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ASTRÓNOMOS DESCOBREM O BURACO NEGRO DE MAIS RÁPIDO CRESCIMENTO
18 de maio de 2018

 


Um buraco negro supermassivo brilhante, o quasar 3C 273.
Crédito: ESA/Hubble & NASA
(clique na imagem para ver versão maior)

 

Astrónomos da Universidade Nacional Australiana descobriram o buraco negro de mais rápido crescimento conhecido do Universo, descrevendo-o como um monstro que devora o equivalente em massa ao nosso Sol a cada dois dias.

Os astrónomos observaram mais de 12 mil milhões de anos no passado, até aos primórdios do Universo, quando este buraco negro supermassivo tinha uma massa estimada em aproximadamente 20 mil milhões de sóis com uma taxa de crescimento de 1% a cada milhão de anos.

"Este buraco negro está a crescer tão depressa que brilha milhares de vezes mais do que uma galáxia inteira, devido a todos os gases que ingere diariamente e que provocam muita fricção e calor," comenta o Dr. Christian Wolf, da Escola de Astronomia e Astrofísica da Universidade Nacional Australiana.

"Se tivéssemos este monstro no centro da nossa Via Láctea, seria 10 vezes mais brilhante do que a Lua Cheia - pareceria uma estrela incrivelmente brilhante que apagaria quase todas as estrelas do céu."

O Dr. Wolf disse que a energia emitida por este recém-descoberto buraco negro supermassivo, também conhecido como quasar, é principalmente radiação ultravioleta, mas também irradia raios-X.

"Novamente, se este monstro estivesse no centro da Via Láctea, provavelmente tornaria a vida na Terra impossível com a enorme quantidade de raios-X que emana," realça.

O telescópio SkyMapper do Observatório Siding Spring da Universidade Nacional Australiana detetou essa luz no infravermelho próximo, uma vez que as ondas de luz mudaram para o vermelho durante os milhares de milhões de anos-luz até à Terra.

"À medida que o Universo se expande, o espaço expande-se e isso estica as ondas de luz e muda a sua cor," explica o Dr. Wolf.

"Estes buracos negros grandes e de rápido crescimento são extremamente raros, temos andado à sua procura com o SkyMapper há já vários meses. O satélite Gaia da ESA, que mede pequenos movimentos de objetos celestes, ajudou-nos a encontrar este buraco negro supermassivo."

O Dr. Wolf disse que o satélite Gaia confirmou que o objeto encontrado se encontra parado, o que significa que estava longe e que era um candidato a um quasar muito grande.

A descoberta do novo buraco negro supermassivo foi confirmada usando o espectrógrafo acoplado ao telescópio de 2,3 metros da Universidade Nacional Australiana, a fim de dividir as cores em linhas espectrais.

"Não sabemos como é que este cresceu tanto e tão rapidamente nos primeiros dias do Universo," comenta Wolf.

"A busca por buracos negros de crescimento ainda mais elevado continua."

Dado que estes tipos de buracos negros brilham (as suas imediações, isto é, o buraco negro propriamente dito não brilha), podem ser usados como faróis para ver e estudar a formação de elementos nas primeiras galáxias do Universo.

"Os cientistas podem ver as sombras de objetos em frente do buraco negro supermassivo," realça.

"Os buracos negros supermassivos de rápido crescimento também ajudam a limpar a névoa em seu redor ionizando os gases, o que torna o Universo mais transparente."

O Dr. Wolf disse que estão a ser contruídos instrumentos em telescópios terrestres muito grandes que, na próxima década, poderão medir diretamente a expansão do Universo usando estes buracos negros muito brilhantes.

 


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