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ATERRAGEM DE ROVER MARCIANO SEGUE GRANDE TRADIÇÃO DRAMÁTICA COM 40 ANOS
31 de Julho de 2012

 

Quando o rover Curiosity da NASA tentar aterrar em Marte na próxima semana, irá juntar-se a uma longa lista de missões com o intuito de tocar o Planeta Vermelho, um legado que remonta a mais de 40 anos.

O rover de 2,5 mil milhões de dólares, também conhecido como MSL (Mars Science Laboratory), tem aterragem prevista em Marte para as 06:31 (hora portuguesa) de 6 de Agosto. O Curiosity é demasiado grande e pesado para usar airbags durante a aterragem. Ao invés, o rover - com aproximadamente 1 tonelada, irá pesar cerca de 345 kg sob a gravidade marciana - vai descer até à superfície marciana usando um complexo sistema de guindaste aéreo a jacto, o que necessita de mecânicas e "timings" precisos.

Uma vez em Marte, o Curiosity irá procurar sinais de que o planeta já tenha sido hospitaleiro à vida. E embora a antecipação da aterragem seja desesperante, o Curiosity não é a primeira nave a tentar o difícil feito de aterrar no Planeta Vermelho.

40 anos de tentativas, fracassos e sucessos

O primeiro país a tentar aterrar uma sonda em Marte foi a União Soviética, que lançou em 1971 o "lander" Mapc-2 (Maps quer dizer Marte em russo) no dia 19 de Maio, seguida nove dias depois pelo lançamento da Mapc-3, a sua irmã gémea. O Mapc-2 sobreviveu a longa viagem até Marte, só por si um feito impressionante, mas quando lá chegou a 2 de Novembro, provavelmente ardeu devido à acentuada entrada e acabou por colidir com a superfície.

O Mapc-3 chegou ao Planeta Vermelho a 3 de Dezembro. Desta vez, a descida sobre as terras altas marcianas de Terra Sirenium foi bem-sucedida, o que fez da Mars 3 a primeira nave a aterrar suavemente em Marte. Mesmo assim, após este feito inédito, a sonda operou à superfície durante apenas 20 segundos antes de inexplicavelmente ficar silenciosa, não mais transmitindo sinais para a Terra.

A Mapc-6 e 7 foram as seguintes missões que os Soviéticos tentaram aterrar na superfície. O "lander" Mapc-6 foi lançado a 5 de Agosto de 1973, mas perdeu-se quando colidiu no planeta. A Mapc-7, que foi lançada a 8 de Agosto de 1973, incluiu um módulo de "flyby" e um "lander". Esta missão foi mais outro fiasco: a sonda falhou o planeta totalmente.

Seguidamente, foi a vez da Viking 1 da NASA e com ela, sucesso. A Viking 1 foi lançada a 20 de Agosto de 1975, numa missão para estudar a superfície de Marte. A 20 de Julho de 1976, tornou-se na primeira a aterrar no Planeta Vermelho e em condições para prosseguir com a sua missão. O "lander" com 576 kg caiu de órbita numa aterragem em três fases usando um pára-quedas e foguetes. O "lander" Viking 1 estava equipado com três experiências biológicas, e passou seis anos a analisar o solo marciano em busca de evidências de vida. A sonda operou até 1982 sem descobrir provas claras de micróbios em Marte.

O gémeo Viking 2, que foi lançado a 9 de Setembro de 1975, fez a segunda aterragem com sucesso em Marte. Tocou na superfície a 3 de Setembro de 1976, nas planícies de Utopia Planitia, onde estudou a superfície do planeta. Tal como a Viking 1, não descobriu evidências de vida microbiana, e foi desligada em 1980. Mesmo assim, os dois "landers" e respectivas sondas orbitais enviaram um total combinado de mais de 50.000 fotos do Planeta Vermelho.

