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NOVA MEDIÇÃO DA CONSTANTE DE HUBBLE FAZ CRESCER MISTÉRIO DA EXPANSÃO DO UNIVERSO
19 de julho de 2019

 


Num artigo a ser publicado brevemente, cientistas da Universidade de Chicago anunciam uma nova medição da expansão do Universo usando gigantes vermelhas.
Crédito: Norval Glover

 

Cientistas da Universidade de Chicago fizeram uma nova medição da rapidez com que o Universo se está a expandir - usando um tipo de estrela totalmente diferente dos empreendimentos anteriores. Este valor cai no centro de uma questão muito debatida em astrofísica que pode exigir um modelo inteiramente novo do Universo.

Os cientistas sabem há quase um século que o Universo está a expandir-se, mas o valor exato de quão rápido está a crescer teima em manter-se elusivo. Em 2001, a professora Wendy Freedman liderou uma equipa que usou estrelas distantes para fazer uma medição histórica desse valor, de nome constante de Hubble - mas não está de acordo com outra medição importante, e a tensão entre os dois números tem persistido mesmo quando cada lado faz leituras cada vez mais precisas.

Num novo artigo a ser publicado em breve na revista The Astrophysical Journal, Freedman e a sua equipa anunciaram uma nova medição da constante de Hubble usando uma classe estelar conhecida como gigante vermelha. As suas observações, feitas com o Telescópio Espacial Hubble da NASA, indicam que o ritmo de expansão do nosso canto do Universo é ligeiramente inferior a 70 quilómetros por segundo por megaparsec - um pouco menos que a sua medição anterior, mas tal não alivia a tensão.

"A constante de Hubble é o parâmetro cosmológico que define a escala, o tamanho e a idade do Universo; é uma das formas mais diretas que temos de quantificar como o Universo evolui," explicou Freedman, professora de astronomia e astrofísica e astrónoma de renome mundial. "A discrepância que vimos antes ainda não desapareceu, mas esta nova evidência sugere que ainda não se sabe se existe uma razão imediata e convincente para acreditar que há algo fundamentalmente defeituoso no nosso modelo atual do Universo."

Um número por trás da teoria do Universo

A constante de Hubble, assim chamada em homenagem ao astrónomo pioneiro Edwin Hubble, sustenta tudo no Universo - desde a nossa estimativa de quando o Big Bang teve lugar até à quantidade de matéria escura existente. Ajuda os cientistas a esboçar uma teoria da história e estrutura do Universo; e, inversamente, se existirem falhas nessa teoria, uma medição precisa da constante de Hubble pode ajudar à sua deteção.

Há vinte anos, a equipa do Projeto Chave do Telescópio Espacial Hubble, liderada por Freedman, anunciou que tinha medido o valor usando estrelas distantes chamadas Cefeidas, que pulsam em intervalos regulares. O seu programa concluiu que o valor da constante de Hubble era de 72 km/s/Mpc. À medida que os astrónomos refinavam as suas análises e recolhiam novos dados, esse número permaneceu relativamente estável, em aproximadamente 73 km/s/Mpc.

Mas, mais recentemente, os cientistas adotaram uma abordagem muito diferente: a construção de um modelo baseado na estrutura ondulante da luz remanescente dos primeiros momentos do Big Bang, chamada Radiação Cósmica de Fundo em Micro-ondas (CMB - Cosmic Microwave Background). Se corressem um modelo para a frente no tempo, extrapolando os primeiros momentos do Universo, alcançavam um valor de 67 km/s/Mpc. Este desacordo é significativo - quase 10% - e continuou a solidificar-se com o tempo.

Ambos os campos procuraram algo que pudesse estar a causar a incompatibilidade. "Naturalmente, surgem dúvidas sobre se a discrepância está a vir de algum aspeto que os astrónomos ainda não entendem sobre as estrelas que estamos a medir, ou se o nosso modelo cosmológico do Universo ainda está incompleto," disse Freedman. "Ou talvez ambos precisem de ser melhorados."

