Top thingy left
 
SURPRESA POEIRENTA EM TORNO DE BURACO NEGRO GIGANTE
21 de Junho de 2013

 

O interferómetro do VLT (Very Large Telescope) do ESO obteve as observações mais detalhadas de sempre da poeira situada em torno do enorme buraco negro que se encontra no centro de uma galáxia activa. Em vez de encontrar toda a poeira brilhante num toro em forma de donut circundando o buraco negro, os astrónomos descobriram que muita desta poeira se encontra acima e abaixo do toro. Estas observações mostram que a poeira está a ser empurrada para longe do buraco negro sob a forma de vento frio - uma descoberta surpreendente que desafia as actuais teorias e nos diz como é que um buraco negro de elevada massa evolui e interage com o meio que o circunda.

Nos últimos vinte anos, os astrónomos descobriram que quase todas as galáxias têm um enorme buraco negro no seu centro. Alguns destes buracos negros estão em fase de crescimento sugando matéria do meio circundante e dando origem neste processo aos objectos mais energéticos do Universo: os núcleos activos de galáxias (NAGs). As regiões centrais destas brilhantes centrais de energia encontram-se rodeadas por donuts de poeira cósmica arrancada ao espaço circundante, um pouco como a água dá origem a um redemoinho em torno do ralo de um lava-loiças. Pensa-se que a maior parte da intensa radiação infravermelha emitida pelos NAGs tem origem nestes donuts.

No entanto, novas observações de uma galáxia activa próxima chamada NGC 3783, obtidas por uma equipa internacional de astrónomos, com o auxílio do Interferómetro do VLT (VLTI) no Observatório do Paranal do ESO, no Chile, surpreenderam a equipa. Embora a poeira quente - com uma temperatura de cerca de 700 a 1000 graus Celsius - apresente, de facto, a forma de um toro como o esperado, encontraram-se igualmente enormes quantidades de poeira mais fria acima e abaixo do toro principal.

Como explica Sebastian Hönig (Universidade da Califórnia em Santa Barbara, EUA e Christian-Albrechts e Christian-Albrechts-Universität zu Kiel, Alemanha), autor principal do artigo que descreve estes resultados: "esta é a primeira vez que conseguimos combinar observações detalhadas no infravermelho médio da poeira fria, isto é, à temperatura ambiente, em torno de um NAG com observações igualmente detalhadas da poeira muito quente. Estas observações representam igualmente a maior colecção de dados de um NAG obtidos no infravermelho pelo método de interferometria, publicados até à data."

A poeira recém-descoberta forma um vento frio que sopra para longe do buraco negro. Este vento deve desempenhar um papel importante na relação complexa entre o buraco negro e o meio circundante. O buraco negro sacia o seu apetite devorador com material circundante, mas a intensa radiação que produz nesse processo parece estar ao mesmo tempo a afastar o material. Não é ainda claro como é que estes dois processos interagem, permitindo ao buraco negro crescer e evoluir no coração das galáxias, mas a presença de um vento de poeira acrescenta uma nova peça a este cenário.

De modo a investigar as regiões centrais da NGC 3783, os astrónomos necessitaram de combinar o poder dos telescópios principais do VLT. A utilização destes telescópios em uníssono forma um interferómetro que consegue obter uma resolução equivalente à de um telescópio de 130 metros de diâmetro.

Outro membro da equipa, Gerd Weigelt (Max-Planck-Institut für Radioastronomie, Bona, Alemanha), explica: "ao combinarmos a excelente sensibilidade dos espelhos grandes do VLT pelo método da interferometria, conseguimos recolher radiação suficiente para observar objectos ténues, o que nos permite estudar uma região tão pequena quanto a distância do Sol à estrela mais próxima, e isto numa galáxia a dezenas de milhões de anos-luz de distância. Nenhum outro sistema óptico ou infravermelho actualmente em existência seria capaz deste feito."

Estas novas observações podem levar a alterações na compreensão dos NAGs. Temos agora uma evidência directa de que a poeira está a ser empurrada pela radiação intensa. Os modelos que prevêem como é que a poeira se distribui e como é que os buracos negros crescem e evoluem têm que, a partir de agora, levar em linha de conta este efeito recém-descoberto.

Hönig conclui: "tenho uma grande expectativa relativamente ao MATISSE, que permitirá combinar os quatro telescópios principais do VLT ao mesmo tempo e observar simultaneamente no infravermelho próximo e médio, o que nos dará dados muito mais detalhados." O MATISSE, um instrumento de segunda geração para o VLTI, está actualmente a ser construído.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Universe Today
SPACE.com
redOrbit
PHYSORG

NGC 3783:
Wikipedia
SEDS

Buracos negros supermassivos:
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia


comments powered by Disqus

 


Esta impressão de artista mostra os arredores do buraco negro de elevada massa que se encontra no coração da galáxia activa NGC 3783, situada na constelação austral do Centauro.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)

 
Top Thingy Right