Top thingy left
 
FRAGMENTO ÚNICO DA FORMAÇÃO DA TERRA VOLTA APÓS MILHARES DE MILHÕES DE ANOS DE CONGELAMENTO
3 de maio de 2016

 


Impressão artística do objeto único C/2014 S3 (PANSTARRS). Observações obtidas com o VLT (Very Large Telescope) do ESO e com o Telescópio Canadá-França-Hawaii, mostram que este é o primeiro objeto a ser descoberto numa órbita cometária de longo período, com as características imaculadas de um asteroide do Sistema Solar interior. O seu estudo pode dar-nos pistas importantes sobre a formação do Sistema Solar.
Uma vez que este objeto passou a maior parte da sua vida longe do Sistema Solar interior, sofreu poucas colisões e por isso a sua superfície apresenta poucas ou nenhumas crateras. Como se formou na mesma região que a Terra, é essencialmente rochoso e portanto possui muito pouca atividade cometária.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)

 

Os astrónomos descobriram um objeto único que parece ser formado de matéria do Sistema Solar interior na altura da formação da Terra e que estava preservado na Nuvem de Oort há milhares de milhões de anos. Observações obtidas com o VLT (Very Large Telescope) do ESO e com o Telescópio Canadá-França-Hawaii, mostram que C/2014 S3 (PANSTARRS) é o primeiro objeto a ser descoberto numa órbita cometária de longo período, com as características imaculadas de um asteroide do Sistema Solar interior. O seu estudo pode dar-nos pistas importantes sobre a formação do Sistema Solar.

Num artigo científico publicado a semana passada na revista Science Advances, a autora principal Karen Meech, do Instituto de Astronomia da Universidade do Hawaii, e colegas concluem que C/2014 S3 (PANSTARRS) se formou no Sistema Solar interior na mesma altura que a própria Terra, mas que foi ejetado numa fase muito inicial.

As observações indicam que se trata de um corpo rochoso antigo e não de um asteroide contemporâneo que se afastou. Como tal, é um dos potenciais blocos constituintes dos planetas rochosos, como a Terra, que foi expelido para fora do Sistema Solar interno e preservado em congelamento profundo na Nuvem de Oort durante milhares de milhões de anos.

Karen Meech explica a observação inesperada: "Conhecemos a existência de muitos asteroides, no entanto todos eles estão já 'cozinhados' pelos milhares de milhões de anos que passaram perto do Sol. Este é o primeiro asteroide 'cru' que observamos, tendo sido preservado no melhor congelador que existe!"

C/2014 S3 (PANSTARRS) foi originalmente identificado pelo telescópio Pan-STARRS1 como sendo um ténue cometa ativo, quando estava um pouco mais afastado do que duas vezes a distância da Terra ao Sol. O seu atual período orbital longo (cerca de 860 anos) sugere que a sua fonte será a Nuvem de Oort e que terá sido empurrado relativamente há pouco tempo para uma órbita que o traz próximo do Sol.

A equipa reparou imediatamente que C/2014 S3 (PANSTARRS) era invulgar, uma vez que não possui a cauda característica que a maioria dos cometas de período longo desenvolvem quando se aproximam demasiado do Sol. Deu-se-lhe assim o nome de cometa Manx, como o gato sem cauda. Algumas semanas após a sua descoberta, a equipa obteve espectros do ténue objeto com o VLT do ESO, no Chile.

Um estudo cuidado da luz refletida por C/2014 S3 (PANSTARRS) indica que se trata de um asteroide típico do tipo S, encontrado geralmente na cintura principal interna de asteroides. Não é parecido com um cometa típico, objetos que se pensa serem formados no Sistema Solar exterior e que são gelados em vez de rochosos. O material parece ter sido pouco processado, indicando que esteve congelado durante um longo período de tempo. A extremamente ténue atividade do tipo cometário associada a C/2014 S3 (PANSTARRS), que é consistente com a sublimação do gelo de água, é cerca de um milhão de vezes menor que nos cometas ativos de período longo que se encontram a distâncias semelhantes do Sol.

Os investigadores concluem que este objeto é provavelmente constituído por material do Sistema Solar interior que esteve guardado durante muito tempo na Nuvem de Oort e que agora encontrou o seu caminho de volta ao Sistema Solar interior.

Vários modelos teóricos conseguem reproduzir a maior parte da estrutura que vemos no Sistema Solar. Uma diferença importante entre estes modelos é o que preveem relativamente aos objetos que constituem a Nuvem de Oort. Os diferentes modelos preveem quocientes significativamente diferentes entre objetos gelados e rochosos. A primeira descoberta de um objeto rochoso na Nuvem de Oort é por isso um teste importante das diferentes previsões dos modelos. Os autores estimam que serão necessárias observações de 50 a 100 destes cometas Manx para se distinguir entre os atuais modelos, abrindo assim um caminho importante no estudo das origens do Sistema Solar.

O coautor Olivier Hainaut (ESO, Garching, Alemanha) conclui: "Descobrimos o primeiro cometa rochoso e estamos à procura de outros. Dependendo de quantos encontrarmos, saberemos se os planetas gigantes 'dançaram' ao longo do Sistema Solar quando eram jovens, ou se cresceram pacatamente sem grandes deslocações."

 


comments powered by Disqus

 


Observações obtidas com o VLT (Very Large Telescope) do ESO e com o Telescópio Canadá-França-Hawaii, mostram que C/2014 S3 (PANSTARRS) é o primeiro objeto a ser descoberto numa órbita cometária de longo período, com as características imaculadas de um asteroide do Sistema Solar interior. O seu estudo pode dar-nos pistas importantes sobre a formação do Sistema Solar.
Este diagrama mostra a história provável deste objeto tanto no Sistema Solar interior como no exterior durante um período de mais de 4 mil milhões de anos, sendo que a maioria deste tempo foi passada na periferia fria, na Nuvem de Oort.
Crédito: ESO/L. Calçada
(clique na imagem para ver versão maior)


Observações obtidas com o VLT (Very Large Telescope) do ESO e com o Telescópio Canadá-França-Hawaii, mostram que C/2014 S3 (PANSTARRS) é o primeiro objeto a ser descoberto numa órbita cometária de longo período, com as características imaculadas de um asteroide do Sistema Solar interior. O seu estudo pode dar-nos pistas importantes sobre a formação do Sistema Solar.
Esta imagem do cometa foi obtida pelo Telescópio Canadá-França-Hawaii.
Crédito: K. Meech (IfA/UH)/CFHT/ESO
(clique na imagem para ver versão maior)


Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Instituto para Astronomia da Universidade do Hawaii (comunicado de imprensa)
CFHT (comunicado de imiprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Science Advances
Astronomy
SPACE.com
ScienceDaily
New Scientist
(e) Science News
redOrbit
PHYSORG
Astronomy Now
Popular Mechanics
Discovery News
UPI
Forbes
engadget
gizmodo

C/2014 S3 (PANSTARRS):
NASA

Nuvem de Oort:
Wikipedia 
Nineplanets.org

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

Observatório do Canadá-França-Hawaii (CFHT):
Página oficial
Wikipedia

 
Top Thingy Right