Mapeando as estrelas

Uma parte central do desafio em medir o Universo é que é muito difícil calcular com precisão as distâncias de objetos distantes. A equipa de Freedman analisou originalmente dois tipos de estrelas que possuem características confiáveis que permitem aos astrónomos usá-las em combinação com medições cosmológicas: as supernovas do Tipo Ia, que explodem com um brilho uniforme; e as variáveis Cefeidas, estrelas que pulsam em intervalos regulares que podem ser combinados com os seus picos de brilho. Mas ainda é possível que exista algo sobre as cefeidas que os cientistas ainda não tenham entendido completamente, o que pode estar a introduzir erros.

A equipa de Freedman procurou verificar os seus resultados estabelecendo um caminho novo e inteiramente independente para a constante de Hubble usando um tipo de estrela totalmente diferente.

Certas estrelas terminam as suas vidas como um tipo de estrela muito luminosa chamada gigante vermelha. A certo ponto, a estrela sofre um evento catastrófico chamado flash de hélio, no qual a temperatura sobe para cerca de 100 milhões K e a estrutura da estrela é rearranjada, o que acaba diminuindo dramaticamente a sua luminosidade (isto acontecerá um dia com o nosso próprio Sol, que também se tornará numa gigante vermelha). Os astrónomos podem ver o ponto onde todas as luminosidades das estrelas caem, e podem usar isso como uma maneira de determinar a distância.

"O princípio é simples," explicou Freedman. "Imagine que está perto de uma luz da rua e que sabe que esta está a 3 metros de distância. A intervalos regulares, na rua, consegue ver mais postes de luz, luzes estas que ficam progressivamente mais fracas quanto mais longe estiverem. Ao sabermos a distância e quão brilhante a luz está de si, e medindo depois quão mais ténues as luzes mais distantes parecem ser, podemos estimar as distâncias de todas as outras luzes da rua."

A equipa de Freedman colocou isto em ação usando as câmaras sensíveis do Telescópio Espacial Hubble, em busca dos novos "postes de luz" cósmicos. Ao comparar as luminosidades aparentes das gigantes vermelhas distantes com as próximas que medimos com outros métodos, e combinando estas leituras com aquelas das supernovas do Tipo Ia, Freedman e a sua equipa foram capazes de determinar a distância de cada uma das galáxias hospedeiras.

O próximo passo é simples: a rapidez com que essa galáxia se afasta de nós é o resultado da sua distância vezes a constante de Hubble. Felizmente, a velocidade de uma galáxia é fácil de medir - a luz que vem das galáxias muda dependendo da rapidez com que a galáxia se afasta de nós.

Os seus cálculos forneceram uma constante de Hubble de 69,8 quilómetros por segundo por megaparsec – no meio dos valores previamente determinados.

"O nosso pensamento inicial foi que, se há um problema a ser resolvido entre as cefeidas e o fundo cósmico de micro-ondas, o método da gigante vermelha pode ser o fator de desempate," disse Freedman.

"O método da gigante vermelha é independente das cefeidas e é incrivelmente preciso. As estrelas usadas são de menor massa, têm diferentes histórias evolutivas e estão localizadas em diferentes regiões de galáxias distantes," disse Taylor Hoyt, estudante da Universidade de Chicago e coautor do artigo.

Mas os resultados não parecem favorecer fortemente uma resposta sobre a outra.

"Estamos a trabalhar na fronteira do que é atualmente conhecido sobre cosmologia," salientou Freedman. "Estes resultados sugerem que ainda não temos a resposta final. O ónus da prova é alto quando as alegações de uma nova física estão presentes, mas é isso que a torna excitante," disse. "Qualquer que seja a resolução do conflito, é importante. Nós ou confirmamos o nosso modelo padrão da cosmologia, ou aprendemos algo novo sobre o Universo."

 


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// Universidade de Chicago (comunicado de imprensa)
// Instituto Carnegie (comunicado de imprensa)
// Professora Wendy Freedman explica o mistério da constante de Hubble (Universidade de Chicago via YouTube)
// Artigo científico (arXiv.org)

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Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

"Escada" cósmica de distâncias:
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Cefeidas:
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SEDS

Supernova do Tipo Ia:
Wikipedia

Gigante vermelha:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
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