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Edição n.º 987
20/08 a 22/08/2013
 
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EFEMÉRIDES

Dia 20/08: 232.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1975, a NASA lança a sonda Viking 1 para Marte.
Em 1977, a nasa lança a sonda Voyager 2
Em 1999, o Telescópio Espacial de Raios-X Chandra, lançado a 23 de Julho de 1999, revela características ainda não observadas nos restos de três explosões de supernovas.
Observações: Aproveite a noite para observar Albireu. Consegue discernir as diferentes cores das estrelas?

Dia 21/08: 233.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1993, a NASA perdia o contacto com a sonda Mars Observer

Observações: Lua Cheia, pelas 02:45.
Se tiver acesso a um telescópio modesto ou até mesmo com binóculos, tente avistar a Nova Delphini 2013.

Dia 22/08: 234.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1989 era descoberto o primeiro anel de Neptuno.

Observações: Após o anoitecer, aviste Vega por cima das nossas cabeças e Arcturo a Oeste. A um-terço do caminho entre Vega e Arcturo está a ténue constelação de Hércules. A dois-terços está o ténue semi-círculo de Coroa Boral. Coroa Boreal tem apenas uma estrela de brilho moderado, Alphecca.

 
CURIOSIDADES


O primeiro pulsar foi observado em 1967, por Jocelyn Bell e Antony Hewish. As emissões pareciam demasiado precisas (a cada 1,3373 segundos) para serem naturais, por isso a fonte foi por algum tempo apelidada de LGM-1 (de Little Green Men). Só quando uma segunda fonte pulsante foi descoberta, noutra parte do céu, é que a hipótese LGM foi abandonada.

 
ACORDANDO PARA UM ANO NOVO

No tempo que leva para completar um dia de trabalho, ou ter uma noite de sono, um planeta a 700 anos-luz de distância já completou um ano.

Investigadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology) descobriram que Kepler-78b, um exoplaneta com o tamanho da Terra, completa uma volta em torno da sua estrela em apenas 8 horas e meia - um dos períodos orbitais mais pequenos já detectados. O planeta está extremamente perto da sua estrela - o seu raio orbital é de apenas cerca de três vezes o raio da estrela - e os cientistas estimam que as temperaturas à superfície atinjam os 3000 K. Neste ambiente infernal, a camada superior do planeta está provavelmente derretida, criando um gigantesco e agitado oceano de lava.

O mais empolgante para os cientistas é o facto de terem conseguido detectar luz emitida pelo planeta - a primeira vez para um exoplaneta tão pequeno como Kepler-78b. Esta luz, assim que seja analisada com telescópios maiores, poderá dar aos cientistas informações detalhadas sobre a composição da superfície do planeta e suas propriedades reflectivas.

Impressão de artista de Kepler-78b.
Crédito: Cristina Sanchis-Ojeda
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Kepler-78b está tão perto da sua estrela-mãe que os cientistas esperam medir a sua influência gravitacional sobre a estrela. Tais informações podem ser usadas para medir a massa do planeta, o que pode fazer de Kepler-78b o primeiro planeta com o tamanho da Terra para lá do nosso Sistema Solar, cuja massa é conhecida.

Os investigadores relatam a descoberta de Kepler-78b num artigo publicado na revista The Astrophysical Journal.

Num estudo separado, publicado na Astrophysical Journal Letters, membros do mesmo grupo, juntamente com outros do MIT e de mais institutos, observaram KOI 1843.03, um exoplaneta já descoberto, com um período orbital ainda menor: apenas 4 horas e 15 minutos. O grupo, liderado pelo professor Saul Rappaport, determinou que para que o planeta mantenha sua órbita extremamente íntima em torno da sua estrela, tem que ser incrivelmente denso, composto quase inteiramente de ferro - caso contrário, as intensas forças de maré próximo da estrela rasgariam o planeta em pedaços.

"Só o facto de que é capaz de sobreviver aí, implica que é muito denso," afirma Josh Winn, professor associado de física no MIT e co-autor em ambos os artigos. "Se a Natureza realmente fabrica planetas densos o suficiente para sobreviver ainda mais perto, isso é uma questão em aberto, e seria ainda mais surpreendente."

Na sua descoberta de Kepler-78b, a equipa que escreveu o artigo publicado na The Astrophysical Journal observou mais de 150.000 estrelas monitorizadas pelo Telescópio Kepler, um observatório espacial da NASA que examina uma secção da Galáxia. Os cientistas estão a analisar os dados do Kepler na esperança de identificar planetas habitáveis do tamanho da Terra.

O objectivo para Winne e colegas era procurar planetas do tamanho da Terra com períodos orbitais muito curtos.

"Habituámo-nos a planetas com órbitas de alguns dias," realça Winn. "Mas nós perguntámo-nos, e com algumas horas? Será que é possível? E veio-se a saber que existem alguns por aí".

