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Edição n.º 999
01/10 a 03/10/2013
 
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EFEMÉRIDES

Dia 01/10: 274.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, era criada a NASA para suceder à NACA

Observações: Agora que chegou Outubro, a pequena constelação de Carneiro está visível a Este-Nordeste após o anoitecer e durante toda a noite. As suas duas ou três estrelas mais brilhantes estão alinhadas quase horizontalmente, bem abaixo das estrelas de Andrómeda.

Dia 02/10: 275.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Plutão na sua quadratura Este.
Já alguma vez viu o "falso amanhecer", a luz zodiacal da manhã? A luz zodiacal é luz solar reflectida por poeira interplanetária que orbita o plano do nosso Sistema Solar. As próximas duas semanas vão proporcionar boas oportunidades para observadores no Hemisfério Norte.

Dia 03/10: 276.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1942, era lançado da Alemanha o primeiro foguete V-2/A-4, que se tornaria também no primeiro artefacto humano a atingir o espaço.

Em 1962, era lançada de Cabo Canaveral a missão Mercúrio 8.
Em 1985, o vaivém Atlantis fazia a sua viagem inaugural. 
Em 2005, ocorreu o último eclipse anular de Sol visível em Portugal.
Observações: Urano em oposição.
Júpiter nasce depois da meia-noite ou uma da manhã, e sobe até ao amanhecer. Durante as próximas noites estará muito perto (menos de 0,1º) de Delta Geminorum, de magnitude 3,5 (pode precisar de binóculos). Delta Gem é uma ordem de magnitude mais brilhante que Ganimedes, o mais brilhante satélite de Júpiter, que se encontra muito mais próximo do gigante gasoso.

 
CURIOSIDADES


Saturno tem uma densidade de 0,69 g/cm^3, menor que a densidade da água. A densidade de Kepler-7b ronda os 0,166 g/cm^3.

 
TELESCÓPIOS ESPACIAIS ENCONTRAM NUVENS EM MUNDOS EXÓTICOS

Astrónomos usando dados obtidos pelos telescópios espaciais Kepler e Spitzer criaram o primeiro mapa de nuvens de um planeta fora do nosso Sistema Solar, um mundo escaldante tipo-Júpiter conhecido como Kepler-7b.

O planeta é marcado por nuvens altas no céu a Oeste e céus limpos a Este. Estudos anteriores pelo Spitzer resultaram em mapas de temperatura de planetas em órbita de outras estrelas, mas este é o primeiro olhar para as estruturas de nuvens num mundo distante.

"Ao observar este planeta com o Spitzer e com o Kepler durante mais de três anos, fomos capazes de produzir um 'mapa' com resolução muito baixa deste planeta gigante gasoso," afirma Brice-Olivier Demory do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Cambridge, EUA. Demory é o autor principal de um artigo aceite para publicação na revista Astrophysical Journal Letters. "Nós não esperaríamos ver oceanos e continentes neste tipo de mundo, mas detectámos uma assinatura clara e reflectiva que interpretamos como nuvens."

Kepler-7b (esquerda), que tem 1,5 vezes o raio de Júpiter (direita), é o primeiro exoplaneta a ter as suas nuvens mapeadas. O mapa de nuvens foi produzido graças a dados obtidos pelos telescópios espaciais Kepler e Spitzer da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MIT
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O Kepler já descobriu mais de 150 exoplanetas, planetas para lá do nosso Sistema Solar, e Kepler-7b foi um dos primeiros. As problemáticas rodas de reacção do telescópio impedem-no de caçar mais planetas, mas os astrónomos continuam a estudar os dados recolhidos durante quase quatro anos.

As observações das "fases" tipo-lua em Kepler-7b, no visível, levaram ao primeiro mapa do planeta que mostrava uma mancha brilhante no seu hemisfério ocidental. Mas estes dados não eram suficientes por si próprios para decifrar se a mancha vinha de nuvens ou de calor. O Telescópio Espacial Spitzer desempenhou um papel crucial na resposta a esta pergunta.

Tal como o Kepler, o Spitzer consegue fixar o seu olhar num sistema estelar à medida que o planeta orbita em torno da estrela, reunindo pistas sobre a atmosfera do planeta. A capacidade do Spitzer em detectar luz infravermelha significa que foi capaz de medir a temperatura de Kepler-7b, estimando que esteja entre 1100 e 1300 Kelvin. Isto é relativamente frio para um planeta que orbita tão perto da sua estrela -- até 0,06 unidades astronómicas (uma unidade astronómica é a distância entre a Terra e o Sol) -- e, de acordo com os astrónomos, demasiado fria para ser a fonte de luz observada pelo Kepler. Em vez disso, determinaram que a luz da estrela está a ser reflectida pelo planeta desde o topo das nuvens localizadas no lado ocidental.

"Kepler-7b reflecte muito mais luz do que os planetas mais gigantes que encontramos, característica que atribuímos às nuvens na atmosfera superior," afirma Thomas Barclay, cientista do Kepler no Centro de P6esquisa Ames da NASA em Moffett Field, Califórnia. "Ao contrário daqueles na Terra, os padrões de nuvens do planeta não parecem mudar muito ao longo do tempo - tem um clima notavelmente estável."

Os resultados são um passo inicial em direcção a usar técnicas semelhantes para estudar as atmosferas de planetas mais parecidos com a Terra em composição e tamanho.

"Com o Spitzer e Kepler juntos, temos uma ferramenta multi-comprimento para conseguir boas observações de planetas a biliões de quilómetros de distância," afirma Paul Hertz, director da Divisão de Astrofísica da NASA em Washington. "Estamos agora num ponto da ciência exoplanetária em que nos movemos para além de apenas detectar exoplanetas, entrando no emocionante campo de os tentar compreender."

O Kepler identificou planetas ao observar quedas na luz estelar que ocorrem quando um planeta transita, ou passa em frente da sua estrela, bloqueando a luz. Esta técnica e outras observações de Kepler-7b revelaram anteriormente que é um dos planetas menos densos conhecidos: se pudesse ser colocado numa banheira com água, flutuaria. Também se descobriu que o planeta completa uma volta em torno da sua estrela-mãe em menos de cinco dias.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA/JPL (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
PHYSORG

Kepler-7b:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net
Laboratório de Habitabilidade Planetária

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Mapa das zonas de estudo do Kepler (formato PDF)

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Filamentos do Resto de Supernova da Vela
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Angus Lau, Y Van, SS Tong (Observatório Jade Scope)
 
A explosão acabou mas as consequências continuam. Há cerca de 11.000 anos atrás uma estrela na constelação de Vela pode ter sido vista a explodir, criando um estranho ponto de luz brevemente visível pelos seres humanos que viviam no início da história registada. As camadas mais externas da estrela chocaram contra o meio interestelar, conduzindo uma onda de choque que é ainda visível hoje em dia. Essa onda de choque, aproximadamente esférica e em expansão, é visível em raios-X. A imagem acima captura filamentos e partes da onda no visível. À medida que o gás viaja para longe da estrela, decai e reage com o meio interestelar, produzindo luz em diversas cores e faixas de energia. Mantendo-se no centro do Resto de Supernova da Vela está um pulsar, uma estrela tão densa quanto matéria nuclear que gira completamente em torno de si própria mais de dez vezes por segundo.
 

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