em 1983. No entanto, perdeu poder em 2003, antes de chegar à cauda, por isso não temos dados de sondas directamente na cauda. Vê-la de longe é difícil, porque as partículas na cauda, e por toda a heliosfera, não brilham, por isso não podem ser vistas convencionalmente.

O IBEX, por outro lado, pode mapear estas regiões ao medir partículas neutras criadas por colisões nos limites da heliosfera. Esta técnica baseia-se no facto de que os percursos das partículas neutras não são afectadas pelos campos magnéticos da heliosfera. As partículas viajam numa linha recta desde a colisão até ao IBEX. Consequentemente, a observação do local de origem das partículas neutras descreve o que se passa nestas regiões distantes.

"Usando átomos neutros, o IBEX consegue observar estruturas muito distantes, até mesmo de órbita terrestre," afirma Eric Christian, cientista da missão IBEX no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland. "E o IBEX varre todo o céu, por isso forneceu-nos os primeiros dados acerca da forma da cauda da heliosfera, uma parte importante da compreensão do nosso lugar e movimento através da Galáxia."

A viagem destes átomos neutros começa anos antes de atingirem os instrumentos do IBEX. O vento solar que sopra para longe da nossa estrela move-se em todas as direcções, para lá dos planetas mais longínquos, eventualmente abrandando e dobrando-se para trás ao longo da cauda, em resposta à pressão do material interestelar influxo. As partículas juntam-se a uma migração em massa de partículas que se movem para trás desde a fronteira da heliosfera - uma fina camada chamada heliopausa.

Diagrama esquemático da heliocauda à medida que o campo magnético interestelar que rodeia a nossa heliosfera aperta e roda a estrutura caudal.
Crédito: McComas et al., Astrophysical Journal, 2013
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Enquanto isto acontece, um fluxo constante de átomos neutros mais lentos, originários de outras partes da Galáxia, viajam pelo Sistema Solar. Quando um destes átomos neutros colide com uma das partículas carregadas mais rápidas, podem trocar um electrão. O resultado pode ser uma partícula carregada mais lenta e um átomo neutro mais rápido. O neutro já não está ligado aos campos magnéticos, e ao invés acelera em linha recta e na direcção em que estava apontado nesse momento. Alguns destes viajam durante anos até serem detectados pelo IBEX.

"Ao recolher estes átomos neutros energéticos, o IBEX fornece mapas das partículas carregadas originais," afirma McComas. "As estruturas na heliocauda são invisíveis aos nossos olhos, mas podemos usar este truque para 'fotografar' remotamente as regiões ultraperiféricas da nossa heliosfera."

Os primeiros resultados do IBEX sobre a heliocauda sugeriam originalmente que podia haver uma pequena região de vento solar lento na direcção da heliocauda, mas assim que os cientistas recolheram dados suficientes, aperceberam-se que tinham visto apenas parte da imagem. Com base no mapa da heliocauda agora fornecido, alguém olhando directamente para a cauda vê uma forma parecida com um trevo de quatro folhas. As duas folhas laterais estão repletas de partículas de movimento lento, e as folhas em cima e em baixo com partículas rápidas. Esta forma faz sentido, dado o facto que o Sol nos últimos anos tem enviado os seus ventos velozes perto dos pólos, e ventos mais lentos perto do seu equador - um padrão comum na fase mais recente do seu ciclo de 11 anos de actividade.

No entanto, o trevo de quatro folhas não alinha perfeitamente com o Sol. A forma no geral está ligeiramente inclinada, indicando que à medida que se afasta do Sol e da sua influência magnética, as partículas carregadas começam a ser empurradas para uma nova orientação, alinhando-se com os campos magnéticos da Galáxia local. Os cientistas ainda não sabem o tamanho da cauda.

"A cauda é a nossa pegada na Galáxia, e é excitante que estamos agora começando a compreender a sua estrutura," realça Christian. "O próximo passo é incorporar estas observações nos nossos modelos e começar o processo de realmente entender a nossa heliosfera."

Os cientistas podem testar as suas simulações de computador da heliosfera contra novas observações e melhorar os seus modelos, conforme necessário. Em conjunto, os dados dos instrumentos no espaço e análises em laboratório cá na Terra vão continuar a melhorar a nossa compreensão da cauda tipo-cometa que nos acompanha mais atrás.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (requer subscrição)
Vídeo no YouTube
Universe Today
SPACE.com
ScienceDaily
redOrbit
PHYSORG
ScienceNews
NewScientist
The Verge

Sistema Solar:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
ECOGRAFIA OBTIDA PELO ALMA REVELA EMBRIÃO DE UMA ESTRELA MONSTRUOSA

Novas observações obtidas pelo ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) deram aos astrónomos a melhor vista de sempre de uma estrela gigantesca a formar-se no seio de uma nuvem escura. Descobriu-se um útero estelar com cerca de 500 vezes a massa do Sol - o maior alguma vez descoberto na Via Láctea - que ainda está a crescer. A estrela embrionária no seio da nuvem alimenta-se vorazmente do material que cai para o interior. Pensa-se que esta nuvem irá dar origem a uma estrela muito brilhante com uma massa que poderá atingir as 100 massas solares.

