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LANÇAMENTO DO OBSERVATÓRIO GAIA
20 de Dezembro de 2013

 

A missão Gaia da ESA levantou voo ontem a bordo de um foguetão Soyuz, a partir do Porto Espacial Europeu em Kourou, na Guiana Francesa, com o emocionante objectivo de estudar mil milhões de sóis. O Gaia está destinado a criar o mapa mais detalhado da Via Láctea. Ao fazer medições precisas das posições e movimentos de 1% da população total das cerca de 100 mil milhões de estrelas, vai responder a perguntas sobre a origem e evolução da nossa Galáxia.

O foguetão Soyuz, operado pela Arianespace, levantou voo às 09:12 (hora portuguesa). Cerca de dez minutos depois, após a separação dos primeiros três estágios, o estágio superior Fregat colocou o observatório espacial numa órbita temporária a uma altitude de 175 km. Onze minutos depois, um segundo disparo do Fregat levou o Gaia até à sua órbita de transferência, seguida por uma separação do estágio superior 42 minutos após a descolagem. A telemetria e o controlo de altitude foram estabelecidos pelos controladores no centro de operações da ESA em Darmstadt, Alemanha, e a nave espacial começou a activar os seus sistemas.

 
 

O escudo solar, que mantém o Gaia na sua temperatura de funcionamento e transporta células solares para alimentar o satélite, foi aberto numa sequência automática de 10 minutos, completada cerca de 88 minutos após o lançamento. O Gaia vai agora a caminho de uma órbita em torno do ponto virtual no espaço, gravitacionalmente estável, chamado L2, a cerca de 1,5 milhões de quilómetros para lá da Terra a partir da perspectiva do Sol.

Hoje, os engenheiros vão enviar comandos para o Gaia realizar o primeiro de dois disparos críticos dos seus propulsores de modo a garantir que se encontra na trajectória certa em direcção à sua órbita em L2. A fase de comissionamento de quatro meses vai começar a caminho de L2, durante a qual todos os sistemas e instrumentos serão ligados, verificados e calibrados. O Gaia estará então pronto a começar sua missão científica de cinco anos. O escudo solar do Gaia vai bloquear o calor e a luz do Sol e da Terra, proporcionando o ambiente estável necessário para os seus instrumentos sofisticados recolherem um censo extraordinariamente sensível e preciso das estrelas da Via Láctea.

"O Gaia promete construir sobre o legado da primeira missão de mapeamento estelar da ESA, Hiparco, lançada em 1989, para revelar a história da galáxia em que vivemos," afirma Jean-Jacques Dordain, Director-Geral da ESA. "Esta missão de próxima geração está verdadeiramente a caminho de fazer descobertas revolucionárias sobre a nossa Via Láctea, e isso deve-se ao conhecimento da indústria espacial europeia e à comunidade científica."

Varrendo repetidamente o céu, o Gaia vai observar cada uma das mil milhões de estrelas, em média, 70 vezes ao longo dos próximos cinco anos. Vai medir a posição e as propriedades físicas de cada estrela, incluindo o brilho, temperatura e composição química.

Tirando proveito da ligeira mudança de perspectiva que ocorre à medida que o Gaia orbita o Sol durante um ano (a chamada paralaxe), vai medir as distâncias das estrelas e, ao observá-las pacientemente ao longo de toda a missão, os seus movimentos no céu. A posição, movimento e propriedades de cada estrela fornece pistas sobre a sua história, e o enorme censo do Gaia permitirá aos cientistas reunir uma "árvore genealógica" da nossa Galáxia. Os movimentos das estrelas podem ser colocados em "retrocesso" para saber mais sobre de onde vieram e como a Via Láctea foi montada ao longo dos milhares de milhões de anos a partir da fusão de galáxias mais pequenas, e também "avançar rapidamente no futuro" para aprender mais sobre o seu destino final.

"O Gaia representa um sonho de astrónomos ao longo da História, desde as observações pioneiras do astrónomo grego Hiparco, que catalogou as posições relativas de aproximadamente mil estrelas a olho nu e com simples geometria," comenta Alvaro Giménez, Director de Ciência e Exploração Robótica da ESA. "Mais de 2000 anos depois, o Gaia não só irá produzir um censo estelar incomparável, mas ao longo do caminho tem o potencial para descobrir novos asteróides, planetas e estrelas moribundas."

Ao comparar os seus estudos repetidos do céu, o Gaia também vai descobrir dezenas de milhares de supernovas, os gritos de morte de estrelas à medida que chegam ao final das suas vidas e explodem. E pequenas oscilações periódicas nas posições de algumas estrelas devem revelar a presença de planetas em órbita, à medida que puxam as estrelas de lado a lado. O Gaia vai também descobrir novos asteróides no nosso Sistema Solar, refinar as órbitas daqueles já conhecidos e fazer testes precisos da famosa teoria da Relatividade Geral de Einstein.

Após os cinco anos, o arquivo de dados será superior a 1 Petabyte ou 1 milhão de Gigabytes, o equivalente a aproximadamente 200.000 DVDs. A tarefa de processar e analisar esta quantidade avassaladora de dados será da responsabilidade do Consórcio de Processamento de Dados e Análise do Gaia, que envolve mais de 400 indivíduos pertencentes a institutos científicos de toda a Europa.

"O observatório espacial Hiparco catalogou 120.000 estrelas, e o Gaia irá analisar quase 10.000 vezes mais e com uma precisão cerca de 40 vezes superior," acrescenta Timo Prusti, cientista do projecto Gaia da ESA. "Juntamente com dezenas de milhares de outros objectos celestes e planetários, este vasto tesouro dar-nos-á uma nova visão da nossa vizinhança cósmica e da sua história, permitindo-nos explorar as propriedades fundamentais do nosso Sistema Solar e da Via Láctea e o nosso lugar no Universo mais amplo.

"Depois de anos de determinação e trabalho árduo de todos os envolvidos na missão, estamos muito satisfeitos por ver a nossa máquina da descoberta a caminho de L2, onde vai continuar a nobre tradição europeia de mapear as estrelas e decifrar a história da Via Láctea," conclui Giuseppe Sarri, gestor do projecto Gaia da ESA.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Vídeo do lançamento (ESA)
Gaia: desde o lançamento até órbita (ESA)
PHYSORG
SPACE.com
Sky & Telescope
Space Daily
spaceref
Spaceflight Now
redOrbit
BBC News
BBC News - 2
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Gaia:
ESA
ESA - 2
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Ponto L2 de Lagrange:
Wikipedia


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Lançamento do Gaia, a bordo de um foguetão Soyuz VS06, a partir da Guiana Francesa.
Crédito: ESA-S. Corvaja, 2013
(clique na imagem para ver versão maior)


O Gaia vai mapear as estrelas da Via Láctea.
Crédito: ESA/ATG medialab; fundo: ESO/S. Brunier
(clique na imagem para ver versão maior)


O escudo solar do Gaia durante um teste na Guiana Francesa, no dia 10 de Outubro de 2013.
Crédito: ESA-M. Pedoussaut, 2013
(clique na imagem para ver versão maior)

 
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