COMO AS ESTRELAS SE FORMAM NAS GALÁXIAS MAIS PEQUENAS 18 de agosto de 2020
A galáxia anã da Fénix recebe o seu nome da constelação do hemisfério sul onde está localizada. A anã da Fénix é única no sentido de que não pode ser classificada de acordo com o esquema normal das galáxias anãs; embora a sua forma a rotule como uma galáxia anã esferoidal - que não contêm gás suficiente para produzir novas estrelas - estudos mostraram que a galáxia tem uma nuvem de gás associada nas proximidades, sugerindo formação estelar recente, e uma população de estrelas azuis jovens, apesar da sua massa extremamente baixa.
Crédito: ESO
A questão de como as pequenas galáxias anãs sustentaram a formação de novas estrelas ao longo do Universo há muito tempo que confunde os astrónomos de todo o planeta. Agora, uma equipa de investigação internacional descobriu que pequenas galáxias dormentes podem acumular gás lentamente ao longo de muitos milhares de milhões de anos. Quando este gás repentinamente entra em colapso sob o seu próprio peso, podem surgir novas estrelas. O novo trabalho foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
Existem cerca de 2 biliões (2x1012) de galáxias no nosso Universo e, enquanto a nossa própria Galáxia, a Via Láctea, contém entre 200 e 400 mil milhões de estrelas, as galáxias pequenas contêm apenas dezenas de milhares a alguns milhares de milhões. O modo como as estrelas se formam nestas galáxias minúsculas está envolto em mistério.
Agora, uma equipa de investigação da Universidade de Lund, Suécia, estabeleceu que as galáxias anãs são capazes de permanecer dormentes durante vários milhares de milhões de anos antes de começar a formar estrelas novamente.
"Estima-se que estas galáxias anãs pararam de formar estrelas há cerca de 12 mil milhões de anos. O nosso estudo mostra que isto pode ser uma paragem temporária," diz Martin Rey, astrofísico da Universidade de Lund e líder do estudo.
Por meio de simulações de computador de alta resolução, os investigadores demonstram que a formação de estrelas em galáxias anãs termina como resultado do aquecimento e ionização da luz forte de estrelas recém-nascidas por todo o Universo. As explosões das chamadas anãs brancas - estrelas pequenas e ténues produzidas do núcleo que permanece quando estrelas de tamanho normal morrem - contribuem ainda mais na prevenção do processo de formação estelar em galáxias anãs.
"As nossas simulações mostram que as galáxias anãs são capazes de acumular combustível na forma de gás, que eventualmente se condensa e dá origem a estrelas. Isto explica a formação estelar observada em galáxias anãs ténues, que há muito intriga os astrónomos," explica Rey.
As simulações de computador usadas pelos investigadores no estudo são extremamente demoradas: cada simulação leva até dois meses e requer o equivalente a 40 portáteis operando 24 horas por dia. O trabalho continua com o desenvolvimento de métodos para explicar melhor os processos por trás da formação de estrelas nas galáxias mais pequenas do nosso Universo.
"Ao aprofundar a nossa compreensão sobre este assunto, ganhamos novos conhecimentos sobre a modelagem de processos astrofísicos, como explosões de estrelas, bem como o aquecimento e arrefecimento de gás cósmico. Além disso, estão em andamento trabalhos adicionais para prever quantas destas anãs formadoras de estrelas existem no nosso Universo, e quantas podem ser descobertas por telescópios astronómicos," conclui Rey.