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PLANETAS TIPO-TERRA NA "PORTA AO LADO"
8 de Fevereiro de 2013

 

Usando dados publicamente disponíveis do Telescópio Espacial Kepler da NASA, astrónomos do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (CfA) descobriram que 6% das estrelas anãs vermelhas têm planetas habitáveis do tamanho da Terra. Dado que as anãs vermelhas são as estrelas mais comuns da nossa Galáxia, o planeta tipo-Terra mais próximo pode estar a apenas 13 anos-luz de distância.

"Nós pensávamos que tínhamos que pesquisar vastas distâncias para encontrar um planeta tipo-Terra. Agora percebemos que outra Terra está, provavelmente, no nosso próprio quintal, à espera de ser descoberta," afirma Courtney Dressing, astrónoma de Harvard e a autora principal do estudo.

Dressing apresentou as suas descobertas no passado dia 6 numa conferência no Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica em Cambridge, no estado americano de Massachusetts.

As anãs vermelhas são estrelas mais pequenas, frias e ténues que o nosso Sol. Uma anã vermelha normal tem apenas um-terço do tamanho e um milésimo do brilho do Sol. Da Terra, nenhuma anã vermelha é visível a olho nu.

Apesar do seu fraco brilho, estas estrelas são bons lugares para procurar planetas semelhantes à Terra. As anãs vermelhas constituem três-quartos das estrelas na Via Láctea, num total de pelo menos 75 mil milhões. O sinal de um planeta em trânsito é maior uma vez que a própria estrela é mais pequena, por isso um mundo tipo-Terra bloqueia mais do disco da estrela. E uma vez que o planeta tem que orbitar mais perto de uma estrela fria a fim de estar na zona habitável, é mais provável que transite a partir do nosso ponto de vista.

Dressing estudou o catálogo Kepler de 158.000 estrelas-alvo para identificar todas as anãs vermelhas. Ela então reanalisou essas estrelas para calcular tamanhos mais precisos e temperaturas. Descobriu que quase todas essas estrelas eram mais pequenas e mais frias do que se pensava anteriormente.

Dado que o tamanho de um planeta em trânsito é determinado relativamente ao tamanho da estrela, com base na quantidade de disco estelar que o planeta cobre, ao encolher a estrela encolhemos o planeta. E uma estrela mais fria terá uma zona habitável mais próxima.

Dressing identificou 95 candidatos a planeta em órbita de estrelas anãs vermelhas. Isto implica que pelo menos 60% destas estrelas têm planetas mais pequenos que Neptuno. No entanto, a maioria não tinha o tamanho ideal ou temperatura para serem considerados verdadeiros planetas tipo-Terra. Três candidatos planetários eram quentes e aproximadamente do tamanho da Terra. Estatisticamente, isto significa que 6% de todas as anãs vermelhas devem ter um planeta como a Terra.

"Sabemos agora a taxa de ocorrência de planetas habitáveis em torno das estrelas mais comuns da Galáxia," afirma David Charbonneau, co-autor do estudo, também do CfA. "Esta taxa significa que será muito mais fácil procurar vida fora do Sistema Solar do que se pensava anteriormente."

O nosso Sol é rodeado por um enxame de estrelas anãs vermelhas. Cerca de 75% das estrelas mais próximas são anãs vermelhas. Dado que 6% devem acolher planetas habitáveis, o mundo tipo-Terra mais próximo pode estar provavelmente a apenas 13 anos-luz de distância.

A localização de planetas tipo-Terra próximos pode exigir um pequeno telescópio espacial dedicado, ou uma grande rede de telescópios terrestres. Mais estudos com instrumentos como o Grande Telescópio Magalhães ou o Telescópio Espacial James Webb podem dizer-nos se algum destes planetas em trânsito tem uma atmosfera e mais detalhes da sua química.

Tal planeta seria muito diferente do nosso. Orbitando tão perto da sua estrela-mãe, o planeta estaria provavelmente preso pelas forças de marés (fenómeno que acontece, por exemplo, no sistema Terra-Lua). No entanto, isso não impede vida desde que uma atmosfera razoavelmente espessa ou um oceano profundo possa transportar calor pelo planeta. E enquanto as jovens anãs vermelhas emitirem fortes proeminências de radiação ultravioleta, uma atmosfera poderia proteger a vida à superfície do planeta. De facto, estes desafios podem ajudar a vida a evoluir.

"Não precisamos de um clone da Terra para ter vida," realça Dressing.

Dado que as anãs vermelhas vivem muito mais tempo do que estrelas semelhantes ao Sol, esta descoberta levanta a interessante possibilidade de que a vida em tal planeta possa ser muito mais velha e evoluída do que a vida na Terra.

"Podemos encontrar uma Terra com 10 mil milhões de anos," especula Charbonneau.

Os três candidatos planetários na zona habitável identificados neste estudo são KOI (Kepler Object of Interest) 1422.02, com 90% do tamanho da Terra numa órbita de 20 dias; KOI 2626.01, 1,4 vezes o tamanho da Terra numa órbita de 38 dias; e KOI 854.01, 1,7 vezes o tamanho da Terra numa órbita de 56 dias. Todos os três estão localizados entre 300 e 600 anos-luz de distância e orbitam estrelas com temperaturas entre os 3150 e 3260º C (em comparação, a superfície do nosso Sol ronda os 5500º C).

Os resultados serão publicados na revista The Astrophysical Journal.

Links:

Notícias relacionadas:
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Universe Today
Sky & Telescope
New Scientist
PHYSORG
SPACE.com
SPACE.com - 2
redOrbit
The Space Reporter
UPI.com
Discovery News
BBC News
AstroPT

Anãs vermelhas:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas confirmados (Wikipedia)
Lista de planetas não confirmados (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Mapa das zonas de estudo do Kepler (formato PDF)
Wikipedia


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Esta impressão de artista mostra um hipotético planeta habitável com duas luas em órbita de uma anã vermelha.
Crédito: David A. Aguilar (CfA)
(clique na imagem para ver versão maior)


Os três candidatos planetários (a azul) têm 0,9, 1,4 e 1,7 vezes o tamanho da Terra. Neste gráfico, a luz recebida pelo planeta aumenta da esquerda para a direita, e por isso a distância à estrela diminui da esquerda para a direita. O tamanho dos planetas aumenta de baixo para cima.
Crédito: C. Dressing (CfA)
(clique na imagem para ver versão maior)


Quando é jovem, uma anã vermelha expele frequentemente radiação ultravioleta, como visto aqui na impressão de artista.
Crédito: David A. Aguilar (CfA)
(clique na imagem para ver versão maior)

 
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