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Edição n.º 993
10/09 a 12/09/2013
 
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EFEMÉRIDES

Dia 10/09: 253.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1858, George Mary Searle descobre o asteróide 55 Pandora.
Em 1985, a sonda ICE (International Cometary Explorer) fez o primeiro voo rasante de um cometa, o cometa Giacobini-Zinner

Em 2008, o LHC no CERN, descrito como a maior experiência científica da História, é ligado em Genebra, Suiça.
Observações: Perto da cauda de Águia está a Nuvem Estelar de Escudo, com o grande enxame M11 mesmo por baixo da nebulosa escura Barnard 111.

Dia 11/09: 254.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1997, a sonda Mars Global Surveyor chega a Marte.

Observações: Durante o lusco-fusco dos próximos dias, Vénus vai aproximar-se de Saturno, baixos a Oeste-Sudoeste. Hoje têm 8º de separação entre si.

Dia 12/09: 255.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, a União Soviética lança a sonda Luna 2. Dois dias depois (14),  torna-se no primeiro objecto feito pelo Homem a atingir a Lua.

Em 1966, lançamento da Gemini 11, a penúltia missão do programa Gemini da NASA, e a detentora do recorde actual de altitude humana (à excepção das missões lunares Apollo).
Em 1992, lançamento da missão STS-47 do vaivém espacial Endeavour, a 50.ª missão dos vaivéns espaciais. A bordo estavam Mae Carol Jemison, a primeira mulher africo-americana no espaço, Mamoru Mohri, o primeiro cidadão japonês a voar uma nave americana, e Mark Lee e Jan Davis, o primeiro casal no espaço.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 18:08

 
CURIOSIDADES


Quase todo o oxigénio da atmosfera terrestre foi produzido por organismos vivos. Constitui cerca de 21% da nossa atmosfera, sendo nitrogénio 78%, e os restantes 1% uma mistura de outros gases. O oxigénio é apenas um pequeno constituinte nas atmosferas dos outros planetas do Sistema Solar.

 
PODEROSOS JACTOS EMPURRAM MATERIAL PARA FORA DE GALÁXIA

Astrónomos usando uma rede mundial de radiotelescópios descobriram fortes evidências de que um poderoso jacto de material impulsionado até quase à velocidade da luz pelo buraco negro central de uma galáxia está soprando enormes quantidades de gás para fora da galáxia. Este processo, dizem, está limitando o crescimento do buraco negro e a taxa de formação estelar na galáxia e, portanto, é fundamental para a compreensão de como as galáxias se desenvolvem.

Os astrónomos têm teorizado que muitas galáxias deviam ser mais massivas e ter mais estrelas do que têm. Os cientistas propuseram dois mecanismos principais que retardam ou interrompem o processo de crescimento de massa e formação estelar - ventos estelares violentos oriundos de surtos de formação estelar e empurrões de jactos alimentados pelo buraco negro supermassivo da galáxia.

"Com as imagens finamente detalhadas fornecidas por uma combinação intercontinental de radiotelescópios, fomos capazes de ver aglomerados massivos de gás frio que estão sendo empurrados para longe do centro da galáxia pelos jactos alimentados pelo buraco negro," afirma Rafaella Morganti, do Instituto Holandês para Radioastronomia e da Universidade de Groninga.

Os cientistas estudaram uma galáxia chamada 4C12.50, a quase 1,5 mil milhões de anos-luz da Terra. Eles escolheram esta galáxia porque está numa fase onde o "motor" do buraco negro que produz os jactos acaba de ser ligado. À medida que o buraco negro, uma concentração de massa tão densa que nem mesmo a luz pode escapar, puxa material na sua direcção, forma um disco giratório em seu redor. Os processos no disco vão beber à tremenda energia gravitacional do buraco negro para impulsionar o material para fora nos pólos do disco.

Imagem rádio da galáxia 4C12.50, a quase 1,5 mil milhões de anos-luz de distância da Terra. A ampliação mostra o fim do jacto super-rápido de partículas, onde uma gigantesca nuvem de gás (amarelo-laranja) está sendo empurrada pelo jacto.
Crédito: Morganti et al., NRAO/AUI/NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Nas extremidades de ambos os jactos, os investigadores descobriram aglomerados de hidrogénio gasoso movendo-se para fora da galáxia a 1000 quilómetros por segundo. Uma das nuvens tem aproximadamente 16.000 vezes a massa do Sol, enquanto a outra contém 140.000 vezes a massa do Sol. A nuvem maior, segundo os cientistas, mede aproximadamente 160 por 190 anos-luz em tamanho.

