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CIENTISTAS RECONSTROEM ANTIGO IMPACTO QUE FAZ ASTERÓIDE QUE DESTRUIU OS DINOSSAUROS PARECER PEQUENO
11 de Abril de 2014

 

Imagine: um enorme asteróide com o tamanho da distância directa entre Faro e Portimão ou entre 3 e 5 vezes o tamanho da rocha que dizimou os dinossauros colide com a Terra. A colisão cria uma cratera na crosta do planeta com quase 500 km de diâmetro: a distância directa entre Faro e Saragoça (Espanha) ou entre 2 a 5 vezes maior que a cratera formada aquando da extinção dos dinossauros. Sismos, maiores do que qualquer outro já registado, abalam o planeta durante hora e meia em qualquer local da Terra - cerca de seis vezes maiores do que o grande sismo que atingiu o Japão há três anos atrás. O impacto também desencadeia tsunamis muitas vezes mais profundos que o que se seguiu ao sismo japonês.

Embora os cientistas já tenham teorizado impactos enormes e antigos, muito maiores do que aquele que eliminou os dinossauros há 65 milhões de anos atrás, agora um novo estudo revela o poder e a escala de um evento cataclísmico há cerca de 3,26 mil milhões de anos atrás, que se pensa ter criado características geológicas encontradas numa região da África do Sul conhecida como cintura de rochas verdes de Barberton. A pesquisa foi aceite para publicação na Geochemistry, Geophysics, Geosystems, uma revista da União Geofísica Americana.

O grande impactante - entre 37 e 58 km de diâmetro - colidiu com o planeta a 20 km/s. O abalo, maior do que um tremor de terra de magnitude 10,8, impulsionou ondas sísmicas centenas de quilómetros pela Terra, quebrando rochas e desencadeando outros grandes sismos. Tsunamis com milhares de metros de profundidade - muito maiores do que os gerados por sismos - varreram os oceanos que cobriam a maior parte da Terra nessa altura.

"Sabíamos que era grande, mas não sabíamos quão grande," afirma Donald Lower, geólogo da Universidade de Stanford e co-autor do estudo, em relação ao asteróide.

Lower, que descobriu formações rochosas intrigantes nas rochas verdes de Barberton há uma década atrás, pensava que a sua estrutura assinalava um impacto de asteróide. Segundo Lowe, a nova pesquisa modela pela primeira vez o tamanho do asteróide e o efeito que teve no planeta, incluindo o eventual início de um sistema de placas tectónicas mais moderno que se vê na região.

O estudo marca a primeira vez que os cientistas mapearam deste modo um impacto ocorrido há mais de 3 mil milhões de anos atrás, acrescenta Lowe, e é provável que seja uma das primeiras vezes que alguém modelou qualquer impacto que ocorreu durante este período da evolução da Terra.

O impacto teria sido catastrófico para o ambiente à superfície. O impacto do asteróide mais pequeno, responsável pela aniquilação dos dinossauros, tem uma energia estimada em mais de mil milhões de vezes a energia das bombas que destruíram Hiroxima e Nagasaki. De acordo com os especialistas, o impacto mais antigo teria libertado muito mais energia.

O céu tornou-se vermelho quente, a atmosfera ficou repleta de poeira e o topo dos oceanos ferveu. O impacto expeliu rocha vaporizada para a atmosfera, que cercou o globo e condensou-se em gotículas líquidas antes de solidificar e cair para a superfície.

O impacto pode ter sido apenas um de dúzias de grandes asteróides que os cientistas pensam que atingiram a Terra durante o final do Último Grande Bombardeamento, um grande período de impactos que ocorreram no início da história da Terra - há cerca de 3-4 mil milhões de anos atrás.

