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SPITZER CONFIRMA EXOPLANETA ROCHOSO MAIS PRÓXIMO
4 de agosto de 2015

 


Esta impressão de artista mostra a silhueta do planeta rochoso HD 219134b. A 21 anos-luz de distância, o planeta é o mais próximo do nosso Sistema Solar que transita, ou passa em frente, da sua estrela.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
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Usando o Telescópio Espacial Spitzer da NASA, astrónomos confirmaram a descoberta do planeta rochoso mais próximo fora do nosso Sistema Solar, maior que a Terra e uma potencial mina de ouro de dados científicos.

Apelidado HD 219134b, este exoplaneta, que orbita demasiado perto da sua estrela para albergar vida, está a uns meros 21 anos-luz de distância. Apesar do planeta, propriamente dito, não poder ser observado diretamente, mesmo através de telescópios, a estrela que orbita é visível a olho nu, em céus escuros, na direção da constelação de Cassiopeia.

HD 219134b é também o exoplaneta mais próximo da Terra detetado por trânsito, ou seja, pela passagem em frente da sua estrela. Portanto, é perfeito para uma extensa pesquisa.

"Os exoplanetas em trânsito valem o seu peso em ouro porque podem ser amplamente caracterizados," afirma Michael Werner, cientista do projeto Spitzer no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia. "Este exoplaneta será um dos mais estudados das próximas décadas."

O planeta, inicialmente descoberto usando o instrumento HARPS-Norte acoplado ao telescópio italiano Galileu de 3,6 metros, nas Ilhas canárias, é o objeto de um estudo aceite para publicação na revista Astronomy & Astrophysics.

Ati Motalebi, a autora principal do estudo, do Observatório de Genebra, na Suíça, disse que acredita que o planeta é o alvo ideal para o Telescópio Espacial James Webb da NASA em 2018.

"O Webb e os grandes observatórios terrestres do futuro vão apontar, de certeza, para lá e examiná-lo em detalhe," comenta Motalebi.

Apenas uma pequena fração dos exoplanetas podem ser detetados pelo método de trânsito, devido às suas orientações em relação à Terra. Quando a orientação é a ideal, a órbita do planeta coloca-o entre a sua estrela e a Terra, diminuindo a luz estelar detetável. É esta diminuição de brilho que observatórios como o Spitzer observam, e pode revelar não só o tamanho do planeta, mas também indícios sobre a sua composição.

"A maioria dos planetas conhecidos estão a centenas de anos-luz de distância. Este é praticamente um vizinho," afirma o astrónomo e coautor do estudo Lars A. Buchhave do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica em Cambridge, Massachusetts, EUA. Para referência, o exoplaneta mais próximo conhecido é GJ674b, a 14,8 anos-luz; a sua composição é desconhecida.

HD 219134b foi avistado pela primeira vez pelo instrumento HARPS-Norte usando uma técnica chamada velocidade radial, na qual a massa e órbita do planeta podem ser medidas pela força que exerce sobre a estrela hospedeira. Determinou-se que o planeta tem uma massa 4,5 vezes superior à da Terra e uma órbita veloz com o período de 3 dias.

O Spitzer acompanhou o achado, descobrindo que o planeta transita a sua estrela. As medições infravermelhas do Spitzer revelaram o tamanho do planeta, cerca de 1,6 vezes o da Terra. Combinando o tamanho e a massa, chegamos a uma densidade de seis gramas por centímetro cúbico - confirmando que HD 219134b é um planeta rochoso.

Agora que os astrónomos sabem que HD 219134b transita a sua estrela, os cientistas vão "lutar entre si" para o observar a partir do solo e do espaço. O objetivo é recolher informações químicas da diminuição de brilho quando o planeta passa à frente da estrela. Se o planeta tem uma atmosfera, os compostos químicos podem imprimir padrões na luz estelar observada.

Os planetas rochosos como este, maiores que a Terra, pertencem à classe crescente de planetas com o nome super-Terras.

"Graças à missão Kepler da NASA, sabemos que as super-Terras são omnipresentes na nossa Galáxia, mas ainda sabemos muito pouco sobre estes exoplanetas," afirma Michael Gillon, coautor do artigo e da Universidade de Liege, na Bélgica, cientista-chefe da deteção do trânsito pelo Spitzer. "Temos agora um espécime local para estudar em maior detalhe. Pode ser considerado uma espécie de Pedra da Rosetta para o estudo das super-Terras."

Outras observações com o HARPS-Norte também revelaram outros três planetas no mesmo sistema, mais longínquos da estrela que HD 219134b. Dois são relativamente pequenos e não estão muito longe da estrela. Estes sistemas multiplanetários, pequenos e íntimos, são completamente diferentes do nosso Sistema Solar mas, tal como as super-Terras, estão a ser encontrados cada vez mais.

 


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Este mapa estelar mostra a posição da estrela HD 219134 (círculo), o lar do exoplaneta rochoso mais próximo já descoberto até à data. A estrela pode ser vista a olho nu sob céus escuros. Na realidade, o sistema tem vários planetas, nenhum dos quais é habitável.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/DSS
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Impressão de artista do possível aspecto do planeta HD 219134b, o exoplaneta rochoso mais próximo já descoberto até à data. O planeta tem 1,6 vezes o tamanho da Terra e completa uma órbita em torno da sua estrela-mãe em apenas 3 dias. Os cientistas prevêm que este planeta super-quente - que se sabe ser rochoso graças a medições da sua massa e tamanho - terá uma superfície parcialmente derretida e atividade geológica, possivelmente incluindo vulcões.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
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Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
JPL (via YouTube)
Science
Astronomy
POPULAR SCIENCE
Space Daily
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EarthSky
spaceref
PHYSORG
Popular Mechanics
SPACE.com
AstronomyNow
CNN
UPI
Observador
AstroPT
ZAP.aeiou

HD 219134b:
Wikipedia
Open Exoplanet Catalogue
Exoplanet.eu

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

 
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