Num seminário no CERN1 que teve lugar anteontem e que serviu como preparação para a grande conferência de física de partículas deste ano, a ICHEP2012 em Melbourne, as experiências ATLAS (A Toroidal LHC Apparatus) e CMS (Compact Muon Solenoid) do LHC (Large Hadron Collider) apresentaram os seus resultados preliminares em busca da há muito procurada partícula de Higgs. Ambas as experiências observaram uma nova partícula na região de massa em volta dos 125-126 GeV (cerca de 125-126 vezes a massa de um protão).
"Observamos nos nossos dados sinais claros de uma nova partícula, no nível de 5 sigma, na região de massa em torno dos 126 GeV. A performance incrível do LHC e do ATLAS e os incríveis esforços de muitas pessoas levaram-nos a esta época excitante," afirma Fabiola Gianotti, porta-voz da experiência ATLAS, "mas é preciso mais tempo para preparar estes resultados para publicação." (5 sigma diz respeito à probabilidade da existência da partícula. Neste caso, 5 sigma assinala uma probabilidade superior a 99%)
"Os resultados são preliminares mas o sinal de 5 sigma em torno dos 125 GeV que vemos é dramático. Esta é verdadeiramente uma nova partícula. Sabemos que deve ser um bosão e é o bosão mais pesado já descoberto," afirma Joe Incandela, porta-voz da experiência CMS. "As implicações são muito importantes e é precisamente por esta razão que devemos ser extremamente diligentes em todos os nossos estudos e controlos cruzados."
"É difícil não ficar excitado com estes resultados," afirma Sergio Bertolucci, director de Pesquisa no CERN. "Dissemos o ano passado que em 2012 ou encontraríamos uma nova partícula tipo-Higgs ou então poríamos de lado a existência do Modelo de Higgs. Com toda a cautela necessária, parece-me que estamos num ponto de ramificação: a observação desta nova partícula indica o percurso para o futuro na direcção de um melhor e mais detalhado conhecimento do que vemos nos dados."
Os resultados apresentados anteontem são preliminares. Têm por base dados recolhidos em 2011 e 2012, e os dados de 2012 estão ainda sob análise. A publicação das análises apresentadas ao mundo está prevista para o final do mês. Uma imagem mais completa das observações será anunciada mais tarde no ano, após o LHC fornecer mais dados às experiências.
O próximo passo será determinar a natureza precisa da partícula e a sua importância para o nosso conhecimento do Universo. Será que as suas propriedades são as mesmas do há muito procurado bosão de Higgs, o ingrediente que faltava no Modelo Padrão da física de partículas? Ou é algo mais exótico? O Modelo Padrão descreve as partículas fundamentais a partir das quais nós, e tudo o que existe no Universo, é constituído, e as forças que interagem entre si. Toda a matéria que conseguimos ver, no entanto, parece não constituir mais que 4% do total. Uma versão mais exótica da partícula de Higgs poderá ser uma ponte para a compreensão dos restantes 96% do Universo que permanecem escondidos.
"Chegámos a um marco na nossa compreensão da natureza," afirma o Director-Geral do CERN, Rolf Heuer. "A descoberta de uma partícula consistente com o bosão de Higgs abre o caminho para estudos mais detalhados, o que requer mais estatísticas, e que irá refinar as propriedades da nova partícula, e provavelmente esclarecer outros mistérios do nosso Universo."
A identificação positiva das características da nova partícula precisará de muito mais tempo e dados. Mas qualquer que seja a forma da partícula de Higgs, o nosso conhecimento da estrutura fundamental da matéria está prestes a dar um grande passo em frente.
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CERN (comunicado de imprensa)
Experiência ATLAS (comunicado de imprensa)
Experiência CMS (comunicado de imprensa)
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