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PERDIDO NO ESPAÇO: ENCONTRADO PLANETA SOLITÁRIO?
16 de Novembro de 2012

 

Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO e do Telescópio Canadá-França-Hawaii, os astrónomos identificaram um corpo que é, muito provavelmente, um planeta a vaguear pelo espaço sem uma estrela hospedeira. Este é, até agora, o melhor candidato a planeta errante e o mais próximo do Sistema Solar, a uma distância de cerca de 100 anos-luz. A sua relativa proximidade, juntamente com a ausência de estrela brilhante muito próxima, permitiram à equipa de astrónomos estudar a sua atmosfera com todo o pormenor. Este objecto deu também aos astrónomos uma ideia do tipo de exoplanetas que futuros instrumentos poderão observar em torno de estrelas diferentes do Sol.

Os planetas errantes são objectos, com massas típicas de planetas, que vagueiam no espaço sem ligação a nenhuma estrela. Possíveis exemplos de tais objectos foram já encontrados anteriormente, mas sem o conhecimento das suas idades, não foi possível saber se eram realmente planetas ou anãs castanhas - estrelas "falhadas" que não conseguem ter tamanho suficiente para dar início às reacções termonucleares que fazem brilhar as estrelas.

Os astrónomos descobriram agora um objecto, chamado CFBDSIR2149, que parece fazer parte de um grupo de estrelas próximas conhecido como Associação estelar AB Doradus. Os investigadores encontraram o objecto em observações feitas com o Telescópio Canadá-França-Hawaii e utilizaram seguidamente o VLT do ESO para examinar as suas propriedades.

A associação AB Doradus é o grupo estelar deste género mais próximo do Sistema Solar. As estrelas que o compõem deslocam-se em conjunto no espaço e pensa-se que se tenham formado todas ao mesmo tempo. Se o objecto estiver associado a este grupo - sendo, neste caso, um objecto jovem - será possível deduzir muito mais sobre as suas características, incluindo a temperatura, massa e composição da atmosfera. Existe também uma pequena probabilidade de que a sua ligação ao grupo seja fortuita.

A ligação entre este novo objecto e o grupo estelar trata-se de uma pista vital, que permitirá aos astrónomos calcular a idade do objecto recém-descoberto. Esta é a primeira vez que um objecto errante de massa planetária é identificado como fazendo parte de um grupo estelar em movimento, e a sua ligação ao grupo torna-o o candidato a planeta errante mais interessante a ser identificado até agora.

"Procurar planetas em torno de estrelas é semelhante a estudar um pirilampo que se encontra a um centímetro de distância de um farol distante de automóvel," diz Philippe Delorme (Institut de planétologie et d'astrophysique de Grenoble, CNRS/Université Joseph Fourier, França), autor principal do novo estudo. "Este objecto errante próximo proporciona-nos uma oportunidade de estudar o pirilampo com todo o pormenor, sem que as luzes brilhantes dos faróis do automóvel estraguem tudo."

Pensa-se que os objectos errantes, como o CFBDSIR2149, formem-se ou como planetas normais que foram expelidos dos seus sistemas planetários, ou como objectos solitários, tais como estrelas muito pequenas ou anãs castanhas. Em ambos os casos, estes objectos são bastante intrigantes - ou como planetas sem estrela ou como os objectos mais pequenos possíveis, num intervalo que vai desde as estrelas de maior massa às mais pequenas anãs castanhas.

"Estes objectos são importantes, já que nos podem ajudar a compreender melhor como é que os planetas são ejectados dos sistemas planetários ou como é que objectos muito leves podem resultar do processo de formação estelar," diz Philippe Delorme. "Se este pequeno objecto for um planeta ejectado do seu sistema nativo, dá-nos a imagem de mundos órfãos, errando no vazio do espaço."

Estes mundos podem ser comuns - talvez tão numerosos como as estrelas normais. Se o CFBDSIR2149 não estiver associado à Associação AB Doradus, será mais complicado conhecer a sua natureza e propriedades, e poderá antes ser caracterizado como uma anã castanha. Ambos os cenários representam questões importantes sobre como planetas e estrelas se formam e comportam.

"Trabalho adicional deverá confirmar se o CFBDSIR2149 é um planeta errante," conclui Philippe Delorme. "Este objecto poderá ser usado como base de dados para compreender a física de qualquer exoplaneta semelhante, que seja descoberto com futuros sistemas especiais de imagens de elevado contraste, incluindo o instrumento SPHERE, que será instalado no VLT.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Astronomy & Astrophysics
Universe Today
Astronomy
SPACE.com
PHYSORG
BBC News
AstroPT
cienciapt.net
Público

Planetas extrasolares:
Planeta errante (Wikipedia)
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 


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Impressão de artista do planeta errante CFBDSIR J214947.2-040308.9. É o objecto deste género mais próximo do Sistema Solar, não orbita em torno de uma estrela e por isso, não brilha com luz reflectida; o fraco brilho que emite pode apenas ser detectado no infravermelho. O objecto parece azulado nesta imagem infravermelha porque muita da radiação nos maiores comprimentos de onda infravermelhos é absorvida por metano e outras moléculas existentes na atmosfera do planeta. No visível, o objecto é tão frio que apenas brilharia muito pouco com uma cor vermelha escura, quando visto de perto.
Crédito: ESO/L. Calçada/P. Delorme/Nick Risinger/R. Saito/Consórcio VVV
(clique na imagem para ver versão maior)


Esta imagem obtida com o instrumento SOFI, montado no New Technology Telescope do ESO, no Observatório de La Silla, mostra o planeta errante CFBDSIR J214947.2-040308.9 no infravermelho. Este objecto aparece como um ténue ponto azul no centro da imagem e está marcado com uma cruz.
Crédito: ESO/P. Delorme
(clique na imagem para ver versão maior)

 
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