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ALGUNS PLANETAS PODEM SER MELHORES PARA A VIDA DO QUE A TERRA
9 de outubro de 2020

 


Ilustração do primeiro planeta do tamanho da Terra, validado, em órbita de uma estrela distante e na zona habitável, identificado pelo Telescópio Espacial Kepler da NASA. Os investigadores propõem que os telescópios espaciais futuros procurem planetas que são melhores para a vida do que o planeta Terra.
Crédito: Centro Espacial Ames da NASA/Instituto SETI/JPL-Caltech

 

A Terra não é necessariamente o melhor planeta do Universo. Os investigadores identificaram duas dúzias de planetas para lá do nosso Sistema Solar que podem ter condições mais adequadas para a vida do que as nossas. Alguns destes orbitam estrelas que podem ser melhores até do que o nosso Sol.

Um estudo liderado pelo cientista Dirk Schulze-Makuch, da Universidade de Washington, publicado recentemente na revista Astrobiology, detalha as características de planetas potencialmente "superhabitáveis", que incluem aqueles que são mais velhos, um pouco maiores, ligeiramente mais quentes e possivelmente mais húmidos que a Terra. A vida também poderia prosperar mais facilmente em planetas que giram em torno de estrelas que mudam mais lentamente e com maior esperança de vida do que o nosso Sol.

Os 24 principais candidatos a planetas superhabitáveis estão todos a mais de 100 anos-luz de distância, mas Schulze-Makuch disse que o estudo pode ajudar a concentrar esforços futuros de observação, como os do Telescópio Espacial James Webb da NASA, do observatório espacial LUVIOR e do telescópio PLATO da ESA.

"Com a chegada dos próximos telescópios espaciais, teremos mais informações, por isso é importante selecionar alguns alvos," disse Dirk Schulze-Makuch, professor da Universidade de Washington e da Universidade Técnica de Berlim. "Temos que nos concentrar em certos planetas que têm as condições mais promissoras para uma vida complexa. No entanto, temos que ter cuidado para não ficar presos à procura de uma segunda Terra, porque podem haver planetas ainda mais adequados para a vida do que o nosso."

Para o estudo, Schulze-Makuch, geobiólogo com experiência em habitabilidade planetária, juntou-se aos astrónomos René Heller do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar e Edward Guinan da Universidade Villanova para identificar critérios de superhabitabilidade e procurar bons candidatos entre os 4500 exoplanetas conhecidos para lá do nosso Sistema Solar. A habitabilidade não significa que estes planetas têm definitivamente vida, apenas as condições que levariam à vida.

Os cientistas selecionaram sistemas com prováveis planetas terrestres que orbitam na zona habitável da estrela hospedeira no Arquivo Exoplanetário KOI (Kepler Objet of Interest) de exoplanetas em trânsito.

Embora o Sol seja o centro do nosso Sistema Solar, tem uma vida útil relativamente curta, de menos de 10 mil milhões de anos. Visto que demorou quase 4 mil milhões de anos para qualquer forma de vida complexa aparecer na Terra, muitas estrelas semelhantes ao nosso Sol, as chamadas estrelas G, podem ficar sem combustível antes que vida complexa se desenvolva.

Além de observar sistemas com estrelas G mais frias, os investigadores também procuraram sistemas com estrelas anãs K, que são um pouco mais frias, menos massivas e menos luminosas do que o nosso Sol. As estrelas K têm a vantagem de uma longa esperança de vida de 20 mil milhões a 70 mil milhões de anos. Isto permitira que os planetas em órbita fossem mais antigos, além de dar mais tempo à vida para avançar até à complexidade encontrada atualmente na Terra. No entanto, para ser habitável, os planetas não devem ser tão velhos ao ponto de esgotarem o seu calor geotérmico e de não terem campos geomagnéticos de proteção. A Terra tem aproximadamente 4,5 mil milhões de anos, mas os investigadores afirmam que o ponto ideal para a vida é um planeta que tem entre 5 mil milhões e 8 mil milhões de anos.

Tamanho e massa também são importantes. Um planeta que é 10% maior do que a Terra deveria ter mais solo habitável. Espera-se que um que tenha 1,5 vezes a massa da Terra retenha o seu aquecimento interno por mais tempo através do decaimento radioativo e também tenha uma gravidade mais forte para reter uma atmosfera por um período de tempo mais longo.

A água é a chave da vida, e os autores argumentam que um pouco mais de água ajudaria, principalmente na forma de humidade e nuvens. Uma temperatura ligeiramente mais elevada no geral, uma temperatura média da superfície aproximadamente 5º C maior que a da Terra, juntamente com humidade adicional, também seria melhor para a vida. Esta preferência por calor e humidade é vista na Terra com a maior biodiversidade das florestas tropicais do que em áreas mais frias e secas.

Entre os 24 melhores candidatos exoplanetários, nenhum deles satisfaz todos os critérios para planeta superhabitável, mas um tem quatro das características críticas, tornando-o possivelmente muito mais confortável para a vida do que o nosso planeta natal.

"Às vezes é difícil transmitir este princípio de planeta superhabitável porque pensamos que temos o melhor planeta," disse Schulze-Makuch. "Temos um grande número de formas de vida complexas e diversas, e muitas que podem sobreviver em ambientes extremos. É bom ter vida adaptável, mas isso não significa que temos o melhor de tudo."

 


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// Universidade Estatal de Washington (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astrobiology)

Saiba mais

Notícias relacionadas:
ScienceDaily
PHYSORG
CNN
Forbes
ZAP.aeiou

Superhabitabilidade:
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA)
Arquivo de dados do Kepler
Arquivo de dados da missão K2
Arquivo Exoplanetário KOI
Wikipedia

 
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