Muitos dos locais onde estes asteróides aterraram foram destruídos pela erosão, pelo movimento da crosta terrestre e por outras forças à medida que a Terra evoluía, mas os geólogos descobriram um punhado de áreas na África do Sul e na Austrália Ocidental que ainda contêm evidências destes impactos que ocorreram há 3,23-3,47 mil milhões de anos atrás. Os co-autores do estudo pensam que o asteróide atingiu a Terra a milhares de quilómetros de distância da cintura de rochas verdes de Barberton, embora não consigam determinar a sua localização exacta.

"Não podemos ir aos locais de impacto. A fim de melhor entender quão grande era e qual o seu efeito precisamos de estudos como este," comenta Lowe. Ele realça que os cientistas têm que usar as evidências geológicas destes impactos para compreender o que aconteceu com a Terra durante este tempo.

As conclusões do estudo têm importantes implicações para a compreensão da Terra primitiva e da formação do planeta. O impacto pode ter perturbado a crosta e o regime tectónico que caracterizava o planeta na altura, levando ao início de um sistema de placas tectónicas mais moderno.

A "pancadaria" que o planeta suportou foi "muito maior do que qualquer terramoto normal," acrescenta Norman Sleep, físico da Universidade de Stanford e co-autor do estudo. Ele usou física, modelos e conhecimento acerca das formações na cintura de rochas verdes de Barberton, outros sismos e outros locais de impacto de asteróides na Terra e na Lua para calcular a força e duração da agitação provocada pelo asteróide. Usando estas informações, Sleep recreou o modo como as ondas viajaram do local de impacto até à cintura de rochas verdes de Barberton e como criaram as formações geológicas.

A evidência geológica que o artigo investiga, encontrada em Barberton, indica que o asteróide era "muito maior do que qualquer outro nos últimos mil milhões de anos," afirma Jay Melosh, professor da Universidade de Purdue, em West Lafayette, Indiana, EUA, que não esteve envolvido na pesquisa.

A cintura de rochas verdes de Barberton é uma área com 100 km de comprimento e 60 km de largura, situada a leste de Joanesburgo, perto da fronteira com a Suazilândia. Contém algumas das rochas mais antigas do planeta.

Segundo Frank Kyte, geólogo da UCLA que não esteve envolvido no estudo, o modelo fornece evidências para as formações rochosas e fracturas da crosta terrestre que os cientistas descobriram na cintura de rochas verdes de Barberton.

"Isto apoia claramente a ideia que o impacto pode ter sido responsável por esta grande mudança na tectónica," realça.

A reconstrução do impacto de asteróide pode também ajudar os cientistas a melhor compreender as condições sob as quais a vida primitiva evoluiu no planeta. Juntamente com a alteração da própria Terra, as mudanças ambientais provocadas pelo impacto podem ter dizimado muitos organismos microscópicos que viviam no planeta em desenvolvimento, permitindo com que outros organismos evoluíssem.

"Estamos tentando compreender as forças que moldaram o nosso planeta no início da sua evolução e os ambientes em que a vida evoluiu," conclui Lowe.

Links:

Notícias relacionadas:
União Geofísica Americana (comunicado de imprensa)
Geochemistry, Geophysics, Geosystems (requer subscrição)
Universe Today
SPACE.com
redOrbit
Forbes
Wired
io9

Cintura de rochas verdes de Barberton:
Wikipedia


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Representação gráfica do tamanho do asteróide que matou os dinossauros, e a cratera que criou, comparada com um asteróide que se pensa ter atingido a Terra há 3,26 mil milhões de anos atrás e o tamanho da cratera que pode ter criado. Um novo estudo revela o poder e a escala do evento de há 3,26 mil milhões anos que os cientistas pensam ter criados características geológicas encontradas numa região da África do Sul conhecida como cintura de rochas verdes de Barberton.
Crédito: União Geofísica Americana
(clique na imagem para ver versão maior)


Imagem de satélite da cintura de rochas verdes Barberton em torno da cidade de Barberton, África do Sul.
Crédito: NASA Earth Observatory/Landsat/USGS/Jesse Allen
(clique na imagem para ver versão maior)

 
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