"Esta é a prova mais definitiva até agora da interacção entre o veloz jacto de tal galáxia e uma densa nuvem interestelar," afirma Morganti. "Nós pensamos que estamos a ver em acção o processo pelo qual um motor central e activo pode remover gás - a matéria-prima para a formação de estrelas - de uma galáxia jovem," acrescenta.

Os cientistas também disseram que as suas observações indicam que os jactos do núcleo galáctico podem expandir e deformar nuvens de gás interestelar para ampliar o efeito de "empurrão" para além da largura estreita dos próprios jactos. Em adição, relatam que, na fase de desenvolvimento de 4C12.50, os jactos podem ser ligados e desligados e assim periodicamente repetir o processo de remoção de gás da galáxia.

Em Julho, outra equipa de cientistas, usando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), anunciou que tinham encontrado gás sendo expelido de uma galáxia mais próxima, chamada NGC 253, por um intenso surto de formação estelar.

"Pensa-se que ambos os processos estão em funcionamento em galáxias jovens, muitas vezes ao mesmo tempo, para regular o crescimento dos seus buracos negros centrais bem como a taxa a que formam novas estrelas," afirma Morganti.

Morganti e a sua equipa usaram radiotelescópios na Europa e nos EUA, combinando os seus sinais para fazer um telescópio intercontinental gigante. Nos EUA, estes incluíram o VLBA (Very Long Baseline Array) do NSF (National Science Foundation), um sistema continental de radiotelescópios que vão desde o Hawaii, passando pelo continente americano, até St. Croix nas Ilhas Virgens, e uma antena do VLA (Very Large Array) Karl G. Jansky no estado do Novo México. Os radiotelescópios europeus usados estão em Effelsberg, Alemanha, Westerbok, na Holanda e em Onsala, na Suécia. O poder de resolução extremamente alta, ou a capacidade de ver detalhes finos, fornecido por um sistema tão grande, foi essencial para identificar a localização das nuvens de gás afectadas pelos jactos da galáxia.

Os cientistas publicaram os seus achados na edição de 6 de Setembro da revista Science.

Links:

Notícias relacionadas:
NRAO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Science (requer subscrição)
Universe Today
ScienceDaily
redOrbit

Buracos negros supermassivos:
Wikipedia

Buracos negros:
Wikipedia

Formação estelar:
Wikipedia

NGC 253:
NRAO (comunicado de imprensa)
Wikipedia

VLBA:
NRAO
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VLA:
Página oficial
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Radiotelescópio de Effelsberg:
Instituto Max Planck para Radioastronomia
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Radiotelescópio de Westerbork (WSRT):
ASTRON
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Radiotelescópio do Observatório Espacial de Onsala:
Observatório Espacial de Onsala
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ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
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CAPTURANDO BURACOS NEGROS

O caçador de buracos negros da NASA, NuSTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array), "capturou" os seus primeiros 10 buracos negros supermassivos. A missão, que tem um mastro do tamanho de um autocarro escolar, é o primeiro telescópio capaz de concentrar os raios-X mais energéticos em imagens detalhadas.

As novas descobertas de buracos negros são as primeiras das centenas esperadas da missão ao longo dos próximos dois anos. Estas estruturas gigantescas - buracos negros rodeados por discos espessos de gás - estão no coração de galáxias distantes entre 0,3 e 11,4 mil milhões de anos-luz da Terra.

"Nós descobrimos os buracos negros por acaso", explicou David Alexander, membro da equipa do NuSTAR com base no Departamento de Física da Universidade de Durham, na Inglaterra, e autor principal de um novo estudo publicado na edição de 20 de Agosto da revista Astrophysical Journal. "Nós estávamos observando alvos e avistámos os buracos negros no fundo das imagens."