Os Soviéticos lançaram novamente duas naves em 1988, para orbitar Marte e aterrar na lua marciana Phobos. Tanto as missões Phobos 1 como a Phobos 2 falharam. A nave Phobos 1 perdeu-se a caminho de Marte, e o "lander" Phobos 2 perdeu-se em 1989 perto do seu destino.

A 16 de Novembro de 1996, já com a União Soviética separada em diversas repúblicas, a Rússia lançou a nave Mapc 96, constituída por um "orbiter", dois "landers" e dois "penetradores". Uma avaria nos foguetões resultou na perda de toda a missão pouco tempo depois da descolagem.

No mês seguinte, a NASA embarcou na missão da Pathfinder. A nave aterrou no Planeta Vermelho a 4 de Julho de 1997 e libertou um pequeno rover com seis rodas, chamado Sojourner, para estudar o terreno vizinho. A missão tinha a duração de umas poucas semanas mas acabou por durar quase três meses. A nave comunicou pela última vez com as equipas na Terra a 27 de Setembro.

Após uma sequência de sucessos em Marte, a NASA sofreu um falhanço em 1999, quando a Mars Polar Lander despenhou-se mesmo antes da aterragem devido a uma falha de engenharia.

A Agência Espacial Europeia passou por uma perda similarmente desapontante quatro anos depois. O "lander" britânico Beagle 2 caiu pela atmosfera marciana no dia de Natal de 2003 e perdeu-se à chegada. Uma investigação determinou mais tarde que uma densidade atmosférica mais baixa do que o esperado pode ter feito com que o pára-quedas e os airbags da sonda se tenham ligado demasiado tarde.

Seguiu-se o programa MER (Mars Exploration Rover) da NASA, aterrando com sucesso um par de rovers, o Spirit e Opportunity, na superfície do Planeta Vermelho em 2003. Os rovers foram desenhados para missões de três meses, na busca de sinais de água passada em Marte. Ao invés, o intrépido par ultrapassou largamente a sua garantia e contribuíram largamente para o conhecimento do planeta. Os controladores da missão perderam contacto com o Spirit em Março de 2010 e não foram capazes de comunicar com o rover, apesar de várias tentativas. A NASA declarou o Spirit oficialmente morto de Maio de 2011. O Opportunity, no entanto, está ainda vivo e de boa saúde em Marte. Actualmente, já percorreu mais de 32 km no Planeta Vermelho e investiga agora a gigantesca cratera Endeavour.

O "lander" Phoenix da NASA foi lançado a 4 de Agosto de 2007, e chegou ao Planeta Vermelho a 25 de Maio de 2008. Confirmou a presença de água gelada por baixo da superfície do planeta após escavar solo marciano. Infelizmente, os painéis solares da nave foram danificados durante o implacável inverno marciano, e perdeu-se contacto com a nave em Novembro de 2008. O Phoenix foi declarado oficialmente morto em Maio de 2010.

A missão russa Phobos-Grunt foi bem divulgada, mas pelas razões erradas. A sonda foi lançada a 8 de Novembro de 2011, numa ambiciosa missão para recolher amostras da lua de Marte, Phobos. No entanto, pouco tempo depois do lançamento, a sonda teve uma avaria, e ficou presa em órbita terrestre. Uma investigação determinou mais tarde que uma falha de engenharia impediu com que os motores da missão fossem ligados numa manobra que a colocaria a caminho de Marte. Após permanecer na órbita errada durante aproximadamente dois meses, a nave caiu para a Terra e foi destruída durante a reentrada a 15 de Janeiro de 2012.

Porque é que continuamos a voltar a Marte?

Os cientistas estão profundamente interessados em Marte, em parte devido ao seu potencial passado para sediar a vida como a conhecemos. O Planeta Vermelho é hoje frio, seco e desolado, mas o Spirit e o Opportunity descobriram muitas evidências de que ele já foi muito mais quente e húmido.

