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HUBBLE: 25 ANOS EM ÓRBITA
24 de abril de 2015

 

O Telescópio Espacial Hubble, uma das joias mais valiosas da NASA e da ESA, comemora hoje 25 anos. Com mais de um milhão de observações, incluindo algumas das mais distantes e antigas galáxias já contempladas pelo ser humano, nenhum outro observatório espacial tocou tantas mentes e corações como o Hubble.

As duas agências espaciais estão a celebrar o aniversário com várias cerimónias oficiais e, um pouco por todo o continente europeu e americano, instituições científicas estão a homenagear o Hubble com várias iniciativas.

"O Hubble tornou-se parte da nossa cultura," afirma John Grunsfeld, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da NASA e ex-astronauta que voou nas últimas três missões de reparação do Hubble. Aqui fica um olhar sobre o quarto de século do Hubble em órbita a cerca de 569 km acima da Terra.

Um início "desfocado"

A construção do Hubble levou mais de uma década (rodeada por problemas de financiamento e atrasada pelo desastre do vaivém Challenger em 1986), até que foi lançado para órbita no dia 24 de abril de 1990, a bordo do vaivém espacial Discovery. A NASA queria um observatório livre da distorção atmosférica e, em alguns casos, da absorção da luz. As estrelas, por exemplo, não "piscam" quando vistas do espaço. O telescópio recebeu o nome do astrónomo americano Edwin Hubble que, na década de 1920, descobriu que o Universo está a expandir-se.

A elevada excitação transformou-se em profunda agonia quando se tornou aparente que o espelho primário do telescópio tinha defeitos de fabrico, resultando numa visão desfocada. O erro era de apenas 0,002 milímetros, o que pode parecer pequeno, mas é grande para óticas de precisão. Três anos mais tarde, com a reputação e todo o futuro da NASA em jogo, uma equipa de astronautas conseguiu restaurar, com peças adicionais, a visão tão prometida do Hubble.

Revisões gerais e afinações

Os astronautas visitaram o Hubble cinco vezes, entre 1993 e 2009, para fazer melhorias e reparações ao observatório espacial de 13,2 metros, aproximadamente o tamanho de um autocarro. Substituíram painéis solares e giroscópios falhados, detetores antigos deram lugar a instrumentos modernos. Este trabalho espacial é extremamente árduo e complicado, pelo que as missões de manutenção do Hubble são consideradas como dos maiores triunfos do voo espacial tripulado.

A última missão esteve quase para não acontecer: a NASA cancelou-a por razões de segurança, na sequência do desastre do Columbia em 2003. Mas o alvoroço público e a mudança de administração da NASA, juntamente com planos detalhados de resgate da tripulação (caso fosse necessário), levou à reintegração da missão. Quando o vaivém Atlantis descolou na sua última missão de manutenção, a NASA já tinha investido [ao longo do programa do Hubble] 10 mil milhões de dólares.

Grunsfeld, por três vezes o mecânico espacial de serviço, foi também a última pessoa a tocar no observatório espacial. Ele lembra-se de lhe dar uma "pequena palmadinha e uma saudação", dizendo, "Boa viagem, Hubble."

Devido à reforma dos vaivéns espaciais, o Hubble não poderá ser novamente reparado e atualizado.

Estatísticas impressionantes

De acordo com o STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, EUA, o Hubble já viajou quase 5,48 mil milhões de quilómetros, orbitando a Terra quase 137.000 vezes e fazendo mais de 1,2 milhões de observações de mais de 38.000 objetos celestes. Os objetos mais distantes já avistados pelo Hubble são galáxias primitivas a cerca de 13,3 mil milhões de anos-luz e remontam a mais ou menos 400 milhões de anos após a origem do Universo, conhecido como Big Bang.

O mesmo instituto afirma que o Hubble envia uma média de 829 gigabytes de dados de arquivo por mês. Ao todo, o telescópio espacial já produziu mais de 100 terabytes de dados.

Descobertas

Logo no início, o Hubble provou a existência de buracos negros supermassivos e descobriu que estão localizados no centro da maioria das galáxias. Também ajudou a identificar a idade do Universo - 13,8 mil milhões de anos - através da determinação da atual taxa de expansão do Universo, segundo Mario Livio, astrofísico do STScI, com uma incerteza de apenas 3%.