As estrelas mais brilhantes e de maior massa da nossa Galáxia formam-se no interior de nuvens escuras e frias, no entanto este processo mantém-se envolto tanto em poeira como em mistério. Uma equipa internacional de astrónomos utilizou o ALMA para fazer uma ecografia em microondas de modo a ter uma ideia mais clara sobre a formação duma destas estrelas gigantescas, localizada a cerca de 11.000 anos-luz de distância, numa nuvem conhecida como SDC (Spitzer Dark Cloud) 335.579-0.292.

O ALMA observa o nascimento de uma estrela monstruosa.
Crédito: ALMA (ESO/NRAJ/NRAO)/NASA/Spitzer/JPL-Caltech/GLIMPSE
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Existem duas teorias para a formação de estrelas de massa muito elevada. Uma sugere que a nuvem escura progenitora fragmenta-se, criando vários núcleos pequenos que colapsam por si próprios, formando eventualmente estrelas. A outra é mais dramática: uma nuvem inteira começa a colapsar, com o material a deslocar-se rapidamente para o centro da nuvem, criando nessa região uma ou mais estrelas de massa muito elevada. A equipa liderada por Nicolas Peretto do CEA/AIM Paris/Saclay, França e Universidade de Cardiff, Reino Unido, compreendeu que o ALMA era a ferramenta perfeita para descobrir o que se está realmente a passar no interior destas nuvens.

Com o auxílio do Telescópio Espacial Spitzer da NASA e do Observatório Espacial Herschel da ESA, SDC 335.579-0.292 revelou-se inicialmente como sendo um ambiente dramático de filamentos de gás escuros e densos. Agora a equipa usou a sensibilidade única do ALMA para observar em detalhe, tanto a quantidade de poeira como o movimento do gás a deslocar-se no interior da nuvem escura, e descobriu um verdadeiro monstro.

"As observações ALMA permitiram-nos ver pela primeira vez com todo o pormenor o que se passa no interior desta nuvem," diz Peretto. "Queríamos ver como é que estrelas monstruosas se formam e crescem, e conseguimos! Uma das fontes que encontrámos é uma verdadeira gigante - o maior núcleo protoestelar alguma vez encontrado na Via Láctea."

Este núcleo - o útero da estrela embrionária - tem mais de 500 vezes a massa do nosso Sol serpenteando no seu interior. E as observações ALMA mostram que muito mais matéria está ainda a ser acretada, aumentando esta massa ainda mais. Todo este material eventualmente colapsará para formar uma estrela jovem que poderá atingir as 100 massas solares - um monstro muito raro.

"Embora soubéssemos já que esta região era uma boa candidata a uma nuvem a formar estrelas de grande massa, não esperávamos encontrar uma estrela embrionária tão grande no seu centro," diz Peretto. "Pensa-se que este objecto formará uma estrela que pode atingir as 100 massas solares. De todas as estrelas da Via Láctea, apenas uma em cada dez mil atinge este tipo de massa!"

"Estas estrelas não são apenas raras, mas o seu nascimento é também extremamente rápido e a sua infância é muito curta. É por isso que encontrar um objecto com tanta massa numa fase tão inicial da sua evolução é, de facto, um resultado espectacular," acrescenta o membro da equipa Gary Fuller da Universidade de Manchester, Reino Unido.

Outro membro da equipa, Ana Duarte Cabral do Laboratoire d´Astrophysique de Bordeaux, França, realça que "as observações do ALMA revelam os detalhes espectaculares dos movimentos da rede de filamentos de gás e poeira e mostram que uma enorme quantidade de gás se está a deslocar para a região central compacta". Este facto apoia fortemente a teoria do colapso global para a formação de estrelas de grande massa, em vez da fragmentação.

Estas observações foram obtidas durante a fase de Ciência Preliminar do ALMA, quando se usava apenas um-quarto da rede total de antenas. "Conseguimos estas observações muito pormenorizadas utilizando apenas uma fracção do poder do ALMA," conclui Peretto. "O ALMA irá claramente revolucionar o nosso conhecimento da formação estelar, resolvendo alguns dos problemas actuais e levantando certamente novas questões."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Astronomy
SPACE.com
Nature World News
PHYSORG
Universe Today
The Space Reporter
redOrbit

Formação estelar:
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Manchas Solares Atravessando o Sol
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Damian Peach
 
Uma das maiores regiões de manchas solares dos últimos anos está agora cruzando o Sol. Esta região de complexos campos magnéticos pode muito bem produzir uma explosão solar que liberta uma nuvem de partículas energéticas para o Sistema Solar. Caso tal nuvem poderosa colidisse com a magnetosfera da Terra, isso seria perigoso para os astronautas em órbita terrestre e para os satélites. Por outro lado, até o impacto de uma nuvem menos energética pode criar uma pitoresca aurora. Na imagem acima está a região de manchas solares que apareceu há 6 dias atrás. A secção mais à direita desta região foi catalogada como AR 11785, e a da esquerda como AR 11787. As manchas solares mais escuras contêm campos magnéticos quase verticais e são chamadas umbras, enquanto as regiões bronze em redor -- que mostram mais claramente os tubos de fluxo magnético fibrosos - têm o nome de penumbras. Produzindo grânulos solares, muitos com cerca de 1000 km de diâmetro, compõem a região amarelada de fundo. Ninguém sabe o que esta região de manchas solares vai fazer, mas os meteorologistas espaciais estão a acompanhá-la de perto.
 

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