Para os encontrar, a equipa analisou a luz de milhares de estrelas, procurando diminuições no brilho, indicando que um planeta podia periodicamente passar em frente de uma estrela.

A escolha destes pequenos mergulhos entre dezenas de milhares de curvas de luz é tipicamente uma tarefa demorada. Para acelerar o processo, o grupo desenvolveu uma abordagem mais automatizada, aplicando um método matemático conhecido como transformada de Fourier para o grande conjunto de dados. O método essencialmente reduz gradualmente a amostra para aquelas curvas de luz que são periódicas, ou que apresentam um padrão repetitivo.

As estrelas com planetas em órbita podem exibir diminuições periódicas de brilho cada vez que um planeta passa em frente, ou transita, a estrela. Mas existem outros fenómenos estelares periódicos que podem afectar a emissão de luz, como uma estrela que eclipsa outra estrela. Para recolher os sinais associados com planetas, o estudante Roberto Sanchis-Ojeda procurou, dentro do conjunto de curvas de luz periódicas, mergulhos frequentes mas menores entre os trânsitos planetários.

O grupo foi capaz de detectar a luz emitida pelo planeta ao medir a quantidade de luz obscurecida de cada vez que o planeta passava por trás da estrela. Os investigadores postulam que a luz do planeta é possivelmente uma combinação de radiação a partir da sua superfície aquecida com luz reflectida pelos materiais à superfície, como lava e vapor atmosférico.

"Estava apenas procurando a olho, e subitamente vejo esta queda extra de luz quando esperava, foi realmente lindo," lembra Sanchis-Ojeda. "Eu pensei, estamos mesmo vendo a luz do planeta. Foi um momento realmente emocionante."

A partir das suas medições de Kepler-78b, a equipa determinou que o planeta está cerca de 40 vezes mais perto da sua estrela que Mercúrio está do nosso Sol. A estrela-mãe de Kepler-78b é provavelmente jovem, pois gira duas vezes mais rápido que o Sol - um sinal de que a estrela não teve muito tempo para desacelerar.

Embora seja aproximadamente do tamanho da Terra, Kepler-78b não é de todo habitável, devido à sua extrema proximidade com a estrela.

"É difícil imaginar a possibilidade de se viver num mundo de lava," afirma Winn. "Nós certamente não conseguíamos sobreviver lá."

Mas isso não descarta totalmente a possibilidade de outros planetas habitáveis e de período curto. O grupo de Winn está agora à procura de exoplanetas que orbitam anãs castanhas - estrelas frias, quase mortas, que de algum modo falharam a ignição nuclear.

"Em torno de uma destas anãs castanhas, podemos ter períodos de apenas alguns dias," afirma Winn. "E o planeta ainda seria habitável, à temperatura certa."

Links:

Notícias relacionadas:
MIT (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Artigo científico (IOP - requer subscrição)
Artigo científico - 2 (IOP - requer subscrição)
PHYSORG
redOrbit
National Geographic
UPI.com

Kepler-78b:
Exoplanet.eu
NASA Exoplanet Archive
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
NASA Exoplanet Archive
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Descobertas planetárias do Kepler
Mapa das zonas de estudo do Kepler (formato PDF)
Wikipedia

 
PULSARES, O GPS DO COSMOS

Cientistas da agência científica australiana CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation) escreveram um software que pode guiar naves espaciais até Alpha Centauro, mostrar que o planeta Nibiru não existe... e provar que a Terra gira em torno do Sol.

O Dr. George Hobbs e colegas estudam pulsares - pequenas estrelas em rotação com "blips" ou "pulsos" regulares de ondas de rádio e, às vezes, raios-X. Normalmente, os astrónomos estão interessados em medir, com muita precisão, quando os pulsos chegam ao Sistema Solar. Ligeiros desvios nos tempos de chegada esperados podem dar pistas sobre o comportamento do próprio pulsar, ou se orbita outra estrela, por exemplo.

"Mas também podemos trabalhar para trás," afirma Hobbs. "Nós podemos usar as informações dos pulsares para determinar com grande precisão a posição dos nossos telescópios. Se os telescópios estivessem a bordo de uma nave espacial, podíamos obter a posição da nave."

A navegação por pulsares é ideal para naves que viajem para lá do nosso Sistema Solar. A Voyager 1, na imagem, está agora a mais de 18 mil milhões de quilómetros do Sol e entrando no espaço interestelar.
Crédito: NASA/Astro0
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Seriam necessárias observações de pelo menos quatro pulsares a cada sete dias. "Cada pulsar teria que ser observado durante cerca de uma hora," afirma o Dr. Hobbs. "Conseguir fazer as observações todas ao mesmo tempo ou separadamente depende das suas posições e do tipo de detector usado. "

Um artigo que descreve em detalhe como o sistema funciona foi aceite para publicação pela revista Advances in Space Research.

