Top thingy left
 
EXOPLANETA RECENTEMENTE DESCOBERTO PODE SER O MELHOR CANDIDATO PARA A PROCURA DE SINAIS DE VIDA
21 de abril de 2017

 


Esta impressão artística mostra o exoplaneta LHS 1140b, que orbita uma estrela anã vermelha situada a 40 anos-luz de distância da Terra. Este planeta pode ser o novo detentor do título "melhor local para procurar sinais de vida para além do Sistema Solar". Com o auxílio do instrumento HARPS montado em La Silla, e outros telescópios em todo o mundo, uma equipa internacional de astrónomos descobriu esta super-Terra em órbita na zona de habitabilidade da ténue estrela LHS 1140. Este mundo é um pouco maior do que a Terra mas muito mais massivo e reteve muito provavelmente a sua atmosfera.
Crédito: ESO/spaceengine.org
(clique na imagem para ver versão maior)

 

Um exoplaneta em órbita de uma estrela anã vermelha, situada a 40 anos-luz de distância da Terra, pode ser o novo detentor do título "melhor local para procurar sinais de vida para além do Sistema Solar". Com o auxílio do instrumento HARPS montado em La Silla, e outros telescópios em todo o mundo, uma equipa internacional de astrónomos descobriu uma "super-Terra" em órbita na zona de habitabilidade da ténue estrela LHS 1140. Este mundo é um pouco maior do que a Terra, mas muito mais massivo e reteve muito provavelmente a sua atmosfera. Este aspeto, juntamente com o facto de passar em frente da sua estrela progenitora ao longo da sua órbita, torna-o num dos mais interessantes alvos futuros para estudos atmosféricos. Os resultados deste trabalho foram publicados ontem na revista Nature.

A recentemente descoberta super-Terra LHS 1140b orbita na zona de habitabilidade de uma ténue estrela anã vermelha, chamada LHS 1140, situada na constelação de Baleia. As anãs vermelhas são muito mais pequenas e frias que o Sol e, embora LHS 1140b esteja dez vezes mais próximo da sua estrela do que a Terra está do Sol, recebe apenas cerca de metade da radiação estelar da sua estrela, quando comparado com a Terra, situando-se no meio da zona de habitabilidade. A partir da Terra vemos a sua órbita quase de perfil e quando o exoplaneta passa em frente da estrela bloqueia um pouco da radiação estelar emitida, algo que acontece uma vez por órbita, a cada 25 dias.

"Trata-se do exoplaneta mais interessante que descobrimos na última década," explica o autor principal deste estudo Jason Dittmann, do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (Cambridge, EUA). "Não podíamos desejar um melhor alvo para realizar uma das maiores buscas da ciência — a procura de vida para além da Terra."

"As atuais condições da anã vermelha são particularmente favoráveis — LHS 1140 roda mais lentamente e emite menos radiação de alta energia que outras estrelas de baixa massa semelhantes," explica o membro da equipa Nicola Astudillo-Defru do Observatório de Genebra, na Suíça.

Apesar do planeta se situar numa zona onde a vida tal como a conhecemos pode potencialmente existir, este corpo celeste não entrou muito provavelmente nesta região antes de 40 milhões de anos após a formação da estrela anã vermelha. Durante esta fase, o exoplaneta pode ter estado sujeito ao passado activo e volátil da sua estrela progenitora. Uma anã vermelha pode facilmente "limpar" a água da atmosfera de um planeta que se está a formar na sua vizinhança, levando a um efeito de estufa descontrolado, semelhante ao que observamos em Vénus.

Para que a vida tal como a conhecemos possa existir, um planeta tem que ter água à sua superfície e possuir atmosfera. Sabe-se que quando as anãs vermelhas são jovens emitem radiação que pode ser prejudicial às atmosferas dos planetas que as orbitam. Neste caso, o grande tamanho do planeta aponta para que um oceano de magma possa ter existido na sua superfície durante milhões de anos. Este oceano de lava fervente pode ter alimentado a atmosfera com vapor, muito depois da estrela ter atingido o seu atual estado calmo e de brilho constante, tendo assim fornecido água ao planeta.

A descoberta foi inicialmente feita pela infraestrutura MEarth, que detetou as primeiras depressões características na radiação estelar quando o planeta passa em frente à estrela. O instrumento HARPS do ESO (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher) fez seguidamente as cruciais observações de seguimento que confirmaram a presença de um exoplaneta do tipo super-Terra. O HARPS ajudou igualmente a determinar o período orbital e permitiu que tanto a massa do exoplaneta como a sua densidade fossem deduzidas.

Os astrónomos estimaram que a idade do planeta é pelo menos de 5 mil milhões de anos e deduziram também que tem um diâmetro 1,4 vezes maior do que o da Terra — quase 18.000 km. A massa é cerca de 7 vezes maior que a da Terra e por isso a sua densidade é muito mais elevada, o que aponta para que o exoplaneta seja muito provavelmente constituído por rochas com um núcleo denso de ferro.

Esta super-Terra pode ser a melhor candidata descoberta até agora para futuras observações para estudar e caracterizar a sua atmosfera, se esta existir. Dois dos membros europeus da equipa, Xavier Delfosse e Xavier Bonfils, ambos no CNRS e no IPAG em Grenoble, França, concluem: "O sistema LHS 1140 pode vir a ser um alvo ainda mais importante para a futura caracterização de planetas na zona de habitabilidade do que Proxima b ou TRAPPIST-1. Este tem sido um ano extraordinário no que concerne descobertas de exoplanetas!"

Em particular, observações a realizar brevemente com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostrarão exatamente quanta radiação de alta energia está a ser enviada para LHS 1140b, por isso a sua capacidade de poder suportar vida poderá ser melhor limitada.

Num futuro não muito distante — quando novos telescópios como o ELT (Extremely Large Telescope) do ESO estiverem operacionais — é muito provável que possamos fazer observações detalhadas das atmosferas de exoplanetas e LHS 1140b é um candidato excecional para tais estudos.

 


comments powered by Disqus

 


Este planeta situa-se na zona de habitabilidade de água líquida que rodeia a sua estrela progenitora, uma anã vermelha pequena e ténue chamada LHS 1140. O planeta tem cerca de 6,6 vezes mais massa que a Terra e na imagem vemo-lo a passar em frente de LHS 1140. A azul mostramos a atmosfera que o planeta pode ter retido.
Crédito: M. Weiss/CfA
(clique na imagem para ver versão maior)


Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
Nature
Astronomy
Sky & Telescope
SPACE.com
Smithsonian
PHYSORG
Science alert
Astrobiology web
COSMOS
New Scientist
Scientific American
ScienceDaily
National Geographic
Gizmodo
engadget
Público
Jornal de Notícias
Observador
AstroPT
ZAP.aeiou

LHS 1140:
SIMBAD
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Observatório La Silla:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

Projeto MEarth:
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica
Wikipedia

 
Top Thingy Right