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APROXIMA-SE O FIM DA MISSÃO CASSINI
1 de setembro de 2017

 


Nesta ilustração, a sonda Cassini da NASA viaja em direção à divisão entre Saturno e os seus anéis durante um de 22 mergulhos idênticos da fase final da missão. A sonda fará um mergulho final na atmosfera de Saturno dia 15 de setembro.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)

 

A sonda Cassini da NASA está a 15 dias do mergulho na atmosfera de Saturno, mergulho este que assinalará o fim da missão. A sua "queda" fatídica de dia 15 de setembro é uma conclusão inevitável - um impulso gravitacional de dia 22 de abril, cedido pela lua Titã, colocou o veículo espacial de duas toneladas e meia no percurso para a iminente destruição. No entanto, ainda devem ocorrer vários marcos da missão ao longo das próximas duas semanas, a fim de preparar a nave para o último surto de ciência pioneira.

"A missão Cassini esteve repleta de avanços científicos e as nossas revelações planetárias únicas vão continuar até ao fim, à medida que se torna na primeira sonda de Saturno a 'provar' a atmosfera do planeta até ao último segundo," comenta Linda Spilker, cientista do projeto Cassini do JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "Vai transmitir os dados quase em tempo real à medida que se lança na atmosfera - é verdadeiramente um evento único em Saturno."

Espera-se que a nave perca o contacto via rádio com a Terra aproximadamente um a dois minutos depois de começar a sua descida na atmosfera superior de Saturno. Mas, na descida, antes de perder contacto, oito dos 12 instrumentos da Cassini vão estar em funcionamento. Em particular, o INMS (ion and neutral mass spectrometer), que vai "provar" diretamente a composição da atmosfera, potencialmente transmitindo informações sobre a formação e evolução do planeta gigante. No dia anterior ao mergulho, outros instrumentos da Cassini farão observações detalhadas e em alta resolução das auroras, temperatura e dos vórtices nos polos de Saturno. A câmara da Cassini estará desligada durante esta descida final, tendo obtido um último olhar sobre o sistema de Saturno no dia anterior (14 de setembro).

 

Na sua última semana, a Cassini passará vários marcos a caminho do seu mergulho rico em ciência. Os tempos abaixo são previsões e podem mudar ligeiramente. Consulte este link para tempos atualizados.

  • 9 de setembro - a Cassini fará a última de 22 passagens entre o próprio Saturno e os seus anéis - a aproximação máxima é de 1680 km acima das nuvens;
  • 11 de setembro - a Cassini fará um distante "flyby" pela maior lua de Saturno, Titã. Embora a nave esteja a 119.049 km de distância, a influência gravitacional da lua vai abrandá-la ligeiramente;
  • 14 de setembro - as câmaras da Cassini vão obter o seu último olhar do sistema de Saturno, transmitindo imagens das luas Titã e Encélado, do jato em forma de hexágono no polo norte do planeta e de características nos anéis;
  • 14 de setembro (22:45 hora portuguesa) - a Cassini gira a sua antena para apontar para a Terra e começa um elo de comunicações que prosseguirá até ao final da missão, enviando as suas imagens finais e outros dados recolhidos ao longo do caminho;
  • 15 de setembro (09:37 hora portuguesa) - Começa o "mergulho final". A sonda gira ao longo de 5 minutos para posicionar o INMS para amostragem ideal da atmosfera, transmitindo dados quase em tempo real a partir deste momento e até ao final da missão;
  • 15 de setembro (12:53 hora portuguesa) - a Cassini entra na atmosfera de Saturno. Os seus propulsores disparam a 10% da capacidade com o objetivo de manter a estabilidade direcional, permitindo com que a antena de alto ganho permaneça apontada para a Terra e continue a enviar dados;
  • 15 de setembro (12:54 hora portuguesa) - os motores da Cassini estão ligados a 100%. As forças atmosféricas avassalam a capacidade dos propulsores em manter o controlo da orientação da nave e a antena de alto ganho deixa de estar apontada à Terra. Neste momento, que se espera ocorrer a cerca de 1510 km acima das nuvens de Saturno, cessará a comunicação com a nave espacial e a missão de exploração da Cassini é dada como concluída. A Cassini fragmenta-se como um meteoro momentos depois.

À medida que a Cassini completa a sua viagem de 13 anos à volta de Saturno, o Grande Final - que começou em abril - e o mergulho final são apenas o último capítulo. Após uma missão primária de quatro anos e uma extensão de dois anos, a NASA aprovou um plano ambicioso para prolongar o serviço da Cassini por outros sete anos. Chamada Missão Solstício da Cassini, a extensão permitiu com que a Cassini realizasse dúzias de passagens rasantes pelas luas de Saturno, enquanto observava mudanças sazonais na atmosfera do planeta e em Titã. Desde o início, o final previsto da Missão Solstício consistia em gastar todo o combustível para manobras, chegando eventualmente às órbitas ultrapróximas do Grande Final e terminando com a eliminação segura da nave na atmosfera de Saturno.

 

"O fim da missão da Cassini será um momento comovedor, mas uma conclusão adequada e muito necessária de uma viagem surpreendente," afirma Earl Maize, gestor do projeto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA. "O Grande Final representa o culminar de um plano de sete anos para usar os recursos remanescentes da sonda da maneira mais cientificamente produtiva possível. Ao descartar com segurança a sonda na atmosfera de Saturno, evitamos qualquer possibilidade de afetar uma das luas de Saturno no futuro, permanecendo pristinas para a exploração futura."

Desde o seu lançamento em 1997, as descobertas da missão Cassini revolucionaram a nossa compreensão de Saturno, dos seus anéis, da incrível variedade de luas e do ambiente dinâmico e magnético do planeta. O orbitador planetário mais distante já lançado, a Cassini começou a fazer descobertas surpreendentes imediatamente após a chegada e ainda continua hoje. Jatos gelados são disparados da lua Encélado, fornecendo amostras de um oceano subterrâneo com evidências de atividade hidrotermal. Os lagos e mares de hidrocarbonetos em Titã são dominados por etano e metano líquido e os complexos produtos químicos pré-bióticos formam-se na atmosfera e chovem à superfície. Existem estruturas tridimensionais nos anéis de Saturno e uma grande tempestade circundou o planeta durante a maior parte de um ano. As descobertas da Cassini em Saturno também reforçaram a compreensão dos cientistas sobre processos envolvidos na formação dos planetas.

 


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NASA (comunicado de imprensa)
Cassini: Uma Odisseia em Saturno (NASA/JPL via YouTube)
NASA em Saturno: O Grande Final da Cassini (JPL via YouTube)
SPACE.com
EarthSky
PHYSORG

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Titã:
Solarviews
Wikipedia

Encélado:
Solarviews
Wikipedia

 
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