As sondas e naves espaciais dentro do Sistema Solar são geralmente acompanhadas e guiadas a partir do solo: este é o papel do Complexo de Comunicações "Deep Space" do CSIRO em Canberra, por exemplo. Mas quanto mais longe está a nave, menos precisamente podemos medir a sua localização.

Para viagens para lá do Sistema Solar, as naves espaciais precisariam de ter um sistema de bordo autónomo para navegação. Os giroscópios e acelerómetros são ferramentas úteis, mas as informações de posição que dão tornam-se menos precisas ao longo do tempo.

"A navegação com o auxílio de pulsares evita esses problemas," afirma Deng Xinping, estudante de doutoramento do Centro Nacional de Ciência Espacial em Pequim, China, que é o primeiro autor do artigo que descreve o sistema.

Os cientistas propuseram a navegação por pulsares em 1974. Só recentemente é que a aplicação prática do método surgiu, com o desenvolvimento de detectores de raios-X relativamente pequenos, que podem receber os pulsos em raios-X que alguns pulsares emitem. A NASA está também a explorar esta técnica.

"Para a navegação no espaço profundo, podíamos usar os pulsares já observados durante muitos anos com radiotelescópios, cujos pulsos já sejam muito bem medidos," realça o Dr. Dick Manchester, também do CSIRO e membro da equipa de pesquisa. "A bordo da nave, usaríamos um telescópio de raios-X, que é muito mais pequeno e leve."

Hobbs e colegas fizeram uma simulação muito detalhada de uma nave espacial com navegação autónoma até Marte usando esta combinação de tecnologias e o seu software TEMPO2. "A nave pode determinar a sua posição até 20 km, e a sua velocidade até 10 cm por segundo," afirma o Dr. Hobbs. "Que tenhamos conhecimento, esta é a melhor precisão alguma vez demonstrada. Ao contrário dos trabalhos anteriores, tivemos em conta que os pulsares reais não são completamente perfeitos, que têm falhas nos tempos e assim por diante."

O mesmo software que usa pulsares pode ser usado para determinar a massa de objectos no Sistema Solar. Em 2010, o Dr. Hobbs e colegas usaram uma versão anterior para "pesar" os planetas até Saturno - até seis casas decimais.

A Terra viaja em redor do Sol, e este movimento afecta o timing exacto da chegada dos sinais dos pulsares. Para remover este efeito, os astrónomos calculam quando os pulsos chegam ao centro de massa do Sistema Solar, em torno do qual todos os planetas orbitam. "Se os sinais de pulsares parecem chegar à hora errada, sabemos que as massas dos planetas que usamos nas equações devem estar erradas, e podemos corrigir isso," afirma Hobbs.

A nova versão do software permite com que os astrónomos descartem massas ocultas, incluindo quaisquer planetas supostamente não descobertos, como o notório Nibiru. "Mesmo que um planeta seja difícil de ver, não há nenhuma maneira de disfarçar a sua atracção gravitacional," afirma o Dr. Hobbs. "Se não detectarmos o puxo gravitacional, então não há nenhum planeta."

E o que dizer acerca da demonstração que a Terra gira em torno do Sol? Sim, o software também consegue fazer isso. "Esta dúvida foi esclarecida há um par de centenas de anos," conclui Hobbs. "Mas se ainda precisa de provas, nós temo-las."

Links:

Notícias relacionadas:
CSIRO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
PHYSORG
Universe Today
NASA

Pulsares:
Wikipedia
Catálogo ATNF de Pulsares

CSIRO:
Página oficial
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M8: Nebulosa da Lagoa
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Ignacio Diaz Bobillo
 
Esta bela nuvem cósmica é uma paragem popular nas viagens telescópicas pela constelação de Sagitário. O turista cósmico do século XVIII, Charles Messier, catalogou a brilhante nebulosa como M8. Os astrónomos modernos reconhecem a Nebulosa da Lagoa como um berçário estelar activo a cerca de 5000 anos-luz de distância, na direcção do centro da nossa Galáxia, a Via Láctea. Estrelas quentes no enxame aberto incorporado, NGC 6530, alimentam o brilho nebular. As características mais notáveis podem ser seguidas nesta imagem nítida, que mostra os filamentos de gás brilhante e nuvens de poeira escura da Lagoa. Rodopiando perto do centro da Lagoa, a pequena mas brilhante ampulheta é o resultado turbulento de ventos estelares extremos e intensa luz estelar. A sedutora fotografia a cores foi capturada com um telescópio e uma câmara digital enquanto M8 estava alta nos céus escuros e rurais da Argentina. À distância estimada de M8, a imagem estende-se por mais de 60 anos-luz.
 

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