Graças ao Hubble, comentou Livio esta semana, os astrónomos sabem agora que a expansão cósmica está a acelerar por causa da misteriosa energia escura.

O telescópio espacial mostrou também que a taxa de nascimento estelar, no Universo, atingiu o seu valor mais elevado há cerca de 10 mil milhões de anos atrás e tem vindo a diminuir desde então.

O detalhe das imagens do Hubble foi crucial para o seu sucesso continuado. Permitiu com que os astrónomos vissem efeitos climatéricos e auroras noutros planetas, espreitassem berçários estelares e descobrissem planetas em órbita de outras estrelas.

Ao todo, os astrónomos publicaram 12.800 artigos científicos com base nos dados do Hubble. Algumas das pesquisas sobre supernovas, ou estrelas que explodem, contribuíram para o Prémio Nobel da Física em 2011.

Futuro

Grunsfeld diz que a probabilidade do Hubble continuar a operar até pelo menos 2020 é bastante alta. A gravidade está a baixar lentamente a órbita de 569 km do telescópio, mas a boa notícia é que a fraca atividade solar está a manter a atmosfera mais fina, o que por sua vez deverá manter o Hubble em funcionamento até à década de 2030.

Na última missão ao Hubble em 2009, Grunsfeld instalou um adaptador de ancoragem na parte inferior do telescópio. O plano era - e ainda é - poder um dia lançar um foguetão não tripulado ao Hubble para que possa ser instalado um motor que guie o telescópio para uma reentrada por cima do Oceano Pacífico.

A principal preocupação é o espelho primário de 2,4 metros: espera-se que sobreviva ao mergulho na atmosfera. É por isso que a NASA não quer que o Hubble desça, descontroladamente, em áreas mais povoadas.

Sucessor

O Telescópio Espacial James Webb da NASA, ESA e CSA (agência espacial canadiana) tem lançamento previsto para 2018, até 1,5 milhões de quilómetros da Terra. O JWST vai especializar-se no infravermelho, permitindo espreitar alguns dos recessos mais distantes e ténues do Universo. Isto deverá permitir com que o telescópio - cujo nome honra o falecido administrador da NASA que guiou os programas Mercury, Gemini e preparou o programa Apollo - olhe ainda mais longe que o Hubble no tempo e detete galáxias formadas uns meros 200 milhões de anos após o Big Bang.

Em 2019, o Webb deverá estar instalado e a funcionar juntamente com o Hubble e com novos e poderosos telescópios terrestres. "Será o novo pico da nossa capacidade de observar o cosmos e de tentar compreendê-lo," explica Grunsfeld. "Estou convencido que vão haver algumas grandes descobertas."

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Telescópio Espacial Hubble:
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Hubble, NASA 
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Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais


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Esta tapeçaria brilhante de estrelas jovens foi ontem divulgada para comemorar o 25.º aniversário do Hubble. O enxame gigante Westerlund 2 contém cerca de 3000 estrelas e está localizado a mais ou menos 20.000 anos-luz de distância da Terra na direção da constelação Carina. O enxame tem aproximadamente 2 milhões de anos e contém algumas das estrelas mais maciças e quentes da Via Láctea. A nuvem em redor revela uma paisagem repleta de pilares, cristas e vales, incumbadoras de estrelas bebé.
Crédito: NASA, ESA, Equipa de Arquivo do Hubble (STScI/AURA), A. Nota (ESA/STScI) e Equipa Científica Westerlund 2
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O braço robótico do vaivém Discovery coloca o Hubble no espaço em 1990.
Crédito: NASA/IMAX
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Com o planeta Terra como fundo, os astronautas da quinta missão de serviço do Hubble (STS-125) reparam e atualizam o telescópio espacial.
Crédito: NASA
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Os "Pilares da Criação" em M16, a Nebulosa da Águia, uma das imagens mais icónicas do Hubble.
Crédito: NASA, ESA, STScI, J. Hester e P. Scowen (Universidade Estatal do Arizona)
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Os momentos finais da quinta missão de manutenção do Hubble, a última vez que seres humanos estiveram tão perto do telescópio mais famoso de todos os tempos.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)

 
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