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O MISTERIOSO CASO DA POEIRA DESAPARECIDA
10 de Julho de 2012

 

Imagine se os anéis de Saturno desaparecessem subitamente. Os astrónomos testemunharam o equivalente em torno de uma jovem estrela tipo-Sol chamada TYC 8241 2652. Enormes quantidades de poeira que se sabia orbitar a estrela inesperadamente não se encontram em lado nenhum.

"É como o clássico truque do mágico: agora vês, agora já não. Só que neste caso estamos a falar de poeira suficiente para preencher todo o Sistema Solar interior e acabou de desaparecer!", afirma Carl Melis da Universidade da Califórnia em San Diego, EUA, que liderou o novo estudo publicado na edição de 5 de Julho da revista Nature.

O disco de poeira em torno de TYC 8241 2652 foi observado pela primeira vez pelo satélite IRAS (Infrared Astronomical Satellite) da NASA em 1983, e continuou a brilhar fortemente durante 25 anos. Pensa-se que a poeira era devida a colisões entre os planetas em formação, parte normal da formação planetária. Tal como a Terra, a poeira absorve a energia da luz estelar e reirradia essa energia como radiação infravermelha, ou calor.

A primeira indicação forte do desaparecimento do disco apareceu em imagens obtidas em Janeiro de 2010 pelo satélite WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA. Uma imagem infravermelha obtida pelo Telescópio Gemini no Chile a 1 de Maio de 2012 confirmou que a poeira já tinha desaparecido há dois anos e meio.

"Nunca tinha sido visto nada do género nas muitas centenas de estrelas onde os astrónomos estudam anéis de poeira," afirma o co-autor Ben Zuckerman da mesma Universidade, cuja pesquisa foi suportada pela NASA. "Este desaparecimento é extremamente rápido até para uma escala de tempo humana, já sem falar numa escala astronómica. O desaparecimento da poeira em TYC 8241 2652 foi tão bizarro e rápido, que inicialmente achei que as nossas observações deveriam simplesmente estar erradas de alguma forma estranha."

Os astrónomos vêm-se com um par de possíveis soluções para o mistério, mas dizem que nenhuma é convincente. Uma possibilidade diz que o gás produzido pelo impacto que libertou a poeira ajudou a rapidamente arrastar as partículas de poeira para a estrela e assim selar o seu destino. Noutra possibilidade, colisões de rochas gigantes deixadas para trás por um grande impacto original providenciaram uma infusão fresca de partículas de poeira no disco, o que fez com que os grãos de poeira se quebrassem em pedaços cada vez mais pequenos.

O resultado tem por base várias observações de TYC 8241 2652 obtidas com o instrumento T-ReCS (Thermal-Region Camera Spectrograph) acoplado no telescópio Gemini Sul no Chile; IRAS; WISE; Telescópio Infravermelho da NASA em Mauna Kea no Hawaii; Telescópio Espacial Herschel da ESA; satélite infravermelho AKARI da JAXA/ESA.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Observatório Gemini (comunicado de imprensa)
UCLA (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
Nature - 2 (requer subscrição)
Astronomy
SPACE.com
PHYSORG
Universe Today
SpaceDaily

Formação de sistemas estelares:
Evolução estelar (Wikipedia)
Formação e evolução do Sistema Solar (Wikipedia)

IRAS:
Caltech
Wikipedia

WISE:
Wikipedia
NEOWISE (NASA)
U. Berkeley

Observatório Gemini:
Página oficial
Wikipedia

Observatório Espacial Herschel:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
NASA
Caltech
Wikipedia

AKARI:
JAXA
ESA
Wikipedia

 


Impressão de artista do disco poeirento de formação planetária em torno da estrela TYC 8241 2652, antes de desaparecer há uns atrás quando ainda emitia grandes quantidades de radiação infravermelha.
Crédito: Observatório Gemini/AURA, Lynette Cook
(clique na imagem para ver versão maior)


Impressão de artista do sistema TYC 8241 2652 como poderá aparecer agora após a maioria da poeira ter desaparecido.
Crédito: Observatório Gemini/AURA, Lynette Cook
(clique na imagem para ver versão maior)

 
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