"Quando olhamos para a geologia, atmosfera, química e assim por diante, acumulamos razões para explorar, qualquer coisa que tenha a ver com as possíveis origens da vida noutro mundo é sempre o primeiro entre iguais," afirma Scott Hubbard da Universidade de Stanford, o antigo "Czar de Marte" que restruturou o programa de exploração de Marte da NASA após ter sofrido vários falhanços no final dos anos 90. "É uma questão tão fundamental. Remonta para a super-questão 'Estamos sozinhos?'"

Marte não é o único corpo no Sistema Solar que pode ter sido capaz de suportar vida no seu passado. Por exemplo, de acordo com os cientistas, organismos podem ainda hoje prosperar nos oceanos subsuperficiais da lua de Júpiter, Europa, e da lua de Saturno, Encelado.

Mas estes dois corpos gelados estão muito mais longe da Terra do que Marte, o que significa que seria muito mais difícil - e caro - lá chegar. Por isso a proximidade do Planeta Vermelho é ainda outra grande razão para que muitas naves o tenham visitado ao longo das décadas (os alinhamentos planetários tornam as missões marcianas realizáveis a cada 26 meses, e uma sonda pode lá chegar em oito meses ou menos).

O estado de Marte como um alvo principal para a colonização humana futura também ajuda a impulsionar as missões robóticas ao Planeta Vermelho, afirma Hubbard. Afinal de contas, um conhecimento profundo do planeta - incluindo se já teve vida ou não - é necessário antes de se enviar para lá astronautas.

"Se Marte já tem vida, temos que compreender os efeitos nos humanos," disse Doug McCuistion, director do Programa de Exploração de Marte da NASA, no passado mês de Abril. "Por isso é uma questão crítica - não apenas a inata de 'Estamos sozinhos?', mas também a segurança dos humanos à superfície do planeta."

Finalmente, a longa história da NASA em Marte construiu impulso, o que ajuda a empurrar futuras missões. A NASA estrutura os seus esforços de exploração planetária em estágios, afirma Hubbard. Os voos rasantes vêm em primeiro lugar, seguido por sondas, depois "landers" e/ou "rovers". Uma missão de recolha de amostras é o último passo nesta cadeia robótica.

"Estamos agora na fase de exploração de Marte onde, como as Academias Nacionais já disseram, estamos prontos para fazer uma missão de recolha de amostras," afirma Hubbard.

Por outro lado, "só agora estamos chegando ao ponto de fazer um voo rasante pelo nosso pobre planeta anão Plutão," acrescenta, referindo-se à missão New Horizons, que tem passagem prevista por Plutão em Julho de 2015.

Links:

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
GetCurious.com
Wikipedia

Missões Mapc (Wikipedia):
Mapc-2
Mapc-3
Mapc-6 e 7

Missões Viking (Wikipedia):
Viking 1
Viking 2

Missões Phobos:
Phobos 1 e 2 (Wikipedia)

Mapc 96:
Mapc 96 (Wikipedia)

Mars Pathfinder:
Pathfinder e Sojourner (Wikipedia)
NASA

Mars Polar Lander:
Wikipedia
NASA

Beagle 2:
Wikipedia
ESA

Spirit e Opportunity:
NASA
Wikipedia

Phoenix:
Universidade do Arizona
NASA
Wikipedia

Phobos-Grunt:
Wikipedia

 


Esta impressão de artista mostra o rover Curiosity, um robot móvel que vai investigar a capacidade, passada ou presente, de Marte albergar vida microbiana.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)


Réplica do "lander" Viking 1 no Museu Nacional do Ar e do Espaço, do Instituto Smithsonian, em Washington, EUA.
Crédito: Mark Pelligrino
(clique na imagem para ver versão maior)


Rover Sojourner em Marte.
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)


Rover Spirit adicionado artificialmente à imagem (tirado por ele próprio) em Larry's Lookout
Crédito: NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)


Impressão de artista de uma missão tripulada a Marte (pintura de 1989).
Crédito: NASA, Les Bossinas
(clique na imagem para ver versão maior)

 
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