Uma imagem óptica de galáxias com dados raios-X sobrepostos (magenta) obtidos pelo NuSTAR. A descoberta fortuita, indicada com a seta, está situada para a esquerda de uma galáxia, com o nome de IC751, a qual o telescópio pretendia observar. Ambas as manchas magenta mostram raios-X de buracos negros massivos enterrados no coração das galáxias. A imagem óptica é do SDSS (Sloan Digital Sky Survey) e é uma composição de três comprimentos de onda diferentes. Os dados do NuSTAR mostram raios-X no intervalo energético entre 3 e 24 keV.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Outros achados fortuitos adicionais como estes são esperados da missão. Juntamente com os estudos mais específicos da missão de zonas seleccionadas do céu, a equipa do NuSTAR planeia vasculhar centenas de imagens capturadas pelo telescópio com o objectivo de encontrar buracos negros capturados no pano de fundo.

Assim que os 10 buracos negros foram identificados, os cientistas estudaram dados anteriores obtidos pelo Observatório de raios-X Chandra e pelo satélite XMM-Newton da ESA, dois telescópios espaciais complementares que observam raios-X menos energéticos. Os cientistas descobriram que os objectos já tinham sido detectados antes. No entanto, foi só com as observações do NuSTAR que se destacaram como excepcionais, garantindo uma inspecção mais minuciosa.

Ao combinar observações feitas em toda a gama do espectro de raios-X, os astrónomos esperam quebrar mistérios não resolvidos dos buracos negros. Por exemplo, quantos existem no Universo?

"Estamos mais perto de resolver um mistério que começou em 1962," afirma Alexander. "Naquela época, os astrónomos notaram um brilho difuso em raios-X no pano de fundo do nosso céu mas não tinham a certeza da sua origem. Agora, sabemos que a fonte dessa radiação são buracos negros supermassivos distantes, mas precisamos que o NuSTAR nos ajude a detectar e a compreender as populações de buracos negros."

Este brilho em raios-X, chamado de fundo cósmico de raios-X, tem o seu pico nas frequências mais energéticas que o NuSTAR está desenhado para observar, por isso a missão é essencial para identificar o que está a produzir esta radiação. O NuSTAR também pode encontrar os buracos negros supermassivos mais escondidos, enterrados por trás de paredes espessas de gás.

"Os raios-X mais energéticos podem passar até por grandes quantidades de gás e poeira em redor de buracos negros supermassivos," afirma Fiona Harrison, co-autora do estudo e investigadora principal da missão no Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena, EUA.

Os dados das missões WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) e Spitzer também fornecem peças que faltam no quebra-cabeças dos buracos negros ao medir a massa das suas galáxias hospedeiras.

"Os nossos primeiros resultados mostram que os buracos negros supermassivos mais distantes estão encerrados em galáxias maiores," afirma Daniel Stern, co-autor do estudo e cientista do projecto NuSTAR no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia. "Isto é esperado. Quando o Universo era mais jovem, havia muito mais acção, com grandes colisões e fusões galácticas."

As observações futuras irão revelar mais sobre o dia-a-dia brutal dos buracos negros, próximos e distantes. Além de caçar buracos negros remotos, o NuSTAR também está à procura de outros objectos exóticos dentro da nossa Galáxia, a Via Láctea.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
The Astrophysical Journal (requer subscrição)

NuSTAR:
NASA
Caltech
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Buracos negros supermassivos:
Wikipedia

Buracos negros:
Wikipedia

Fundo cósmico de raios-X:
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Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
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Observatório XMM-Newton:
ESA
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Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
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WISE:
NEOWISE (NASA)
U. Berkeley
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M1: Nebulosa do Caranguejo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Adam BlockMt. Lemmon SkyCenterU. Arizona
 
A Nebulosa do Caranguejo está catalogada como M1, o primeiro da famosa lista de objectos que não são cometas criada por Charles Messier. De facto, sabe-se que M1 é o resto de uma supernova, uma nuvem de detritos em expansão resultante da explosão de uma estrela massiva. O nascimento violento do Caranguejo foi testemunhado por astrónomos no ano 1054. Hoje com mais ou menos 10 anos-luz de diâmetro, a nebulosa está ainda a crescer a um ritmo superior a 1000 km/s. Quer ver a Nebulosa do Caranguejo a crescer? Veja esta animação que compara uma imagem de M1 obtida em 1999 pelo ESO, com esta, obtida em 2012 pelo Sky Center do Mt. Lemmon. As estrelas de fundo foram usadas para registar as duas imagens. A Nebulosa do Caranguejo está situada a cerca de 6500 anos-luz de distância na direcção da constelação de Touro.
 

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